segunda-feira, 12 de março de 2018

ISTO É TÃO INÊS || 6 Coisas que Não Gostava e Agora Gosto


Não tenho dúvidas de que uma das coisas que acho mais fascinantes no crescimento e amadurecimento é a transformação; do nosso corpo, das nossas ideias e opiniões, dos nossos gostos e interesses, das pessoas com que nos relacionamos e dos nossos objectivos. Já o referi aqui, em tempos, que permitirmos a definição em nós próprios é o caminho perfeito para a nossa estagnação. Porque não há nada mais insensato do que não nos permitirmos a evoluir, mudar de ideias, interesses e opiniões. Em mudar, no geral. É isso que nos torna intrigantes e inteligentes. A capacidade de olhar de novo para algo e pensar: não temos de ter esta relação para sempre.

Foi neste sentido que decidi partilhar convosco seis coisas que não gostava, de todo, e que agora adoro. Dos mais variados campos. E não considero que isso me torne 'troca-tintas'. Acho que não há nada mais perigoso do que a inclusão da consistência nos campos errados. Devemos ser consistentes nos nossos valores e princípios porque são eles que nos tornam seres humanos melhores e mais íntegros. Mas não se permitirem a gostar de usar batom só porque isso vos torna inconsistentes com o passado? Give yourself a break!

Querem saber o que não gostava e agora gosto? Aqui está!


Pimentos | Eu adorava o cheiro, mas recusava-me a comer. É típico na minha família organizarmos almoçaradas com grelhados (especialmente no verão, já que temos um grelhador no jardim) e pimentos grelhados nunca faltavam. O cheiro característico ou se ama ou se odeia, e eu amava. O sabor nem tanto. Pimento não é a hortícola mais fácil de gostar, mas a verdade é que, um dia, decidi que, se adorava tanto o cheiro, tinha de ter alguma relação mais próxima com o paladar e comecei a insistir. Hoje, adoro. Sempre que posso, incluo pimento num cozinhado e já consigo gostar ainda mais do sabor do que do cheiro. Qualquer tipo de pimento. Foi um caso de sucesso (muito saudável, por sinal).

Cor-de-rosa | Em miúda, sempre adorei castelos, princesas, Barbies e vestir as roupas da mãe. Mas fugia do cor-de-rosa. Odiava a cor e tudo o que desejava tinha de ser na cor azul. Esta relação pouco amigável com a cor rosa foi-me acompanhando ao longo da adolescência. Tudo o que tinha cor-de-rosa era para esquecer.
Não vos sei precisar qual foi o ponto específico de viragem e o dia ou coisa que me fez tolerar, pela primeira vez, o cor-de-rosa. Aconteceu de uma forma muito gradual e natural. Hoje em dia, embora a minha cor preferida continue a ser o azul, o cor-de-rosa é mais do que bem vindo e adoro-o! Em tudo, desde decoração à roupa. Não fujo dele, muito pelo contrário! Acho que é uma cor charmosa e divertida, que combina com quase tudo o que eu gosto. É uma das cores que mais gosto, hoje em dia. Quem diria?

Star Wars | Talvez esteja a ser um pouco injusta. Se vos disser que não gostava de Star Wars, estou a mentir. Eu simplesmente era indiferente à saga. Enquanto todos deliravam com os personagens clássicos, eu nem pestanejava de emoção e não tinha qualquer curiosidade em assistir aos episódios. Star Wars estava naquela gaveta etiquetada como 'não dou nem um átomo de importância', junto com Senhor dos Anéis. A pobre trilogia ainda lá está, mas a Star Wars decidi dar uma oportunidade, afinal de contas, que estranho era pensar que adorava tudo o que tinha a ver com espaço, estrelas e universo e não assistia a uma saga que se passava, precisamente, nesses ambientes. Hoje em dia sou fã! Não no grau que sou fã de Harry Potter — mas, meus caros, será muito difícil voltar a ficar fã no mesmo grau do que quer que seja — mas consigo apreciar a saga, conhecer mesmo as personagens, compreender as teorias e as conversas e ter as minhas próprias opiniões. Isto, há uns anos, era impensável. Consigo compreender a excitação deste universo e, embora não seja o meu preferido, já consigo participar na alegria de saber que novos filmes vêm aí e desenvolver empatia por determinadas personagens. É muito divertido! Sinto que um mundo inteiro se desvendou diante dos meus olhos e essa sensação é sempre tão agradável...!

Lentes de contacto | A culpa é de um anúncio; quando era miúda, havia um anúncio de lentes de contacto onde o oftalmologista segurava um pequeno aparelho que parecia uma ventosa e que ele inseria no olho da paciente e o aparelho 'sugava' a lente e retirava-a do olho da senhora. A descrição quase parece vinda de um filme de terror mas, se vissem o anúncio, compreenderiam o quão inócuo era o gesto. No entanto, aquilo causou-me a maior aflição. Ventosas no olho? Não, obrigada!
É curioso porque acho que muita gente ainda é desinformada em relação a lentes de contacto. Incluindo os próprios utilizadores das mesmas! Vejo os meus amigos cometerem as maiores atrocidades com elas no olho achando que 'de vez em quando não faz mal'. É um universo com a informação pouco sedimentada, tanto para quem nunca usou como para quem usa.
Uso óculos desde miúda e, ao longo do meu crescimento, perguntaram-me inúmeras vezes se não considerava a hipótese de usar lentes de contacto. 'Nunca!!!', dizia eu de olhos arregalados de pânico. Porque era desinformada, simplesmente. Achava que tinha de andar com aquele aparelho das 'ventosas' atrás sempre que quisesse retirar as lentes do meu olho, não sabia como funcionavam e, para piorar, ouvia sempre as histórias mais rebuscadas sobre lentes. Sobre uma pessoa que quase ficou cega porque a lente tinha entrado para o 'interior' do olho, que a lente arranhava como uma unha, que tínhamos de deixar as lentes em ácido durante um número de horas específicas, caso contrário, o nosso olho era danificado pelo líquido das lentes. E as pessoas diziam isto com confiança e crença! Podem imaginar o quanto eu gostaria de usar lentes, certo?

A culpa é do basquetebol. Os óculos atrapalhavam-me e afectavam a minha performance. Decidi informar-me e perceber se tudo aquilo que imaginava quando ouvia 'lentes de contacto' era verdadeiro. Claro que não era! O meu oftalmologista foi impecável e fez um acompanhamento extraordinário. Esclareceu todas as minhas dúvidas (as legítimas e as ridículas), explicou como tudo funcionava e ajudou em todo o processo, respondendo a todas as minhas reacções de forma a encontrarmos as lentes e solução de lentes perfeita. Resultado? Não vivo sem lentes de contacto. Sempre senti que a Inês que sempre idealizei não usava óculos, e conseguir chegar a esta imagem foi muito importante para mim. Ao fim de dez anos, via-me na perfeição e sem óculos pela primeira vez, e foi um passo libertador. Hoje em dia, só saio de óculos para a rua caso esteja mesmo muito doente ou em exaustão. Sou muito cumpridora das regras de utilização (jamais dormi ou dormiria com elas e não descuro dos cuidados de higiene). Que parva que fui, é o que digo sempre que penso que podia ter iniciado esta relação logo na minha adolescência. São um alívio em todas as vertentes e foram cruciais para eu apreciar mais a minha imagem e trabalhar na minha auto-estima. As lentes mudaram a minha vida e a Inês de 14 anos jamais iria sonhar com isso.

Lisboa | Antes da Faculdade, Lisboa era a cidade que visitávamos em ocasiões muito particulares e, na sua maioria, boas. Significava ir ao cinema, ao zoo, ao oceanário, ao teatro, aos monumentos, jantar fora, ir a um concerto. Lisboa era a razão de algo bom acontecer num lugar específico. Já a cidade em si... Não tinha a mesma visão.
Lisboa assustava-me, especialmente à noite. Por ser grande (comparado com a cidade onde vivo) e a capital, passeava por ela sempre com a mesma sensação de quem vai nadar no mar para uma zona sem pé. De dia, sentia-me perdida e desorientada; de noite, sentia-me vulnerável. Achava uma cidade perigosa e degradada. Nunca me sentia segura ou confortável. Estas considerações foram tiradas desde muito novinha — e a Lisboa de agora não é a Lisboa de há uns anos — e compreendo-as. 

Ir para uma Faculdade em Lisboa foi o derradeiro desafio. Nunca tinha ido para Lisboa sozinha, não me entendia no metro e não conhecia nada de cor. Nem sequer a Baixa! Não ligava os pontos, não tinha qualquer noção geográfica e essas sensações devoravam-me.
A etapa académica foi crucial para ganhar uma relação totalmente diferente com a cidade. As vivências, as pessoas, os eventos, tudo isso foi contribuindo para me sentir mais confortável pela capital e observá-la com outros olhos, à medida que ia vivendo nela.
Eu odiava a cidade de Lisboa e hoje adoro-a. Claro que não fiquei mais ingénua — Lisboa tem muito que melhorar e há locais que evito, cuidados redobrados que tenho e horas que me deixam mais de pé atrás (já fui roubada, inclusive) — mas consigo ter um ponto de vista mais equilibrado. Lisboa tem tantas coisas boas e consegue ser tão bonita, com tantas facetas diferentes. Ter memórias e raízes tão especiais nesta cidade fez com que ela passasse de uma capital onde ia quando o rei fazia anos e com muito medo, a uma das cidades da minha vida.

Roupa mais justa | Durante muitos anos não tolerava roupas justas. Em grande parte, devido à minha falta de auto-estima. Escolhia t-shirts e camisolas muito largas porque queria esconder as ancas, os vestidos não podiam revelar a mais pequena silhueta, tudo tinha de ser fluido e largo. De facto, peças mais largas garantem outro conforto, não nego. Mas, hoje em dia, já gosto de valorizar a minha silhueta. Fiz as pazes com o meu corpo e compreendi que roupa mais justa não tem de ser depreciativa nem passar mensagens erradas. Ainda gosto que algumas peças caiam de forma mais fluída ou que fiquem um pouco maiores. Mas também já tenho o equilíbrio certo para compreender que outras tantas devem ser vestidas na nossa proporção. Porque nos valorizam, porque nos assentam melhor, porque casam melhor com o conjunto que temos em mente. Confesso que, quando olho para algumas fotos da adolescência, faz-me impressão ver que nadava na roupa. Não faz sentido para mim, hoje. Já não tenho medo de roupas mais justinhas, que assentem mais próximas do corpo ou que revelem mais curvas e ângulos da minha fisionomia. Se me valorizar, eu aposto sem medo de ser feliz. Esta foi uma das maiores transformações de sempre no meu armário. Já não tenho medo de escolher XS ou 34.

E vocês? Do que é que não gostavam e agora adoram?

10 comentários:

  1. Okay, estou estupefacta com a nossa sintonia! AHAHAHAHAH É que há poucos dias escrevi uma publicação do género, para publicar em breve. Chego aqui, vejo o teu post e só consigo rir com a coincidência!


    A Sofia World

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  2. Ahahah, eu era exactamente como tu no cor-de-rosa e agora até dou por mim à procura de coisas nessa cor. :) quanto a Star Wars nunca vi e por isso não posso dar a minha opinião. E Lisboa, não sei porquê, nunca me despertou aquela curiosidade e sentimento profundo pela cidade, embora não a conheça muito bem e reconheço que isso influencia. Mas de certo é uma cidade cheia de recantos que valem a pena conhecer, apesar de achar que o estilo de vida é muito acelerado e causador de stress.

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  3. Pimentos continua a ser uma coisa que não gosto, de todo! Por mais anos que passem, aquele sabor continua a deixar-me agoniada. E as lentes de contacto serão sempre um bicho de 7 cabeças para mim, que uso óculos religiosamente.

    My Own Anatomy 💫

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  4. Eu não gostava nada de (e agora adoro): pizza, chocolate, batata doce, amendoins, picante
    Tens de resolver esse assunto chamado "Senhor dos Anéis"!! Também sou fã religiosa do Harry Potter.
    Para mim, as lentes de contacto foram uma das melhores invenções da medicina.
    Por onde anda a Sofia?-Instagram

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  5. eu queria imenso gostar de couves de Bruxelas - só mesmo porque as acho amorosas!!! - mas cada vez que provo uma só me apetece cuspir para o prato ahah mas não desisto, sempre que as vejo tento comer mas acabo sempre com as mesma desilusão!

    tenho que investir nas lentes de contacto mas sou uma maricas! há todo um filme na minha cabeça que envolve a lente "fugir" para trás do meu olho ou então rasgar-se e perder-se ali em mil bocados, olha nem sei! ahha x

    Meet me for Breakfast

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  6. Quase me convenceste na parte das lentes. Acho que preciso de ler uma publicação tua dedicada ao tema para ultrapassar o meu receio e me aventurar nesse mundo.

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  7. Desculpa não escrever um comentário digno do texto que nos apresentas aqui, mas, ando muito evasiva a nível de palavras... infelizmente!
    De qualquer forma, não deixar a minha palavra de apoio e admiração seria falhar contigo redondamente depois de me ter identificado tanto com o teor da publicação, não porque comecei a gostar das mesmas coisas, mas pela intenção.
    Também eu podia fazer uma lista extensa das coisas que me fizeram crescer nos meus gostos pessoais. E é tão giro e curioso quando associamos a estas coisas razões anteriores e recentes pelas quais desgostávamos e gostamos agora, respectivamente.
    Continua assim, Nês, por favor, é tão bom sentir-me em casa aqui, mesmo quando me sinto afastada da blogo! <3

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  8. É mesmo curioso como os nossos gostos vão mudando ao longo do tempo. Os meus também já mudaram muito, e ultimamente estão a mudar a nível alimentar ( estou a ver se sou menos esquisita xD).
    Ahahah, ri-me tanto com a parte do anúncio. Estou a imaginar-te a ficares traumatizada com um simples anúncio. A marca devia ser processada pelos danos morais que te causaram xD.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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  9. Eu saliento principalmente ah minhas mudanças de gostos a nível alimentar. Quando era mais nova era tão "esquisitinha", nem sequer provava nada que não me agradasse à vista! Felizmente com o passar do tempo, fui aprumando o meu paladar e dando possibilidade a certos alimentos para entrarem na minha vida. destaco: marisco e kiwi :)

    Em relação a Lisboa, também só em adulta comecei a perceber e valorizar todos os seus encantos.

    by Tatiana*

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  10. Ora, vamos por partes... Começando pelas lentes de contacto, da primeira vez em que me propus em experimentar, foi um horror! Quando a colocar, custou-me imenso, para retirar nem se fala! Senti que iria ficar sem os olhos, pois, a falta de experiência levou a que a oftalmologista me ajudasse e foi bastante doloroso, ahah. Primeiramente, detesto ter coisas nos olhos e até colocar gotas me custa, porém, estou disposta a experimentar, futuramente. Para além de não sentir grande necessidade - embora reconheça as vantagens de não ter um par de óculos na cara! - acho-os uns acessórios que me caem bem e que combinam comigo... Para além de práticos, ehehe.

    Quanto à comida, sei que não era grande apreciadora de cogumelos e papaia. Graças às insistências da minha mãe, que praticamente já não vivo sem eles e os aprecio quanto merecem!

    Ai, também detestava exercício físico... De verdade e apesar de ter começado a praticar desporto aos 8. Sei que esse ódio era resultado do meu desconforto físico, no entanto, tudo mudou na época do secundário e desde então que se tem tornado num must do meu quotidiano!

    Assim, de repente, já não me recordo de grandes coisas que detestava mas agora gosto, no entanto, obrigada por esta pequena reflexão! :P♥

    LYNE, IMPERIUM

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