quarta-feira, 19 de agosto de 2015

MUNDO || No papel, no leitor de música, na estante

Fotografia da minha autoria, por favor, não a utilizar sem autorização prévia

Num mundo em que tudo é disponível e acessível, em que tudo pode ser revolvido em atalhos digitais e pastas computorizadas, num mundo em que as fotografias já não estão expostas na sala mas sim no Instagram, em que os filmes não estão na prateleira mas sim organizados numa plataforma duvidosa na Internet com legendas amarelas, a música vem de trezentas aplicações manhosas para acesso fácil ao telemóvel e os livros podem ser lidos em brasileiro desde que estejam em PDF grátis na Internet perguntam-me como posso ser louca ao ponto de ter estabelecido para mim como objectivo de 2015 a compra de DVD's, perguntam-me a utilidade de ter cd's e a necessidade de imprimir fotografias quando há pastas e clicks à distância. É um gasto de tempo mas, acima de tudo, as pessoas usam sempre o mesmo argumento: dinheiro. Para que vais gastar tanto dinheiro a imprimir fotografias? Qual é o objectivo de comprar um DVD quando tens acesso ao mesmo no site Y? Para que é que queres o cd se fazes o download em 5 min. pela net? Como assim vais gastar tanto dinheiro a comprar um livro?

Porque acho que a digitalização não tem de dominar a vida e bons momentos só porque é mais fácil. Porque acho que os recursos devem ser explorados com estratégia e não com abuso. Porque sou sentimental e gosto de guardar as coisas de verdade e não fingir que guardo. Não houve um único DVD que eu tenha comprado até agora que tenha sido mais caro que 10 euros, eles estão ali, à mão de semear e só compro os meus favoritos. Quão mágico é termos os nossos filmes do coração na estante? Quão fantástico é eu poder pegar a qualquer momento no meu cd do momento e metê-lo a tocar onde me apetecer, levar para o carro, se necessário? De poder sentir as páginas nos dedos e a capa do livro a pesar-me? De poder comprar molduras giras que se fartam para encher o meu quarto de boas memórias e pessoas que vão durar para sempre no meu coração? Não é caro. Não tem preço. É mágico e incrível.

Sim, eu uso plataformas para ver filmes porque eu não quero comprar todos os filmes do planeta, assim como baixo as músicas que sei que daqui a 3 meses já não fazem parte da existência da minha biblioteca de música. Eu tenho imensas fotografias que nunca vislumbrarão a luz do dia e livros que nunca irei comprar porque gostava de ler um capítulo gratuito primeiro. Sim, claro que uso todas estas plataformas mas não faço delas uma regra de facilidades para não ter coisas que me inspiram (filmes, música, momentos que me dizem algo, autores que me arrebatam) na minha mão e sim presas num buraco negro de binários. Não se trata de ser retro nem de gostar de mandar dinheiro ao ar. Trata-se de estimar as coisas pelos seus verdadeiros valores; E há filmes que valem muito mais o preço que está na etiqueta, músicas que me dizem muito mais do que o desconto, livros que pesam muito mais que as notas que vou ter de perder por eles e fotografias que são muito mais que fotografias. E até hoje, de estante cheia e cheia de molduras, não me arrependo de um único cêntimo gasto. E espero, com sinceridade, que vocês também não se venham a arrepender dos cêntimos que não gastaram.

5 comentários:

  1. Eu compro CD's e livros. Os CD's compro aqueles que gosto, ouço primeiro online. E relativamente aos livros, vou a uma livraria e escolho na hora, porque assim nunca crio expectativas. Já seleccionei um monte de fotografias para imprimir mas ainda não o fiz - a preguiça fala mais alto -, e dvd's raramente compro... São formas de poupar dinheiro, claro, porque infelizmente não me posso dar a muitos luxos, mas também sei que há coisas que devo ter e guardar para mim, fisicamente. Por isso, à excepção dos livros, eu vou comprando quando tenho mesmo a certeza que gosto.

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  2. Eu compro CDs, livros e álbuns para organizar fotografias. E fotografo em analógico, com rolos e cargas para imagens instantâneas porque é assim que gosto de guardar pessoas e momentos importantes. Concordo plenamente contigo: o digital é óptimo porque nos permite guardar muita mais informação mas o palpável é sempre melhor para estimar as nossas coisas favoritas e não vejo o seu carácter seletivo como algo negativo (:

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  3. tens toda a razão, e o mundo está a tornar-se cada vez mais tecnológico. Nunca irei ler um livro online se o puder comprar ou requisitar da biblioteca, não tem graça nenhuma não ter um livro nas mãos...e sim num ecrã de computador

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  4. Livros sempre em papel. Venha lá a era que vier!!

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  5. Não consigo ler livros sem ser em papel. Compro-o, emprestam-me ou requisito na biblioteca, mas não consigo ler um livro online. Não me dá jeito nenhum, mas pior do que isso é que me dá muito menos gozo. Não sei se serei considerada antiquada por isso, mas a verdade é que sentir o cheiro do livro, vislumbrar e sentir a capa e as folhas, sentir o peso e ver na lombada a quantidade de páginas que já lemos e as que nos faltam ler são pequenos pormenores que fazem a minha leitura mágica e só o consigo tendo o livro na minha mão. Quanto a música e filmes sou mais fã do download confesso. Quanto às fotografias pretendo imprimir algumas daqui a pouco tempo. Costumas imprimir com uma impressora normal ou costumas deslocar-te a algum local onde o fazem com mais qualidade?
    Blog:As Confissões da Andreia

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