quarta-feira, 8 de agosto de 2018

1+3 || Coragem


A coragem é, talvez, um dos traços mais íntimos e pessoais que carregamos connosco. A nossa coragem tem muito pouco de social, interactiva ou com o objectivo de entregar algo aos outros. Pode fazê-lo indirectamente ou como consequência, mas a coragem é pessoal. Visceral. Uma impressão digital interna que espelha muito bem do que somos capazes.

É algo que carregamos cá dentro e que só nós conseguimos explicar ao certo por que existe numas situações e não noutras. Coragem para aguentar numas ocasiões e a coragem de admitir a derrota noutras. Coragem para abrir o coração a alguém quando não a tivemos para outras pessoas da nossa vida. Coragem para nos posicionarmos ou para sabermos que o silêncio é mais eficiente que a voz. Coragem para seguir sonhos. Ir contra a corrente. Superar medos. Viver depois da morte, da separação, do abandono, do coração partido. Ou para ser feliz.

Eu sempre encontrei coragem dentro de mim quando me vi a viver uma situação que jurava a pés juntos que jamais seria capaz de viver. Quando achava que não tinha estrutura para aguentar. Mas também há coragem nas pequenas coisas. E é por isso que a coragem é nossa e não é palpável, definível, quantificável, exemplificativa. Porque o que é coragem para mim, pode não ser para outra pessoa. Mas exigiu dentro de mim uma força, uma ordem, uma energia que não nasce em qualquer situação. E isso faz de mim uma corajosa. Faz de todos nós, aliás.

De uma forma ou de outra, todos temos dentro de nós um toque de bravura que nos leva a dar o passo em frente que nunca julgávamos conseguir dar. E quase que nos olhamos de fora a dá-lo, como se não estivéssemos a reconhecer a pessoa que o está a dar. Nunca o sentimos na pele, estamos sempre de fora do nosso corpo. E faz um certo sentido. Quando temos um momento de coragem, abandonamos o corpo da pessoa que dizia que jamais conseguiria ultrapassar esse obstáculo e, qual fénix, renascemos para sermos alguém com mais bagagem nas costas e mais bravura nos ossos. Porque nos identificamos muito mais com esse novo 'eu' do que com o que deixámos para trás, sem ressentimentos. O que faz de nós corajosos é diferente de pessoa para pessoa. Mas é importante que todos a tenhamos. Porque significa que estamos vivos, aqui, e que queremos aqui estar com toda a força, todo o espírito, toda a identidade e toda a alma que, essa sim, convive connosco desde que observámos o mundo pela primeira vez.

7 comentários:

  1. Que texto bonito, Inês. E acho que a definiste na perfeição - seja nos grandes momentos ou nas aparentes pequenas coisas no dia-a-dia, a coragem é muito do que nos define.

    Jiji

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  2. Estou mesmo de lágrimas nos olhos. Às vezes esqueço-me do quão corajosa consigo ser e como isso se vê em todas as pequeninas coisas que vamos conseguindo ao longo da nossa vida. Obrigada por me relembrares sempre da força e bravura que tenho dentro de mim!

    «Coragem para abrir o coração a alguém quando não a tivemos para outras pessoas da nossa vida.» Não fazes ideia como esta parte ficou tão gravada na minha mente.

    Mil vezes obrigada. Um beijo!

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  3. Magnífico, Inês!
    Uma característica tão diferente em cada um de nós e que explicaste tão bem!

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  4. Gostei muito da imagem de que cada momento de coragem nos permite deixar para traz um velho 'eu' para, a cada batalha construir um 'eu' mais autêntico e próximo da nossa verdadeira essência - a essência da nossa alma.

    Concordo plenamente.

    E, todos temos esse poder.

    Beijinho :)

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  5. Incrível, gostei muito da tua publicação.
    É mesmo algo nosso e muito pessoal, que está nas pequenas e nas grandes coisas.
    Acredito que somos sempre mais corajosos do que julgamos, no entanto, é normal, válido e frequente que ela nem sempre esteja presente ou demore mais tempo a chegar, pois há momentos e momentos.
    Concordo muito com o teu último parágrafo, passo a passo, vamos-nos tornando ainda mais próximos da pessoa que queremos ser :)
    Beijinhos

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  6. Que texto bonito, adorei. Parabéns :)

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  7. Excelente texto!! Não poderia mesmo concordar mais contigo Inês! A única coisa que me lembrei à medida que ia lendo o texto - e que considero importante - é exatamente o que dizes sobre a coragem ser uma coisa nossa e dificilmente comparável (nem nisso falhaste!) "o que é coragem para mim, pode não ser para outra pessoa. Mas exigiu dentro de mim uma força, uma ordem, uma energia que não nasce em qualquer situação". É um pormenor que faz toda a diferença no modo de encarar as coisas

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