terça-feira, 2 de agosto de 2016

ISTO É TÃO INÊS || Contrastes


À medida que vou crescendo e vivendo, sinto cada vez mais necessidade de entrar em contacto com pensamentos, rotinas, ideias e culturas completamente diferentes da minha. Contrastantes em todos os sentidos, se necessário.
Faço questão de ler livros sobre formas de interpretar determinados temas que discordo - ou não acredito -, gosto de conversar com pessoas com filosofias diferentes da minha (especialmente de as ouvir e não tanto de entrar num debate de ideias, esse não é o meu propósito, embora adore uma boa discussão), de procurar viagens com culturas e rotinas completamente distintas da minha. Com realidades, dificuldades, vitórias e metas que em nada se encaixam com a minha forma de estar, ver e pensar no mundo.

Não por vaidade ou conflito. Como já referi, eu não gosto de ouvir essas pessoas para derrubar-lhes as bases em que acreditam ou desequilibrar-lhes os argumentos. Há tempo para fazer tudo - discutir e argumentar também - e eu faço questão de separar as águas. Eu quero ouvi-las. Eu quero ver, eu quero ler. Também não é com o objectivo de me sentir melhor que os outros ou apontar-lhes fragilidades que não tenho. Mas porque sinto uma urgência enorme de conhecer.

Conhecer em todas as vertentes. Eu gosto de conhecer o lado que é completamente distinto do que sou porque isso me faz - pelo menos eu acho que sim - aberta ao mundo, consciente e com capacidade de aprender. Eu não concordo com determinado pensamento, eu não sigo determinada religião, eu não vivo em determinado local mas eu sei como é. Eu conheci, eu ouvi, eu li e vi. E isso é completamente diferente. Isso torna-me mais completa como pessoa e mais segura das filosofias que quero entregar para a minha vida. Eu posso não ter fé em determinadas coisas, mas eu gosto de saber o que move as pessoas e como é que elas caracterizam a fé delas. Eu posso ser uma privilegiada com um tecto de sonho por cima da minha cama confortável, mas eu quero observar como quem não tem nada, por vezes, é mais completo do que quem tem tudo. E eu gosto simplesmente de conhecer o meu contraste. De ler livros, revistas ou ver palestras às quais eu termino e penso "Não penso, de todo, desta forma, jamais iria escrever um livro/revista ou dar uma palestra dizendo aquelas coisas" mas que contribuem para o meu intelecto e para a minha essência.

E, afinal de contas, eu acredito que mudamos, que evoluímos. E nada me garante que, daqui a uns tempos, o meu contraste venha a ser a minha cor favorita, ou a mais usada. Ninguém me garante que mude de ideias, que perca o tecto, que ganhe fé em determinada coisa e que deixe de acreditar no que acredito. E é óptimo eu estar preparada para os vários caminhos que tenho pela frente, que posso escolher. Porque já os conheço.

Não nego, é óptimo a familiaridade e o reconhecimento do que já sei que existe. É óptimo ler um livro em que parece que o escritor escreveu tudo só para ti, tamanha é a vossa harmonia de encontro de pensamentos. É óptimo estar à mesa com alguém com a mesma visão que a nossa - a sensação de que não estamos sós e que há pessoas que se complementam connosco - e é óptimo ver cidades com rotinas tão familiares que sabem a casa. Ver pessoas com a mesma fé e filosofia que a minha. Mas fazer questão de me encontrar com o que me diverge faz-me sentir que estou a optimizar cada característica que me desenha como pessoa. 

6 comentários:

  1. Excelente texto, Inês! E que grande abertura de espírito que tens - e isso é tão bom! Identifico-me muito com tudo o que escreveste, excepto numa coisa: tenho tendência a não conseguir só ouvir e entrar em discussão. Mas sempre com limites - quando percebo que são questões demasiado pessoais, prefiro aceitar um "agree to disagree" do que enveredar por caminhos de conflito.

    Jiji

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  2. Também me custa imenso, por vezes, simplesmente ouvir e não contra argumentar com algo, mas acho que é mesmo como referi no texto: há momentos em que devemos intervir e mostrar o nosso lado e acender um debate maravilhoso. E outras em que devemos simplesmente ouvir, ouvir a sério :)

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  3. Subscrevo completamente o que escreveste! Tal como tu, eu ando a descobrir-me e nada melhor do que fazê-lo com o auxílio da pesquisa, da vivência e do conhecimento. Sendo uma pessoa bastante curiosa, já é de mim querer saber de tudo e mais alguma coisa, analisando os prós e os contras, mas à medida que vamos crescendo, parece que essa curiosidade se torna em necessidade e não há nada melhor do que alimentá-la da melhor forma!

    A Vida de Lyne

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  4. Inês! É tão isto! Sinto que tenho exactamente a mesma posição que tu neste assunto. Quero conhecer, experimentar, viver... Não vejo outra forma de viver a minha vida, senão esta. É essa busca "insacíavel" pelo conhecimento, seja de que natureza for, que procuro.

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  5. Excelente! Amei :) Beijinhosss

    http://oliviawolfgang.blogspot.pt/

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  6. É caso para dizer que não há mal nenhum e que o mundo é lindo com as suas diferenças. Porque se fossemos todos iguais, não teria a mesma piada e nunca ia haver aquela sensação de diferença, contraste, invulgaridade. O importante é sempre conhecer mais, mais e mais até morrermos. E ver sempre o lado bom das coisas :)

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