sábado, 13 de fevereiro de 2016

FACULDADE || Nutrição e Depressão

O meu projecto de investigação para uma cadeira da faculdade envolveu estes dois grandes titãs de áreas, à partida, distintas: a nutrição e a depressão. De que forma é que a alimentação poderia ter um papel de combate a uma condição mental muito grave mas também muito actual?

E de imediato eu achei curioso esta combinação, porque não é algo que, à partida, façamos uma ligação directa; Associamos a alimentação aos distúrbios alimentares que todos nós reviramos os olhos por termos feito trezentos trabalhos no oitavo ano, associamos à diabetes, colesterol, hipertensão, doenças cardiovasculares e tudo o que de mais directo haja mas a primeira coisa que pensamos quando vemos alguém com depressão não é "temos de chamar uma nutricionista". Pensamos no psicólogo, no psicoterapeuta, num médico até, mas um nutricionista? Não faz sentido.

E foi uma das minhas melhores descobertas académicas, debruçar-me nisto. Saber de que forma os alimentos podem sim ajudar alguém com depressão. Saber como posso melhorar as oscilações de humor, as carências típicas de alguém com depressão, como posso tornar o dia e o organismo da pessoa um pouco melhor. Debrucei-me a fundo nas minhas pesquisas e foram imensos os estudos que passei a pente fino para conseguir concretizar possíveis conclusões positivas sobre esta ligação sem tentar deixar escapar nada, inclusive possíveis interacções com anti-depressivos e alimentos (que existem e não poderiam ser negligenciadas).

A conclusão a que cheguei, com trabalho terminado, apresentado, cozinhado, fotografado e avaliado é muito positiva. Fiquei tão feliz por já haver tanto a falar sobre este assunto de uma forma profunda, empenhada, com grandes alicerces. Consegui explorar diferentes alimentos e diferentes funções de uma forma que jamais pensei que fosse possível. Fiz questão de perceber muito bem a depressão e as suas exigências, de tentar colocar-me ao máximo na pele de alguém que sofresse de depressão para que as minhas soluções fossem práticas, fossem reais e tivessem o propósito que merecem. E não podia estar mais orgulhosa.

O mundo da ciência e da saúde continua a fascinar-me. Quando eu penso que duas linhas de uma teia enorme dificilmente se cruzariam, eis que dão um nó. E isto só revela cada vez mais a importância de fazermos de todos os profissionais da saúde um complemento, um alicerce um do outro e não uma competição de competências e capacidades. Cada vez mais é preciso unir as forças e pontos fortes de cada um para colmatar as falhas e pontos fracos do outro, para o bem do paciente que temos à frente.

Não sei se alguma vez, a nível profissional, todo o trabalho que aqui fez vai ser necessário. Mas pode vir a ser necessário para uma colega minha. Pode vir a ser necessário para alguém que ainda vai um dia estudar nutrição. E assim, termino de consciência de que fiz o meu contributo benéfico para o mundo, por mais insignificante que seja. Fazer este trabalho fez-me sentir não só uma melhor futura nutricionista como num melhor ser humano.


9 comentários:

  1. Não tenho uma perspetiva muito científica sobre este assunto - estou longe de me debruçar profissionalmente/academicamente sobre estes temas - mas acredito que a alimentação possa influenciar, sim, a saúde mental de todos. Aliás, apesar de nunca ter tido uma depressão (e nem consigo imaginar o que será porque provavelmente é muito pior do que aquilo que imagino), aprendi com o tempo (e dicas de profissionais) que há certos alimentos que devo evitar em épocas em que a minha ansiedade é mais intensa e outros que devo incluir. Inicialmente as pessoas achavam absurdo mas aí eu dava o exemplo do café, por exemplo, e imediatamente me compreendiam: se o café me acelera e me deixa mais ansiosa (apesar de não me manter acordada), porque é que outros alimentos não poderão fazer a mesma coisa (ou funcionar como antídoto)? É claro que também aprendi que há outras coisas que preciso de controlar e fazer - os cuidados com a alimentação por si só não chegam - mas há um contributo que vem da alimentação.
    Adorei o tema que escolheste e achei muito pertinente. Tudo o que ajude a aniquilar essa doença será bem vindo num mundo que ainda não assume as doenças psicológicas como algo realmente grave e preocupante.

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  2. Achei super interessante teres interligado estas duas áreas! :)

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  3. Não tendo qualquer tipo de conhecimento científico sobre nenhuma das áreas, já tinha realmente esta ideia de que a alimentação podia influenciar a nossa saúde mental. Não relativamente à depressão, mas como sofro de ansiedade, já tinha efetuado algumas pesquisas (por iniciativa própria e com toda a possibilidade de mentiras que existem na internet, confesso) sobre os alimentos que ajudam a aliviar a ansiedade e aqueles que não devo consumir em épocas que me deixem mais ansiosa. Por isso, sempre tive alguma curiosidade e recentemente tenho tentado dar mais atenção à minha alimentação e colmatar algumas falhas e sempre tentei perceber como ela influencia imenso o nosso sistema nervoso e, agora que a associaste à depressão, a nossa saúde mental... :)

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  4. Wow! Não estava MESMO nada á espera que esse fosse o tema! Grandes descobertas Inês!

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  5. Houve uma aula de yoga na qual discutimos este assunto. A professora explicou que a nossa capacidade de entrar dentro do espírito do yoga tem muito a ver com o que comemos. Existem teorias de yogis famosos que defendem que devemos ter sempre cuidado com o que comemos e com a forma como o fazemos. Por exemplo, é recomendado nunca comer chateado com algo porque se defende que tudo o que estamos a ingerir irá tornar-se em toxinas que irão prejudicar o nosso sistema.

    A nutrição tem muito que se lhe diga se ligarmos isso a áreas que à partida nao estão interligadas.

    Cátia »« Blog Meraki

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  6. Não sei grande coisa sobre o cruzamento dos dois temas, mas acho o teu tema de trabalho tão interessante! Como é que foste desencantar uma ideia tão original e relativamente pouco explorada tanto dentro da nutrição como da psicologia?

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  7. É tão bom ler isto! Se estamos a estudar algo, é óptimo termos a oportunidade da fazer algo útil e que pode vir a ajudar alguém - embora a minha área seja totalmente diferente, conheço a sensação! E realmente, não sendo duas áreas que eu esperasse que se cruzassem, pensando bem, isso faz todo o sentido. Podias fazer um post a desenvolver mais o assunto, maybe? :D Fica para os discos pedidos!

    Jiji

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  8. É fantástico, isto :) Eu fiz um trabalho que relacionava a alimentação com a cognição e as doenças neurodegenerativas (infelizmente só pude debruçar-me sobre um grupo de alimentos específico, porque havia um limite de páginas que não me dava para muito) e fiquei super entusiasmada com o que encontrei. Acho fantástico perceber de que forma determinados compostos dos alimentos contribuem para a saúde. Ter feito este trabalho deu-me vontade de aprender muito mais a este respeito, e essa relação com a depressão parece-me bastante interessante, especialmente porque vivemos num mundo em que esta é uma doença cada vez mais comum

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  9. A depressão é uma coisa chatinha que me acompanha, já há uns aninhos. Tenho 24, o que faz com que seja muito correcto deduzir que começou "cedo demais". Deixei o anti-depressivo há um mês, mais ou menos (15 de Janeiro) e ando, desde aí, a pensar em consultar um nutricionista. Não sei explicar bem porquê, porque não sabia desta relação. Chamemos-lhe um feeling. :)
    Agora, estou ainda mais ansiosa por fazê-lo!
    Alimento-me mal. Muito mal! Quero mudar isso, quero energia. Quero começar uma etapa, nesse aspecto.
    Obrigada por este post. Ainda mais me incentivou!

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