quarta-feira, 9 de maio de 2018

ISTO É TÃO INÊS || Acidez

De todos os defeitos que possuo — e que muitos deles trabalho para conseguir mudar —, confesso que sinto um certo orgulho em compreender que um deles, certamente, não tenho: acidez. 
Nunca compreendi muito bem quem compara as adversidades da vida de cada um. Claro que existem situações mais duras do que outras, mas isso não significa que ambas não consigam ter efeitos devastadores na vida de quem as sofre. Há sempre boas notícias ao virar da esquina, mas isso não anula que a vida também tenha obstáculos, adversidades e contrariedades. Tenho uma lista delas, aliás.

Dentro da minha vida, da minha rotina e da minha realidade, já sofri muito, já passei por situações complicadas, já tive desilusões brutais, planos arruinados, expectativas defraudadas, choques e obstáculos. Se há coisa que posso afirmar com grande certeza é de que nada do que consegui veio num bilhete dourado, nem mesmo as coisas que, numa situação normal, seriam relativamente fáceis de obter. Mas nunca me tornei amarga.

As minhas adversidades nunca me tornaram cínica, céptica, ácida com a vida, amarga com as pequenas e grandes coisas felizes. Já estive triste, mas nunca deixei de ter esperança. Já tive o coração partido, mas nunca deixei de acreditar no amor. Já levei 'nãos' mas nunca deixei de acreditar que ia conseguir o sim (nem desmereci quem os conseguiu primeiro do que eu). Não desvalorizei qualquer vitória dos outros só porque estava numa maré de coleccionar cromos de derrotas. Não menosprezei nem me irritei com quem vivia feliz quando estava num momento baixo. Nunca deixei de ter este lado doce ou simpático com a vida que me caracteriza — e sei que sim! — e que, por mais que os outros achem simplesmente simpático, para mim é quase terapêutico. Porque é difícil. Por vezes parece mais fácil afiar a língua quando sentimos que o mundo está contra nós e que ninguém nos compreende. Mas no meio de todas as batalhas que já enfrentei, sinto-me realizada e em paz por saber que venci ou estou a lutar cada uma delas com mel nas mãos em vez de uma espada. A vida é curta e demasiado importante para sermos tão crus e amargurados com ela. Tão cínicos, tão pouco apaixonados e esperançosos. A vida (a minha, a tua e a de toda a gente) nunca será uma merda.


3 comentários:

  1. Delicioso ler-te, como sempre. Felizmente, acho que partilho da mesma característica - salvo raras excepções porque não vou dizer que não falho, mas das quais me arrependo sempre. As lutas de cada um de nós são válidas. As vitórias também. Éramos todos tão mais felizes se parássemos de olhar e menosprezar o vizinho do lado!

    Jiji

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  2. Eu vejo-te tão assim que podia ter sido eu a escrever isto. É tão bom haver pessoas docinhas como tu és 💛✨

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  3. Sim, às vezes dou por mim a olhar para certas pessoas e a ficar "com pena" delas porque parece que não conseguem ver nada de bom na vida. É verdade que há quem passe por situações muito difíceis e nós somos um conjunto de tudo o que vemos, das relações que estabelecemos e dos momentos que vivemos...mas o que é certo é que pessoas que passam pelas mesmas coisas podem reagir de maneiras diferentes, por isso, talvez a nossa personalidade a nossa vontade tenham um grande peso nesta equação. O melhor mesmo é fazer como dizes e tentar sorrir mesmo quando tudo à nossa volta parece negro!

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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