quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

PASSAPORTE || O Porto, aos meus olhos


Durante toda a minha vida, vi sempre o Porto do lado de Gaia. O seu horizonte recortado com o Douro aos seus pés, as casinhas amontoadas. Só agora entrei no coração do Porto, que levou o meu. No Norte, sinto-me sempre em casa, não importa onde vá e o Porto recebeu-me de braços abertos, mesmo quando não percebia quando dizia "nove" com a pronúncia do Oeste.

Agora compreendo quando falam da "Escuridão do Porto", porque também a vi. Não é uma depreciação, é um facto que vem de um detalhe arquitectónico muito típico para as regiões do Norte: o uso de pedra muito acinzentada e escura, misturada com paredes coloridas, brancas ou azulejos. No horizonte e pelas ruas, a escuridão dessa pedra confere à cidade - e a tantas outras no Norte do país - aquele ambiente escuro, de sombra, sem que deixe de ser belo. Onde em Lisboa há uma luz inesgotável, no Porto existe uma sombra reconfortante.

Fizemos sempre o Porto a pé, e nem fazia sentido de outra maneira. Senti que era tudo relativamente perto e que chegávamos a todos os lugares com uma caminhada. Isso ajudou-me a sentir-me ainda mais próxima da cidade. 
A cada esquina, ficava deslumbrada com os edifícios e fachadas, com as raparigas que passavam por mim com a pronúncia dos meus primos, e com o Sol de Inverno maravilhoso que ia penetrando pelas ruas e driblando os edifícios. A zona de bares onde os edifícios e lojas antigos foram reaproveitados, mantendo na mesma os nomes "Livraria", "Farmácia" e a decoração temática fascinou-me.

Eu encontrei uma forma mais portuguesinha de receber a Ribeira. Não basta descer e ver tanto azul em meu redor; eu desci e encontrei uma Tuna. Foi assim que vi todas as pontes, que observei a minha Gaia em frente, que fixei as casas coloridas que tinha em meu redor: com música de tuna.

Mas nada foi tão belo como conseguir ouvir os sinos em qualquer ponta da cidade. Eu associo muito os sinos a detalhes de cidades pequenas ou aldeias familiares e conseguir reunir um Porto tão moderno, tão jovem, tão refrescante com uma característica tão aldeã, foi a condição perfeita para me sentir numa casa confortável. São estes pequenos detalhes que tornam as cidades mais belas, menos superficiais e mais humanas. São estes pormenores que nos fazem decidir se conseguiríamos viver numa cidade para sempre. Eu viveria no Porto para sempre, se os sinos nunca parassem de tocar. 

Fotografia da minha autoria, por favor, não a utilizar sem autorização prévia

18 comentários:

  1. Já fui ao Porto e adorei!!!

    Conhece o meu novo projeto A uma Carta De Distância
    Beijinhos
    That Girl

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  2. Sou de Braga e quando estou de férias costumo ir sempre ao Porto passear. É uma cidade linda mesmo e se um dia tivesse que escolher uma cidade (para além da minha, claro) para viver, escolheria o Porto sem dúvida alguma.

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  3. Tenho adorado ver as tuas fotografias no instagram. Vou ao Porto em Abril e só me tens deixado com mais vontade que Abril chegue rápido!

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  4. Quem alterou o teu blogue?

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  5. Sempre quis ir ao Porto e cada vez mais sinto essa necessidade. Muitas vezes sonho com viagens para aqui e ali e nem o meu próprio país conheço. Não pode ser! Acho que me ia perder no meio daquela arquitectara típica da região :)

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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  6. Fiquei com o coração cheio por ler esta publicação! Porque reconheci o Porto que me acompanha no dia a dia nas tuas palavras e é tão bom perceber que a sua essência não te passou despercebida! Estou ansiosa por mais partilhas destas acerca da cidade Invicta!
    Beijinho*

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  7. A foto está linda, e o texto ainda mais, Inês. O Porto é mesmo isso - e fico contente por teres percebido a nossa "escuridão" de forma tão perfeita. De uma portuense de coração - porque vivo mesmo ao lado: volta mais vezes, e vais descobrir sempre mais maravilhas! :)

    Jiji

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  8. É a minha cidade portuguesa preferida e sinto-me tão bem lá! É tão longe mas tão perto e tão diferente mas ao mesmo tempo tão parecido! Guardo momentos muito felizes do Porto e tem uma beleza inesgotável!

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  9. Que publicação tão bonita! Obrigada Inês ♥

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  10. Há já algum tempo que planeio ir ao Porto em versão turística. Este teu post só aumentou essa vontade de ir visitar a cidade. Eheheh! :P

    Beijinho grande e muitas felicidades!
    Chamam-me Pequenita: https://chamammepequenita.blogspot.pt

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  11. Gosto tanto, tanto, tanto do Porto! <3
    Este teu texto trouxe-me muitas recordações :) Obrigada por isso.

    Um beijinho dourado

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  12. Passei pela cidade de fugida e apenas tive tempo de visitar a Livraria Lello, quero muito voltar com mais calma.

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  13. "Fizemos sempre o Porto a pé, e nem fazia sentido de outra maneira. Senti que era tudo relativamente perto e que chegávamos a todos os lugares com uma caminhada. Isso ajudou-me a sentir-me ainda mais próxima da cidade." - Após esta frase, voltei a viver a sensação dos dias em que lá estive! Concordo perfeitamente contigo no que toca à acessibilidade das coisas pelo Porto. Se andei de transportes na semana em que lá estive foi apenas para chegar a Matosinhos, porque mesmo ali, eu e os meus colegas fizemos aquela que, para mim, foi a maior e melhor caminhada da minha vida!
    Eu já cá ando com ideias de voltar para o Porto, mas depois das tuas fotos pelo Instagram e após esta publicação, a vontade cresceu ainda mais!!
    Fico super feliz por teres amado a cidade. É de facto uma a que podemos chamar de casa muito facilmente!
    Beijinhos!

    A Vida de Lyne

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  14. «Eu viveria no Porto para sempre, se os sinos nunca parassem de tocar.» Não diria melhor. Fico feliz que tenhas gostado tanto e mal posso esperar por ler todas as tuas aventuras!

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  15. Este post está qualquer coisa de extraordinário, Inês! Mal posso esperar por mais posts sobre o Porto!

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  16. "Eu viveria no Porto para sempre", eu também! Invejei completamente as tuas fotos maravilhosas da cidade e agora tenho a dizer-te ainda mais: este texto está simplesmente espetacular!

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  17. Tive que seguir a tag #porto e ter vindo ao encontro deste artigo arrancou-me sorrisos. Quero muito conhecer a cidade, a luz da cidade. Suspiros.

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