segunda-feira, 14 de setembro de 2015

FILMES || A Lista de Schindler


Comecei a ver este filme há alguns anos mas, e quem já o viu irá confirmar, a duração muito extensa do filme fez com que, com outros afazeres em mãos o interrompesse. Até que o voltei a encontrar em DVD perdido numa prateleira e a um preço ridiculamente barato. Foi amor à primeira vista. Atenção que o filme é tão longo que vinham 2 discos para a exibição do filme (metade do filme num, metade do filme noutro). Ainda assim é imperativo ver. É imperativo levar este soco no estômago.

Oskar Schindler é um membro do partido Nazi. Braço direito de enormes cabecilhas da guerra e do partido que participa nas festas, nos banquetes, que discute e especula activamente. Este é o homem que salvou mais de 1100 judeus através da subtil estratégia de montar um negócio em plena crise de guerra onde "escravizava" judeus para trabalharem para si, justificando-se com a mão de obra barata e garantindo nas costas de todo o partido que estes judeus eram bem alimentados, cuidados e seguros para a sua sobrevivência.

Este é mais um filme que retrata de uma forma crua e sem romances a perseguição aos judeus, não tanto numa visão de campos de concentração (como n'A Fuga de Auschwitz) mas com exactamente a mesma receita fora dos campos, até porque 90% de todo o cenário de campo é num de trabalho, que não tinha os fornos, as câmaras nem o mesmo nível de crueldade num campo de extermínio e onde as pessoas ainda conseguiam andar com os seus penteados, as suas roupas e iludiam-se com a ideia de que eram escravos de guerra para trabalhar e não para morrer.
Desenganem-se, no entanto, se pensam que isso torna o filme suave, muito pelo contrário. Fez-me chorar convulsivamente e eu não choro a ver filmes. Mexeu de tal forma comigo, a frieza com que matavam, com que desvalorizavam a vida humana, como tiravam toda a dignidade e esperança das pessoas... Dei por mim inúmeras vezes de nó no estômago e lágrimas nos olhos. Especialmente com a cena do pobre velhinho (ainda agora fecho os olhos e vejo a cena gravada na memória). É tão triste.

O filme venceu inúmeros Óscares incluindo, além do de Melhor Filme, o de Melhor Cinematografia e não é de estranhar. Apesar da história, o filme está incrivelmente bem realizado, com o enquadramento dos cenários e uma fotografia maravilhosos. Como muitos já saberão, o filme é estrategicamente a preto e branco. Porquê? Quem ainda não sabe não vou estragar a surpresa, mas garanto-vos que a razão por que acontece torna a brutalidade do filme ainda mais marcante. Faz com que o número passe a ser a pessoa e dá-nos um soco profundo (o quanto eu chorei...). Ainda assim, mesmo para quem não está habituado, depressa nos adaptamos. O filme ganha uma magia inigualável desta forma.

É admirável a natureza deste homem que conseguiu pegar em estratégia, gestão, comércio, poder e fez disso a máscara principal para salvar vidas, sem nunca perder a postura em frente aos rostos mais cruéis. A forma como os seus feitos se abatem sobre ele no final emociona-nos a todos. Dá vontade de fazer mais. Dá vontade de fazer melhor.

É um filme intemporal porque, apesar de ser importante não nos esquecermos até onde vai a maldade humana, também é vital lembrarmo-nos até onde vai a bravura e bondade humana.

8 comentários:

  1. Eu vejo imensos documentários, filmes (...) e leio imensos textos, crónicas, opiniões, testemunhos sobre o assunto mas este ainda não tive coragem de ver. Pelo facto de ser muito longo e por saber que é constituído por murros no estômago e baldes de água fria constantes. Não me esqueci dele - nem me esqueço da maldade humana ou da História da nossa Humanidade (que não é assim tão humana) - mas ainda não ganhei fôlego para o ver. Nem sei se o farei já...

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  2. Eu estou com a Carolina... Estou para ver este filme há anos a nunca o consegui ver. Custa-me mesmo carregar no play! Mas quero muito ver, tanto este como o Pianista.

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  3. Vi a "Lista de Schindler" numa aula de Filosofia no Secundário e nem consigo descrever o que senti. Digamos que chorar às escondidas no meio da sala de aula foi um desafio, mas sinceramente não interessa nada. Mantem-se até hoje no meu topo de filmes favoritos e melhor cotados no IMDb. Além de brilhantemente realizado, a prestação do Liam Neeson no papel principal é sublime. Recomendo vivamente este filme!

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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  4. Já percebi pela tua critica e pelos comentários que vai ser super difícil de ver. Sou super sensível à maldade humana. Mas um dia lá terei de ser forte e vê-lo...

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  5. Para eu ver, um dia mais tarde, certamente :)

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  6. Já tanta gente me falou deste filme, e do quão intenso ele é. Ainda não tive oportunidade para o ver. Mas está para breve!

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  7. Há certos filmes que duvido seriamente conseguir ver mais do que uma vez nesta vida. Este está nessa lista juntamente com o Pianista e A Vida é Bela.

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  8. Já vi o filme há alguns anos e é um verdadeiro murro no estômago, mas fantástico por isso mesmo. Vale a pena.

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