segunda-feira, 10 de julho de 2017

EVENTOS || NOS Alive 2017



Depois de 2011, 2014 e 2015, em Novembro, estava mais que decidida a regressar ao NOS Alive, desta vez com os olhos apontados para Foo Fighters. Não que os outros artistas não me interessassem também - apelavam e muito - mas já tinha deixado fugir Foo Fighters em 2011 e queria dar-lhes prioridade. Aliás, a ideia de ir a mais do que um dia de festival nem passava pela minha cabeça, portanto, o plano era oferecer o bilhete para o dia 7 de Julho e ir com o Diogo - já que é a sua banda preferida e ele queria voltar a vê-los -. Até que, no Natal, ele ofereceu-me o passe e todo um arco-íris musical reluziu por cima de mim. Lá fui eu, pela primeira vez, a mais do que um dia de festival.

Esta não vai ser uma publicação com crítica musical porque o que não falta neste momento são artigos e colunas inteiramente dedicadas a escrutinar cada actuação do NOS Alive. Quero simplesmente relatar-vos a minha experiência e vou partilhar convosco quais foram as minhas actuações preferidas, por ordem de actuação.

alt-J


Há muitos momentos na nossa vida em que nos sentimos com o coração a transbordar, uma alegria imensa que não cabe dentro de nós. Poder dizer que já vi alt-J duas vezes ao vivo é uma delas. Quando ouvi os acordes iniciais, entrei em êxtase. Embora tenha gostado mais do concerto de 2015, não deixei de ficar com um sorriso no rosto durante toda a actuação e de me arrepiar a cantar Nara ao lado de milhares de pessoas.

Phoenix



Tenho de vos confessar isto: sou fã de Phoenix há anos, mas nunca tinha visto qualquer fotografia dos membros da banda. Eu sou muito assim, descubro artistas mas pouco me importa quem são fisicamente, o que fazem das suas vidas para lá da música. Limito-me a viciar no repertório. E eu sempre imaginei que a banda era um grupo de adolescentes loucos. Conseguem imaginar a minha cara quando entra o vocalista, nada adolescente com uma camisa de turista inglês no Algarve? Foi hilariante. 
Embora algumas músicas tivessem um refrão entusiasticamente cantado pelo público, eu percebi que, ao meu redor, ninguém conhecia Phoenix. Só eu cantava as letras todas e vibrava, o que me deixou um pouco desconsolada. Mas foram uma banda de tirar o chapéu porque, embora não fossem, de todo, os favoritos, conquistaram o público à sua volta e deram um concerto maravilhoso, cheio de energia, com direito a moche, danças extravagantes e muita alegria. Ninguém se sentou ou ficou indiferente (como aconteceu com Interpol, em 2014 - trágico -). O meu coração disparou quando tocaram a Rome, a minha preferida. Foram maravilhosos.




The xx



O concerto que leva o segundo lugar do pódio. Confesso que estava um pouco apreensiva com a escolha do palco principal para uma banda tão intimista como The xx. O mesmo sempre achei para alt-J, Ben Howard... Até agora, estes últimos tinham comprovado a minha teoria. Até que o trio maravilha apresenta-se em palco com uma presença inabalável e um carisma surpreendente. É surpreendente porque é The xx, sempre foram tímidos, bem recatados... E conquistaram um público que já estava apenas a guardar lugar para The Weeknd. Uma das particularidades que mais me impressionou, durante todo o festival, foi a qualidade vocal dos artistas ao vivo. Raramente desafinavam e não desiludiam ao vivo. E devo dizer-vos que fiquei arrepiada ao ouvir a voz do Oliver ao vivo, perfeita, exactamente igual à voz de estúdio. Foi um concerto envolvente, cativante, com espaço para me deslumbrar a ouvir ao vivo as músicas que já oiço há anos, - especialmente quando ouvi aqueles acordes galopantes da Crystalised, que me fizeram dar pulos de alegria e entrar em êxtase - e para dançar sem parar no momento de antena de Jamie, que fez do palco principal um autêntico club cheio de misturas fantásticas e electrizantes que me fizeram fechar os olhos e dançar como se estivesse sozinha. Foram surpreendentes, muito interactivos e inesquecíveis. Agradeço todos os dias por ter tido o privilégio de estar ali, a viver aquele momento.



The Weeknd


Aquele por quem todos ansiavam, no dia 6. Sobre ele, os rumores não paravam. Acho que perdi a conta do número de vezes que ouvi "Vais ver The Weeknd? Não te enchas de esperanças, ele canta mal ao vivo". Cortaram-me o barato de tal forma que até estava com reservas nos minutos que antecediam o concerto. Reservas que foram eliminadas logo na primeira música, com um Abel cheio de presença de palco e uma energia enorme, que nos contagiava. Foi incrível dançar todas as suas músicas, especialmente a I Feel It Coming, cantar todos os refrões a plenos pulmões e vibrar com todas as canções. Só tenho imensa pena que grande parte da sua actuação tenha soado como um medley, cheio de transições inesperadas. Eu gostava que tivesse sido um concerto com uma cadência mais longa e que Abel me tivesse deixado saborear cada música até ao fim. Acabei o concerto com a sensação de que me tiraram a fatia do bolo de chocolate antes do tempo. Mas sem dúvida que adorei cada momento, surpreendi-me com a sua voz e saí desse primeiro dia com o corpo cansado, mas a alma radiante.



Foo Fighters


O melhor para o fim. O que eu mais aguardava. Aquele que eu tinha tantas expectativas e que não conseguia regrar. Estivemos o dia todo a poupar as pernas, a fazer tudo em câmara lenta para receber esta banda com a bateria cheia. E quando oiço os acordes da música de abertura, All My Life, só me lembro de olhar para o Diogo com um sorriso rasgado e os olhos a brilhar. Acho que ainda não tenho palavras para descrever o quanto eu gostei deste concerto. O concerto dos Coldplay sempre ganhou o galardão como melhor concerto da minha vida - um pódio um pouco inflamado, não fossem eles a minha banda preferida - mas, no final, tive de admitir: o concerto de Foo Fighters foi o melhor concerto de toda a minha vida.
À nossa volta, não havia grandes manifestações; as pessoas batiam palmas, erguiam os braços, abanavam levemente a cabeça, mas pouco mais. Já nós vibrámos cada segundo, pulando, cantando a plenos pulmões, batendo palmas, sorrindo. Saboreámos cada momento daquele espectáculo. E quando tocaram a These Days, a minha música preferida deles, o que nunca aconteceu concretizou-se: comecei a chorar. Cantei o refrão com a voz inflamada e os olhos marejados, sem culpa, transbordando de felicidade.
Aquilo que eu procuro quando referem "interagir com o público" foi aquilo que Dave Grohl fez na perfeição; nenhum dos elementos disse uma única vez uma palavra em português, mas comunicaram com o público como poucos artistas neste festival fizeram. O público reage sempre, comunica sempre. E as bandas que conseguem atender e compreender o seu público, não importa a língua, são as mais especiais. Aquilo que Foo Fighters fizeram chama-se música, porque comunicámos sem falar a mesma língua. Reparem que ele tocou "E salta, Dave, allez, allez" e terminou dizendo "não faço a mínima ideia do que estou a tocar". E o público explicou. Mas não importa, porque ele simplesmente atendeu ao pedido do público. Isto é música, é entreter, é comunicar, é um concerto à séria. Eu fiquei fascinada com a sua randomness, com o cuidado de apresentar todos os elementos da banda, com as suas picardias para cantarmos mais, para gritarmos, para ficarmos ali a noite toda. Eu teria ficado. No final, o Diogo disse "foi tão fixe" e eu quis responder, mas apercebi-me de que estava sem voz. Foi um concerto memorável e nem acredito que estive lá, ao vivo, a dividir cada momento.

Nunca tive grandes razões de queixa da organização e termino sempre cada NOS Alive com expectativas para o próximo. Mas este foi um dos meus anos preferidos do festival, com concertos que me surpreenderam e que vão ficar na minha memória para sempre. Sinto-me muito grata.

13 comentários:

  1. Eu sei que isto rouba um bocado o holofote do post e que não é da minha conta mas tu e o Diogo voltaram?

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    1. Não, mas continuamos a ser os melhores amigos um do outro :)

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  2. Amava ter ido ver the xx e amei cada pedaço desta publicação! Nota-se que estás radiante! Ainda bem que foste muito feliz no Alive e mal posso esperar pela tua experiência no sbsr com London Grammar, vive o momento por mim também!

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  3. Eu faço parte do grupo de pessoas que não conhecia Phoenix mas que fiquei encantada - o vocalista é totalmente doido mas adorei-o. E não pude deixar de me rir com a tua descrição dele porque pensei tal e qual a mesma coisa. Lindo, Inês. xD

    Quanto ao The Weeknd senti o mesmo que tu. Mas não fiquei de todo desiludida. Espero é que ele regresse num contexto diferente.

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  4. Fiquei com imensa pena de não ter ido ao Alive este ano, mas acabaste de me diminuir um bocado essa tristeza ao dizeres que os alt-J foram melhores em 2015. Anyway, gostava de ter visto os The XX, Kodaline e os Foo Fighters. Eram as únicas bandas que estavam a chamar por mim para ir ao Alive.

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  5. Gostava muito de ter ido Foo Fighters. Provavelmente a próxima vez vou a correr comprar bilhete!

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  6. Deixei escapar o festival, mais uma vez. Parece ter sido incrível!

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  7. Adorava um dia ir ao Nos Alive, tem sempre cartazes espetaculares. Se eu tivesse ido este ano, as bandas que iria querer mesmo ver era os The Weeknd e os Foo Fighters. Imagino que o concerto dos Foo Fighters tenha sido mesmo o melhor da tua vida, eu vi um pouco deste na televisão e arrepiei-me toda, parece ter sido mesmo bom!
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  8. era o festival que queria mesmo ter ido este ano, mas temos de fazer opções às vezes. nem sempre dá para tudo. nota-se que gostaste MESMO, e isso é ótimo :)

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  9. Ohhh, adorei ler esta tua publicação - como adoro sempre! Brevemente, também darei a minha opinião acerca do festival!
    Beijinho*

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  10. este ano só fui dia 8 (curiosamente foi o unico dia que não falaste ahah) mas adorei porque consegui ver as minhas bandas favoritas (kodaline, imagine dragons um pouco e cage the elephant)
    também sou como tu, pouco me interessam os artistas como pessoas ligo muito mais as musicas e as vezes nem sei mesmo o aspeto deles
    adoro ir ao alive e tenciono voltar para o ano
    beijinhos

    http://umacolherdearroz.blogspot.pt/

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  11. Confesso: vim à procura deste post. À procura da partilha desse grande momento que sabia que ia encontrar aqui - preciso de destilar o meu hype em algum lado ahah :) disseste-o tão bem, Inês! Ando aqui com umas ganas desgraçadas de escrever sobre este concerto, mas nem sei bem o que dizer sem que pareça que estou a virar fangirl ou que me estou a armar. Acho que só quem esteve lá percebe quão bom aquilo foi! E eu sou das que vai lá para a frente, por isso a atmosfera dos "junkies" ainda me viciou mais (mesmo que eu fosse das poucas a mexer-me até ficar a pensar que no domingo não ia ter pescoço ahah!). O Dave é um animal de palco em modo fofo - ele estava lá connosco, e não a actuar para nós. Fizemos o concerto juntos e foi tão espectacular! :)

    Jiji

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  12. Inesita, ler a tua experiência causou-me uma nostalgia tão graaaaande! Já sabia que ias partilhar e estava ansiosa por ler, que maravilha. Parece ter sido O festival. Fico tão radiante que te tenhas divertido estrondosamente e que tenhas aproveitado cada segundo como só tu sabes fazer.
    Mais ainda, fico mesmo contente por saber que tu e o Diogo se dão ainda tão bem. Sei como isso deve ser importante para ti.
    Obrigada por teres partilhado connosco os teus sentimentos e experiências. Não sei se vou conseguir ler mais algum post do NOS Alive, porque, depois deste e do da Inês Matos, do nightie night, stou arrasada com a vossa expressividade <3

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