quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

ESTÁGIO || Transparência


"Quais são as características que melhor te definem?", "Quais são os teus pontos fracos?", "Quais são os teus pontos fortes?", "Porque te deveríamos escolher a ti e não aos outros candidatos?" este é o típico clássico de perguntas que já todos ouvimos falar nem que seja uma vez e que, se forem como eu, nunca pensaram a sério nisto. Num sentido oficial.
Podem parecer perguntas quase directas e por isso é que nem perdemos tempo a pensar nelas quando as ouvimos num contexto mais descontraído, mas quando me apareceram à frente exigiu uma enorme concentração de pensamentos sobre mim (algo que raramente faço assim). E é nestas alturas (e na altura de fazer um CV) que as pessoas têm tendência a fugir à honestidade.

Quando disse a muita gente as respostas que dei, obtive feedbacks absurdíssimos como "não devias ter dito que eras assim, isso vai fazer-te mais fraca que os outros candidatos", "O objectivo é venderes-te, só podes dizer coisas boas!", "não devias ter dito que tinhas isto, se eu fosse de uma empresa não te aceitava", "não devias ter sido tão honesta". Sim, houve quem me tivesse dito que não devia ter sido tão honesta. E por muito que me perturbe estas ideias, eu finalmente tive a noção do quão deturpados são os discursos de emprego das pessoas, se preciso. Escrever "sou perfeccionista" nos defeitos é o mais clássico. E é vergonhoso.

Jamais aceitaria escrever ou falar sobre mim coisas que não sou, ou omitir que tenho coisas que efectivamente tenho. Para mim a honestidade é tudo e se eu faço por reflectir isso no meu dia-a-dia, nas minhas amizades, na minha relação, no meu percurso académico, inevitavelmente eu iria também reflecti-lo num registo mais profissional. É como sou, sem paninhos quentes nem florezinhas emolduradas. E eu tenho estes pontos fortes e fracos. Eu tenho estas qualidades, estas características e estes defeitos. E por muito que o meu CV e entrevista ficassem bonitinhos se me pintasse de uma maneira que não sou, jamais me iria sentir bem. Estavam a contratar uma pessoa que não existe. Estavam a projectar ideias para uma pessoa que foi inventada. Estavam com expectativas sobre características que não tenho.

Eu não quero vender-me nem quero ser a candidata perfeita. E por isso fui honesta e jamais voltaria atrás com todas as coisas que disse ou escrevi. Eu retratei-me da forma mais real possível e, por mais louca ou ingénua que me chamem (que não acho loucura ou ingenuidade nenhuma, mas opiniões valem o que valem), eu assim me manterei por toda a vida profissional que venha a ter. Com honestidade. Com integridade. E se me escolherem, que escolham porque viram, nas minhas descrições a mais qualificada para exercer funções ou aprendê-las. Por muito defeituosa que possa ser. Não vão existir surpresas nem desilusões de personalidade. Esta é a Inês que reconheço e que admiro e só assim faz sentido para mim. Há mais na vida do que ser competitivo com os princípios errados.

7 comentários:

  1. Não faz sentido ser de outra forma, a desonestidade só causa problemas!

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  2. Eu acho que um ponto forte essencial é saber os nossos pontos fracos. Porque sabe-los, assumi-los é meio caminho andado para saber lidar com eles com o maior sucesso do mundo. Eu acho que fizeste lindamente. Detesto essa graxa que se dá... e quanto as pessoas se pintam de perfeitas. Eu não sei fazer isso :s Muito menos quero aprender.

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  3. Infelizmente, é este o mundo em que vivemos e muita gente é desonesta em entrevistas de emprego. Mas a tua atitude de seres honesta é a mais acertada: concordo absolutamente contigo, tens que ser honesta, pois de outra forma a empresa estará a contratar uma pessoa que na verdade não existem e , eventualmente , acabarão por descobrir.
    Esquece o que as outras pessoas te dizem, se sentes que estás a ser fiel a ti própia e estás a ser honesta, mantém a tua atitude :).
    Beijinhos,
    Cherry

    Blog: Life of Cherry

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  4. Já passei exactamente pela mesma situação. Era a minha primeira entrevista e como não tinha um discurso planeado, fiquei um pouco "abananado" quando me começam a fazer essas perguntas da praxe. Fui honesto, não bajulei ninguém e quando contei aos meus familiares/amigos disseram que eu era "mesmo parvo" por "não saber vender-me". Fiquei tão irritado com eles, mas o pior é que eles têm razão. Embora continue com o mesmo pensamento que tu em relação à honestidade, a verdade é que passados dois anos, muitas vezes me questiono se valerá a pena.

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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  5. A verdade é que ao seres desonesto e a inventares qualidades que na verdade não tens e se te souberes "vender" és capaz de arranjar emprego mais depressa do que alguém honesto, no entanto mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo e acredito que essas pessoas que mentem em entrevistas e que depois conseguem o dito trabalho mais cedo ou mais tarde serão apanhadas e sofrerão as consequências (ou pelo menos gosto de acreditar nisso).

    Quando vou a entrevistas também tento ser o mais honesta que consigo pois para mim só assim é que faz sentido. Não deixes que os comentários dos outros te abalem e continua a ser como és.

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  6. Eu concordo plenamente contigo. Mais vale dizer tudo de forma nua e crua, sem ilusões. Tal e qual à minha postura!

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  7. Concordo contigo e acho que fizeste bem. Embora, como já disseram, as pessoas que não são honestas e que se sabem "vender" arranjam emprego mais facilmente, eu também nunca me sentiria bem se mentisse e se fingisse ser uma pessoa que não sou. Já quando escrevi o relatório do estágio curricular fui completamente honesta. Não disse o que queriam ler ou o que toda a gente escreve (embora possa ser verdade), de estar muito feliz naquele curso e de estar a realizar um sonho...nada disso. Fui honesta, disse que aquela não foi a minha primeira opção, que sempre me senti perdida e que esperava que o estágio fosse um período de descoberta de mim mesma. Pensei que isso me fosse trazer problemas com a orientadora, mas ela gostou muito, por ter sido completamente honesta.
    Acho que devias manter essa tua atitude. Detesto esta mesquinhez e esta competitividade, como se tivéssemos que estar sempre um passo à frente dos outros e que ser sempre melhores que os outros...

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