domingo, 14 de junho de 2015

MUNDO || Mulheres pelas mulheres!


É triste que estejamos em pleno século XXI e o elogio entre mulheres seja visto ainda como algo irreverente e revolucionário ou, visto por más línguas, falso. Que as mulheres são artificiais umas para as outras quando dizem que outrem está bonita ou fica bem em determinada coisa ou que até apreciam a sua companhia. Que fiquem felizes pela felicidade das amigas. É triste que em pleno século XXI ainda se oiça "eu tenho mais amigos rapazes porque tenho más experiências a fazer amizades com raparigas". 

Há aqui uma particularidade muito entranhada no mundo feminino desde milénios que é a comparação. O universo da mulher é fortemente empurrado para uma reflexão do que é que nós temos e não temos em comparação às outras. Porque as morenas é que são as melhores, porque as baixinhas é que são as mais apetecíveis e porque mulher tem é curvas. Todas estas atrocidades são baseadas numa só palavra: comparação. A mulher compara-se de uma forma medonha e absurda e fica mal resolvida consigo mesma quando os resultados não são positivos. Muitas das vezes o facto de ficar mal resolvida é o que a faz ter um comportamento mesquinho infundamentado, egoísta e feio, em que tem de fazer elogios artificiais ou comentários maldosos ou até puxar à má educação aos outros para se sentir melhor. Porque aquilo que ela fez a outra pessoa sentir comparada com o que ela já é fá-la sentir-se melhor. Porque não partilhar a felicidade da amiga seria submeter-se ao facto de que ela tem uma vida muito melhor e muito superior à sua e não pode compactuar com tal comparação. Basta!

As mulheres são incrivelmente fortes e especiais e é ridículo que canalizem tamanho dom para comportamentos tão infantis e egoístas! Vamos parar de rebaixar as outras mulheres porque ninguém é melhor que ninguém. Somos tão únicas, tão irreverentes, tão chatas, tão complexadas, por que razão vamos querer ser tão cruéis também? Por que é que não podemos encorajar as mulheres que estão do nosso lado? Por que é que não podemos enxergar as nossas qualidades e reconhecer as qualidades de quem está ao nosso lado, por muito diferentes que sejam?

Aqui me confesso: eu não tenho problemas em elogiar e nunca fui desonesta nos meus elogios. Eu fico feliz pelas minhas amigas estarem felizes (mesmo quando sou eu que estou no fundo do poço), eu torço por elas! Eu sei apreciar a beleza de alguém e evidenciá-la a essa pessoa mesmo quando sou uma batata de categoria C, eu faço por passar força e coragem para outras mulheres. E não me podia ser algo mais natural, tudo isto que faço. E o que de mal estiver com a minha vida, é com a minha vida, sem culpa dos outros e eu mesma resolvo, sem crueldade alheia. Eu quero ser simpática e estabelecer empatia com raparigas e quero sentir que isso é um acto natural e importante e não algo revolucionário porque ser simpático não devia ser um acto revolucionário mas sim imperativo na sociedade. E eu estou a falar de simpatia genuína. Vamos parar de deitar as pessoas abaixo, vamos parar de ter inveja, vamos parar de nos compararmos e olharmos ao espelho com desdém de nós próprias porque, por muito que tal possa ser difícil, nós não merecemos tamanho sentido crítico em nós próprias. Dêem-se uma chance de serem lindas e deixem as mulheres à vossa volta serem lindas também. E, se o sabem, digam, sem artificialidades ou mesquinhices e poupem-se de picardias e comentários feios. Sejam belas pelos vossos valores! Sejam o melhor de vocês mesmas! E se são assim, orgulhem-se por serem incríveis!

9 comentários:

  1. Que bonito texto Inês e concordo tanto contigo!

    ResponderEliminar
  2. Não podia ter dito melhor! Bem dito Inês!

    ResponderEliminar
  3. Este texto diz tudo. Comparar-nos aos outros é a pior coisa que podemos fazer. Deixa-nos piores e não aumenta auto-estima nenhuma!

    ResponderEliminar
  4. Lindo! Muito bem Inês, sempre a dizer o que tem de ser dito!

    ResponderEliminar
  5. Eu e a minha amiga mais próxima desde a infância até ao secundário fomos, exactamente, o cliché que referiste. Sempre nos comparámos uma à outra, sempre competimos por notas, amigos, namorados e todas as coisas idiotas pelas quais se pode competir. Fomos, muitas vezes, más uma para a outra. E no entanto andávamos sempre juntas, vá-se lá saber porquê.
    Felizmente acabei por mudar de escola e só aí percebi o que andei a fazer e a deixar que me fizessem. A minha auto-estima era uma lástima, e eu não era melhor pessoa que ela porque tentava competir, ao invés de desvalorizar e seguir outro caminho. Se o outro lado não der luta os comentários do "deita abaixo" deixam de ter piada e quem faz figura de tóto é quem continua a comparar-se sem haver comparação. Por isso, bom texto Inês! Espero que alguém que neste momento esteja a ser uma mean girl e leia o que escreveste veja a inutilidade que anda a fazer e canalize essas comparações para si mesma, para tentar ser melhor em relação a si. :)

    ResponderEliminar
  6. Muito bem dito Inês, concordo contigo! **

    ResponderEliminar
  7. Mas sabes que esta comparação é imposta na nossa sociedade, na maioria, pelos media. Desde da Cosmopolitan às séries televisivas. Começa a partir do momento em que as raparigas entram na adolescência e começam a ler Bravos e assim. Estão a passar por mudanças, estão a sentir-se esquisitas e diferentes e vêem raparigas lindas nas capas de revista, vêem actrizes com corpos maravilhosos a interpretarem o papel de adolescentes - não achas esquisito mulheres nos seus 20 a interpretarem papeis de 16/17? Que o estilo patinho feio - aparelho, óculos garrafais, roupas menos "trendy" - seja vítima de bullying em filmes?

    Com os rapazes é diferente, parece que até enaltecem o facto deles parecerem um bocado mais nerds - o equivalente a patinho feio -, porque é fofinho. O desportista? Super atraente. E o estilo artista? Super misterioso e sexy. Acredito vivamente que eles também passem mal e que tenham problemas de auto estima por verem Ronaldos e Harry Styles a receberem toda a atenção. Mas nunca ninguém deve viver na ilusão que são só as mulheres que são mesquinhas. Os homens também o são.

    Mas ainda assim gostei de ler esta publicação, porque o problema, apesar de tudo, começa connosco próprios e espero que daqui para a frente a sociedade se comece a adaptar a estes ideias pelos quais hoje luto, a igualdade. Espero que homens e mulheres se amem mais uns aos outros, que se amem a si próprios e que não tenham medo de se afirmar como são. (:

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu percebo o que queres enaltecer no teu comentário mas o facto de te comparares, ou de qualquer outra mulher se comparar (incluindo eu), seja por que razão for, seja de que exemplo for, não nos dá o direito de ter comportamentos mesquinhos, artificiais ou cruéis com outras mulheres. Os media podem fazer mil e uma patranhas para te levar ao dilema da comparação mas o teu carácter enquanto mulher para outras mulheres não pode estar alicerçado em revistas femininas e em séries teen. Temos de ser mais que isto. E é isso que eu estou a ressalvar nesta publicação :)

      Eliminar

Quaisquer comentários que visem a ofender e/ou afectar a minha integridade, dos meus leitores, comentadores, bloggers ou entidades que refiro nas minhas publicações não serão aceites.

Quaisquer questões colocadas serão respondidas na própria caixa de comentários!

Muito obrigada por estares aqui :)