quarta-feira, 6 de junho de 2018

1+3 || 13 Qualidades


Na Praxe do meu curso, existia um jogo que consistia em pedir aos caloiros que pegassem num rolo de papel higiénico — que nós oferecíamos — e que tirassem o número de quadrados que lhes apetecesse. Os mais cautelosos e desconfiados eram comedidos e tiravam um, dois, no máximo três quadrados. Os mais audazes, tiravam tiras enormes. No final, pedíamos que cada um se levantasse, se colocasse no centro da roda e partilhasse uma qualidade sua por cada quadrado que tivesse na mão. Os que tinham tiras e tiras inteiras ficavam brancos de pânico. E no fundo, foi um pouco assim que me senti quando vi este tema. Como se tivesse sido audaz e tivesse tirado treze quadrados. A desorientação deu lugar à ideia.

Embora este seja um tema (e projecto!) dedicado à auto-valorização e auto-estima, não podia deixar de incluir as minhas pessoas neste exercício. Acredito que há qualidades que só nós vamos ser capazes de enxergar — porque são coisas tão intrínsecas que não faria sentido de outra forma — e acho importante que as consigamos identificar por nós próprios. Saber olhar para dentro e automatizar a lista de qualidades tanto quanto somos capazes para a lista de defeitos não é vaidade, é amor próprio. É confiança. E precisamos de compreender que se não usamos as nossas qualidades para anular os outros ou para desresponsabilizar os nossos defeitos, então não há nada de vaidade em as reconhecermos.

Porém, existem certas qualidades que só fazem sentido reconhecer quando estamos na nossa rede. Porque são qualidades que funcionam mais para os outros do que para nós. Porque vivemos em sociedade e isso significa que estamos constantemente conectados a quem nos rodeia. E porque a forma como quem amamos nos enxerga é inesperada e importante de reflectir. Não deixa de ser uma auto-reflexão se maturarmos a ideia e acreditarmos nela. E é por isso que uma parte desta lista tem qualidades que as minhas pessoas referiram (e que eu reflecti) e outra parte é composta por qualidades enxergadas por mim. E é também por isso que não vou discriminar quais são quais. Porque acredito em todas. Porque nenhuma está aqui só porque alguém que gosto muito e me conhece na palma da mão o disse. Porque eu acredito. Acredito em mim e acredito que sou capaz de entregar esta qualidade. E é por isso que o meu trabalho neste tema não ficou descartado ou facilitado por ter pedido uma mão. Não foi uma mão qualquer. Foi a mão das pessoas que mais gosto. Afinal de contas, este não é um desafio de bem estar, de equipa e de corrente?

Aqui estão as 13 qualidades que eu acredito que tenho dentro de mim:

Sou terra-a-terra | Considero-me uma pessoa absolutamente acessível e simples. Embora a ansiedade faça com que, inevitavelmente, dramatize em relação a alguns aspectos da minha vida, julgo que na grande maioria e a encarar os outros eu seja descomplicada e directa. E adoro esta acessibilidade em mim.

Sou justa | E sincera. Não sou inconveniente e sei que há formas e timings para dizer e tomar partido das coisas. Ou não tomar partido nenhum. Mas gosto deste espírito crítico e franco que existe dentro de mim e que me faz sempre ver tudo com uma mente muito aberta. Eu gosto de conhecer as duas faces da moeda e não escolho lados da balança de forma leviana. Quando sei qual é o lado justo, defendo-o com firmeza e luto por ele, mas sempre pronta para ouvir o outro lado, mesmo quando já o conheço. Isso permite-me ser uma pessoa sensata e melhor para os que me rodeiam, no sentido em que eles têm a confiança de que nunca vou dizer o que quer que seja para agradar, mas que terei sempre empatia por quem vai ouvir o que vou dizer. Dar à vontade para qualquer pessoa comunicar comigo sobre o que quiser com a certeza de que não a julgo, e saber que sou capaz de, por mim própria, reconhecer o lado certo (ou reconhecer que o cinzento existe e que o mundo não é a preto e branco) é uma das minhas melhores características e armas.

Sou entusiasta | Sou apaixonada por tantas coisas e adoro isso! Gosto de ser intensa. Na forma como amo. Na forma como trabalho. Na forma como me dedico. Na forma como aprendo ou pesquiso. Em tudo o que faço, visito ou conheço. Esta intensidade está aos olhos de todos e não a escondo porque é o melhor cartão de identidade da Inês: eu sou entusiasmada pelo mundo e pela vida. É o que dizem os meus olhos.

Sou alegre | Quem não me conhecer na palma da mão terá muita dificuldade em perceber quando estou triste ou assume que nada me abate e que não lido com desilusões da vida. Porque sou genuinamente alegre. É quase comparável ao filme Divertidamente, nas cenas finais: eu reconheço todas as outras emoções e aceito-as, mas é a Alegria que, no final, orienta a minha mente. Sou bem disposta, carismática e o sorriso vai atrás de mim com quem quer que eu esteja ou fale. E isso apenas significa uma coisa: sou feliz. Não significa que não lide com momentos tristes ou que apanhe baldes de água fria, mas o facto de ser tão feliz e grata leva a melhor e consigo sempre regressar à superfície com um bom astral. Contagiante, de preferência.

Tenho espírito de compromisso | Em tudo na vida: com o meu trabalho, com o blog, com os meus amigos. Até com marcações de cafés. Se me comprometo, eu faço de tudo para cumprir, para estar lá, para entregar a horas, para fazer com brio, para corresponder ao que valho, para ajudar. Comigo, as palavras jamais serão vãs e as minhas promessas são para cumprir. Se visto a camisola, visto-a a valer e sem diferenciar a importância ou urgência dos compromissos que abracei. Todos exigem 100% de mim.

Olhos, cabelo, sardas e sorriso | São os traços exteriores que mais gosto em mim. Gosto da cor dos meus olhos — um verde azeitona que fica com uns traços coloridos conforme os dias ou a luz —, do tom do meu cabelo — natural e que nunca quis pintar —, da minha cara sardenta e do meu sorriso que combina muito bem com a minha felicidade.

Sou solucionista | Uma problem solver. Se não dá para resolver duma forma, tento de outra e exploro todas as possibilidades. Consigo ficar de cabeça fria o suficiente para conseguir ver o problema com objectividade e o que posso tentar fazer para o resolver, sem frustrações. Tento sempre chegar ao consenso e à resolução do conflito que tenho em mãos, seja no que for. Vou do plano A ao Z.

Sou interessada | É uma das qualidades que mais me orgulho e gosto em mim. Sou interessada por uma infinidade de coisas, desde cultura, ciência, turismo, línguas, filosofias, música, arte ou sentimentos. Gosto de saber, de conhecer. Posso estar no meio de uma conversa na qual a temática está longe de ser aquela em que estou mais confortável mas sei que vou fazer de tudo para perceber com essas pessoas o que há para saber sobre isso. Gosto de ouvir os outros e de arrecadar conhecimento.

Tenho sentido de humor | Tenho um sentido de humor que não é inconveniente e que não se aproveita dos infortúnios dos outros. Simplesmente sei rir de mim própria e gosto de pôr os outros a rir e deixá-los alegres. Quem não gosta de fazer os outros rir e sorrir? Talvez seja um pouco palhacinha e a que faz as macacadas, mas aprecio tanto ser capaz de rir e de encontrar humor em quase tudo! Faz-me tão bem...!

Sou comunicativa | Orgulho-me do que escrevo porque acredito que me reflecte na perfeição, porque consigo transmitir as mensagens da forma como desejo e, embora este seja o meu forte, acho que a comunicação, no geral, é uma qualidade minha. Fico nervosa, mas não o transpareço numa apresentação. Consigo fazê-la com um tom de voz confiante. Sou tímida, mas chego-me à frente na hora de debater um assunto ou de expor uma opinião. As minhas palavras saem melhor quando nascem das minhas mãos do que quando nascem da minha boca mas, se for preciso, comunico-me de qualquer forma sem receios e metendo as inseguranças na caixinha insignificante e limitadora a que pertencem, sem medo de aprender e tentar ser melhor.

Sou persistente | Se há coisa que aprendi é que nada chega até mim do céu. Lutar pelos meus objectivos, afirmar o meu lugar, trabalhar para conquistar uma coisa que desejo muito é algo que me está inerente. Não desisto dos meus sonhos e não me importo de fazer a caminhada mais longa para chegar à minha meta, mesmo que todos os outros tenham conseguido lá chegar com menos de metade do trabalho. A minha tenacidade é preciosa e foi ela que me permitiu conquistar todas as coisas que tenho. Se quero, tenho de trabalhar e lutar por isso. Ninguém vai construir as minhas experiências e sucessos por mim. Não desisto de metas que sei que são possíveis, de projectos, das coisas que adoro e das pessoas que amo. Não tenho medo de ir à luta, e ver ondas gigantes para enfrentar não me assusta. Sei que vou lá chegar, se não desistir. Não vou ao tapete facilmente.

Sou atenciosa | Preocupo-me, cuido e faço por mostrar às minhas pessoas o quanto elas significam para mim. Não tenho medo de ser lamechas, de dar abraços, de agradecer, de elogiar, de pedir desculpa, de dizer o quanto a presença da pessoa significa na minha vida. Faço por estar presente em todos os momentos importantes e de dar dois ombros para consolar. Faço das dores de quem amo as minhas. Lembro-me de inúmeros detalhes importantes. Escuto e aconselho. E considero sempre todos os que tenho ao meu redor. Talvez não consiga ser uma Princesa da Disney, que espalha flores e pózinhos de amor e pirlimpimpim por todos, mas sei que demonstro a minha atenção pelas pessoas por quem mais tenho afecto. De mim, podem sempre esperar o mundo, por dou. Dou tudo o que puder. Até tempo.

Tenho um bom equilíbrio social | Gosto de muita gente, mas também gosto muito de mim. Da minha companhia. De me cuidar. E acho que equilibro muito bem estes dois mundos sociais. Adoro estar rodeada de pessoas, de estar à mesa, de ir a uma festa, de ver a agenda cheia de compromissos bons. Mas também respeito o meu espaço e os momentos em que preciso de estar sozinha e sossegada, em que prefiro um me time para olhar por e para mim. Não tenho complexos de ir a qualquer lugar sozinha, de fazer o que gosto sozinha. Valorizo a minha companhia tanto quanto valorizo a dos outros e acho que isso só é possível por ter este equilíbrio. Reconheço o quanto ambos são importantes e consigo explorar este meu lado extrovertido e sociável com o meu lado mais recatado, mas nunca solitário, que me permite gostar de mim e conhecer-me de uma forma única.

1 comentário:

  1. Li cada qualidade a assentir com a cabeça. Sim, tu és tudo isto, sendo que as que pude sentir com mais intensidade da tua parte foram o quão atenciosa és, sempre preocupada comigo, cuidadosa e delicada, o quão engraçada és e como eu me identifico com o teu sentido de humor porque é muito semelhante ao meu, o quão alegre e entusiasta és, porque a vida te faz rasteiras constantemente e tu vives esses contratempos como só tu viverias, aceitas e depois fazes o que podes para saltar por cima delas, o quão bonita tu és, porque és, miúda.
    Gostei mesmo muito de te ver pelos teus olhos, pois foi como ver-te pelos meus.

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