sexta-feira, 30 de março de 2018

BLOGOSFERA || 10 Anos de Blogosfera, 10 Lições


Parece inacreditável que já esteja nesta aventura da Blogosfera há uma década. É uma sensação especial, de lealdade para com uma paixão que nunca morreu — e que nasceu bem cedinho —, de conquistar leitores fieis em todas as minhas fases pelos meus blogs, de manter os leitores antigos e cativar novos... Há também sempre uma sensação de experiência; já vivi várias fases e facetas da Blogosfera, acompanhei modas — umas aderi, outras não eram para mim — épocas mais mortas, épocas mais dinâmicas e em ascensão... E nunca saí daqui. De forma a registar estes dez anos de Blogosfera, decidi partilhar convosco dez lições que esta plataforma me deu.


Ter um blog é um compromisso | Nós escrevemos sobre os nossos gostos e interesses, as nossas memórias e experiências. Tudo isso é nosso. Mas quando decidimos escrever para uma plataforma pública, escrevemos para os outros. E este registo passa a ser partilhado com o mundo (continua-nos a ser reservado o direito a escrevermos sobre aquilo que queremos, mas o feedback, a leitura e o retorno nunca é só nosso). Quando decidimos abrir um blog e desejamos que o nosso conteúdo seja, de facto, apreciado pelos leitores, estamos a criar um compromisso com eles de que vamos apresentar novas publicações com alguma regularidade e que iremos ter sempre em atenção as reacções por parte de quem nunca perde um novo post. Desistir sem o anunciar, mudar de plataforma frequentemente, abrir e fechar vezes sem conta as nossas páginas ou escrever todas as semanas e, de um momento para o outro, abandonar o espaço são enormes rasgões no compromisso que aceitaram na hora de partilharem os vossos textos públicos. Os nossos leitores não existem para nos servir e não têm a obrigação de serem fiéis a todos os nossos comportamentos e decisões.

Não somos os únicos | Sei que isto pode ter uma certa conotação negativa — todos gostamos dos nossos traços exclusivos — mas tem um sentido extraordinariamente positivo, vão ver. Partilha gera partilha e uma das coisas mais impressionantes que eu descobri na Blogosfera foi a quantidade de pessoas que se podem identificar connosco em qualquer coisa, até mesmo nas que achamos mais estranhas e que sempre associámos a defeitos de fabrico nossos. Seja no que for (os nossos gostos estranhos, os nossos medos mais rebuscados, os nossos problemas, os nossos defeitos mesmo feios, os nossos dilemas, os nossos pensamentos mais inusitados), há sempre alguém que vai dizer 'eu também' e é isso que nos aproxima, esta afinidade que não nos faz sentir mais sós (porque, às vezes, dá mesmo essa sensação, não é?). Vai sempre existir alguém que se reconhece nos nossos traços menos bons ou mais estranhos e que nos vai relembrar que nunca estamos sós e que jamais precisamos de passar e guardar isto sozinhos. E isso chega-me a emocionar. A sério.

Não nos identificamos com os mesmos conteúdos para sempre | É natural, faz parte de crescer. Dei por mim inúmeras vezes a encontrar determinados conteúdos no meu feed e pensar 'já não tenho prazer em ler isto' e tudo bem! Deixarmos de nos identificar é justo. Por vezes custa porque já temos uma certa empatia com o blogger e parece quase cruel dizermos que, embora continuemos a sentir carinho por ele, já não sentimos carinho pelo conteúdo. Mas tudo faz parte e, com a devida educação e cordialidade, tudo é possível de se resolver. Vocês não vão gostar de determinados tipos de publicações para sempre (e isto pode incluir o meu próprio blog!!!) e não faz mal! O importante é sermos honestos com nós próprios e com os nossos interesses e deixarmos de acompanhar. Denegrir ou entrar em conflito com o trabalho do outro só porque já não se enquadra nos nossos padrões de interesse é que tem de estar fora dos nossos cálculos.

Anonimato não é para mim | Ter medo que descubram o meu blog; não poder mencionar os nomes das minhas pessoas, da minha cidade, de certos eventos, dos locais que frequento. Nada disso funciona comigo. Anonimato sempre foi algo que me deu mais ansiedade do que liberdade e depressa me despi. Sim, tenho um blog! Eu sei que há famílias, amigos e colegas mais entusiastas na hora de fazer estas descobertas, mas acreditem que é por ser novidade. Depois passa e serão simplesmente a amiga que tem um blog e é excelente no que faz. Tenho um enorme orgulho em saber que os meus familiares e amigos acompanham o meu trabalho com prazer e sem alaridos desnecessários, e esta sensação seria impossível se estivesse escondida. Da mesma forma que eu fico feliz por saberem que eu sou a Inês e que sou uma pessoa acessível e normal, que pode tomar cafés com vocês e que não têm de imaginar como poderei ser. Esse tipo de mistérios não combinam com a minha personalidade e isso depressa se reflectiu na minha passagem pela Blogosfera.

Nunca vamos agradar toda a gente | A internet é uma rede global e qualquer pessoa tem acesso às nossas páginas. Tal como na vida offline, não sentimos empatia por toda a gente e nem todos têm a mesma índole. Vai haver sempre alguém que não vai sentir empatia convosco, ou que vai implicar com tudo o que escrevem e pensam, ou que vai interpretar com maldade tudo o que partilham, ou que não vai compreender por que razão vocês têm tanto sucesso, carinho, admiração, o que seja. Nem a Nutella consegue criar um amor global! É importante que não levem a peito (e sobre isto já falo mais à frente, combinado?). Isto não quer dizer que o vosso trabalho é horrível ou que não merecem estar aqui. Simplesmente significa que alguém não se identifica convosco. E este é o facto mais natural de vivermos em sociedade.

Não nos vamos identificar com tudo o que escrevemos para sempre | Dez anos é uma carrada de tempo e podem imaginar que a Inês de 13 anos está longe de ser igual à Inês de 23, certo? Já muito escrevi, opinei e partilhei, e quando revejo algumas publicações (e não precisam de ser num passado tão distante) percebo que algumas já não escreveria daquela maneira, que já não penso assim ou que já não concordo com o que a Inês do passado disse. Isto em nada tem a ver com hipocrisia, na verdade tem a ver com as nossas vivências, o nosso crescimento e experiência. Ganhamos um olhar mais maduro e acaba por ser um fenómeno especial. Por vezes, exploro o arquivo do Bobby Pins e tenho uma vontade quase mortal de editar inteiramente certos textos, mas detenho-me. Embora não seja a mesma Inês, os meus valores mantém-se e tenho sempre a segurança de que tudo o que escrevi foi com brio e respeito, pelo que não há razão para corrigir em jeito de desculpa. Quanto muito, guardo nos rascunhos para sempre poder recordar. É um registo profundo da pessoa que era no passado, o que acaba por ganhar um peso nostálgico. Acaba por ser interessante revermos a nossa forma de pensar.

Não levar tudo a peito | Muitas vezes se fala do 'segredo' para vingar na Blogosfera, e eu acredito totalmente que é este. A nossa passagem pela Blogosfera vai, inevitavelmente, suscitar diferentes reacções por parte de diferentes tipos de pessoas e leitores, e se uns dizem que somos a pior coisa que existe na Blogosfera, imediatamente outros dizem que somos a melhor coisa que lhes aconteceu. E a chave é não levar nem um nem outro a peito. Não tomar como uma afronta quando alguém nos devolve um feedback negativo é essencial para persistirmos e sermos fiéis à nossa forma de trabalhar (e sei que é difícil, mas é mesmo essencial). Claro que existem críticas construtivas e que são muito importantes de avaliarmos e discutirmos. Oiço e reflicto todas. Mas se imaginassem a série de comentários que elimino por respeitar a minha política de não partilhar qualquer tipo de comentário que vise ofender a minha integridade e a dos outros... Pior! Se ligasse a todos esses comentários, já não estaria cá.
O mesmo se passa para quando nos enviam para o topo de um pedestal. Não estou com isto a dizer que têm de ignorar ou desprezar comentários de pessoas que vos acarinham de uma forma muito especial. Mas não se deixarem levar e não sentirem que são a última bolacha do pacote pode ser fundamental para manterem a consistência, a humildade e a capacidade de absorver críticas e lidar com oscilações de interesse. Hoje somos os preferidos, amanhã não, e se levarmos demasiado a peito isso, pode ser um golpe na alma. Sermos muito bem reconhecidos no nosso trabalho acarreta responsabilidades que eu sinto nos ombros cada vez que recebo um comentário estrondoso e tento sempre respondê-las com empenho e dedicação. Levo o que escrevo muito a peito e é aí que devem apostar toda a vossa intensidade, fervura e paixão. Não num comentário de ódio puro nem num comentário quase a afirmar que são figuras perfeitas. Retirem o que for essencial de cada um dos lados — e sejam sempre muito gratos pelo carinho — mas mantenham o equilíbrio e não coloquem intensidade em nenhum dos extremos.

A exposição tem limites | E esta é uma lição que vamos afinando conforme a experiência. Cada vez mais sei que tipo de conteúdo quero partilhar e quais as partes da minha vida eu quero dividir. Isto não significa que queira ter uma vida secreta. Lidamos com a nossa exposição porque fomos nós que nos colocámos nessa posição, mas há certas esferas da minha vida que precisam de ser observadas com mais cuidado e reserva.
Há coisas que temos de guardar só para nós ou para as nossas pessoas. Há coisas que só fazem sentido partilhar quando nos sentimos preparados para as partilhar. E há certos pormenores da nossa vida que são fundamentais à nossa existência e absolutamente irrelevantes para um blog. Com o tempo, fui aprendendo tudo isto e hoje só partilho aquilo que realmente quero muito. Se não desejar, não partilho. Sem desculpas esfarrapadas ou tentativas de fugir a certos assuntos.

Os números importam, mas não são tudo | Se alguém deste universo da internet vos disser que não se rala com números, mente descaradamente. Afinal de contas, são o nosso feedback mais imediato. Tudo se resume a uma palavra: equilíbrio. É muito importante não deixarmos os números consumirem-nos e tornarem a nossa passagem pela Blogosfera pouco saudável — especialmente quando somos bloggers sem retorno —. É inteligente fazer uma certa avaliação dos números e daí tirar as devidas considerações, mas viver para os números (ou sofrer por eles) é meio caminho andado para o nosso blog ter um prazo de validade. Dêem aos números a importância saudável que eles merecem.

O melhor da Blogosfera são as pessoas | Geradas pelas nossas partilhas, que se identificaram com o nosso conteúdo. Sejam parceiros de trabalho que admiramos ou leitores assíduos que adoramos, o que torna a Blogosfera incrível e irresistível são as pessoas que conhecemos graças a esta plataforma e que, de outra forma, dificilmente iríamos conhecer. São pessoas que nos transformam e nos marcam, seja porque nos apresentaram formas mais interessantes de pensar sobre determinado assunto, seja porque partilharam connosco algo marcante, porque estão do nosso lado desde o início e nunca nos largaram, porque se identificam connosco e isso cria uma afinidade digna de uma amizade... As razões são infinitas, todas elas válidas. Ao longo destes dez anos, já contactei com inúmeras bloggers e leitores. Alguns, perdi completamente o rasto — a vida acontece —. Outros conheço desde os primórdios e é delicioso acompanhar o seu crescimento, travar contacto, sentir que existe entreajuda (on e offline) e conversar com quem gosta a reconhece as nossas publicações. É maravilhoso tomar café com bloggers, ajudá-las ou criar um laço; é incrível quando recebo comentários do género "já saí da Blogosfera há x anos e continuo a acompanhar-te"; é extraordinário quando temos leitores que nos acarinham e celebram as nossas vitórias. As pessoas são o que tornam esta plataforma tão genial e especial.

15 comentários:

  1. Parabéns pelos 10 anos que venham muitos mais :) :)

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  2. Muitos parabéns pelos dez anos! Já te acompanho há bastantes anos e mesmo não comentando sou leitora assídua. Continua o bom trabalho e não duvido que chegarás cada vez mais longe :)

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  3. És um dos meus blogs favoritos e que vejo frequentemente!
    Adoro este tipo de posts que fazes, dão conselhos fantásticos e faz-nos pensar a respeito dos nossos. Muito obrigada e que fiques por cá muitos mais anos!!
    Beijinhos

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  4. Inês,gosto muito do teu blog.Já há algum tempo que o sigo.
    Muitos parabéns pelo teu trabalho!
    Pelo que publicaste,sei que te licenciaste em Ciências da Nutrição .Por acaso,é o curso que quero seguir,embora esteja no 11ano de Humanidades.
    Gostava de saber se no teu curso conheceste alguém na mesma situação que eu.
    Agradecia resposta!
    Beijinhos😘

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    1. Já respondi no e-mail que me enviaste! Beijinhos :)

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    2. Sim,já vi.
      Obrigada.Beijinhos;)

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  5. Achei que o post ficou muito bom e útil :) Dá mesmo para identificar com praticamente tudo o que aqui está escrito e está escrito de uma forma sincera (como de costume) o que dá sempre gosto de ler :) Que venham os próximos 10 :D

    themerrymarie.blogspot.com

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  6. Muitos parabéns! Como sempre, adorei o texto! :)

    Beijinho!

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  7. Adorei este post! Parabéns pelos 10 anos! Beijinhos

    diananasnuvens.blogspot.com

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  8. wow, gostei mesmo muito do teu post! E é tão verdade, identifiquei me tanto com o que escreveste! Fantástico mesmo!
    Adorei o blog, estou a seguir!
    Beijinhos grandes,

    Girly World ♥ | Último post | Instagram

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  9. 10 anos, Inês?! Caramba! Quando for grande quero ser como tu <3 vá, agora a sério: muitos, muitos parabéns. Pelos 10 anos, pela pessoa que nos mostras em cada publicação, pelos pés bem assentes na Terra e a cabeça sempre a voar mais alto. Venham outros 10 com a mesma confiança e a certeza de que cada uma destas lições só os vai tornar melhores!

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  10. 10 anos de blogosfera é muito tempo, muitos parabéns :)

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  11. Parabéns pelos 10 anos
    -Zacarias

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  12. Andei fora por algum tempo, mas nunca deixei morrer a sensação que é ler-te e extrair lições das tuas palavras. Para além de me ter ajudado a refletir, afastar-me ajudou-me a valorizar quais os conteúdos que ainda fazem sentido para mim, daí ter recomeçado a comentar e a colocar os teus posts em dia, mesmo com meses de atraso!
    Sou da opinião de que apesar de já não encararmos com os mesmos olhos certas publicações, elas nunca deixarão de fazer parte de nós, e é igualmente importante as valorizarmos!
    10 anos é imenso tempo, de facto! É admirável como é que, após tanto tempo, vocês ainda sejam capazes de inovar o vosso próprio espaço, fortalecendo ainda mais a vossa existência no mundo! Só nos conhecemos há três anos, mas sinto como se já te acompanhasse há muito mais e é isso que torna a tua presença por aqui tão bela: essa tua verdade, a tua transparência, o teu talento em aproximar pessoas!
    Por isso e muito mais - embora um bocado atrasada! -, muitos parabéns pelo teu trabalho, por ti, por tudo!
    Beijo grande,

    LYNE, IMPERIUM

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