segunda-feira, 14 de maio de 2018

PASSAPORTE || Por Braga


Conhecida, com um grande toque de humor, por ser o 'penico do céu', mas que nos brindou durante todos os dias com um Sol que há muito desejava e um calor de Primavera-Verão que só o nosso país consegue oferecer. Só tinha estado em Braga uma vez, em miúda, e de passagem. Parámos o carro para almoçar no primeiro lugar que encontrámos — e por ser uma recordação tão antiga e irrelevante, nem sequer me recordo do nome do restaurante — e seguimos caminho na nossa viagem. Este foi o derradeiro aperto de mão que já sentia que eu e a cidade merecíamos há muitos anos.


Sou suspeita por adorar cidades nortenhas, e Braga não podia ser a excepção; a arquitectura escura e colorida que só as cidades a norte conseguem caracterizar tão bem e a simpatia em todos os lugares, ocasiões e contextos que cada vez mais se perde e cada vez mais se torna urgente. 


Em Braga, senti-me em casa e totalmente orientada. Atribuo grande parte da culpa à forte e adorável comunidade bracarense da Blogosfera; são anos e anos a ver as fotografias, detalhes e recomendações da mesma cidade. A minha memória e todas estas referências tão locais ajudaram-me a sentir uma familiaridade especial que não consigo sentir por toda e qualquer cidade. A única coisa que me faria entristecer por viver em Braga seria a ausência de uma praia a 15 minutos de distância, como é habitual em todas as cidades da minha vida.


Em Braga, tudo é perto e sentimos a verdadeira energia de uma cidade; não necessariamente urbana — e tanta gente confunde os conceitos —. Eu gosto de cidades que abracem a sua condição e se apresentem com dinamismo, energia, eventos e pessoas. É considerada a cidade mais jovem de Portugal e o mérito verifica-se em cada rua, em cada grupo de amigos que partilha cafés na esplanada, em cada par de amigas que descem a rua, distraídas nas suas conversas, aliadas ao resto do mundo. As ruas estão sempre cheias, não importa o dia da semana, e todos os lugares respiram a vida e o quotidiano agitado (positivamente) dos bracarenses. E eu adoro esse ambiente. De rua. De passear na rua, de fazer tudo nas avenidas, de não me esconder em espaços fechados nem em casa depois das seis da tarde.


Fiz em Braga uma das coisas que mais amo fazer em viagem: passear sozinha pela cidade adormecida. No meu último dia, umas horas antes de ir tomar pequeno-almoço com elas, saí à rua num Domingo matinal, sozinha. Já conhecia a cidade na palma da mão e sabia os lugares para onde ir, as ruas onde virar e o que me esperava em cada esquina, como se a cidade fosse minha. De música nos ouvidos e telemóvel pronto para captar todos os detalhes bonitos — que agora partilho convosco —, este foi um dos passeios que mais gostei de fazer e o derradeiro para fortalecer os meus laços com a cidade: só eu e ela.


Uma manhã de Domingo onde a cidade ainda dormia e recuperava da agitação de sábado. Nessa manhã, pude observar Braga numa faceta totalmente nova e que ainda não tinha observado: adormecida, sem vivalma. Parecia que as ruas estendiam-se aos meus pés e as paisagens construíam-se para mim. Para ver tudo sem obstrução, sem me desviar. Com todo o tempo de antena para mim.

Andei pelas ruas, avenidas e praças desertas, uma raridade até então. Ouvi os sinos, que tocavam só para mim, como se sempre soubessem que é um dos traços perdidos da cidade que mais gosto de ouvir. E todas as poucas pessoas com que me cruzei partilharam 'Bom dia' comigo, porque a sensação aldeã do norte nunca morre — e é isso que a torna tão maravilhosa e apaixonante.


Tive tempo para ver a cidade ganhar ritmo, pessoas e agitação. Passeei de mãos nos bolsos, sempre consciente de onde me encontrava. Esta curta viagem por Braga ficará para sempre no meu coração, não só por este passeio privilegiado ou pelos detalhes que lhe dão uma personalidade e charme encantadores, mas por todas as aventuras que dividi (bem) acompanhada, por toda a paz de espírito que trouxe de volta ao meu corpo e por todos os momentos inesquecíveis e finalmentes que pude viver. Sabemos que a viagem foi intensa e especial quando entramos no transporte de regresso com um nó no estômago e a vontade de dizer, de forma infantil, 'só mais cinco minutos'. Por ti, Braga, eu ficava mais dez.

4 comentários:

  1. Guardo um cantinho especial no meu coração para Braga - é uma cidade tão bontia e tão fresca! E sem dúvida que reúne muito do que há de melhor no norte: beleza, arquitectura, e boas gentes.

    Jiji

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  2. E que belo! Só tu para descreveres o que mais gosto na minha cidade desta forma. Quantas e quantas vezes saio e divago sem rumo, mas com todo o Norte no meu coração. Fotografaste detalhes que só tu saberias fazer da melhor forma. Está demais. Ainda bem que te sentiste acolhida e rodeada de amigos numa cidade um pouco distante das tuas.
    Um beijo, fofinha!

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  3. Que texto maravilhoso! Estudo em Braga há três anos e retrataste a cidade de uma forma que eu simplesmente nunca conseguiria. Retrataste a alma da cidade, a tranquilidade e a beleza que se sente e que se vê ao passear por ela. Braga é uma cidade linda, sem dúvida.

    Beijinhos, Ensaio Sobre o Desassossego

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  4. Que texto tão Inês ^^ Absolutamente delicioso! Ando com imensa vontade de voltar a Braga. Estas meninas venda esta terra com tanto amor que não conseguimos não sentir que estamos a perder algo incrível. Curiosamente Braga é uma terra que guardo com imenso carinho porque foi a primeira viagem que fiz sem os meus pais. Só com amigos. A primeira vez que me senti mais adulta mesmo ainda sendo uma miúda :P

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