terça-feira, 21 de junho de 2016

ESTÁGIO || Trabalho em Equipa


Saí da parte curricular com uma turma muito competitiva e individualista. Culpem ou arranjem a teoria das turmas femininas mas eu não compro essa ideia e já o explico porquê mais tarde mas, a verdade, era esta: na minha turma sempre foi cada um por si, infelizmente. 

Obviamente que havia imensas excepções à regra e eu considero-me uma delas, mas não a única. Situações como alguns colegas terem materiais de anos anteriores e não cederem (nem darem conhecimento de existir) à restante turma, raramente ser possível fazer qualquer tipo de alterações porque havia sempre oposição por birra, querer tirar notas fantásticas a todo o custo e, se necessário, pisar os outros para as atingir... Isto era uma realidade na minha turma, que eu tentei ao máximo suprimir nas minhas vivências enquanto aluna universitária - e deixem que vos diga que tive um enorme jogo de cintura para fugir disso -.

Quando iniciei o meu estágio estava preparada para isto; Éramos quase dez raparigas estagiárias, de várias Instituições diferentes, com formas de ensino e avaliação do mesmo curso diferentes mas todas com o mesmo background: turmas competitivas e individualistas. E todas chegámos ao primeiro dia ansiosas com a possibilidade de encontrarmos num estágio o mesmo carácter entre todas. E o que aconteceu foi soberbo: espírito de equipa.

Em todos estes meses de estágio que já carrego nos ombros, com segurança, posso garantir-vos que nunca me senti sozinha, desamparada ou sem ajuda. Não houve uma única vez que me tivessem recusado ajuda, imensas foram as vezes que se aproximaram de mim e perguntaram o que podiam fazer para aliviar as minhas tarefas, as actividades corriam extraordinariamente bem porque nos delegávamos umas às outras tarefas e postos que cada uma cumpria na perfeição para que resultasse. Tudo isto sempre com espírito positivo, criticas construtivas, cedências por parte de backgrounds académicos diferentes - mas tão enriquecedores! - e um ambiente descontraído, divertido e amigável. 

É com uma enorme sensação de felicidade que levo comigo novas amizades deste estágio. Não criei laços de amizade com todas as raparigas - porque tive rotinas de trabalho mais frequentes com umas do que com outras e sempre tudo correu bem, mas laços de amizade mais intrínsecos foram mais selectivos - mas os que criei sei que perdurarão. Pela confiança inata que depositámos umas nas outras sem nos conhecermos e que resultou - por sorte ou engenho -, pelas imensas horas que tivemos de passar juntas e que invariavelmente resultaram em partilhas académicas e pessoais, em desabafos, momentos divertidos, de muito trabalho, mas nunca de desamparo. E é maravilhoso que depois de um percurso gigantesco de Faculdade - onde criei amizades brutais que levo comigo para a vida toda - ainda tenha esta maravilhosa surpresa de perceber que, sim, é possível criar amizades bonitas num ambiente de estágio ou de trabalho. Foi uma das experiências mais simpáticas que levo comigo.

No início deste texto disse que não comprava a teoria de turmas femininas gerarem mais estes climas competitivos ou conflituosos por isto mesmo: dez raparigas, que não se conheciam de lado nenhum, que estão a quatro meses de terminar a Licenciatura, que têm de começar a criar contactos e a mostrar o que valem, que têm um passado académico de turmas competitivas revelaram-se prestáveis e com espírito de companheirismo. No expoente máximo da competitividade que é um estágio, dez raparigas mostraram aquilo que eu há anos venho a tentar explicar aos meus colegas em vão: a carreira e o sucesso é a solo, mas somos muito mais potencializados para o nosso melhor quando trabalhamos em equipa. 

7 comentários:

  1. trabalhar em equipa ensina-nos muito mais :)

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  2. Infelizmente, a minha turma também é assim! Mas ainda bem que não continuou a acontecer isso no teu estágio, é bom haver espírito de grupo e entreajuda (:

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  3. Foi um post interessante e fico feliz que tu e as tuas colegas se relacionem muito bem. No entanto eu não tenho essa mesma perceção que tu - em relação à competição entre colegas - e passo a explicar. Na tua faculdade não sei como funciona, mas na minha podemos faltar as vezes que quisermos. E se por um lado é ótimo, por outro torna-se muito chato. Porque sabemos que os nossos colegas, muitas das vezes estão no bar a apanhar sol, a beber e a conversas. E torna-se injusto, porque os outros vão às aulas a tiram apontamentos. No final do semestre se for preciso, esses que estão sempre a faltar e a passear, com a chegada dos exames inventam x razões do porquê de não terem ido e precisarem imenso dos apomentos. Acho que este aspecto não está relacionado com competição mas, pelo menos na minha perceção, não quero dar a papinha toda feita a alguém que não se dignou a aparecer. (E sim, tenho colegas que só aparecem 2x num semestre inteiro e é quando são dias de testes.)

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    1. Também na minha Universidade as faltas são ilimitadas em aulas teóricas e já perdi a conta das vezes que dei apontamentos e materiais a pessoas que nunca lá tinham posto os pés. Por várias razões e a primeira delas é de que o meu sucesso enquanto aluna não depende da prestação dos outros nas suas avaliações. Se a minha nota for 20 e a do meu colega do lado for 20 porreiro, independentemente de ele ter usado os meus apontamentos ou não para estudar ou de a nota reflectir o seu desempenho continuo nas aulas. Se não copiou nem manipulou as respostas, o 20 dele é tão merecido como o meu 20 e não perco o meu valor só porque ele estudou pelas minhas coisas. Isto é um facto que as pessoas têm de começar a perceber porque a não compreensão disto leva a um outro erro que está mais do que evidente na exposição do teu comentário: julgar as faltas. Se não há registo de faltas por parte da Instituição (que é a mais alta autoridade) porque razão têm vocês de julgar ou questionar as razões pelas quais os vossos colegas faltam? Pode ter ido apanhar sol ou pode ter ido estudar. Pode trabalhar ou ter mais mil e uma razões. Pode até simplesmente estar em casa. Isso não justifica que não o ajudem num momento em que precise e a cedência ou não de materiais da vossa parte APENAS como "castigo" por algo que ele não está a infringir não só não faz sentido como revela falta de altruísmo e espírito de entreajuda. Se o teu sucesso não depende dos outros o que te custa passar os teus apontamentos a outro? Não gostarias que te fizessem o mesmo? Não podes assumir que jamais fariam o mesmo por ti ou que a situação seria diferente se tu própria não o fazes.
      Apontamentos não são barras de ouro nem contas milionárias. Vocês não estão a fazer caridade e têm de parar de pensar assim porque só vos vai prejudicar na vida. Os meus colegas que tinham esses comportamentos estão hoje em estágio a trepar pelas paredes porque ninguém suporta este tipo de atitudes. Tudo se reflete mais tarde. São só apontamentos e não vos custa nada partilhar. Revela carácter da vossa parte e ausência de rancor e necessidade de vingança. E é deste tipo de profissionais que precisamos no futuro. A irresponsabilidade dos outros será tratada pelas autoridades que lhe competem (na universidade ou na vida profissional) não por vocês ou pela não partilha de um material.
      Percebes o meu ponto de vista? :)

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  4. Identifiquei-me tanto com este post!
    Tal como tu, a minha turma também é muito individualista e competitiva. Não até ao ponto de ninguém fornecer resumos a ninguém, porque isso faziam, mas de resto era cada um por si. Não havia estudos em grupo, esclarecimento de dúvidas, apoio... Não havia nada disso.
    Quando fui para estágio, tive receio que tal ambiente também existisse nesse contexto. Mas não aconteceu nada disso, felizmente. Tive um grupo de colegas espetaculares, trabalhámos imenso em equipa, ajudámo-nos imenso, estudámos juntas, ... Fiz ali imensas amizades. Pensava que também teria que lidar com competição, mas tal não aconteceu em estágio,e foi uma sensação tão boa, sentir que não estava sozinha :).
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  5. Isto é bom de ler :) em Engenharia o espírito é um bocadinho ao contrário...na faculdade toda a gente se ajuda, mas do pouco que vou percebendo do mundo do trabalho, é cada um por si...o que me faz perspectivar um futuro um bocadito negro lol anyway. Eu era daquelas que achava que tendencialmente as mulheres são mais competitivas e mázinhas nesses aspectos. Mas a minha experiência na faculdade e no trabalho ditou-me o contrário, até. Portanto, no more judgements!

    Jiji

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  6. Concordo 100% com o que escreveste. Quando as pessoas se unem e fazem algo pelo grupo em vez de só um ou outro terem uma nota fantástica mas toda a gente se empenham e as notas fantásticas são ainda mais fantástica. E se há competição é saudável.

    Felizmente, o curso em que estou há imensa união e toda a gente partilha e quando alguém tem o projecto feito ou o relatório tenta sempre ajudar os outros. Há sessões de estudo em grupo e é onde aprendemos mais.

    Como disse no post da Carolina. sobre este post, o curso da irmã do meu namorado que é na mesma universidade e não é só de raparigas muito pelo contrário toda a gente tenta lixar o outro para ser o aluno mais brilhante. Resultado, só notas de merda e uma péssima relação com os professores. E entre eles só falam mal uns dos outros nas costas. Um curso cheio de rapazes, que é basicamente uma luta de egos. Ela está mega descontente com o curso, infelizmente.

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