segunda-feira, 24 de agosto de 2015

LIVROS || A Fuga de Auschwitz


Este é um livro que superou todas as minhas expectativas e moveu tantas emoções dentro de mim que nem sei como começar esta publicação de forma a conseguir passar-vos um pouco do que eu senti ao lê-lo. Esta é uma história que nos dá um murro no estômago e ainda bem que sim. Sinto que faltava um livro assim. Sinto que, demasiadas vezes romantizam este período tão negro e cruel e que tentam apagar da memória dos leitores estes acontecimentos. Há relatos de tudo; Esconderijos, diários... Mas muitos não se atrevem a falar de campos de concentração de uma forma violenta e que nos dá um estalo na cara. Bom, eu acho essencial. E foi o que o autor quis passar neste livro.

Nunca li livro igual, e já li muitos sobre a II Guerra Mundial, um dos meus períodos favoritos de estudar e ler na História (ainda que seja um marco muito, muito triste na nossa Humanidade). Introduz-nos a Jean-Luc Leclerc, um pastor francês, cristão, que é detido pela Gestapo por albergar e ajudar a fugir milhares de famílias judias em perigo. É imediatamente enviado para o campo de concentração mais cruel de sempre: Aushwitz-Birkenau.
Apresenta-nos também ao jovem Jacob Weisz, um judeu alemão que, após imensas reviravoltas na sua vida (sabem tudo se lerem o livro) acaba na Resistência e, numa missão falhada, acaba por engano numa das carruagens de um comboio que transporta judeus para Auschwitz. E é aí que a aventura principal começa: a fuga.

Este é um daqueles livros que qualquer pessoa vai pegar e não vai conseguir largar. Em primeiro lugar porque não há qualquer momento morto no livro, apesar do seu volume considerável. Há sempre acção, algo a acontecer, detalhes cruciais para compreendermos os capítulos seguintes ou factos históricos que fazem todo o sentido estarem espalhados num livro deste calibre e que interessam, certamente, ao leitor. Em segundo lugar porque as personagens deste livro estão fabulosamente bem caracterizadas. Não existem por existir e não estão mal representadas. Têm um espírito tão real que nos liga a elas de uma forma impossível de explicar.

O livro retrata com bastantes detalhes e descrições algumas das coisas que se passaram nos campos e eu confesso que fiquei surpreendida com muitas delas, não tanto as partes mais cruéis (não me surpreenderam porque já tinha consciência de que era mesmo assim lá dentro) mas as partes mais estratégicas dos prisioneiros para sobreviver; Os truques e os contactos; A perspectiva do campo inteiro; E a ignorância. A ignorância fez o meu coração dar voltas porque nunca tinha visto este aprisionamento desta perspectiva. Porque acho que em outros livros e filmes dão-nos imenso a ideia de que toda a gente sabia minimamente bem do que se passava. E as pessoas não tinham ideia nem de metade. Pior. Saberem e fecharem os olhos, desviarem a cara, fingir que não existe. Como? É muito perturbador as informações que retiramos da história, que está muito bem construída, baseada em factos reais e datas precisas. Remete também uma parte da trama para a religião, ponto que achei muito interessante o autor colocar. A existência de Deus perante tamanha atrocidade e a relação da fé dos rabinos com a fé cristã. Há um encontro muito interessante e um debate que achei bastante marcante, mesmo para qualquer ateu. 

Por último, ressalvar um detalhe soberbo que adorei no autor, as suas notas. O seu comentário final no livro, a disponibilização de uma bateria de informações que utilizou para o livro e o apontamento de muitas coisas que se passaram no livro que eram mesmo reais como as cartas que os familiares recebiam dos prisioneiros de Auschwitz em que estes eram obrigados a dizer que a vida no campo de concentração era digna, justa e que eram muito felizes, deixando porém mensagens nas entrelinhas para os avisar. Tudo foi feito por estas pessoas para impedir esta tragédia e, ainda assim, este livro traz uma esperança que nunca vi em outro livro parecido. Parece paradoxal e é, bem sei, mas apesar de me ter sentido a mulher mais pequena do mundo, fechei este livro com uma tranquilidade no coração que jamais tinha sentido noutros livros iguais. Aquilo que mais admiro, na nossa Humanidade, são os gestos de bondade, estratégia e astúcia que ocorrem nas mais inesperadas mentes, nos períodos mais negros da História. E ainda bem que assim é. É impossível alguém não terminar este livro com um pouco mais de humildade na consciência e a certeza de que somos uns sortudos por vivermos uma vida tão luxuosa e feliz.

Autor: Joel C. Rosenberg
Número de Páginas: 422
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7 comentários:

  1. Não conhecia o livro mas a intensidade que depositaste na sua boa qualidade puxou-me para o vir a devorar. Há muito que preciso de um livro assim!

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  2. Fiquei bastante curiosa com o livro! Acho que ainda vou pegar nele*

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  3. Como te tinha dito esse é um dos livros que quero mesmo ler brevemente e este relato veio confirmar que tenho motivos para estar curiosa e ter boas expectativas.

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  4. Eu quero muito ler este livro. Tudo sobre o Holocausto (documentários, livros, filmes, etc) me interessam e mesmo sendo eu muito sensível e ficar sempre a chorar, quero sempre ler/ver mais! Acho que nem sei explicar...

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  5. Olá! Penso que já vi muitos filmes sobre a II Guerra Mundial. "O Pianista" é um deles (um excelente filme, diga-se de passagem). Contudo, nunca li nada relacionado com este tema. Gostei do que li nesta publicação e fiquei com curiosadade.

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  6. Nunca o li, mas deixaste-me curiosa :) Já te estou a seguir*
    Beijinhos*
    http://surpreende-mee.blogspot.pt/

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  7. Obrigada pela sugestão do iMusic, muito melhor, sem dúvida! :)

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