domingo, 17 de abril de 2016

DAILY || After Work


Estagiar e trabalhar sem ter obrigações académicas como estudar ou fazer trabalhos tem enormes vantagens e a principal é poder programar os meus dias como quero e conforme as minhas novas prioridades. E uma dessas prioridades é um emprego de oito horas que me faz sair de Lisboa já ao fim do dia, exausta e ensonada. A primeira vontade e a reacção mais natural é querer enfiar-me no sofá e de lá não sair até ser horas de ir para a cama (confesso, já o fiz e acredito que vá voltar a fazer e não vejo problema nisso) mas decidi-me, logo desde o início, que ia aproveitar ao máximo o tempo livre que esta nova rotina me possibilita, mesmo com limitações horárias.

Algo que tem deixado os meus dias mais felizes é eu não deixar que o cansaço me abata. Cedi um pouco em relação ao exercício físico (efectivamente o trabalho pesa-me nesse momento, mas tentei uma nova estratégia e decidi fazer de manhã) mas, de resto, não tenho deixado que a vontade de ser lontra leve a melhor de mim. Sinto-me ainda mais activa do que quando andava nas aulas e isso vale ouro para mim. Poder ir buscar o João à escola e fazer aqueles programas só nossos. Fui honrada com o prémio de Prima Favorita e isso é um título que não basta ganhar, temos de o cuidar. Não ir logo para casa e aproveitar para fazer uma pausa para gelado ou um passeio pela cidade com a mãe. Enfrentar o trânsito pela boa causa de ver amigos e pessoas de quem gosto tanto e gostam de me ver ao final do dia. Experimentar receitas que andamos, literalmente, há anos a dizer "Um dia...". Procurar imensos programas diferentes para fazer e não cair na tentação de arranjar desculpas para não nos divertirmos. Aproveitar os pequenos-almoços com o meu namorado quando ele me leva ao trabalho e saborear a sensação de nos sentirmos em casa quando ele me vem buscar ao trabalho e traz consigo um programa novo e amoroso para mim. Ou eu para ele. Namorar, namorar muito e saborear as horas todas porque o tempo arranja-se sempre para quem amamos. Aceitar todos os convites que mensagens inesperadas trazem consigo à hora de almoço. Saborear os fins de semana estando como quero: a viajar, a passear, a fazer compras, a experimentar comidas e receitas, a compensar o exercício que falhou durante uma semana ou a ser lontra e a ler livros enquanto como pipocas. As possibilidades são infinitas.

Trabalhar cansa, mesmo quando fazemos o que gostamos. E a urgência por férias surge mesmo quando temos o trabalho de sonho, não se deixem enganar. Podemos trabalhar felizes mas, no final, quando passamos a porta do edifício, o peso das tarefas do dia abatem-se sobre nós. Não há como negar. Mas logo de início concordei comigo mesma que o dia não se faz só do meu trabalho. Não sou só a Inês Profissional, a Inês Nutricionista Estagiária. O meu dia tem 24h, não 8h. E eu também sou Inês filha, Inês neta, Inês Prima Favorita, Inês namorada, Inês sobrinha, Inês amiga e, a mais importante de todas, sou a Inês. Sem sufixos. E preciso de mim também. Do meu corpo cuidado, do meu corpo mimado, da minha auto-estima, dos meus sorrisos, dos meus livros, da minha música, da minha fotografia, dos meus passeios, dos meus presentes para mim mesma, do meu namoro com a minha cadela gordichona, dos meus momentos de escrita e da felicidade que eu sempre construí para mim mesma. E isso, tal como eu faço das 9:30h às 18h, trabalha-se. E eu acho que estou a fazer o melhor trabalho da minha vida: viver.

Fotografia da minha autoria, por favor, não a utilizar sem autorização prévia

8 comentários:

  1. Ser adulto é complicado ;) beijinho e boa sorte com tudo
    The-not-so-girlygirl.blogspot.com

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  2. Oh Inês, que texto tão bonito! Boa sorte com todo este Mundo novo :))

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  3. Espero que corra tudo bem neste novo mundo que é o mundo do trabalho e quando chegar a minha vez espero ter a mesma força que tu!

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  4. Sempre com uma escrita maravilhosa, Inês :)

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  5. Adorei o teu post, está um texto tão bonito! Só mesmo tu para escreveres textos assim, tens tanto jeito com as palavras.
    Deve ser, sem dúvida, muito bom chegar a casa depois de um dia de trabalho e não ter que estudar para frequências nem fazer trabalhos de grupo. Espero que o meu estágio em Maio também seja assim.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  6. Um dia quero ser assim haha. Estou a trabalhar, oficialmente, há dois meses e ainda não consegui encontrar um equilíbrio. Passo os dias cheio de sono e muitas vezes até com dores de costas ou cabeça, o que ajuda imenso para que a minha disposição esteja no lixo. No entanto, não podia estar mais de acordo com todas as actividades que fazes, por mais simples que sejam. Por muito que pensemos "ugh não me apetece, podia aproveitar para descansar", para o bem da nossa sanidade mental é bom sair um pouco da rotina :)

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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  7. Ah Inês, que maravilha de texto! Partilho exactamente o mesmo sentimento que tu. E embora por vezes a preguiça vença, é tão bom ter tempo para ser - trabalhamos para viver, não vivemos para trabalhar! :)


    Jiji

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  8. Adorei este texto por me identificar tanto. É mesmo esse o espírito :)

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