segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

MÚSICA || Thank you, O'Riordan.

Já o partilhei aqui convosco que a minha infância não foi marcada por Britney Spears, Backstreet Boys ou Spice Girls. Em vez disso, cantava a Yellow dos Coldplay de olhos fechados e cresci a ouvir The Cranberries. Aliás, embora Coldplay seja a minha banda, aquela que acompanho desde sempre, The Cranberries marcou a minha pré-adolescência e quase a totalidade da mesma.

Com dentes de leite e franjinha, pedia para tocarem a Zombie no carro e cantava-a a plenos pulmões. Ainda hoje, The Cranberries é a minha banda preferida para ouvir no carro  também já partilhei isso convosco, numa outra publicação . Quase todas as músicas guardam uma memória incrível de uma fase muito especial de auto-descoberta, crescimento e afirmação. E é tão bonito sermos transportados para momentos da nossa vida com uma simples música.

Foi a primeira vez que senti um vazio ao saber que um artista musical tinha partido porque foi a primeira artista a partir que carregava às costas as músicas que eu ouvi apaixonada, com desgosto de amor, com amigas num mp3 durante o intervalo da escola ou a música que resultou numa private joke que conta uma história de amor muito especial. The Cranberries, especificamente, Dolores O'Riordan carregava isso consigo, mesmo sem o saber.

Tenho muita pena de nunca ter chegado a assisti-los ao vivo, e a perda de Dolores O'Riordan deixa-me com uma sensação vazia no peito e de sabor amargo. É simplesmente estranho (e triste) que a vocalista de tantas músicas simbólicas na minha vida tenha partido e que nunca mais as venha a ouvir dos seus lábios. As músicas ficam, as gravações, as letras, os sucessos (e, claro, as memórias) mas tudo ganha um peso fantasmagórico que torna as recordações boas e amargas, ao mesmo tempo.

Ser fã de artistas e de música é mesmo assim. Acredito que, todos os que são como eu, compreendem-no. Quando vivemos música e criamos playlists como quem cria álbuns de fotografia, em que cada faixa é uma expressão de um retrato que capturámos ou uma memória escondida, é difícil saber que não há mais. The Cranberries será sempre a banda da minha adolescência e a herança de Dolores ficará sempre carinhosamente guardada nos meus cd's e playlists. Obrigada.

1 comentário:

  1. A voz dela, como escreves, carregada toda a magia das letras e das melodias que eles criaram juntos. Será sempre a banda da minha infância, juntamente com outras, aquela que a minha mãe me cantava ao ouvido - como já referi muitas vezes no twitter! -, aquela cujos CD's temos todos, aquela cujas letras o meu pai sublinho e dedicou à minha mãe quando ainda eram apaixonados.
    São memórias que tornam a banda mais nossa e esta é sem dúvida uma perda gigantesca para a arte, ainda por cima tão nova! Nunca os verei ao vivo na íntegra e isso parte-me o coração.

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