terça-feira, 15 de novembro de 2016

DESPORTO || O barato sai caro


Sou muito sincera: durante muitos anos evitei ginásios. Aliás, quando senti necessidade de entrar num, a minha hesitação mantinha-se. Explico-vos porquê; sempre olhei para eles como enormes armazéns cheios de pessoas a brincar aos atletas. 
Eu fui atleta desde que me lembro; com três anos os meus pais inscreveram-me de imediato na natação dos bebés. E, desde então, eu sempre fui uma boa atleta... mas acompanhada. E, muito honestamente, eu considero que este é o melhor método de praticar desporto. 

Eu considero-me não só uma boa atleta como uma atleta informada. Eu sei os limites do meu corpo porque há 19 anos que puxo por mim. É natural que eu já saiba reconhecer os meus sinais com relativa facilidade e identificar também as minhas fraquezas. Além disso, eu estudei uma área brutalmente ligada à saúde e ainda com uma possível vertente desportiva. Mais elucidada sobre o desporto eu não podia estar. Mas mesmo assim, eu acho que praticar exercício acompanhada de um profissional competente é muito mais inteligente do que o fazer sozinha. Não é segredo nenhum: de fora, qualquer pessoa identifica os nossos erros com mais facilidade do que nós mesmos. A nível de postura. De técnica. De limites. 

E quando iniciei a minha procura por um ginásio, fiquei escandalizada ao saber que amigos meus estavam inscritos em ginásios baratíssimos mas em que o acompanhamento era inexistente. Foram avaliados no primeiro dia em que entraram naquele grupo, receberam alguns conselhos mas a única forma de serem acompanhados era através da aquisição de um personal trainer cujo o preço mensal era astronómico. Como não aceitaram pagar mais por isso, mantiveram-se no ginásio sem acompanhamento. Impensável, para mim.

O meu ginásio é super pequenino. Familiar até, eu diria. Não tem mais de quatro passadeiras, imaginem. E não, nunca tive de esperar por ninguém para as utilizar, cada vez que lá entro tenho máquinas disponíveis para mim. As aulas não têm mais de 15 pessoas e o ambiente é extraordinário. Digo na brincadeira (mas falando a sério simultaneamente) que escolhi aquele ginásio por um dos instrutores ter sido meu treinador, o que é uma mais valia por já me conhecer enquanto atleta. Mas mentiria se dissesse que foi só por isso. A verdade é que tenho avaliações físicas de dois em dois meses, com provas e análises para ir observando a minha evolução e para cruzar objectivos. Todos os dias, quando entro naquela porta, tenho um instrutor a pegar na minha ficha e a ver qual é o meu plano de treino e o que devia fazer nesse dia. Esteja eu numa aula, numa máquina ou a fazer alongamentos num cantinho, aparece sempre um profissional a corrigir a minha postura, a puxar por mim para saltar mais, a dar-me na cabeça porque estou a abusar na velocidade e não é bom. Porque a verdade é que às vezes a gente também se esquece desses pormenores que, permitam-me dizer, fazem a diferença para um bom treino.

Não tenho limites de horas, de salas, de dias. E não pago nem um cêntimo a mais por todas as condições que acabei de descrever. Nem um cêntimo. E sim, não pago 20 euros ou 30 como os meus amigos gostam de aclamar de peito cheio que pagam. Mas depois percebo que não têm um terço das condições que eu tenho. 
Há três coisas com as quais eu nunca brinco: com a comida, com a saúde e com o amor. E também sou muito ponderada nas coisas em que decido investir e não me atiro de cabeça à primeira oferta. Mas quando encontro algo que preenche as minhas requisições, eu invisto sem dúvidas. Porque estou a investir em mim e na minha saúde. E o ginásio, naturalmente, foi um investimento que decidi fazer bem feito. É a minha saúde, é a minha condição física. E não me arrependo, muito pelo contrário, não podia estar mais satisfeita. Conheço ainda melhor o meu corpo, experimento desafios que nunca antes tinha experimentado mas sempre vigiada e acompanhada. E isso é óptimo. Porque saio todos os dias de lá com a maior felicidade do mundo por ter o corpo cansado (a sensação pós-exercício é muito libertadora) mas sei que não ando a brincar aos atletas. E isso é fundamental, para mim.

12 comentários:

  1. Precisamente. Não sou fã de ginásios precisamente pelas razões que apontaste (e também porque correr no mesmo sítio e afins não me cativa mas não é isso que está em questão) e acho um perigo brincar aos atletas e "bater recordes" nas máquinas de pesos.

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  2. Ando num ginásio em que também tenho direito a avaliação, no meu caso de 3 em 3 meses. No entanto, cada um sabe de si e não fico nada escandalizada por alguém escolher um ginásio em que não tem as condições que TU consideras serem as melhores.

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    1. Sem dúvida, anónima! Caso tenha passado despercebido, esta publicação é inteiramente sobre o MEU critério para escolher ginásios :)

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  3. já tive este 'discussão' com colegas um montão de vezes. para mim não faz qualquer sentido estar num ginásio a fazerem o que querem, ponto. por muito que conheçamos o nosso corpo, há coisas que falham. e acho importantíssimo estar alguém que nos conheça, que nos permita saber se evoluímos, que nos motive.

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  4. Aqui no Reino Unido há imensos ginásios lowcost. Eu já vou no meu segundo. É possível pagar apenas 20 libras por um ginásio. E, no entanto, nunca me senti desacompanhada. Por um personal trainer bastante qualificado, que faz um treino específico para cada um dos seus clientes, é possível pagar apenas mais 15 libras para além da subscrição normal. Ou seja, no total é possível frequentar um ginásio bom, com um acompanhamento extraordinário por apenas 35 libras. Tenho sorte de poder aliar a minha preocupação com o meu corpo a pagar pouco. Não conheço a realidade de Portugal no que toca a ginásios, porque nunca frequentei nenhum... Mas, de facto, sou como tu. Prefiro pagar mais do que pôr a minha saúde e o meu bem-estar em risco!

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  5. é mesmo! Acabar o treino e depois o banho... sentir a água nos músculos cansados... Estou desejosa que o meu corpo aparente o que a minha mente já é: uma atleta! Adoro treinar e não é luxo nenhum ter ginásio. É necessidade!

    Devíamos era combinar aí um mega exercício! =)

    Um beijinho dourado,
    http://obiquinidourado.blogspot.pt

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  6. Concordo com tudo o que disseste! Vejo amigos meus também a cometer esse erro, de ir para ginásios nenhuns, mas sem as condições mínimas nem acompanhamento.
    Não só fã de ginásios, porque, tal como tu, sinto que é um monte de pessoas a armarem-se em atletas, um dia estou a pensar-me inscrever em aulas de zumba. Mas se decidir ir para um ginásio, quero ir para um onde seja devidamente acompanhada, porque para fazer exercício físico sozinha já faço eu em casa. Acho que, num ginásio, é importante ter pessoa que nos motivam e nos corrijam quando estamos a fazer algo mal.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  7. Odm comparei me tanto contigo na parte de começares a natação ao 3 anos e seres atleta porque o caso é igual ao meu! e também já pensei ginásio porque este ano fiz uma lesão na natação numa perna e tenho medo de voltar... e odeio estar parada sem exercício porque acho fundamentar fazermos exercício físico faz bem ao nosso corpo e mente :)
    Segui o teu blog, beijinhos :D

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  8. Estive dois meses num ginásio grande, e como tal, atolado de pessoas e sem nenhum acompanhamento. As aulas estavam sempre a abarrotar. Não gostei e acabei por me vir embora.
    Beijinho* Confissões de uma Pecadora by Valentina ||
    FACEBOOK ||
    Croquis - Home Decor

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  9. Curiosamente, também andava a planear fazer um post sobre o perigo de fazer exercício sem acompanhamento - especialmente se formos beginners. No meu caso, contudo, o que tinha em mente não era a falta de acompanhamento no ginásio (que nem me ocorreu porque, felizmente, não é a minha realidade) mas sim coisas como: os canais de fitness do youtube, os "30 days challenge" que são tão populares, etc. É tão fácil, tão fácil estarmos a fazer mal os exercícios e isso pode fazer-nos tanto mal a longo prazo! Acho que o melhor exemplo é capaz de ser a prancha: um exercício que toda a gemte recomenda para trabalhar o core... e que para aí 70% das pessoas faz mal, sem sequer saber que esta a fazer mal. Até um exercício tão simples como o agachamento tem muito que se lhe diga. Não podia concordar mais com este post :)

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  10. Bem verdade! Mais, acrescento a minha experiência no ginásio low cost: odiei. Para além de ter 0 acompanhamento (para ter uma avaliação inicial tinha que pagar foi o que fiz), em determinadas horas simplesmente era impossível de arranjar um máquina para fazer exercício, metade das aulas eram impossíveis de reservar. O pior mesmo, e para mim foi a gota de água, era o tratramento diferenciado que havia para clientes que pagavam o mesmo. Eu era deixada abandonada nas maquinas, raramente alguém falava comigo, enquanto havia outras clientes que tinham sempre algum vigilante da sala (que não era o personal trainer) a dar instruções, a corrigir, etc. Digamos que havia muito o factor C. Voltei ao meu velho esquema de caminhadas sempre que puder e vídeos no youtube (Fitness Blender, porque dão sempre opções de baixo e alto impacto)
    Por onde anda a Sofia?

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  11. Concordo com a tua opinião. Sou incapaz de me inscrever num ginásio que sei que vai estar sempre cheio (geralmente são os mais baratos). Sei que não me sentiria à vontade e a ideia de ter de esperar para usar uma máquina não me agrada nada.
    O meu ginásio é grande, tem imensas máquinas, nunca está cheio e, quem quiser, pode ter o acompanhamento de um treinador. É claro que não é dos mais baratos, mas prefiro estar a pagar um preço mais elevado e ir regularmente, do que pagar pouco e não ir porque não me sinto confortável.

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