sexta-feira, 16 de agosto de 2019

1+3 || 10 Coisas que Aprendi com a Amizade


Não duram para sempre | Ao longo dos anos, fui aprendendo a aceitar que muitas amizades não nascem ‘para sempre’ e que o contrário de amigo não é inimigo. As amizades podem acabar sem existir um fator de conflito ou inconciliação. As rotinas mudam, os interesses e gostos, as circunstâncias. E, por vezes, deixa de fazer sentido ou já não nos reconhecemos. E está tudo bem. Há amizades que existem para determinadas etapas da nossa vida e que não foram menos profundas e especiais por terem existido unicamente nessa fase. Não é necessário — ou saudável — tentar encontrar defeitos e erros na pessoa para justificarem a saída dela na vossa vida. Foram amizades bonitas e sinceras. Simplesmente seguiram rumos diferentes. Sem rancor. Sem inimizade. 

Tipos de amigos | Amigos para tudo são raros e não faz sentido que lhes cobremos isso. Porque é natural. Há amigos para sair, há amigos para passear, há amigos para experimentar coisas novas, há amigos para chorar... É evidente que um só amigo pode encaixar em várias destas características mas não exijo que eles sejam tudo. E eu também não sou. 

Não têm de estar sempre juntos | Desde muito cedo aprendi que não temos de ser inseparáveis e a conversar a toda a hora para a nossa amizade ter valor. Tenho amigos que vejo com pouca regularidade e continuam a ser meus amigos, mesmo. Não falo todos os dias com os meus amigos. Não lhes cobro combinações a toda a hora. E tenho amigos que moram bem longe de mim e que só consigo ver em circunstâncias especiais mas que não considero menos amigos por isso, de todo. 

Tempo não é determinante | O tempo de uma amizade é bonito e curioso. É bonito acompanhar tantas das minhas amizades ao longo dos anos e perceber que, embora tenhamos crescido, amadurecido, iniciado e terminado várias etapas da nossa vida, evoluído certos gostos e interesses, não deixámos de nos acompanhar nem de estarmos de braço dado a traçar novos caminhos. Mas o tempo não é determinante numa amizade. São as pessoas e os momentos que dividem juntas que definem a importância e o significado de uma amizade. Não é menos profunda ou especial por ter menos tempo de existência. E não é fundamental permanecer amigo de alguém só porque o conhecemos desde pequenos. Não é o tempo que define um amigo. Amigo é quem te respeita, te valoriza, te acrescenta. Essa pessoa faz-te feliz? Torce (de verdade) pelo teu bem? É honesta? Aceita as vossas diferenças? Agrega algum valor na tua vida? Esforça-se por fazer parte da tua vida? Não tem preconceito pelo teu tom de pele, orientação sexual ou emprego? Então essa pessoa é tua amiga. Sem qualquer fator de tempo associado. 

Honestidade | Ser sincera para dizer o que não gosto. O que me magoa. O que não acho certo. Para pedir ajuda, nas coisas simples ou mais difíceis. Para ouvir quando sou eu que erro. Para pedir desculpa quando sou eu que piso a bola. Para dizer que gosto. Para dizer que adoro. Para mostrar o meu apoio e disponibilidade. Para por as cartas na mesa. Para mim, honestidade é tudo numa relação e a amizade não podia ser exceção. Eu valorizo, mais do que tudo, ter alguém do meu lado que é tão sincero comigo quanto eu sou com ela. Nas circunstâncias boas e más. 

Empatia | Falei acima de honestidade mas tão importante quanto o que queremos dizer, é a forma como o dizemos. É fundamental que a relação esteja assente numa base de confiança e honestidade mas sem nunca esquecer a empatia. A forma como dizemos as coisas demonstra respeito e carinho pelo outro. Antes de dizermos o que quer que seja — e por mais sincero e bem intencionado que seja — devemos calçar os sapatos de quem vai ouvir e considerar o nosso amigo, sempre. 

Existe amizade entre homem e mulher | É insuportável ouvir que relações de amizade entre homens e mulheres (héteros) não existe. Porque acreditam que há sempre um interesse amoroso e sexual que alimenta a relação. Não podia discordar mais. Tenho amigos do género oposto com quem posso contar para qualquer coisa e por quem eu tenho o maior carinho, admiração e consideração. Mas também por quem não tenho qualquer tipo de interesse amoroso — nem eles por mim. Vivemos os nossos namoros e trocamos impressões com a mesma naturalidade com que trocamos com amigos do mesmo género e eu adoro poder ter amigos de géneros diferentes. Não são mais nem menos especiais do que as minhas amizades com mulheres (e tenho um ódio de estimação por quem diz que ‘amigos rapazes são melhores’. Não compreendo esse ‘valor acrescentado de género’. Eu estimo seres humanos, não géneros) mas são especiais e sem espaço para hipóteses de romance ou ciúmes parvos (da nossa parte ou de quem está numa relação amorosa connosco). 

Existe amizade online | E aprendi esta com a Blogosfera (que especial!). Tenho de admitir que amizade online era algo que me deixava muito cética. Observava a ideia e julgava-a muito fictícia, abstrata, superficial e com prazo de validade curto. Até porque quem é da minha geração cresceu com uma estimulação de desconfiança perante outras pessoas na internet, portanto, não era uma ideia que me parecesse natural ou segura. Mas a Blogosfera (ou melhor, algumas pessoas que fazem parte dela) provou-me o contrário. Foi uma lição demorada, gradual e super natural. Identificava-me profundamente com algumas das pessoas que fazem parte deste universo e nasceu um carinho especial entre nós que só podia passar para o offline. Hoje, tenho amigas (offline!) que nasceram aqui, nestas páginas e que têm tanto valor e significado quanto uma amizade que surge em circunstâncias mais comuns. Quando estamos juntas — mesmo que não seja todos os dias e mesmo que não vivamos ao virar da esquina umas das outras, mas isso vai ao encontro ao ponto número 3 — não falamos sobre os posts que vamos escrever, estratégias de parceria ou fotografias de instagram. Falamos sobre nós. As nossas famílias, amigos, empregos. As nossas inseguranças e vitórias. Trivialidades da vida. Situações que nunca são expostas nos ecrãs. E, se nos apetecer, falamos sobre blogs. Como qualquer outra conversa entre amigos. É tão real e concreta como qualquer outra amizade e devo-lhes essa lição. 

Cultura | Eu já aprendi tanto com os meus amigos. Sobre cinema, música, desporto, literatura. Sobre arquitetura, medicina, nutrição, biologia, turismo, arte, saúde (...). Já aprimorei tantos gostos e interesses graças às suas contribuições. Aprendo coisas novas, descubro géneros, artistas, títulos, filmes e séries que, doutra forma, não conheceria, ganho uma nova visão do mundo através da visão deles. Por vezes, são sugestões personalizadas — conhecem-me e apostam com confiança de que vou gostar disto , outras vezes são mesmo as diferenças que nos aproximam. Talvez nunca fosse dar uma oportunidade a determinada série se a minha amiga não a tivesse visto e adorado tanto que eu preciso de saber o que há nela para ser tão acarinhada.

Não és Deus | Eu admiro, amo e apoio os meus amigos de forma incondicional e profundamente sincera. Torço por eles e não espero que eles sejam outra coisa que não desmedidamente felizes. O meu desejo para eles é que encontrem sempre o sucesso pessoal e profissional. E eles sabem isso. Mas não sou Deus. Ou o Destino. Mesmo que ache que aquele caminho talvez não seja o ideal, que aquela pessoa não seja a certa para ela ou que determinada decisão não seja adequada, eu não posso interferir. Não faz sentido. Eu admiro os meus amigos por vários fatores e um deles é a inerente capacidade que eles têm de tomarem as suas decisões e de terem o livre-arbítrio para optarem por aquilo que mais faz sentido para eles. Mesmo que não concorde ou que julgue que há um caminho melhor. E posso sugeri-lo, se eles assim o considerarem mas, em última instância, eu confio nas decisões deles e eles confiam nas minhas. Por vezes vão bater com a cabeça, vão-se magoar, vão-se arrepender. Como eu bato, magoo e arrependo. Mas faz parte e não posso passar-lhes um atestado de incompetência para viver ou decidir porque nenhum de nós o tem. Somos competentes para tomarmos as nossas próprias decisões porque ninguém nos conhece melhor do que nós. E de uma decisão que nenhum amigo recomenda, podem surgir oportunidades e desfechos extraordinários que ninguém apostaria que sim. Não sou ninguém para decidir o que o meu amigo pode fazer ou escolher. Sou, isso sim, amiga para apoiar em qualquer circunstância e dar o meu aplauso se tudo correr bem ou dois ombros para chorar, na eventualidade de correr mal. Eles sabem o que fazer e eu sei como os apoiar. E vice-versa.

Aprendizagens bonitas e importantes, que me fizeram evoluir enquanto ser humano, mulher e amiga. Espero que eles possam ter aprendido um pouco comigo também. Agradeço-lhes todas estas lições e torço para que possa aprender muitas mais do lado deles. Se possível, entre gargalhadas e fatias de pizza.

2 comentários:

  1. Este post deixou-me com o coração bem quentinho e aconchegado. De uma Inês para outra, muito obrigada!

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  2. Como manténs a motivação do blog quando não há feedback por parte do público, Inês? :|

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