segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

LIVROS || Aos outros

Fotografia da minha autoria, por favor, não a utilizar sem autorização prévia
Para mim, os livros são dos presentes mais íntimos que se podem oferecer. Não estou a falar dos livros Uma Aventura que um amigo nosso nos oferecia todos os aniversários da nossa pré-adolescência nem daquelas pessoas que oferecem livros para despachar o assunto da tarefa de terem de te oferecer um presente. Eu falo de alguém com quem tenham proximidade a oferecer-vos um livro. É do mais íntimo que há. E é por isso que detesto, abomino, quando alguém que não me conhece bem me oferece um livro.

Porque implica conhecimento profundo do outro. Porque não oferecemos a alguém que estimamos um livro em que não tenhamos certeza absoluta de imensas particularidades da pessoa. As épocas históricas favoritas, as áreas literárias que mais aprecia, as características típicas da pessoa e que podemos identificá-las num personagem, para que também ela se identifique com a mensagem. Que tipo de histórias sabemos que podem comove-la, inspirá-la, apaixoná-la, tocá-la de alguma forma.

Oferecer histórias é sabermos a detalhe a história da outra pessoa e sabermos que as duas se podem cruzar. É partilhar comentários, capítulos, citações e opiniões. Quando alguém nos oferece um livro e diz "Escolhi este porque acho que vais gostar muito" não te conhece apenas. Não sabe apenas a tua cor favorita e aquilo que mais gostas de comer além de pizza. Sabe detalhes mais profundos de ti que talvez desconheças.

É, para mim, um crime oferecer livros por oferecer e é por isso que raramente o faço a não ser que tenha absolutas certezas da pessoa que tenho ao meu lado. E cada vez ofereço menos porque as pessoas não têm hábitos de leitura. Mas cada vez que recebo algum livro porque foi especialmente pensado para mim, uma parte do meu coração aquece e sinto-me a pessoa mais sortuda do mundo por ter pessoas que me conhecem tão bem ao meu lado. É a melhor prova. Querem saber se a outra pessoa sabe quem vocês realmente são por dentro? Peçam-lhes para vos oferecem um livro. Vai dizer muito do que pensam de vocês. De que matéria vos consideram feitos.

13 comentários:

  1. Por acaso nunca tinha pensado nas coisas deste prisma, mas agora que falas nisso, a única pessoa que me oferece livros é a minha namorada. Realmente é verdade, só mesmo alguém que nos conheça intimamente é capaz de conhecer ao certo os nossos gostos e acertar à primeira :)

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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  2. Sou da mesma opinião. Um livro é algo tão pessoal, tão nosso. Nós gostamos de um determinado tipo de livros porque nos identifica-mos com eles. Quando nos oferecem um livro sem saberem como somos ou sem nos conhecerem é mais que certo que errem na opção. Detesto quando me oferecem isso só para dizer que sim. Já tive livros que me ofereceram que comecei a ler mas não estava lá a emoção, não exprimia qualquer sentimento em mim, aquele que nos faz ficar agarradas a um livro e não querer largar.
    Sei o que é isso e achei a ideia engraçada de pedir que me ofereçam livros para saber o que pensam de mim :)

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  3. Partilho da mesma opinião. Oferecer livros à toa não tem o mesmo valor. É tão bom receber um livro de alguém especial e que teve em atenção os nossos gostos.

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  4. Concordo plenamente contigo, Inês!
    Fiz anos no Sábado e fiquei impressionada (no bom sentido) com três livros que recebi! Fiquei mesmo muito feliz!

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  5. Eu só ofereço quando sei que a pessoa precisa desse livro ou o quer, por acaso, aconteceu-me isso no Natal, ofereci um porque sabia que a pessoa precisava dele :))

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  6. Isto é bem verdade. Não tenho por hábito oferecer livros a ninguém - raras são as pessoas que conheço que gostam mesmo de ler. Mas quando ofereço, sei que a pessoa vai delirar.

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  7. Agora que penso bem... não me costumam oferecer livros. Vá tirando a melhor amiga da minha avó e são romances que para mim não me interessam xD Portanto fica na estante. Fora isso só a minha mãe, e acerta sempre apesar de raramente dar. Mas penso exactamente da mesma maneira... não daria um livro a qualquer pessoa... sem a conhecer como deve de ser!

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  8. Concordo tanto contigo. Há quem tome isso por cliché, mas adquirir um livro é também adquirir um objeto pessoal, o qual alguns têm o cuidado de estimar. Fizeste-me aperceber que as duas pessoas que me costumam oferecer livros conhecem-me mais do que eu pensava, e vice versa. As vezes em que o sorriso não me abandona o rosto por me recordar da felicidade explícita nos olhos duma dessas pessoas... Não há sensação melhor!

    avidadelyne.blogspot.com

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  9. Não é costume oferecer livros e só costumo oferecer se for algo que tenho a certeza absoluta que a pessoa vai gostar, ou nada feito. Ou se acerta ou é para fazer pó na estante!

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  10. Nunca tinha pensado no assunto, mas realmente tens razão... não costumo oferecer livros (porque, lá está, os hábitos de leitura são cada vez mais raros de ver) mas sempre que, por exemplo, empresto algum livro já sei se a outra pessoa vai terminar e dizer "Meu Deus, adorei" ou se nem sequer vai achar grande coisa... e a sensação de se emprestar/oferecer um livro a alguém e depois ouvirmos essa pessoa falar do quanto gostou é qualquer coisa de maravilhoso e enche-me de orgulho! Já é o segundo aniversário que o meu namorado me oferece livros... em mais de dois anos de relação já lá vão 4. Mas os três primeiros ele fez batota, porque viu pelo blog que eu os queria. O último, apesar de eu ter falado nele no blog, ele jura que o comprou antes de ver o blog. Diz que o viu e pensou logo que tinha de ser aquele livro (mesmo ele sabendo de outros que eu tinha na lista, e que podia ter jogado pelo seguro por aí), e saber que ele me conhece a esse ponto é mesmo bom!

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  11. Só ofereço livros ao meu namorado. Se tivesse que oferecer a mais alguém, seria só a uma amiga muito próxima, pois sei o tipo de leituras que costuma fazer.

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  12. Concordo completamente. Nunca tinha reflectido sobre o assunto, mas a verdade é que nunca ofereço livros a ninguém (que não seja uma criança). A possibilidade de falhar na escolha é algo que me deixa nervosa. Não gostaria que fizessem isso comigo. E sei que, mesmo conhecendo bem uma pessoa, podemos não acertar "no alvo". Não é certo que porque a pessoa gosta de um determinado estilo vá gostar de tudo o que se enquadra nele. Eu própria por vezes falho em escolhas que faço para mim, imagino se as tivesse de fazer para os outros... Também me apercebi, após ler a tua reflexão, que nunca me oferecem livros - excepto quando sabem previamente que os quero ler.
    Boa reflexão, é que nunca tinha pensado a sério nisto :)

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  13. Concordo a 100% contigo! Por norma não ofereço livros por essa mesma razão. Quando o faço, é porque sinto que a outra pessoa vai gostar - infelizmente, só tenho um punhado de pessoas que sei que gostam de ler na minha vida...oh well :)

    Jiji

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