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terça-feira, 16 de junho de 2015

MUNDO || Ser forte não significa ser má pessoa


Ao longo destas duas décadas tive o privilégio de conhecer pessoas com histórias de vida completamente opostas, com experiências e modos de viver altamente diferentes e que eu decidi amealhar todas essas oportunidades de as conhecer, de as ouvir e ajudar como uma aprendizagem constante para eu própria crescer enquanto pessoa, para me formar e para ganhar o carácter que desejava para a minha vida. Os nossos pais não podem ser os únicos culpados da nossa formação e a forma como encaramos as oportunidades (sejam elas quais forem, grandes ou pequenas) é também um passo determinante na nossa forma de ser ou, pelo menos, é nisto que acredito e defendo. Conheci pessoas que passaram grandes dificuldades, que têm histórias de vida que me metem ainda hoje de lágrimas nos olhos e pessoas que têm uma vida de topo, que atingiram metas para chegarem onde estão e na forma como vivem. Em ambas eu admiro. E não, eu não admiro as pessoas por terem tido dificuldades porque, acreditem, as pessoas de topo também passam dificuldades e devem ser respeitadas e não menosprezadas só porque têm mais uns euros na conta, isso não me diz nada. As dificuldades não me fazem admirar a pessoa mas sim a forma como as ultrapassou e na pessoa que se tornou. E sim, são coisas diferentes.

Porque se há coisa que me desilude e me faz perder o brilho por alguém é que justifique as suas más atitudes em conta dos "azares da vida". E falo nisto para quem está no fundo do poço ou no cimo, eu não quero saber. A humildade, o respeito, a boa educação, a simpatia e a compreensão não têm carteiras, moradias ou passados menos bons. Vêm connosco e cabe-nos a nós carregarmos no nosso coração o desejo de querermos ver os outros felizes e fazer algo por nós mesmos. Admiro pessoas que passaram por gigantescas dificuldades e não perderam os seus valores, não pisam ninguém, não são frias nem calculistas e têm um bom coração consigo. Porque não fizeram da dificuldade aquilo que elas são mas sim a forma como a superaram, e isso diz tudo de uma pessoa. Tenha ela passado fome ou tenha ela três pratos na mesa todos os dias. Todos temos dificuldades, todos temos problemas e eles nunca vão acabar. Metam isto na vossa cabeça: as dificuldades nunca acabam e se qualquer dificuldade vos molda para seres cada vez mais insensíveis, então sugiro que considerem os vossos valores. Porque vão ficando cada vez mais negros por dentro, menos esperançosos, mais cruéis e egoístas, mais rancorosos e vingativos e isso é o comportamento mais feio e desesperado do mundo. Isto não é sinónimo de ser forte.

Eu quero ser bem sucedida na vida e quero ser forte, todos nós queremos, óbvio. E não falo de dinheiro. Eu quero fazer o que amo, estar em paz comigo mesma de todas as opções e decisões, viver os meus sentimentos em pleno e ser uma pessoa de carácter forte. Eu quero ser bem sucedida e sei que vou ter dificuldades no caminho e nem sempre tudo vai estar a 100%. Eu sei. Mas eu não quero deixar de ter bom coração, eu não quero deixar de aprender, não quero desistir, não quero ter pena de mim nem dos outros (ninguém merece a pena de ninguém) nem quero deixar de tem empatia, boa educação e formação. Eu quero e vou ser boa pessoa por mais fundo que eu esteja no poço, por mais injusta que a minha vida venha a ser. Eu vou porque eu não quero pisar ninguém (especialmente quem goste) para ser feliz. Porque não há nada melhor para ser feliz do que sermos a melhor versão de nós mesmos ainda quando temos o touro mesmo à frente. E nem toda a gente chega a esta conclusão.

domingo, 14 de junho de 2015

MUNDO || Mulheres pelas mulheres!


É triste que estejamos em pleno século XXI e o elogio entre mulheres seja visto ainda como algo irreverente e revolucionário ou, visto por más línguas, falso. Que as mulheres são artificiais umas para as outras quando dizem que outrem está bonita ou fica bem em determinada coisa ou que até apreciam a sua companhia. Que fiquem felizes pela felicidade das amigas. É triste que em pleno século XXI ainda se oiça "eu tenho mais amigos rapazes porque tenho más experiências a fazer amizades com raparigas". 

Há aqui uma particularidade muito entranhada no mundo feminino desde milénios que é a comparação. O universo da mulher é fortemente empurrado para uma reflexão do que é que nós temos e não temos em comparação às outras. Porque as morenas é que são as melhores, porque as baixinhas é que são as mais apetecíveis e porque mulher tem é curvas. Todas estas atrocidades são baseadas numa só palavra: comparação. A mulher compara-se de uma forma medonha e absurda e fica mal resolvida consigo mesma quando os resultados não são positivos. Muitas das vezes o facto de ficar mal resolvida é o que a faz ter um comportamento mesquinho infundamentado, egoísta e feio, em que tem de fazer elogios artificiais ou comentários maldosos ou até puxar à má educação aos outros para se sentir melhor. Porque aquilo que ela fez a outra pessoa sentir comparada com o que ela já é fá-la sentir-se melhor. Porque não partilhar a felicidade da amiga seria submeter-se ao facto de que ela tem uma vida muito melhor e muito superior à sua e não pode compactuar com tal comparação. Basta!

As mulheres são incrivelmente fortes e especiais e é ridículo que canalizem tamanho dom para comportamentos tão infantis e egoístas! Vamos parar de rebaixar as outras mulheres porque ninguém é melhor que ninguém. Somos tão únicas, tão irreverentes, tão chatas, tão complexadas, por que razão vamos querer ser tão cruéis também? Por que é que não podemos encorajar as mulheres que estão do nosso lado? Por que é que não podemos enxergar as nossas qualidades e reconhecer as qualidades de quem está ao nosso lado, por muito diferentes que sejam?

Aqui me confesso: eu não tenho problemas em elogiar e nunca fui desonesta nos meus elogios. Eu fico feliz pelas minhas amigas estarem felizes (mesmo quando sou eu que estou no fundo do poço), eu torço por elas! Eu sei apreciar a beleza de alguém e evidenciá-la a essa pessoa mesmo quando sou uma batata de categoria C, eu faço por passar força e coragem para outras mulheres. E não me podia ser algo mais natural, tudo isto que faço. E o que de mal estiver com a minha vida, é com a minha vida, sem culpa dos outros e eu mesma resolvo, sem crueldade alheia. Eu quero ser simpática e estabelecer empatia com raparigas e quero sentir que isso é um acto natural e importante e não algo revolucionário porque ser simpático não devia ser um acto revolucionário mas sim imperativo na sociedade. E eu estou a falar de simpatia genuína. Vamos parar de deitar as pessoas abaixo, vamos parar de ter inveja, vamos parar de nos compararmos e olharmos ao espelho com desdém de nós próprias porque, por muito que tal possa ser difícil, nós não merecemos tamanho sentido crítico em nós próprias. Dêem-se uma chance de serem lindas e deixem as mulheres à vossa volta serem lindas também. E, se o sabem, digam, sem artificialidades ou mesquinhices e poupem-se de picardias e comentários feios. Sejam belas pelos vossos valores! Sejam o melhor de vocês mesmas! E se são assim, orgulhem-se por serem incríveis!

sábado, 13 de junho de 2015

MUNDO || Uns brunch, outros borga


Acho tanta piada a esta disparidade de estilos de vida em diferentes pontos do mundo... Uso o Snapchat para conseguir estar próxima dos meus amigos, ver o seu dia-a-dia e isso significa que tenho uma amiga na Suíça, Irlanda e ainda Brasil, mas vou falar em especial das duas primeiras. Enquanto os típicos snaps dos meus amigos portugueses são as cervejas e as gravações de vídeos à noite com a música, eu raramente recebo snaps delas na noite (também recebo, mas são raríssimos) e recebo imensas vezes snaps a tomarem o pequeno-almoço com os amigos em cafés super giros, brunchs, passeios. 

Eu acho que a cultura portuguesa é muito borguista e isso é algo com que nunca me identifiquei muito. Eu preferia mil vezes acordar à nove da manhã e ligar a uma amiga para irmos experimentar um novo brunch ao café do que ficar até às 4h da manhã num arraial. Mas eu sei que se ligasse a quase qualquer amigo meu às 9h da manhã ele ia mandar-me bugiar porque teve uma noitada "agressiva" e tinha de dormir. E, nesse sentido, eu não sou portuguesinha de todo.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

MUNDO || 25 Coisas Que Toda a Mulher Já Deve Ter aos 25 Anos


  1. Confiança suficiente para já não sentir a necessidade de justificar o que come, com quem sai, o que veste. Não só para os outros, mas para si própria;
  2. Uma conta bancária com algumas despesas e algum dinheiro;
  3. Apenas os contactos, amigos de Facebook, planos de fim-de-semana e parceiros de casa que ela realmente quer;
  4. Uma melhor amiga quase irmã;
  5. Um lugar só para si;
  6. Uma ideia um pouco mais sólida do que ela deseja numa relação, não apenas o que ela quer ou o que ela pensa que precisa mas sim explorar pessoas diferentes e outras ideias para descobrir exactamente o que quer;
  7. Um closet que tenha tudo o que precisa incluindo algo para vestir numa entrevista, funeral, casamento, saída de sexta à noite num bar e num encontro de sonho se alguém lhe ligar inesperadamente;
  8. O tacto e a postura para pedir um aumento, promoção, mudar de relação ou sair com alguém por quem ela está interessada;
  9. A fé e o reconhecimento de que ela merece essas coisas;
  10. Um tipo de café favorito, um restaurante para levar os amigos que não são da sua área de residência, um penteado que demore menos de 5 min. a fazer de manhã, cartões de visita no seu gabinete, um exemplar do seu livro favorito e roupa de cama que ela tenha orgulho em mostrar;
  11. Um passatempo que não tenha nada a ver com beber, fazer compras ou dependa de outra pessoa;
  12. Receitas de um número considerável de refeições fáceis memorizadas;
  13. O desejo e a disciplina de efectivamente querer cozinhar para si mesma (e apenas para si mesma);
  14. Uma viagem de onde ela tenha histórias incríveis e uma outra viagem que esteja a fazer planos incríveis;
  15. Nada de ressentimentos pelo que as outras mulheres fazem ou não têm em relação a ela;
  16. Uma relação saudável com o seu corpo que não implique comparações ou pensamentos sobre o que o seu parceiro pode pensar;
  17. Pelo menos uma boa memória de um parceiro cândido que nunca quis saber dessas coisas de qualquer maneira;
  18. Perdão pelos parceiros com quem saiu que não eram maduros ou pelo menos tão maduros quanto costumam ser as mulheres por volta dos 20;
  19. Conhecimento do que ela quer na cama e confiança para o pedir sem ter de se sentir desconfortável;
  20. Um berbequim, uma panela anti-aderente, um cartão de que ninguém mais tem acesso, um sutien na medida correcta avaliado na loja, conhecimento prático para mudar um pneu, saber desentupir um cano, fazer um investimento, encontrar um desconto nuns sapatos brutais a 40%;
  21. Uma relação com a sua mãe, mesmo que essa decisão seja uma relação pelo menos funcional e não familiar;
  22. Um passaporte, bagagem resistente e a habilidade para fazer as malas apenas com o essencial que ela julga para sair por um fim-de-semana, semana ou até a vida inteira;
  23. O seguinte kit de emergência: tampões, soro fisiológico, paracetamol e ibuprofeno, desinfectante de mãos, roupa interior lavada, escova de dentes portátil, pensos, 20 euros, um preservativo e um plano B;
  24. Perdão pelo que ela já foi;
  25. Uma ideia do que quer ser.
A tradução foi livre e encontrei no Tumblr. Um bocadinho longe ainda de ter os 25 anos, achei o post brilhante e já posso ter um check em algumas coisas.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Responsabilidades e maturidade


Há uns tempos estava com uma amiga minha na casa dela quando a mãe começou a falar de relações amorosas, referindo sempre as relações entre pessoas da nossa idade (18-20) como "amor jovem, superficial, aquele primeiro encanto que depois vai embora, imaturo". Mas eu nunca compreendi esta ideia. Pela simples analogia que vos trago aqui (se forem da mesma opinião dela):

Aos 16 anos vocês têm a idade mínima legal para terem relações sexuais, que não é uma acção superficial muito menos imatura a decidir;
Podem emancipar-se aos 16;
Aos 18 anos vocês podem beber, encartar e conduzir para onde vos der na real gana e ainda têm de decidir o que querem fazer para o resto da vossa vida (relembro que vocês têm menos que duas décadas de vida);
Mas apaixonarem-se e ter uma relação a sério, com carácter de compromisso a sério (e quando falo de compromisso não estou a falar de casamentos nem nada do género)? Isso é "amor jovem" e "primeiro encanto".

Vocês podem decidir se querem operar pessoas aos 18 ou trabalhar na caixa do IKEA. Mas ter sentimentos a sério por alguém é ridículo aos olhos de todos. Estas lógicas da batata fascinam-me de uma forma que não conseguirei nunca explicar por palavras mas sim pela minha cara de otária cada vez que oiço tamanha poesia. Mas eu estou perdoada. Sou jovem, superficial, imatura e encanto-me à primeira facilmente. Perdoem-me por sentir que isto não faz sentido.

domingo, 15 de março de 2015

MUNDO || Tens a certeza?


Tenho duas décadas sobre mim e sei que, se alguma vez fizer outro post deste género com mais duas décadas sobre mim, ele não vai ser igual, e ainda bem. Quando tinha 14 anos tinha a certeza de que queria ser nutricionista numa clínica, certezas do que queria num namorado e de muitas outras coisas do mundo. Na verdade até conseguia ser bastante realista e as minhas teimosias ou certezas não eram assim tão absurdas. Eu nunca me iludi pensando que podia conquistar o mundo ou que a minha mãe não tinha razão e queria estar sempre contra mim. Não, isso não me aconteceu, mas havia coisas às quais eu punha as mãos no fogo. E quando digo certezas de tudo, é certezas de tudo, qualquer tema. Pensem num tema qualquer e verão que de lá vocês têm a mínima certeza de alguma coisa (nem que seja a certeza de que não percebem patavina do tema que vos ocorreu à cabeça).

Hoje eu tenho 20 anos e tenho menos certezas sobre as mesmas coisas que tinha aos 14 anos. E não podia ser de outra forma. As vivências, o pragmatismo, a tentativa-erro e a turbulência de uma montanha russa de altos e baixos fez com que eu seja uma pessoa com muito mais incertezas do que quando estava na minha puberdade. Mas isso fez-me também querer ser mais tolerante com as certezas dos outros, menos teimosa com as minhas. Ainda sou convicta, ainda debato e ainda gosto de defender alguns valores e ideias, mas tenho muito mais flexibilidade para perceber que os outros também têm direito a ter as deles. E, tal como eu, há 6 anos atrás nada disto era assim e daqui a 20 anos ainda mais diferente será.

Sei que, à medida que crescemos, menos certezas temos. As coisas que julgávamos como certas, como garantidas nas nossas ideias não vão ser assim quando formos mais velhos. Que agora acho piada quando vejo alguma miúda de 14 anos a dizer "Eu acho que é assim e acho que nunca vou conseguir X/que vai ser sempre Y" e acho piada porque eu sou uma miúda de 20 anos com o blogue que manda 300 postas de pescada de certezas e que qualquer mulher de 30, 40, 50, 60 anos (até eu com estas idades, se este blogue se aguentar) iria rir pelas minhas convicções tão precoces.

Nós batemos com a cabeça na parede e bebemos de águas que jurámos nunca beber. Nós vamos para o outro lado onde uma vez julgámos e ficamos sem chão quando aquilo que achávamos que seria sempre azul não só é amarelo como já não está lá. Levamos tanta porrada desta vida, tantos "toma lá que é para aprenderes a não dizer que farás sempre isto ou nunca dirás aquilo", nós tomamos por certo tantas atitudes e comportamentos dos outros que cada vez que todas estas premissas nos contradizem, olhamos para a vida com uma sensação de caloiros no meio do mato sem bússola. E isso é incrível e genial e assustador para caraças! À medida que cresço eu tenho menos certezas sobre quem sou, sobre o mundo e sobre qualquer tema em geral. E eu sinceramente acho que esse é o caminho para a sabedoria.

Espero que aos 40 anos discorde desta ideia.

domingo, 8 de março de 2015

MUNDO || Eu e o dia da mulher


Sou a miúda mais insegura e cheia de neuras sobre mim própria. Não tanto sobre o meu próprio corpo mas sobre as minhas atitudes e comportamento. Quando digo que não tenho neuras sobre o meu próprio corpo não estou a dizer que me sinto a próxima Sampaio a desfilar na rua mas a vida e o meu curso fizeram-me entender que a genética e os hábitos assim o ditam e que se sou assim, sou assim, por isso é bom que comece a criar alguma convivência pacífica com as minhas coxas, com o meu nariz entre outros. 

Mas sou insegura na minha pessoa. No sentido de me sentir suficiente para tudo, seja o que for: nos meus desafios diários, na minha própria possível profissão, nas relações, no desporto ou até mesmo no blogue. Sinto que sou muito mas nunca o bastante e como sou a maior crítica de mim mesma, reconheço a léguas todos os meus defeitos e manias, as minhas birras e amuos, o meu feitio complicado, o meu mau-feitio e todos os outros lados obscuros e complicados de mim. Porque sei que não sou uma miúda fácil de lidar e essa noção faz-me sentir insegura quando se aproximam de mim. 

Enquanto mulher, tenho tentado ter mais força sobre mim mesma. Certo, eu tenho tentado melhorar o meu humor, tenho tentado ser mais paciente e menos teimosa sobre as minhas convicções, tento controlar a birra da fome e o mau humor, tento não ter um ar tão extravasado mas, tal como o meu corpo, a genética e os hábitos não perdoam e sei que continuarei assim. Tenho tentado ver-me como uma pessoa que, mesmo com todas as neuras do mundo, merece ser amada e bem amada, merece que se sinta suficiente e merece que lhe reconheçam o esforço. Cada vez mais tenho tentado viver as coisas no presente, sem promessas, sem sensações de ilusão. E se gostam de mim, perfeito. Se gostam de cada detalhe de mim e se estão comigo mesmo quando faço birra, têm-me para sempre, mas se não têm pachorra e vão-se cansar, por muito que custe, eu respeito e sigo em frente. Porque eu sou assim. E tenho de me sentir suficiente para mim mesma, até quando sinto que não encaixo no mundo.

Tenho-me sentido muito importante e isso emociona-me, a tal ponto de até vir uma lagriminha no olho a meio de um abraço (que tento esconder porque aparecer a chorar do nada a meio de um abraço num momento alegre traz um milhão de perguntas). Mas quero estar mais firme. Com todos os meus defeitos, eu amo-me como sou e isso faz com que todas as relações que tenho à minha volta sejam mais suportáveis e menos dependentes, por muito medo que tenha de perder as minhas pessoas. 

E eu acho que isso é que é ser mulher e amar-se. É reconhecer que não sou perfeita, de longe, mas reconhecer também que, como qualquer pessoa no planeta, as minhas imperfeições não justificam o meu desdém pelo meu carácter e corpo nem justificam que as pessoas tenham menos afecto por mim. Nem vou amar-me menos só porque as pessoas não conseguem fazê-lo da mesma forma. Coragem nos dias mais difíceis e emoção e conquista nos dias mais fáceis. Ser mulher é difícil mas (porra) é bom.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

MUNDO || Eu vou dar sempre o melhor de mim


Não gosto quando vejo pessoas a dizer "Não movas mundos e fundos por alguém que nem um passo se move por ti". Não, não está certo. Eu tenho de mover mundos e fundos, eu tenho de pegar fogo só para aquecer outra pessoa, eu tenho de cruzar oceanos. Eu tenho de me transcender pelos outros, mesmo que os outros não se transcendam por mim. Por uma única razão:

Eu não sou eles.

Eu não sou egoísta, eu não sei apenas receber sem dar. Eu não sei fazer chantagem comigo própria e acordar comigo mesma que só dou o melhor de mim se a outra pessoa também o der. Eu vou dar o melhor de mim sempre, eu vou fazer de mim o impossível sempre. Mesmo que a outra pessoa nunca o faça. Porque eu não sou a outra pessoa, porque eu não quero ser igual a alguém tão negra por dentro. Quem perde é ela.

Eu vou sair mais magoada do que nunca, mas magoa-me muito mais sentir que pisei os meus valores e a minha capacidade de amar por ser calculista. Não me importa o quão inocente possa parecer. O mundo precisa de pessoas mais bondosas, mais dispostas a darem o melhor de si. E, nesse sentido, eu sigo uma outra frase, que faz muito mais sentido que as de cima "Se não encontro, invento-me".

Se eu não encontro altruísmo e bondade nos outros, eu vou fazer de tudo para o ser. E, com sorte, alguém que teve o mesmo pensamento genial que eu encontrar-me-à. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

MUNDO || Nós somos o Universo


Gosto de pensar em cada um de nós como planetas. Antes que me considerem uma pessoa absurda, quero desenvolver esta minha ideia, tão minha e tão enraizada na minha mente há anos. 
Nunca estive no espaço, nem a maior parte de nós lá esteve mas já pudemos ver imagens incríveis do Universo. Da beleza do nosso planeta e dos outros e das coisas incríveis que estão por descobrir. Falam da Terra como "O Planeta Azul" mas sabemos perfeitamente que há muito mais no planeta onde habitamos do que oceanos azuis.

E é essa a mesma visão que tenho sobre nós. Que, com a distância que temos uns dos outros, vemos a sua superfície, abstracta, idílica e sem detalhe. Mas, quanto mais nos aproximamos, mais vamos conhecendo. Mais coisas vamos descobrindo e apercebemo-nos da imensidão. Quando olhamos para a Terra, vista do espaço, quase nem dá para acreditar que, dentro daquela esfera, se escondem milhões de pessoas, planícies, monumentos, ideias e artistas, rios e árvores e florestas. E o mesmo acontece connosco. 

Cada um de nós é um planeta que só verdadeiramente conhecemos quando nos atrevemos a explorar e a aproximar-nos dele. Alguns de superfície encantadora e convidativa, outros de atmosfera perigosa mas que incitam ao desejo de conhecer mais, uns mais distantes que os outros mas cruzamo-nos todos, a seu tempo, numa mudança de rota, num cruzamento de linhas, cada um percorrendo o caminho que lhe é destinado.

E se pensarmos que, sem a Terra não vivemos, pensemos também que em nós, enquanto planetas que somos, também temos como hospedeiro algo que, sem nós, a sua própria existência fica comprometida: os nossos valores, ideias e a nossa alma. Sem nós, não existem.

Pensem nisto da próxima vez que se sentirem perdidos e inúteis. Há alguém aí fora que está mais que desejoso por saber na palma da mão de que planeta vocês são feitos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

MUNDO || As pessoas mudam?


Faz-me uma enorme comichão ler "as pessoas não mudam, revelam-se". Aliás, toda a ideia de que uma pessoa não muda deixa-me desconcertada pela falácia com que me confronta. E a primeira coisa que pergunto quando alguém solta a mais bela pérola das pérolas é: 

Tens os mesmos pensamentos e ideias de quando tinhas 16 anos? E se não os tens como pode a tua atitude ser a mesma com que tinhas aos 16?

E vocês respondem-me: oh, isso não é mudar. Como não é? As experiências não nos mudam? Não nos transformam? Não nos marcam? Não nos ensinam? Se não mudássemos, como poderíamos aprender? Como poderíamos ensinar? 
Claro que existem mudanças! Chama-se a isso evoluir. A minha atitude para com as coisas, as pessoas, a vida em geral é um constante molde de experiências e memórias. Aprendo aqui, erro ali, reconheço acolá. Faz parte de nós assimilarmos as nossas atitudes para tudo o que fazemos e reflectir se foram as mais correctas. E, inevitavelmente, corrigi-las. Há coisas em que reagia no passado e que hoje não têm a mesma reacção da minha parte. Respostas que dava que agora não dou. Coisas que fazia sem pensar e que agora reflicto mil vezes. Faz parte.

É certo que há toda uma construção de carácter e personalidade que nos acompanha toda a vida, que nos torna uma imagem de marca e que não envelhece nem se transforma. Faz parte do que somos. Mas aquilo que fazemos a vida inteira tem uma inevitável consequência nas nossas acções e pensamentos. Melhora ou piora o nosso carácter. Aprimora ou destrói a nossa personalidade. Recorta-a ou completa-a.

"As pessoas não mudam, Inês", mudam. Aprendem e crescem. Cabe a cada um de nós decidir se as queremos à mesma quando evoluem. Mas isso é outra história.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014


Lembro-me perfeitamente de no meu 9º ano ter tido uma disciplina com um professor que era deveras peculiar: começou a primeira aula pedindo para que nos agrupássemos e fôssemos para a direita ou para a esquerda de acordo com a opção que desejássemos, ou as nossas preferências. As primeiras foram fáceis de decidirmos, íamos constantemente alternando-nos entre os sentidos de acordo com chocolates preferidos, clubes, hobbys. Mas houve uma pergunta que ele fez - e infelizmente já não me lembro - que fez com que toda a turma se dividisse excepto eu e mais um colega da minha turma que ficámos estáticos no meio, sem saber para que lado nos virarmos. E foi então que ele começou a dizer "Nem sempre as escolhas são tão lineares como pensamos, não é?". Se me perguntarem qual era o nome da disciplina, não faço ideia.

Mas falámos sobre muitas outras coisas. Foi através dele que percebi tudo sobre, por exemplo, seguradoras. Falávamos de coisas reais, falávamos de o que era um Seguro do Carro, de Vida, Saúde, sobre o que é um salário e impostos, falámos sobre como gerir o nosso dinheiro de acordo com bens de primeira necessidade, compras de casa, compras de roupa, idas ao cinema, jantar fora e como poupar. Tivemos um "jogo" em que cada um tinha um emprego num papel e que nele estava denotado o salário bruto e líquido e cada um discutia como conseguiria pagar as contas (a mim tinha calhado ser florista e lembro-me de ficar chocada por perceber que nem para pagar as contas básicas o meu dinheiro iria chegar). Eu dei por mim a pensar no quão importante seria termos esta disciplina mais vezes, em todas as escolas. No quão importante foi para mim enquanto humana perceber que nem todas as escolhas são a preto e branco e no quanto a vida é feita de escolhas, de rearranjos, de alternativas. 

É certo que a matemática, as ciências, a história e as línguas são importantes. Mas saber como desenvencilhar em coisas banais da vida - e entender que é normal termos apertos de vez em quando - também é realmente interessante.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

MUNDO || Referendo Escócia Inglaterra


Não é uma novidade este almejar de independência por parte da Escócia à Inglaterra. Já existe até um governo próprio em Edimburgo mas nunca julguei que este reverendo viesse a existir. Sempre achei que era um daqueles sonhos políticos platónicos. Inglaterra tem uma grande necessidade de controlo à Escócia e não acredito que vá abrir mãos. E, obviamente, a Escócia irá sofrer grandes consequências se abrir mão do reinado à Sua Majestade.

Ainda assim, é de louvar este referendo por parte da Inglaterra. Demonstra o que é ser democrata, independentemente do resultado final. É um bom exemplo para os nossos amigos vizinhos do lado. Espanha devia aprender qualquer coisa com os Bifes.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

MUNDO || A perda de valores


Há algo que tenho dito há algum tempo que me preocupa nesta nova Era; Eu nem digo "geração" porque a verdade é que há muita gente da minha idade e alguns mais velhos com este problema também: a falta de valores.

Para mim, alguém sem valores é, de facto e como próprio nome indica, alguém sem o mínimo de valor para mim. E é o que se tem verificado, não nestas últimas semanas com todos os conflitos mas há anos. Não é de agora. A falta de educação, do respeito pelo outro, do valorizar de opiniões sempre esteve muito demarcado. 

Mas é de arrepiar quando começamos a ver o valor da vida a ser tratado de forma vulgar. Agressões violentas gratuitas feitas ao mínimo conflito e rixa é um motivo para questionar a humanidade da própria Humanidade. A partir do momento em que o direito à vida (decretado por lei! Sim, decretado pela nossa Constituição que todo o ser humano tem direito à vida!) é tratado como um video-jogo onde podemos disparar, esfaquear, esmurrar e açoitar qualquer pessoa que se oponha às nossas ideias, meus caros... é aqui que me começo a preocupar de verdade.

Este problema não é de geração. Não é os "miúdos de agora". Não é "estas pitas que agora arranjam confusão". Isto é um problema de Era, cuja educação é atirada aos professores como se tivessem os professores o dever de educar os filhos dos outros, é um problema de respeito e é, mesmo, um problema de valores morais. Num mundo de acessibilidades, liberalismo e comodidades, três grandes gigantes que existem para tornar o mundo mais aberto e pacífico, chegam o egoísmo, a falta de humildade e a violência. Ninguém tem o direito de brincar com a vida dos outros como se fosse um peão. E a partir do momento em que já se brinca com o valor da vida, que outro valor pode falar mais alto para educar pessoas que já deviam ter sido educadas há um bom par de anos atrás?

terça-feira, 19 de agosto de 2014

MUNDO || Papa Francisco


A minha postura perante a religião é talvez uma das maiores bipolaridades da minha personalidade. Dificilmente consigo destacar uma opinião minimamente definitiva e há muitas questões flutuando e que me fazem levantar as mais diversas perguntas quando o tema é aberto.
Em soma a este meu resguardar religioso, estava a minha falta de crédito por Papas. Pouco ou nada me diziam e pouco ou nada traziam de novo para que o meu pensamento sobre a religião andasse para um porto seguro e, portanto, aqui confesso que quando houve a nomeação do novo Papa Francisco, a minha atenção foi bastante reduzida e a minha desconfiança e descrédito ali permaneceu.

Aqui reconheço o espanto que este novo Papa tem revelado e me faz sentir uma certa admiração. Por inúmeras razões mas, em especial, pela irreverência pelo bem. Qualquer Papa conseguiria garantir destaque, é algo fácil dada a sua posição, mas um destaque em prol do próximo é algo raro e muito altruísta. É um facto que este Papa já foi notícia por coisas mais afastadas da religião como selfies ou o seu constante desafio à segurança (que me faz pensar na dor de cabeça que o núcleo de segurança deve passar cada vez que o mesmo desafia os limites) mas, para mim, o Papa Francisco revelou algo que, finalmente, me fez perceber no que me faz ainda manter um pé preso à religião, não a abandonando por completo: os valores.

Se despirem a religião de orientações, deuses ou tradições, a religião é um culto não só de fé mas de fé pelos outros, de ajudar os outros. Do perdão, da tolerância e do amor. Seja qual for o passado, o presente ou o futuro de todos os acessórios que compõem a religião, estes são os valores que assentam na fé. E é isso que o nosso novo Papa tem revelado: a humildade, a fé, a tolerância e o perdão, que são valores quase esgotados e inexistentes na sociedade hoje em dia e no entanto, a cada gesto novo que ele executa, uma nova lembrança a cada um de nós para sermos um pouco mais bondosos. Eu gosto de admirar pessoas que fazem puxar o melhor de mim, quer a nível académico, profissional, desportivo ou pessoal. E acho que este Papa Francisco (abençoado seja) tem feito um dos melhores trabalhos desta última década: dignificar a fé e a religião e mostrar o lado bom de sermos crentes sem sermos cegos em relação à ciência e às coisas exactas.

Eu espero que este Papa viva e viva muito. Assim que me apercebi do seu dinamismo e irreverência, da sua pouca preocupação com a segurança, concluí que não faltará muito até que tentem terminar o seu caminho. Não é um pensamento isolado, em conversa com outras pessoas, parece-me que temos todos o mesmo presságio: a tentativa de o silenciar. E se, na minha condição tão pouco religiosa, me permito, eu rezo para que este Papa viva o máximo que puder e continue a espalhar os valores mais belos da Humanidade.

sábado, 5 de julho de 2014

MUNDO || Am I Good Enough?


Há algo que nós, mulheres, por mais ou menos femininas que sejamos, vamos ter sempre: um complexo. É um facto matemático que nós temos sempre um complexo, muitas vezes intensificado pela vizinha do lado. Ou a galinha. O que queiram então chamar.
E quem diz que não tem complexos nenhuns mente descaradamente.
Há uns complexos mais complexos que outros. Depende da situação. Mas há sempre um que nos persegue os pensamentos, algo que não nos deixa, abraça desde miúdas e fica connosco como um monstro apaixonado: serei boa o suficiente?

E raramente nos referimos ao boa que os homens adoram referir. Bastarei? Tenho tudo o que é preciso?
É a pergunta mais ridícula e penso que só fica em segundo lugar porque existe ainda o "Será que estou gorda?" mas que atire a primeira pedra qual não foi a mulher que o pensou. Oh, tantas e tantas vezes pensamos isso. É inevitável. 

A minha teoria é que nos conhecemos há demasiado tempo. Eu, por exemplo, conheço-me há quase 20 anos e já estou cansada das minhas neuras e birras pessoais. É uma chatice, dá-me vontade de dizer "amiga, acalma-te lá com a mariquice das ansiedades!" E conheço-me há tanto tempo que me pergunto se é, de facto, com a minha pessoa com que ele quer ficar. 
Pior que isso só quando estou a voltar da rua de calções e t-shirt encharcada, o meu cabelo num conflito armado com o elástico que, supostamente, servia para o prender, com a cara mais vermelha que uma pessoa com um choque anafilático por causa de uns amendoins e com um respirar de cão depois de uma corrida que me deixou no tapete e vejo a rapariga mais gira, com a roupa mais gira e (para me meter um grande nojo) com o cabelo impecavelmente apanhado, tão apanhado que dá nervos e vontade de o despentear. Mulheres.

Não é raiva dela, até porque (para me meter ainda mais nojo) ela viu-me a passar e, mesmo não me conhecendo, disse "boa tarde". Ou seja, além de gira era bem educada. Ou talvez tivesse compaixão com pessoas cujos pulmões estavam a sair pela garganta. E a raiva não é dela. É de não termos nascido assim. Oh, Deus, porque não nasci assim? Porque é que não posso ficar fabulosa depois de correr? Porque é que tenho de corar como um bicho venenoso que muda de cor para fazer de repelente, porque é que temos de ter pernas assim ou altura assado? Porque é que não podemos ter todas o dom de ser modelos lindas e maravilhosas? Porque é que não podemos nascer ricas também, com conta bancária infinita?

E pensam vocês (homens, as mulheres compreenderão esta dor que nos bate no peito) que só diz respeito à aparência. Mas não. Porque ela cozinha e é prendada, enquanto nós somos capaz de meter a massa a pegar fogo, ou porque ela já fez X e nós nem conseguimos fazer Y. Não é ela, nunca é ela, somos nós. Nós não odiamos a vizinha do lado, odiamos que haja esta desigualdade de fabulosidade entre as mulheres.

Chegamos a casa com a pergunta inevitável. Serei boa o suficiente? Com mau feitio, cabelo gerrilheiro e conflituoso, bochechas vermelhuscas, pernas NADA parecidas com uma modelo VS e uma t-shirt velha? Seremos boas o suficiente a pegar fogo à cozinha? Ou sendo esquisitinhas a comer? Ou comendo tudo o que há? Ou não sabendo como fazer X e Y?

Somos. Somos boas sim. Em todos os sentidos que me apetece referir. Somos todas maravilhosas e bonitas e não estou a brincar em nenhuma letra que aqui coloco. Somos.

Somos lindas sim. Com cabelo revolto ou bem apanhado. Com bochechas que coram - essas mal criadas - ou as que não coram, at all. Somos AWESOME de t-shirt encharcada ou top sequinho. Com ou sem a barriguinha, com mais ou menos rabo. 

São espectaculares as que fazem 15 bolos sem se despentearem e as que (perdoem-me a expressão) cagam a cozinha toda, móveis e ainda a casa de banho porque uma divisão só não chega para fazer um pudim. As que precisam de mais tempo para serem convencidas a entrar numa aventura ou as que se atiram de cabeça. As que comem tudo e são bom garfo e as que olham para todos os alimentos que não gordices com um ar desconfiado.

Somos lindas porque aturamos as nossas birras e neuras há anos e ainda cá estamos, lidando com estes complexos todos os dias e fazendo progressos a cada dia que passa, tornando-nos mais fantásticas e giras e engraçadas a cada momento que passa. Não há raparigas melhores ou piores. Ela nunca será melhor que eu e eu nunca serei melhor que ela. Não existem melhores, existem escolhas, as pessoas que escolhem estar connosco, mesmo com todos os defeitos que possamos ter. Ter defeitos não significa ser imperfeita. Nunca significará.

A única escolha que não pudemos, ainda, fazer na vida é nascer no corpo e na mente que quereremos. Mas nem que me pagassem eu iria para outro corpo. Eu fico com as minhas neuras, birras, com os meus conflitos de calças e com as minhas crises académicas. Eu não me troco. E gosto de mim, mesmo que às vezes tenha um nojo do pior daqueles cabelos bem apanhados. Ela é fabulosa no cabelo mas eu sou fabulosa a aguentar 20 km de corrida sem uma única dor de burro. Fica com o teu troféu, eu levo o meu para casa. Eu posso ser uma tragédia grega a física e um pouco a matemática, mas faço equações químicas de olhos fechados e a traduzir os Coldplay. Eu posso não saber como fazer um bolo de chocolate mas sei como o comer de forma profissional com alguém que goste ao meu lado, enquanto vejo um filme ridículo. Oh, se sei! 

E quem nos escolhe, quem fica do nosso lado, quem atura as nossas birras e neuras, merece tudo de nós. E merece também que nós pensemos que somos o suficiente. Somos o suficiente para nós e é a partir daí que podemos ser suficientes para os outros. E quem cuida de mim despenteada, de t-shirt imunda, pernas chatas, mau feitio e perguntas parvas faz-me sentir ainda mais fabulosa do que, por natureza, eu sou por ser mulher.

Bem haja a ele, que preferiu um conflito armado capilar. E bem haja aos vossos, que vos amam com os vossos complexos. Devíamos começar a fazer o mesmo.

domingo, 22 de junho de 2014

MUNDO || Be kind to one another


Sempre fui uma pessoa que deu importância aos pormenores. Posso não ser perfeccionista mas presto muito atenção aos gestos, às expressões, às pequenas coisas que, por vezes, não dizem quase nada a outros olhos.

Como por exemplo, pessoas que me seguram a porta, que dão gorjeta. Que tentam ser simpáticas e sorridentes, mesmo quando não estou nos meus dias de espalhar felicidade ou que distribuem elogios e palavras simpáticas apenas em dias especiais ou quando me visto demasiado bem. 
Pessoas que correm pelo passeio fora atrás da bola que fugiu dos pés dos miúdos para a agarrar e devolver-lhes. Que dizem bom dia e boa tarde, mesmo que se enganem e troquem. 

Temos tendência a achar que estes gestos e muitos outros, pela sua simplicidade, são absolutamente fáceis e coloquiais. Mas... se são assim tão fáceis, porque não vemos todos fazerem? Melhor; Porque nós não os fazemos todos os dias? Eu aprecio. Eu gosto de apreciar esses gestos e gosto ainda mais quando esses mesmos gestos são feitos para mim. Muitas vezes podem custar ou podem até nem ser tão lineares como pensamos (como elogiar as pessoas que mais gostamos ou dizer-lhes, de facto, o quanto gostamos delas em vez de lhes darmos sardas na testa, revirarmos os olhos e dizermos "és um idiota") mas a verdade é que quando fazemos esses pequenos gestos para os outros, pelos outros, de forma a agradá-los, descobrimos que, na verdade, as verdadeiras pessoas que ficam satisfeitas somos nós. Sentimo-nos melhores connosco próprios, sentimo-nos pessoas mais humanas, mais acessíveis, mais fáceis de amar. 

É como se esses gestos pequeninos, uns custando mais do que outros, fossem um passaporte para um dia mais claro e, quem sabe, uma alma mais pacífica também.

terça-feira, 15 de abril de 2014

MUNDO || 1:Face Watch


Vi pelo Instagram e lembrei-me de uma amiga minha que tinha-o no pulso, em memória à mãe que morreu na batalha contra o cancro. Estava curiosíssima para saber o que tinham estes relógios de especial e, depois de ela me ter explicado tudo, fiquei rendida.

1:Face Watch é muito mais que um relógio. É a tua parte activa pelos outros, ser solidária. 1:Face Watch é um projecto que conta com o patrocínio de diversas marcas e instituições onde, dependendo do relógio que escolhes, estás a ajudar uma causa. Existem várias causas à escolha, desde a luta contra à fome, ao tratamento do HIV, contra o cancro. São várias as áreas de foco em que podes ajudar e cada temática solidária está associada a uma cor (a cor do relógio). Tudo o que tens de fazer é comprá-lo e, ao fazê-lo, estarás de imediato a contribuir para a causa que escolheste! O relógio custa cerca de 40$ o que, à conversão vai rondar os 28, 29 euros.

Gosto destas ideias fabulosas e humanitárias porque, por vezes, não sei para onde me focar, não sei onde ajudar. Sinto-me muitas vezes impotente e, se sei que esta é uma das formas de ajudar, eu quero participar. Conversei com os meus pais e avós sobre uma possível prenda de Páscoa e, até porque eu sou uma viciadinha em relógios e até porque a causa é boa, aceitaram oferecer-mo.

Difícil, difícil vai ser agora escolher a causa em que quero intervir. Estando na área em que estou, inclinei-me para a luta contra a fome em África, mas a missão contra o cancro também me cativa. Logo verei qual me decido nesta prenda de Páscoa tão adorável!

domingo, 13 de abril de 2014

MUNDO || Inspirar e ser Inspirado


A principal pergunta que qualquer pessoa faz a uma outra criativa é "onde vais buscar essas ideias? quanto tempo estiveste a pensar nisso?". De facto, por vezes aparecem certas obras-primas que nos deixam a matutar 1) Como surgiu tal ideia inspiradora; 2) Porque não pensámos nisso antes.

Para mim, nada é mais gratificante do que sentir que fomos a inspiração para os outros. Sabermos que a nossa voz, as nossas ideias e pensamentos chegam aos outros de uma forma quase osmótica, simples, sem esforços.
Hoje quero-vos falar do que me inspira. Aquilo que me faz escrever, ouvir outras músicas ou ter novas ideias. A Inspiração é um jogo inteligente: pode estar lá, mas nem toda a gente vai ver. Está nos detalhes, nos gestos do milissegundo. Não é óbvia, mas a forma como se entranha em nós, tão subtil, é tão forte como o desejo.

Inspiração são as pessoas que vejo todos os dias. As que conheço e não conheço. O que me contam, as suas histórias, um momento que observo. Um desconhecido na paragem ou que partilha o assento comigo. São as notícias que oiço, os artigos que leio, os vídeos que vejo. A música que passa no rádio enquanto ia alternando de estação e me faz parar de carregar nos botões, ligar o SoundHound e descobrir que música é aquela que me fez quase parar no trânsito. 
Inspiração é o cd novo que compro, a música que me dão a ouvir porque "vou gostar". O treino intensivo que tenho, os bons jogos em que venço e as derrotas que me marcam. A inspiração está na primeira colher de uma nova sobremesa, nos sabores que se disseminam pelo meu paladar e me fazem fechar os olhos. Está na pressão de um beijo, dos lábios que se tocam, sôfregos de encanto. Está nas palavras carinhosas de quem mais nos embala o coração, nos gestos bondosos, nos gestos verdadeiramente impressionantes. Está na 1ª vez que experimentas algo novo. Está no alto das nuvens, transportada num avião, ou na lama que se acumula nos tornozelos de uma corrida pela terra batida. 

A inspiração está nas gotas de chuva batendo na janela, mais parecendo lágrimas do tempo, está no céu azul místico do final do dia, está no Sol de chapa na testa às oito da noite numa praia deserta. Está depois de um mergulho, antes de descobrires um estilo novo de roupa.

A inspiração está nas pessoas, nos seus olhos, nos seus tiques, nos seus gostos. Nos animais que te amam mais que tudo. No carro que não queria parar na passadeira e te pregou um susto, no tornozelo que te ia falhando no exercício e ias ter um bom 31 para viver. Está nos sotaques e nas línguas, nos provérbios que ainda não conheces, nas fotos que ainda não tiraste e nas culturas por onde ainda não passaste.

A Inspiração é um mundo, nem sempre visível. Exige um olhar clínico, cirurgião, capaz de encontrar no mais ínfimo detalhe, micróbio, poeira, algo digno de surgir novas ideias. Ser uma inspiração é sabermos que somos vistos ao detalhe e que encontram em nós um baú de Pandora onde de lá retiram as mais brilhantes ideias ou novos conceitos. 

A todas as pessoas e todas as coisas que me inspiram: obrigada. E se, alguma vez, fui a inspiração de alguém, jamais conseguirão determinar a quantidade de gratidão que sinto por assim ser.

sábado, 5 de abril de 2014

MUNDO || Acontece-me tantas vezes isto...


Às vezes quando conheço uma pessoa ou me aproximo de alguém com caminhos diferentes do meu, idades diferentes ou com historiais de vida divergentes do meu, dou por mim a pensar no que estava a fazer na mesma altura. Por exemplo, olhar para uma data de faculdade dessa pessoa e pensar que, nessa mesma data e nessa mesma altura eu devia estar super embrenhada num teste de 11º ano. Ou que, quando essa pessoa estava a entrar num projecto qualquer eu estava a sair de outro. 

Faz-me pensar que achamos sempre que agora, no presente já lemos tudo o que havia para ler, já estudámos tudo o que tínhamos para estudar, já sentimos tudo o que havia para sentir e já conhecemos todas as pessoas que valiam a pena conhecer. Raramente achamos que ainda podemos ser surpreendidos, raramente achamos que vamos encontrar um amor igual, uma amizade igual ou achamos sempre que já estamos preparados para conhecer ou viver outros momentos.

Mas hoje, neste momento, eu estou a escrever este post e tu estás a lê-lo. E hoje, neste momento, alguém no mundo está a fazer uma coisa brutalmente diferente. Sem sequer tu imaginares a sua existência e ele a tua.

E, um dia, vão cruzar-se. E as datas, os momentos e as memórias vão cruzar-se, ainda que dissonantes. E vais pensar: "Eu nunca imaginei que caminhos tão diferentes viessem a cruzar-se. Em 2014 eu estava aqui. E agora, em 20-e-futuro estou contigo".

É interessante pensar nisso. Eu gosto.

domingo, 9 de março de 2014

MUNDO || Quem nunca, não é?


E aquela pessoa que nós já vimos, algures, num metro, autocarro, e trocámos um olhar tão intenso ao ponto de nos engolir a nós próprios numa força de outro universo, para depois nos afastarmos e pensarmos:
«Quem me dera que não fosses um desconhecido completo.»

Quem nunca?