quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ISTO É TÃO INÊS || Adaptar para conhecer


Uma das características que mais gosto em mim enquanto viajante, enquanto turista, é a minha capacidade para me adaptar às viagens que faço, aos destinos que visito e às culturas que conheço. Durante estas duas décadas reconheço o privilégio que tive de poder visitar diferentes lugares e fazer propósitos de viagem distintos, sem nunca deixar de absorver tudo o que a viagem tinha para me dar e de viver a experiência em pleno, sem me sentir deslocada, aborrecida ou desinteressada.

Eu adoro visitar uma capital europeia e um destino tropical sem comparar o valor de cada viagem. Eu tenho muito orgulho em saber que tanto posso calcorrear todos os monumentos riquíssimos de História e cultura enquanto bebo um chocolate quente de uma cafetaria moderna e absorver todas as mensagens ou de poder ver a História e a cultura desenrolarem-se nos meus próprios olhos enquanto percorro ruas de países cuja liberdade e o poder de compra são um luxo. Vibro tanto a vestir as minhas roupas preferidas para visitar um enorme parque na cidade como a vestir o biquíni e deliciar-me com o mar de um oceano onde antes nunca havia mergulhado. Ver Van Gogh é uma obra de arte tão grande como ver o nascer do Sol na praia pela primeira vez. Reconheço a delícia que é chegar cansada ao final de um dia, depois de ter calcorreado museus, galerias, palácios e recantos e a delícia de chegar cansada ao final de um dia depois de ter conhecido, a pé, a natureza tropical, uma ilha virgem ou uma cidade perdida entre vales e montanhas verdejantes. Eu explico de onde venho e como falo tão bem inglês num qualquer restaurante recomendado pelo TripAdvisor e também me sento no degrau de entrada de um café que nunca irá aparecer em lado nenhum, cujas pessoas nem sequer sabem falar bem inglês mas que tem uma música incrível ao vivo e que se sentam ao meu lado porque querem saber mais sobre o país do Ronaldo. Seja em que língua for, a linguagem gestual e improvisada ainda é fundamental. De mala bem feita ou mochila às costas. A ver esculturas históricas e inesquecíveis ou a brindar uma limonada à beira da praia. A saber mais sobre as conquistas do país que visito ou a conhecer as riquezas naturais e sociais do meu destino. Num restaurante onde o guardanapo se mete nas pernas e onde vivo uma experiência gastronómicaextraordinária ou numa rolote de rua cujo HACCP choraria mas que a comida é maravilhosa e verdadeiramente tradicional. Não importa. Eu adapto-me. Eu preparo-me. Eu vivo o lugar. Eu absorvo.

Eu não tenho destinos de viagem ou propósitos de viagem preferidos. Eu não escolho cidade em vez de praia, multiculturalidade em vez de pura natividade, museus em vez de excursões. E vice-versa. Todas as viagens são riquíssimas para mim porque eu nunca vou no mesmo espírito. Não podemos ir à América Latina com o mesmo espírito com que vamos a Paris. Não podemos conhecer Cabo Verde com o mesmo perfil com que viajamos até Nova Iorque. Não podemos explorar Melbourne com os mesmos padrões com que visitamos a República Dominicana. Há quem não seja capaz. Tudo bem, é normal. Eu adoro conseguir fazê-lo. Eu dispo-me de todos os preconceitos, esquisitices e padrões. E nunca volto a mesma Inês, em cada viagem que faço, vá eu para onde vá. Até no meu próprio país. E isso é uma das melhores características que preservo no meu espírito de turista e que mais admiro encontrar nos outros, também.

Por favor, não a utilizar a minha fotografia sem autorização prévia

7 comentários:

  1. Isso é fundamental e é de apreciar ^^
    Confesso que não sou de viagens de mochila às costas. Embora já o tenha feito e quando então fui a pé a fatima mas tinha um objectivo muito concreto e sujeitei-me a qualquer coisa. Mas quando viajo pelo prazer de viajar, gosto muito de um determinado nível de conforto. Prefiro ir menos vezes mas ir com mais comodidade.
    Acho uma barbaridade nivelar-se a viagem pelo sitio onde fostes. tão importante é turistar lá fora como cá dentro. Tem o mesmo valor. Importa é ir e aprenderes o máximo com a viagem que fazes e não pensares no onde, como, para quem e no prestigio de ter esse pais no teu mapa.
    E no que toca a viagens sou uma privilegiada! Sem dúvida!

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  2. Bem, este texto quase que podia ter sido escrito por mim Inês! Adorei as tuas palavras, a tua sinceridade e sensibilidade para abordares o tema! O último parágrafo então está digno de notícia!

    Um beijinho e muitos parabéns pelo blog :)

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  3. Bato-te palmas, de pé, pelo lindo texto e por saberes reconhecer quem realmente és :)

    Beijinho grande, querida *

    http://cristiana-tavares.blogspot.pt/

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  4. Um verdadeiro viajante sabe se viajar é isto mesmo. Não é chegar ao destino, tirar meia dúzia de fotos e ir embora.
    Das últimas viagens que fiz realmente não tenho muitas fotos porque tiro as que acho essenciais e as senti necessidade de tirar mas depois absorvo tudo o que vejo, o que sinto.

    Cátia ∫ Meraki

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  5. concordo com tudo o que disseste (:
    http://arrblogs.blogspot.pt/

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  6. Viajar é despir-nos um pouco de nós para entrarmos também na pele do outro. E daí absorver-se valores e aspetos que nos podem fazer olhar para a vida de uma perspetiva diferente.
    Todas as viagens são uma aventura, até porque em qualquer uma delas somos obrigados a sair da nossa zona de conforto.

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  7. Não mudaria nem uma vírgula. Fico feliz por não ser a única a pensar dessa forma =)

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