segunda-feira, 17 de julho de 2017

BLOGOSFERA || Qual é o limite da inspiração?

O mundo dos blogs, quase como a literatura, é infinito e diverso; pensem num tema e vão encontrar dezenas, senão centenas, de plataformas sobre isso. A rede criada é desafiante, próxima e muito interactiva, afinal de contas, somos também leitores dos nossos colegas, acompanhamos o crescimento de outros blogs além do nosso e estamos presentes nos seus sucessos. Isso torna o acto de ser blogger num desafio muito estimulante; queremos sempre melhorar o nosso conteúdo, surpreendermo-nos e a inspiração, muitas vezes, vem das páginas que lemos diariamente e é fantástico. Mas há limite para a inspiração?

Afinal, até que ponto podemos alegar que é inspiração quando a ideia que apresentamos no nosso blog é integralmente igual à ideia retirada da blogger por quem nos inspirámos? Até que ponto é ético (ou legal, em muitos casos) justificar a cópia de uma ideia alegando inspiração? Pode a inspiração "perdoar" um plágio?

Inspiração, para mim, é um gatilho para fazer algo que transcenda a ideia que me inspirou. São pequenos estímulos do meu dia-a-dia - que não aparecem só na Blogosfera - e que despertam uma ideia que, talvez sem o estímulo, demoraria a aparecer. Inspiração não pode implicar apropriação. Tem de envolver um twist pessoal. É gostar da ideia quase toda de alguém mas ver que há detalhes que podiam mudar e fazê-lo, apostando em algo completamente diferente - original e vosso - mas cujo gatilho foi de outra pessoa. Fazer uma publicação com conclusões absolutamente iguais à pessoa que leram sem a creditarem, não é inspiração, para mim.

Plágio é a apropriação total ou parcial de uma ideia de outra pessoa, mas que alegamos ser nossa. E só esta frase despoleta em mim várias reflexões sobre o que encontro na Blogosfera - e não só, mas é sobre este núcleo que desejo falar -. Se um blogger inicia um projecto e vocês decidem fazer um igual sem a autorização ou creditação do blogger que teve a ideia, estão a plagiar. Se escrevem uma publicação que está igual na íntegra a outro blogger e não lho deram o devido crédito, estão a plagiar. Não "decidiram". Não se "inspiraram". Plagiaram. Infelizmente, o plágio na Blogosfera é absolutamente mascarado que nem alunos de faculdade a copiar o trabalho do melhor aluno mudando algumas frases para "o professor não perceber". Mas o professor percebe sempre, tal como os leitores; não estão a plagiar, de facto (a não ser que seja um projecto. Aí, nem mudando todas as frases conseguem tornar isso legal, porque o núcleo da ideia é precisamente o mesmo) mas não é uma inspiração, de todo. 

É sempre um debate interessante e que eu creio que a resolução deste problema seja irreal. Nunca vai haver uma Polícia do Plágio Mascarado na Blogosfera. Nem sequer do plágio descarado. Mas sem dúvida que há a consciência e a moralidade, que nem todos a têm, certíssimo, mas que vale sempre a pena relembrar, nestas ocasiões tão impertinentes. Sentem-se melhores por fazerem precisamente a mesma coisa que um outro blogger, ipsis verbis? Onde estão os vossos valores, enquanto autores, quando escrevem algo completamente igual a outra pessoa?

Eu sei. Os argumentos "já tinha escrito antes e ela publicou primeiro", "eu não conhecia esse projecto antes de começar o meu" e "eu tenho a mesma opinião que ela, não significa que esteja a plagiá-la" existem e são todos legítimos. Mas para o primeiro, é como tudo na arte: podias ter feito e publicado, mas não o fizeste. E a outra pessoa fica com o total direito de reclamar a originalidade, sem nada de errado ter feito. Era o mesmo que dizerem que já tinham escrito Harry Potter antes da J. K. Rowling, mas que ela o tinha publicado primeiro. Quanto ao segundo, será sempre dúbio se os teus leitores souberem que já conheces o blogger da ideia original e muito chato de provar quando a ideia vem depois da original. Mas pode ser uma justificação genuína, sem dúvida. E é cada vez mais difícil determinar de onde surgiu a ideia original de certas publicações ou projectos mas, nesse caso, o importante é não nos declararmos como donos de uma ideia só porque não temos certezas de a quem realmente pertence. E o terceiro, é um facto. Não existem muitas opiniões originais e sem dúvida que a citação é absolutamente correcta. Caso contrário, os nossos leitores não se identificariam com o que dizemos nem iam sentir que lhes "lemos a mente". Estes fenómenos maravilhosos só acontecem por termos opiniões e sensações convergentes. Mas, embora a opinião partilhada não seja uma ciência exacta, os comportamentos e estilos são sempre facilmente detectáveis e ninguém lê uma publicação de olhos vendados. No final de contas, temos garantidamente uma certeza: o que faz nascer as ideias, nunca pára de se surpreender com a sua criatividade e desafia-se a si próprio a cada projecto novo e isso é um poder raro e extraordinário. Na impossibilidade de haver uma solução eficaz e de confiança, cabe a nós escrever com o coração numa mão e os princípios na outra.

9 comentários:

  1. E olha, tenho nos rascunhos um post cheio de links a falar disto mesmo - e o teu vai para lá agora!

    Este é um pau de dois bicos. Concordo contigo a 100% no que diz respeito ao plágio de ideias, textos, fotografias, etc. Só desvaloriza quem o faz, não traz nada de novo e, convenhamos, ninguém gosta de ser tomado por parvo - que é isso que quem o faz está a transmitir.
    Por outro lado, e ainda há uns tempos me aconteceu, há quem tome como suas ideias que são perfeitamente comuns, difundidas, e em que a "originalidade" é discutível. Citei um post de outro blog que era tipo "TAG", que não era nada de particularmente *único* em termos de ideia mas que achei interessante reproduzir na minha versão, e que acredito que não tenha sido uma ideia copiada, e queixaram-se que outra pessoa tinha feito isso primeiro e que lhe tinham roubado a ideia. No que ficamos? Não sei. Acrescentei os créditos da outra pessoa também, anyway. Mas às vezes há que tomar as coisas com uma pitada de sal quando achamos que temos a ideia mais brilhante à face da Terra. Nem sempre o é!

    Mas no fundo, no que diz respeito ao plágio em si, evidente, descarado e sem o mínimo de respeito pelo autor original e por si mesmo, é coisa que não me cabe na cabeça!

    Jiji

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  2. Não é, de todo, fácil lidar com uma situação destas. Nunca plagiaram nenhuma publicação do meu blog nem nunca me cruzei com uma ideia copiada de outra publicação sem os devidos créditos- pelo menos que tivesse dado conta. A não ser que seja copiada a 100%, com textos, frases ou ideias iguais, nunca podemos afirmar com 100% de certezas que aquela publicação foi copiada.
    Aliás, já me aconteceu diversas vezes ter uma ideia para uma publicação, concretizá-la e depois aperceber-me que uma blogger que gosto e sigo publicou sobre o mesmo. Apesar do texto não ser igual e daquilo que escrevi também não o ser, não cai bem publicar num espaço temporal tão semelhante àquela blogger, tanto por uma questão de respeito como de noção.
    Resta-me dizer que não consigo compreender quem plagia na integra uma publicação porque nesses casos nem sequer podemos afirmar inspiração - quem é que, se gosta do trabalho de outra blogger, a desrespeita desta forma? É algo que não compreendo.

    My Own Anatomy ✨

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  3. Concordo a 100% com a tua opinião!

    Para mim, a blogosfera nesta momento esta pejada de rubricas/conteúdo completamente iguais mesmo títulos e conteúdo. O que para alem do plágio é absolutamente aborrecido de ler. Não há o esforço de fazer algo inspirado mas com um toque pessoal. Então a rubrica "favoritos do mês" esta a transcender o limite do aceitável. É absolutamente tudo igual em todos os blogs! Nem há uma tentativa de tornar a rubrica mais pessoal... Eu já nem leio esses textos.
    Nem sei quem a começou mas acho que está a ser completamente assassinada por outros bloggers que gostam de usurpar ideias e em vez de até as melhorar não, fazem uma versão pior!
    Tenho a sensação que o foco está em dar algo fácil de mastigar aos leitores para gerar muitas visitas e não em gerar bom conteúdo ou pelo menos conteúdo individual.

    Por outro lado adoro a tua rubrica "Isto é tão Inês" não por ser super original mas por ser um reflexo teu que não faria sentido em mais blog nenhum! É isso que adoro no teu blog é que tudo o que fazes tem inequivocamente a marca Inês independentemente do conteúdo ser original ou inspirado em qualquer outro tema.

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  4. Se há coisa que tenho promovido é o diálogo sobre esta problemática e, como tal, subscrevo e partilho por completo a tua opinião. Há muitos anos atrás, em outra plataforma, chegavam a re-publicar as minhas imagens editadas com o texto ligeiramente adaptado, portanto não sou estranho a este tipo de situações. Hoje em dia é muito difícil ser original. Por muito que pensemos que tivemos uma ideia de génio, pode sempre haver alguém que já a teve antes. Dito isto, quando vemos algo que publicámos a aparecer na página de uma presença assídua no nosso blog, o caso muda de figura. Por muito que o tema não seja "único" e até trivial, algo de interessante deve ter tido para se ter propagado como fogo pela blogosfera. Outro exemplo são os layouts. Todos sabemos quem foi uma das pioneiras nesta área e a rapariga deixou-se disso porque começaram a aparecer copycats com modelos idênticos aos dela. Enfim, podíamos ficar horas a falar do mesmo que há sempre um novo ângulo a abordar.

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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  5. Acho que de uma forma ou de outra tento ignorar isto. Não é por mal, mas simplesmente não me quero chatear. Ás vezes tenho a impressão que tal texto é semelhante ao meu sobre "x" tópico, mas depressa rejeito a ideia. Afinal, talvez tenha é a mania da perseguição.

    O blog é o meu "happy place" falo de assuntos que provavelmente no meu dia-a-dia nunca terei oportunidade de abordar. Assim, no blog, sempre vou moderando aquilo que me interessa. Por isso, não me preocupo muito com a possibilidade de alguém estar a copiar qualquer coisa. Se calhar devia, se calhar sou demasiado ingénua até.

    Já no inverso da moeda, tenho sempre atenção para não copiar ninguém. Não é correto. Sigo a minha própria ética, mas não consigo de modo algum plagiar seja lá o que for - nem mesmo dando a desculpa de ser uma inspiração. A verdade é que existe bloggers que têm uma imaginação e destreza espetacular, mas tento não me comparar com elas (/eles) e seguir-lhes o passo.

    Estou a procurar definir-me como pessoa e. consequentemente, não acho que seja a seguir as pisadas de outra que o conseguirei fazer.

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  6. *clap, clap, clap, clap*

    Inês, obrigada por este post! Infelizmente vejo muitas cópias pela blogosfera e ainda há pouco tempo vi uma que me deixou completamente chocada: uma blogger portuguesa que eu até tinha em boa conta, com umas largas centenas de seguidores, fez um post este ano que eu guardei porque achei interessante. Uns dias depois no Pinterest abri um link que tinha lá guardado. Começo a ler o post, de um blog americano, e reconheço algumas coisas. Vou abrir o post português e é a tradução chapada (em tudo!) do post do blog americano, publicado meses antes. Fiquei completamente parva! Quando apanhas casos destes começas a duvidar um bocadinho daquilo que lês vindo dessa pessoa...

    Eu não vejo problemas em ir buscar inspiração a outros blogs, mas há limites para o que é inspiração. E não custa nada dizer "vi isto no blog X". E acho que há muita gente que além de não fazer isso não se preocupa em ter conteúdo único e original. Vejo muita gente a publicar só por publicar e é ridículo, porque enchem o blog de cópias só para terem algo para publicar. E, depois, há as pessoas que parece que não têm ideias próprias, que só conseguem copiar as ideias e as opiniões dos outros.


    A Sofia World

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  7. Mais um maravilhoso post, que só poderia ter sido escrito por ti, Inês :). Concordo plenamente com o que disseste!
    Infelizmente, vejo pela blogosfera muito plágio, quer seja à descarada, quer seja mascarado. E, tal como a Sofia disse acima, já apanhei bloggers a fazerem traduções de bloggers estrangeiros. E só as apanhei porque leio blogs estrangeiros com bastante frequência.
    Tal como cheguei a dizer num tweet, existe uma linha muito ténue entre inspiração e plágio. Numa blogosfera tão vasta, é normal já terem escrito sobre um tema que nos ocorreu abordar. O truque para não plagiar é mesmo pegar nesse tema e dar o nosso cunho pessoal, a nossa opinião. Se lá estiver a nossa personalidade, não estaremos a copiar. Agora, se estivermos a copiar frases do post, ou mesmo a pôr a mesma ideia por outras palavras, já estaremos a plagiar.
    Nunca fui plagiada, pelo menos que tenha dado conta, mas já me aconteceu mesmo uma coincidência, que foi eu ter publicado um post, e passado uns minutos, outra blogger ter publicado algo muito parecido com o que publiquei. Foi mesmo uma situação bizarra e cómica, mas nunca podia ser considerado plágio ( ela não tinha tempo de ler o meu post todo em 2 minutos).
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  8. Olá, Inês!
    Ao ler este teu post lembrei-me de uma aula de Análise de Discurso que tive durante a minha licenciatura, na qual a Prof. disse-nos que nada neste mundo pode ser considerado 100% original. O raciocínio desenvolveu-se a partir daí e fui capaz de concordar. O que fazemos no nosso dia-a-dia acaba sempre por ser baseado em algo que outra pessoa já fez anteriormente. Há campanhas publicitárias ditas "originais" que podem passar pela junção de pequenos pormenores de outras anteriores, completamente diferentes. O resultado pode ser, realmente, "mindblown", mas o elemento de génio fica-se apenas pela capacidade de juntar detalhes numa composição nova.
    Talvez o que escrevo agora não seja suficiente para convencer a respeito desta teoria, mas a aula foi sem dúvida interessante e pôs as coisas sob uma perspetiva diferente.
    Plágio é absolutamente condenável. Se transcreves palavras ou te baseias em ideias de outras pessoas, é óbvio que tens de colocar a respetiva referência (no caso do online, o link que remete para a fonte).
    Pegar em ideias de outros e dares-lhe um twist ou escreveres com o teu signature style já é diferente, na minha opinião. Naturalmente deverás apresentar o artigo/obra/imagem/o que quer que seja a partir do qual te expressas, mas, no fim de contas, dás-lhe um pouco de ti e da tua personalidade. Não fica original, no entanto, visto que não criaste algo de raiz, mas fica com o teu cunho.
    Bom post! :)

    (https://readings-blog.blogspot.pt/)

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  9. Não é fácil criar conteúdo original hoje, como era há uns tempos. A Internet está cada vez mais repleta de blogues e bloggers a produzir conteúdo diariamente, daí que se recorra a inúmeros mecanismos que possam dar uma ajuda na hora de compor uma publicação. Continuo apologista da inspiração de raiz, aquela que consigo alcançar por mim própria, sem recurso a mais nada, apenas as minhas vivências, e por isso não partilho com tanta regularidade. No entanto não rejeito recorrer a outras fontes, para me inspirar em relação a possíveis temas, porque isso também me faz crescer.
    Deve partir da consciência de cada um fazer uma escolha acertada em relação aquilo que escreve. Impera muitas vezes o facilitismo na hora de pensar um tema e escrevê-lo, bem como a necessidade de ser lido por muitos. E, nestes casos, a originalidade é colocada em segundo plano, infelizmente.

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