domingo, 1 de maio de 2016

A Ela


A ti. Porque por muito que as princesas da Disney me tenham cativado, por muito que a Barbie tenha feito os meus olhos brilharem, por muito que possa estar grata por já me ter cruzado com tantas mulheres incríveis na vida, tu sempre foste o meu modelo. De tudo. E desde pequenina.

Era no teu colo que encontrava o consolo para todas as minhas lágrimas, fossem elas de fome mesmo em pequenina, fossem elas agoniantes de um entalar de dedo ou do coração. Porque sempre te achei gira, porque para mim não havia mulher mais gira do que tu, por muito que nunca tenhas reconhecido a tua incrível beleza. Eras tu que lias sempre uma história para eu adormecer, sempre a dos 101 Dálmatas.

Obrigada por todas as coisas que me ensinaste (algumas delas com muito esforço e paciência, que só uma mãe com entrega consegue fazer). Obrigada por me deixares ter herdado tantas expressões tuas, as sérias, a expressão do sorriso com os olhinhos à chinês, os olhos verdes, aquelas coisas que só nós dizemos e mais ninguém no mundo se lembra de as dizer e o amor profundo pelo mesmo desporto. Obrigada por me ensinares em miúda a imitar-te na forma como nos devemos comportar à mesa e na casa dos outros. Obrigada por não teres feito aquela falinha manhosa do "quais são as palavras mágicas?" e simplesmente me teres dito com firmeza nas palavras  - e ainda mais no olhar - "Inês, diz-se por favor e obrigado". Obrigada por não teres deixado o pai chamar-me Susana e por deixares ouvir horas e horas a cassete cor-de-rosa da Barbie e os cd's da Moli Beat.


Mãe, ensinaste-me muito mais do que a fazer a cama, a não deixar migalhas de nada no sofá ou no chão e a vestir casacos sem enrodilhar as mangas da camisola por dentro. Foste o meu melhor exemplo e figura em tudo. Sempre foste, para mim, uma mulher distinta, de uma beleza diferente e inesquecível, com uns olhos meigos mas muito seguros de si e com uma presença de espírito que enchia uma sala inteira. Sempre soubeste ser a melhor parceira do pai mas que conseguia atrair toda a gente para a sua conversa, se quisesse. A que ouvia toda a gente. A anfitriã mais admirada. Ensinaste-me a gostar de mim e de todos os bocadinhos de mim porque me amaste e amas de uma forma marcante, que só uma mãe consegue amar. Ensinaste-me a não desistir das coisas só porque ficam difíceis e não me deixar ficar quando alguém era injusto ou tratava-me mal. Ensinaste-me que nem todos os desafios são "canja de galinha" e que só quem quer muito, muito, muito, muito uma coisa pode ter. Obrigada por me comprares caderninhos no 2º ano para eu escrever as minhas primeiras histórias e contos (ainda me lembro do quanto eu estava ansiosa no 1º ano para aprender a ler e escrever para poder escrever as minhas histórias, que só viviam, nessa altura, na minha cabeça). Onde estaria o Bobby Pins se não mos tivesses comprado? Quem sabe?
Ensinaste-me que não devemos ter comportamentos que reprovamos. Que se alguém não nos trata como merecemos não nos devemos deixar ficar mas jamais devemos pagar da mesma moeda. Porque não é uma moeda de valor. Porque nós somos preciosos por sermos nós e que devemos responder com altura e com dignidade. Ensinaste-me a não ter medo de experimentar coisas, fosse isso um corte de cabelo, um desporto novo ou um tipo de leitura diferente.

Mãe, foste e és a minha melhor amiga. Por muito que digam que mãe não é amiga. Se a mãe não pode ser amiga, quem pode? Mãe, és a minha melhor amiga. Por tudo o que já vivemos juntas. Porque conheces-me quando eu nem sequer sabia o que era a própria existência. Porque me viste nas birras mais vergonhosas e porque me educaste para eu ser agora a pessoa bem formada que sou. Porque estiveste sempre lá e fazias trinta por uma linha para ir a todas as peças de teatro, a todos os bailados, a todos os treinos, a todos os recitais. Nunca faltaste e sempre tiveste um sorriso familiar, que se reflecte no meu rosto, no final. Porque os teus abraços não mudaram com o passar do tempo e neles encontro o refugio que tanto preciso. Porque foste sempre tu que estiveste lá nos primeiros sinais da minha ansiedade e nos meus ataques de pânico. Porque sempre soubeste o que fazer. Porque sempre me abriste os olhos com firmeza nos bastidores do mundo mas defendeste-me em palco, sempre.

Oh Mãe... Vês-me crescer todos os dias e já passámos por tanto lado a lado. Viste-me crescer, perder a franja, voltar a ganhá-la, viste-me apetecer mais as cores pretas na roupa do que as coloridas, viste-me ganhar amor pelas roupas coloridas outra vez, viste-me crescer e ganhar objectivos cada vez mais complicados, cada vez mais complexos, viste-me a construir a minha própria personalidade, que tanta influência tem tua mas que nunca interferiste para eu a ganhar. Ao teu lado já ri até a barriga me doer, já chorei com tamanha tristeza que até tu choraste de me ver tão triste (imagino o quanto custe para uma mãe ver a sua filha sentir-se destroçada), estava do teu lado quando recebeste a notícia mais dolorosa da tua vida e do teu lado já experimentei tantas coisas incríveis e momentos felizes. És uma mulher com felicidade e doçura no coração e isso foi uma das melhores lições que passaste para mim. A ver as coisas com um sentido positivo. A tirar de tudo na vida uma conclusão feliz. A ver o mundo com gratidão e paz de espírito. A olhar para as coincidências da vida com um sorriso. A não me deixar ir abaixo porque eu sou uma miúda incrível (eu sei Mãe, eu é que às vezes me esqueço).

 Já dividimos tantas coisas juntas; Crescemos juntas (de uma forma diferente, é certo, mas crescemos juntas), ganhámos gostos diferentes, viagens, memórias incríveis, conversas que só contigo conseguiria dividir à meia noite, quando não conseguia dormir por sentir o coração apertado (obrigada por me ouvires e por dares os conselhos certos, mesmo aqueles que custam ouvir mas que têm de ser ditos), gargalhadas tão boas, passeios tão maravilhosos, momentos tristes e acima de tudo, momentos tão felizes.
Mãe, da mesma forma que prometeste estar sempre do meu lado para tudo o que houver e sempre me apoiares em todos os momentos da vida, eu prometo-te que tudo na vida vou dividir contigo. E que nos momentos de dúvida, em que olho para mim mesma e penso se consigo, vou sentir a tua mão nas minhas costas a dar o empurrão que preciso. Prometo nunca me esquecer de ti. Prometo que serás sempre a minha melhor amiga. Obrigada, pelo tanto que eu sou hoje por te admirar.

Fotografias da minha autoria, por favor, não as utilizar sem autorização prévia

14 comentários:

  1. Que texto maravilhoso, Inês! Fiquei com um misto de lagriminha no canto do olho com um sorriso enorme ❤️


    www.asofiaworld.com

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  2. Mais um texto de génio Inês! Incrível!Obrigada mãe da Inês por ela existir e escrever para todos nós! A última foto deste texto está brutal!

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  3. tao bonito! uma bonita homenagem à tua mama! :) beijinho!

    the-not-so-girlygirl.blogspot.com

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  4. Que texto incrível. Confesso que deitei uma lagrima :p Ps: vocês são iguais. Lindas <3

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  5. Oh Inês...que maravilha. Que maravilha mesmo. Uma ode às nossas protectoras, melhores amigas, escudo e miradouros para o Mundo. Que maravilha!

    Jiji

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  6. Bolas, acho que apareceram aqui os ninjas a cortar cebolas ao pé dos meus olhos...
    Dos textos mais bonitos que já li, revi-me a mim e à minha mãe em tanta coisa. Não há nada como o amor de mãe :)

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  7. Que texto lindo!! btw, das fotos que nos mostraste nesta publicação, és super parecida com a tua mãe

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  8. Que querida! Está tão fofo o texto, fiquei emocionada.
    O texto está incrível!
    Beijinhos

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  9. Fizeste-me emocionar :o
    Escreves mesmo bem e a tua mãe deve estar mesmo orgulhosa de ti :)

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  10. Que texto tão bonito :) Acho-te mesmo parecida à tua mãe: duas mulheres lindas :)

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  11. Acho que este passou a ser o meu texto favorito do Bobby... Quase me levaste às lágrimas, Inn!!!
    Beijinho*
    P.S.: Tu e a tua mãe são tão parecidas!

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  12. só vi isto hoje. como é que deixei passar? obrigada por nos proporcionares isto! :D

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