sábado, 15 de julho de 2017

EVENTOS || Super Bock Super Rock 2017


Foram quatro anos a sonhar com este momento e o meu coração disparou quando vi o bilhete nas minhas mãos; finalmente ia assistir a London Grammar ao vivo, no segundo dia do festival Super Bock Super Rock. Depois de já ter experimentado os ambientes do Rock In Rio e do NOS Alive, este seria uma estreia.

Sobre a organização, não tenho absolutamente nada a apontar, muito pelo contrário: não apanhei uma única fila, não esperei por nada e sempre me orientaram muito bem quando necessitava de ajuda. Mas este pormenor pode ser pouco representativo, uma vez que só fiz questão de ir para o recinto poucas horas antes do concerto. 

Ainda não sei se gostei ou não do facto do palco principal se localizar no MEO Arena. Por um lado, há lugares para todos os gostos (até podemos assistir aos concertos nos balcões sentados) e garante uma boa visibilidade para o palco, por outro, o calor fica insuportável. A vantagem de festivais ao ar livre é que o calor humano vai-se controlando com a brisa fresca de Verão, que torna a experiência menos claustrofóbica.

O MEO Arena nem encheu metade e tive uma facilidade tremenda em ficar na fila da frente, sem empurrões, apertos ou sufocos. Estava perfeitamente livre para dançar, movimentar e tirar fotografias sem perturbar o espaço dos outros mas acredito que só tenha acontecido porque havia muito pouca gente.


Assim que Hey Now começou a tocar, dei pulos de alegria. Para mim, parece um sonho. É quase irreal saber que estive num lugar privilegiadíssimo a ouvir a voz angelical - porém poderosa - de Hannah e a cantar todas as letras de cor. A sua voz não decepciona nem por um segundo e tem tanta qualidade como a sua voz de estúdio; sem desafinar ou descontrolar-se, a vocalista de London Grammar deixou-me de lágrimas nos olhos com o seu singelo a capella Rooting For You e com o refrão de Strong, que protagonizou cheia de sorrisos. 


É tão especial quando vemos os artistas que admiramos tão perto de nós a garantir um espectáculo cheio de qualidade só para o seu público... Senti-me encantada, arrepiada e a ver um sonho tornado realidade. Estas memórias, já ninguém mas tira. Sinto-me tão grata pelo momento que se proporcionou.

O único pormenor lamentável foi a completa ausência de educação por parte da restante plateia, que não estava, de todo, a aguardar por London Grammar. Os gostos não se discutem, mas é importante respeitarmos não só os artistas que estão em palco como também as pessoas que querem, de verdade, desfrutar do concerto - mesmo que não compreendam como alguém pode gostar do grupo -. Infelizmente só revela que cada vez mais as pessoas não compreendem o propósito de um festival de música nem se sabem comportar para o evento. A culpa não recai apenas no público mas também na ausência de cadência do cartaz, um comentário que já não é original nas minhas publicações sobre festivais. Não me choca colocarem estilos diferentes no mesmo dia de cartaz (ou não fosse eu uma defensora da pluralidade, afinal de contas, eu gosto de London Grammar e Future, por exemplo) mas é importante que um dia de cartaz seja composto por actuações que aumentem gradualmente o ambiente. Um artista ou banda tem sempre de preparar ainda mais o ambiente para o seguinte; um exemplo de artistas de estilos completamente opostos que fizeram isso com sucesso, e bem recentemente, são The xx. The xx está para The Weeknd como um pónei para uma torradeira, mas prepararam muito bem o ambiente para a cabeça de cartaz. London Grammar é intimista, o grupo é tímido e não pode anteceder um espectáculo de hip hop. Estariam perfeitos num palco Heineken ou no seu próprio espectáculo. Este é um erro que o festival vai ter de contornar (como já muitos outros fizeram).


Mas nem isso conseguiu incomodar sequer a minha noite. Fui tão feliz, senti-me tão plena a cantar com uma banda que eu acompanho com tanto carinho há tantos anos. Saí do Parque das Nações com o coração a transbordar, os olhos húmidos e um sorriso no rosto. Que privilégio foi ter vivido aquele momento. Só consigo sentir gratidão.

3 comentários:

  1. Gostava de ter ido, mas não tive oportunidade, infelizmente... No entanto, já ouvi várias vezes que o público não foi lá muito respeitador...
    Beijinhos!
    http://sunflowers-in-the-wind.blogspot.pt/

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  2. Tive alguma pena por não ter ido, no entanto planeio vê-los brevemente num ambiente diferente, fora do contexo de festival, para aqueles que estão lá só para os ver. Os aspectos menos bons que descreveste acabam por ser inevitáveis em festivais.

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    Respostas
    1. Se tiveres oportunidade, vai! Vais adorar! :)

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