quarta-feira, 15 de abril de 2015

PASSAPORTE || Assim te revejo, Paris

Foto da minha autoria, não usar sem autorização prévia
Instagram: @innmartinsm

Ao realizar esta viagem, apercebi-me de duas coisas: 1) Que se me dissessem a caminho de Lisboa, em 2005, que ia lá voltar em 2015, não só não ia acreditar como ia fazer uma careta e responder "tanto tempo?"; 2) A Inês de 10 anos não era nada estúpida.



Há 10 anos fiz esta viagem de uma forma de roteiro completa: uma semana, metade na Disneyland, outra metade na cidade e onde fiz tudo, desde os monumentos e museus mais importantes, roteiro turístico pelo rio, comer nos sítios mais emblemáticos. E toda a gente disse-me "oh, eras tão novinha, agora é que vais aproveitar". Mas a verdade é que a Inês de 10 anos deu um 15-0 a todos esses comentários de agora.

Para esta viagem tive três dias, o que significou ter de planear a sério o que queria ver. Não havia muito tempo a perder com imprevisibilidades e tinha de saber o que faltava ver, o que queria rever. E a Inês 10 anos ajudou muito esta "velhota" de 20. Porquê? Porque tinha guardado numa caixa tudo o que fiz em Paris em 2005. Desde mapas urbanos a mapas de museus. Eu sabia que queria cá voltar, mais velha, ainda me lembro de pensar nisso e de saber que ia querer ver coisas diferentes. Então o que fiz? Primeiro, o Louvre, que não dá para ver num só dia. Assinalei no mapa do museu as alas onde fui e as que queria repetir. A caneta. Sim, eu fiz isso e noutros museus também. E agora, em 2015, eu limitei-me a pegar nesses mapas e a rever as alas que tinha assinalado que queria repetir e visitei as que faltavam estar assinaladas. E foi a melhor ajuda de sempre. Obrigada Inês pequenina! Nada parva, não acham?

Se há 10 anos em andei com um casaco horroroso laranja choque e um gorro a dizer Austrália devido ao frio horrível de Paris, este ano fui agraciada com um Sol, um céu azul (só no sábado é que decidiu fazer birra) e um calor terrível. Levei com um pouco de medo um casaco muito primaveril mas ainda bem que o fiz, pouco ou nada o usei, tal era o calor. Recomendo-vos a visitar esta cidade na Primavera, é plana, exige muito andamento a pé e se eu estava a passar mal com um calor suave de Abril, não quero imaginar estar meia hora numa fila com um Sol tórrido de Agosto. Nem pensar.

Recusei-me a andar de metro e, por isso, circulei toda a Paris a pé. Mas não façam isto, eu fiz porque sou estúpida, comprem passe de metro porque faz todo o sentido, por amor de Deus. Foi a primeira vez que fiz uma "pseudo-viagem" sozinha, no sentido de ter de me orientar com mapas, direcções e locais all by myself. Sem ajudas nem bitaites, desenrascar-me com quem não falava inglês nenhum, perceber os compromissos dos museus, entender-me com as ruas. E gostei mais do que esperava. Já viajei com pais, amigos, mas nunca antes tinha circulado sozinha e é completamente diferente. E quando digo diferente, é mesmo diferente. É tão introspectivo que cheguei a Lisboa com uma nova imagem de mim e das minhas convicções. Limpei de cima abaixo os cantos da minha alma.

Paris é uma cidade mágica, onde tudo parece uma casa de bonecas ou um castelo de princesa. Os edifícios sempre no seu registo de detalhe, imperiais e de janelas pequenas quadradas ou longas rectangulares e os seus telhados escuros. A excitação dos turistas quando vêem a ponta da Torre Eiffel no horizonte não tem preço e a vista sobre o rio também não. É uma cidade muito romântica e, para mim, a cidade cultural que mais representa o amor e o romantismo, que dá vontade de ter alguém que estimamos mais do que nunca de mão dada connosco a percorrer as ruas de km que desenham Paris enquanto conversamos sobre tudo e nada. Aposta na nossa bagagem cultural e é por isso mesmo que vos aconselho, desde já, a visitarem-na (se ainda não o fizeram) antes dos 25 anos. 90% dos museus e edifícios emblemáticos são gratuitos para menores de 25 pertencentes ao Estado Económico Europeu. E isso reflecte-se numa poupança de viagem ridícula! Tive mais orçamento para restaurantes, para prendas, para transportes porque não paguei nada nos sítios onde visitei. E se juntarem uma companhia low-cost, o vosso desafio verdadeiro será, somente, onde ficar ao melhor preço. Nada mau, pela minha experiência. Encontrei também em Paris dois Instagrammers reconhecidos e fiquei abismada com a altura tão baixinha deles (eu era mais alta que os dois, fiquei parva!)

Quero lá voltar. Ficou quase tudo visto. Os principais já foram corridos e alguns pontos mais discretos do mundo turístico também, mas ainda há mais pormenores por ver e uma Disneyland para rever. Depois de ter a experiência miúda-com-os-pais, adulta-on-my-own, gostava de ir à Disneyland com o João aos 10 anos, talvez numa tentativa de ver o que os meus pais viram quando lá me levaram e outra com a pessoa que mais estimo no mundo. As abordagens serão tão diferentes como as duas primeiras que já fiz e se há coisa que me vou apercebendo, a cada viagem que faço, é que a cidade não muda só com o tempo e com o nosso próprio envelhecimento; Muda também com a companhia.

13 comentários:

  1. tenho mesmo pena de não ter conhecido Paris na sua totalidade!

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  2. Paris é uma cidade encantadora! :)
    Visitei-a à dois anos, numa visita de estudo, mas sinto que não aproveitei tanto quanto gostaria. Talvez por termos todos vontades e curiosidades muito distintas e termos de nos cingir a um horário pré-definido. E, por esse motivo, quero muito lá voltar. Prometi a mim mesma, na altura, que um dia regressaria com o meu namorado da altura (e do presente) e quero mesmo concretizar esse sonho porque sinto que Paris é uma cidade romântica e encantadora de uma maneira ímpar.
    Tenho adorado as tuas fotos no Insta, btw ^^

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  3. Ai gostei tanto do post, mas faz mais posts sobre Paris, soube-me mesmo a pouco x)

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  4. Não tiveste medo do avião cair depois destas confusões todas?

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    Respostas
    1. Anónimo, no dia em que eu tiver medo de aviões o meu padrinho deserda-me e desonra-me.

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    2. Tens piada xD O teu padrinho é piloto?

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    3. Sim, é comandante de aviação :)

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  5. Já lá fui também duas vezes. Adorei!

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  6. Nunca lá fui, mas está nos meus planos :)

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  7. Só devo uma coisa a Paris: terminar a minha visita ao Louvre que ficou a meio. De resto dispenso quase tudo, a única coisa que gostei meeeesmo muito, foi a zona de Montmartre. Montmartre tem um carisma absolutamente incrível, que puxa aquele som clássico do acordeão parisiense. :)

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