terça-feira, 9 de junho de 2015

DESAFIOS || A Blogosfera de Hoje


Cada vez mais a blogosfera quer passar uma mensagem a quem lê o seu blog. Ou seja, querem ter um blog útil, interactivo, pessoal mas não intimo. Querem que as pessoas recorram-no para saber coisas e, possivelmente, simpatizar e identificar-se com quem escreve do outro lado. E a minha opinião de leitora? Cada vez mais há uma aproximação e preferência por bloggers não anónimos. Eu lamento amigos, e não vos estou a atacar. Mas é uma ligação quase involuntária e humana, associarmos o rosto e uma possível conexão à sua vida pessoal (não íntima) e temos uma abertura mais simples para criarmos empatia por quem nos escreve. Ou talvez seja só eu, mas também já fui anónima e sinto isso agora.

As pessoas querem ler menos diários sobre chatices com a família e arrufos com o namorado e querem mais experiências positivas e pequenos momentos simpáticos. Menos intimidade, mais pessoal, repito-o vezes sem conta porque acho que nem toda a gente compreende a diferença. Eu posso falar aqui sobre a minha família, amigos, amor de uma forma genuína, pessoal, minha. Mas não aprofundo questões que têm de ficar entre nós, entre os nossos olhos, as nossas memórias, conversas, desaforos, momentos e declarações. Isso é nosso e não é útil para quem nos lê. Só alimenta más interpretações, conflitos e exposições em coisas que não queremos. Ou bisbilhotices, como a maior parte tem medo.

Eu tinha medo de sair do anonimato porque achava que iam gozar por escrever um blog e fiz um filme. Mas depois percebi que não passava mesmo de um filme porque ninguém me chateia, ninguém me liga 300 mil vezes cada vez que publico algo e até têm orgulho no que faço. É um hobby meu, escrever, fim. Não é um drama e ninguém conhece-me mais ou sabe mais da minha vida por ter gostado de ir ali ao cinema ou por o meu namorado dançar comigo ao som de Singing in the Rain ou por gostar de cheesecake. São detalhes de mim que as minhas pessoas já sabem e que são através deles que vocês conseguem ligar-se comigo, não num sentido de pormenorizar e mapear a minha vida mas no sentido de nos ligarmos, de estabelecermos experiências conjuntas, histórias e momentos partilhados, de nos identificarmos. De nos ligarmos. E por isso sou bastante feliz por poder assumir qualquer sucesso do Bobby e de poder partilhá-lo sem pudor.

É claro que qualquer blogger anónimo consegue fazer isto. As experiências estão lá, eu posso identificar-me à mesma e quem está confortável desta maneira é do lado que durmo melhor e, sim, eu vou continuar a espreitar esses blogs e a melgá-los com comentários, não podia ser mais simples. Mas, da minha experiência, esta ligação foi muito mais fácil quando "sai do armário". Foi mais natural, mais real. Não sei se perceberão o que quero dizer. Também sinto que isso fez com que conseguisse pôr um travão quando quisesse falar de cabeça quente e que me fez pensar "Okay, estás aborrecida com X mas vamos pensar em coisas boas para partilhar, não vamos descarregar na Internet, vamos dar a volta" e isso faz com que quase sempre o meu blog seja ar fresco para mim e reflicta coisas positivas mesmo em dias mais nublados. Mesmo no fundo do poço, em Novembro e Dezembro, eu tentei focar os meus posts em força e optimismo, eu tentei tirar coisas boas. E é o melhor exercício que podia fazer, ajudou-me imenso.

Não dispersando mais, eu acho que a blogosfera tem cada vez mais identidade, seja ela como for. Não se ofendam, eu não me dirijo a ninguém e tomem este post como uma experiência pessoal e uma reflexão da minha estadia por aqui, que já vai longa. Muito sucesso para todos vocês, é o que desejarei sempre, com a maior honestidade!

15 comentários:

  1. Olá Inês!

    Ainda sou recente na Blogosfera, pelo menos desde o momento em que me dediquei mais a isto, mas a realidade é que me debatia de uma forma de ser mais relacionavel e próxima, sem publicar a minha vida privada, é realmente um jogo que pode ser difícil. Mas entendo perfeitamente o que queres dizer, precisamos de arranjar um equilíbrio entre o "pessoal" e o "íntimo".

    Visita o meu blog, talvez consigas ver como tenho tentado evoluir.

    Beijinhos :)

    http://amiudasempreaandar.blogspot.pt/

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  2. Acho que sentia um bocado isso!
    Comecei o Aguarela em Janeiro de 2014 (mas só o comecei a divulgar há coisa de uns meses...), sabendo que escrevia para «ninguém, pois ainda não tinha seguidores e ninguém sabia que eu, Carolina, tinha um blogue! Acho que tinha esse receio de que as pessoas soubessem que escrevo e publico num blogue. Não sei explicar, mas sentia-o!
    Até que comecei a seguir blogues e a ler mais sobre a blogosfera. Este mundo cativou-me!
    E confesso que quando nem sei o que publicar, dá-me gosto só de ler os posts dos que sigo. Acho que isto faz parte de mim e já não percebo a minha visão passada.
    Acho que a forma como distingues o «pessoal» do «íntimo» é meio caminho andado para se perceber que o que se publica não tem que ver com o "contar" tudo o que fazemos na vida, como o fazemos, por que é que o fazemos, mas sim com as experiências que temos e decidimos partilhar e com o que retiramos desses momentos!
    Deu-me vontade de escrever um post sobre isto...
    Acho que já tenho uma lista infinita de posts a fazer para quando acabarem as aulas, eheheh!
    Beijinho!

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  3. És soberba a explicar aquilo que quero dizer, adorei! Essa diferença pessoal-intimo já me tinha ocorrido mil vezes na cabeça mas explicar? Deste tudo agora, obrigada!

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  4. Adorei o teu post!! Super verdadeiro e actual... não podias ter dito algo melhor.
    Isso do Intimo e do pessoal é uma coisa que me revejo imenso. Espero estar a conseguir fazer o que prego. Acho que perceber o nosso estado de alma no blog é facílimo e pode-lo fazer sem contar as coisas que deviam ser resolvidas em casa é essencial!!
    O pessoal-anonimato ainda é algo que me debato. Já meti na cabeça que se um dia me descobrirem olha! Que se lixe! E para vocês idem não tenho problemas em dizer que sou.

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  5. Esse aspeto do pessoal-íntimo pôs-me a pensar bastante :) adorei o teu post. Eu também já fui anónima, mas agora tenho outra visão da coisa e orgulho-me do meu blog e do crescimento que tem dia para dia, lentamente.

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  6. Só tu para escreveres um texto incrível como este!
    Acho que tens toda a razão. Eu, embora ainda seja mais ou menos anónima, já o fui mais, e posso dizer que é só incrível quando a blogosfera ultrapassa a blogosfera! Quanto a essa diferença entre intimo e pessoal, confesso que foi a necessidade de fazer melhor essa distinção que me fez criar este blogue. Espero conseguir!
    Beijinho *

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  7. Concordo com o descreveste. Publicações com um conteúdo mais positivo e útil tem muitas mais visualizações, mas nunca será por isso que vou deixar de divagar e de publicar a minha opinião sobre assuntos mais privados e outros mais controversos. Gosto assim (:

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    1. A questão do conteúdo neste post em nada tem a ver com visualizações ou estatísticas mas sim com a conexão blogger-leitor e o conforto de leitura dos blogues. A controvérsia não está obrigatoriamente ligada ao intimismo :)

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  8. Concordo com praticamente tudo o que disseste excepto a parte da empatia, para mim ela surge para com bloggers anónimos e não anónimos com igual naturalidade.
    A blogosfera está de facto a evoluir. Quando aqui cheguei, cada blog era como um diário, escreviam-se cartas, histórias... À medida que a exposição foi aumentado as pessoas começaram a mudar o conteúdo que apresentavam. Já há imenso tempo que não me deparo com um blog literário ou de poesia, por exemplo.

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    1. Eu explicitei isso no penúltimo parágrafo, eu não estou a dizer que esta é uma capacidade exclusiva de bloggers não anónimos, eu estou a dizer que essa empatia de que salientaste é mais automática em bloggers não anónimos. E, como também referi, é aquilo que conclui de experiência pessoal :)

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    2. E sobre os blogues literários e de poesia, ainda no outro dia encontrei um à "moda antiga". Eles não deixaram de existir, a procura é que é mais escassa! A Carolina, de comentário acima, também publica poemas, por exemplo. Espreita-a ;)

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    3. Sim eu entendi o que disseste. Para mim o fator tempo é mais importante no que toca à empatia. Há bloggers que leio à imenso tempo, cujo percurso já segui em diferentes blogs, e nã noto que tenha criado mais empatia por uns que por outro, embora continua a ter uma preferência pelos anónimos (mas atenção que também gosto muito de ti, da Carolina do L13 ou do Jota).
      Mas pronto são opiniões

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  9. Identifico-me perfeitamente com isto. Adoro saber momentos caricatos e bonitos mas estou longe de querer saber os dramas e arrufos porque sinto que estou a intrometer-me e a explorar um campo que não me diz respeito. Concordo contigo e acho que consigo fazer essa distinção no meu blogue também. Posso demonstrar tristeza ou dramas - porque afinal também fazem parte de mim - mas raramente refiro os motivos (e ainda que as pessoas interpretem os meus textos mais vagos nesse sentido da forma como bem entendem, naturalmente, não confirmo nem desminto). Para mim a blogo é mesmo isso: partilha e descoberta. Não procuro ler diários, procuro viagens, fotografias bonitas, sítios onde ir, gordices que valem a pena, opiniões sobre temas actuais, procuro identificar-me com as perspectivas do blogger e com a sua forma de ver a vida :) Já encontrei blogues demasiado íntimos e não fui capaz de ler porque me senti desconfortável a conhecer algo tão pessoal da blogger, ainda que fosse anónima...

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  10. Gostámos bastante da publicação e identificamos-nos imenso com a opinião descrita! Por vezes lemos com cada blogue que só afasta as pessoas pois dizem mal da amiga x, do colega y e da sogra que é uma z. Acabam por não ter conteúdo para quem desconhece as pessoas retratadas.

    Ela e Ele.
    www.elaeele-nos.blogspot.com

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  11. Já tinha lido isto na altura em que foi publicado, mas só hoje consegui comentar! Genial, Inês, ge-ni-al! Não diria melhor.

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