quinta-feira, 16 de julho de 2015

FILMES || Inside Out


Cada vez que penso que a Pixar não me vai surpreender tanto como quando tinha franja, surpreendo-me. A verdade é que, à medida que cresço mais penso que os filmes não me vão conquistar da mesma forma que quando tinha 10 anos. E em todas as vezes a Disney prova-me o contrário. Este é mais um exemplo.

É sempre aquela curiosidade por causa do selo Disney porque, de resto, o filme passar-me-ia ao lado. Porque achei que seria demasiado fantasioso mexer com a mente humana, especialmente para uma pessoa que gramou dois anos com fisiologia, incluindo a cerebral que inclui todos os processos de memória, aprendizagem, sensações. Todas as áreas do cérebro estudadas por mim, o que significava que ia ver o filme sempre com uma ponta de crítica. Mas lá fomos ver o filme com o mais pequenino. E, claro, surpreendi-me.

A história vai sempre parecer mais aborrecida e mais "eu depois vejo" do que realmente é. De longe aborrecida e imperativa de ver por nós, adultos ou jovens! Eu digo isto porque imensas reviews apareceram aqui na blogosfera e não me captaram a mesma essência que aquela quando vi o filme. A história é simples: o que vai na nossa cabeça? Um enorme misto de emoções e sentimentos que vão controlando a nossa cabeça no dia-a-dia. No caso do filme temos Riley, uma menina de 11 anos que tem dentro da sua cabeça emoções muito especiais: Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Repulsa. Todos eles com carácter muito bem personalizado e vincado, cada um com o seu tempo de antena nas diversas situações e todos funcionam em harmonia para que Riley possa viver todos os dias com a maior experiência de sensações que a façam ir para a cama com um sorriso no rosto e boas memórias para guardar, memórias essas que definem depois a sua personalidade, gostos e ligações com o mundo. Tudo corria em pleno até Riley sofrer a mudança de casa e de estado, que a afasta dos seus amigos, da casa onde sempre cresceu e do seu clube desportivo. Perante todas estas novas mudanças (nada simpáticas), estes nossos novos amigos têm de conseguir gerir toda a mente de Riley de forma a que consiga ficar feliz ainda que sofrendo todas estas adversidades (especialmente - e ainda mais difícil - tentá-la fazer feliz quando a Alegria não está por perto! E por que não está por perto? Vejam o filme!). A missão agora é conseguir voltar a colocar esta menina com um sorriso na cara, pronta para desafios e longe de possíveis inseguranças e ansiedades, reconstruir os laços com a família e fortificar os seus gostos e traços de personalidade que se vão perdendo à medida que a apatia a abate. 

Reclamo já o Raiva para mim. Eu sou aquele boneco de cima a baixo, de tal forma que rimos imenso cada vez que ele entrava em cena e olhavam sempre os dois para mim. Porque sou eu! E aviso-vos já que este filme não é, de toooodo, para crianças. É de uma complexidade de conceitos e ideias que sei que as crianças dificilmente acompanham e a prova disso foi, na sala, não ter ouvido um único riso de criança mas sim risos dos pais (e meus e do meu namorado). As piadas são deliciosas, mas direccionadas para adultos e não para crianças, desde o que se passa na mente da mãe de Riley, ao pai e à própria estrutura cerebral que eles tentam "desenhar" de acordo com a fantasia do filme (e que desde já me conquistou, muito bem feito todo o detalhe do cérebro, não deixaram escapar nem um detalhe, que maravilhoso!). Por isso não ponham pé atrás por ser um filme de animação que pode ficar para depois. Vejam-no e surpreendam-se com o requinte das piadas e no quão bem trabalhadas estão. Claro que podem levar os mais pequenos mas não se admirem se eles só rirem porque o boneco deu um tropeção ou fez uma careta. Este filme é para nós (estratégias cinematográficas muito inteligentes).

Por fim, há muito tempo que não tinha um filme favorito da Pixar e este conquistou-me da cabeça aos pés. Sinto até que sou capaz de comprar o DVD, de tão giro que é. Vale muito a pena e, palavra de Inês, vão-se maravilhar com a criatividade. E com a história, que nos aquece o coração!

Já viram?

13 comentários:

  1. Estou tãão curiosa para ver este filme, mas ainda não ocorreu a oportunidade.

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  2. Vi e sem dúvida que adorei.
    Também fiquei um pouco de pé atrás no ínicio. Mas ao fim de 5 minutos estava completamente rendida. Pixar e Disney são aquela base :)

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  3. Já vi e tenho a mesma opinião que tu.
    É um filme espectacular, que os miúdos adoram e nós adultos ainda mais :)

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  4. Eu adorei o filme! Muito bem construido, gostei muito! E como disse o rapaz que estava atrás de mim: "Mãe! Também tenho uma floresta de batatas fritas na minha cabeça?" (espero mesmo que a resposta seja sim)

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  5. Fui ver ao cinema mal saiu, com toda a famelga cá de casa... lindo *.*

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  6. Vi o filme hoje. Andava a dizer que queria ver desde que o anunciaram, há um ano atrás. Adorei, mesmo! Este ano tive uma cadeira chamada Psicologia da Memória que me fascinou e ao ver o filme estava mesmo a ver algumas coisas das aulas. Foi incrível. Ia escrever sobre ele mas já cheguei tarde e cansada a casa. Eu ri-me imenso e, tal como dizes, achei que a maior parte das piadas são para nós. Mas não me ri só, também chorei.
    Os filmes da Disney e da Pixar são sempre filmes que me prendem ao ecrã, é certo. Mas este está mesmo bem pensado. E à medida que vou crescendo percebo que a maior parte dos filmes da Disney são mais para adultos do que para crianças.

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  7. Ainda não tinha ficado muito curiosa mas depois de ler esta tua review tenho de ver este filme o quanto antes! :)

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  8. O filme está fantástico! Queria vê-lo mal o vi anunciar, pois soube desde início que foi construído em contacto com dois psicólogos. Estando eu em Psicologia e indo agora entrar em mestrado, o bichinho sempre esteve aqui... até que lá chegou aos cinemas. E lá fui eu.
    Tenho a dizer que... adorei.E que cheguei mesmo a chorar, pois do ponto de vista de impacto na saúde mental vi ali um grande potencial. E efetivamente já há relatos por aí a circular nesse sentido, de pessoas a quem o filme conseguiu ser um "abre-olhos".
    Está muito, muito bem feito, e quem se lembrou de fazer um filme à volta da mente é só um génio. Não há uma única falha a nível psicológico... A única coisa, em termos de rigor rigor, é que a "repulsa" se devia chamar "nojo", mas é um pormenor mínimo e acaba por surtir um efeito semelhante. De resto... está tudo tão bem pensado!!! Como as emoções são todas necessárias, como têm todas um papel importante na nossa adaptação e portanto não há emoções "boas" nem "más" - isso depende da situação (destaco em particular a tristeza, pois há muito aquele estigma na sociedade do "eu tenho de ser feliz", e acaba-se por censurar imenso a tristeza humana e a pô-la de lado como se fosse a pior coisa do mundo e que se nos sentimos tristes algo de muito errado se passa connosco - o que nem sempre é verdade; diria que é muito mais assustador alguém estar aos pulinhos de felicidade feito histérico quando algo de mal lhe acontece, pois é uma reação completamente desenquadrada da situação e que, portanto, não permite enfrentar a realidade)... Depois também temos a faixa etária das personagens e as mudanças que a ela estão normalmente associadas, que também estão muitíssimo bem representadas... Fiquei rendida e aplaudo o filme mil vezes!!!

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  9. Eu fico sempe ansiosa por ver cada novo filme da Disney :P E este não é excepção. Ainda não tive oportunidade de ver, mas quero muito vê-lo. Só o facto de ter a ver com o cérebro conquistou-me logo, e não é a primeira vez que leio uma review que faça referência às piadas bem conseguidas :P

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  10. Queroooooooooooooo tanto ver este filme! Parece-me genial. Estava para ir vê-lo aí, mas depois não tive tempo.

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  11. Ando desejosa de ver o filme. Sendo de Psicologia tenho imensa curiosidade para saber como está :)

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