sábado, 14 de março de 2015

AMOR || Por nós próprias.


Antes do ano novo, fiz um post a perguntar como se curam corações partidos e talvez tenha sido mal interpretada no meu coração partido. Em Dezembro eu não tinha fome e achava-me horrível. Eu realmente não sei como colocar este texto por outras palavras pois a dureza da forma como as digo quase que equivale à realidade que passei. Não fui abaixo pela perda de quem quer que seja, muito menos estava apaixonada na altura. Há muito que me fui desapaixonando. O meu coração partiu-se porque ao espelho eu não via a Inês que dizia piadas, que ria, que era alegre. Via alguém que não tinha piada, que amuava, que era isto e aquilo e tudo o que me disse e que doeu. E desapaixonei-me por mim também. Penso que agora a interpretação do meu coração partido está completa.

Durante estes longos quatro meses lutei pelo meu processo de voltar a ver-me minimamente como a pessoa que era e sobre o que sou já falei no dia da mulher. Estudei com afinco, saí de casa sempre que pude, comprei roupa gira, ouvi música. Conheci uma pessoa fantástica que se apaixonou por mim quando nem eu própria estava apaixonada por mim mesma e isso foi imperativo para querer tratar de mim primeiro. Não queria ninguém para colar os meus pedaços do coração, não queria sentir-me bonita só porque alguém me dizia que era bonita (por muito sincero que fosse). Não, isto era algo que tinha de resolver comigo e só comigo mesma, porque só assim era justo. Eu tinha de voltar a ver-me como era para sentir que estava finalmente bem. E durante todo este tempo fui-me reabilitando sem rancor de ninguém e especialmente, sem rancor de mim mesma, da pessoa que sou. E só então, quando tive a certeza, quando voltei a olhar-me ao espelho e a pensar "mas, porque não algo de bom poder estar em mim também?" é que abracei qualquer sentimento que tivesse crescido comigo, sem eu querer, sem eu dar conta. Eu tratei-me como uma prioridade, coisa que muitas vezes falhou e que não quero voltar a repetir. Eu sabia que era importantíssimo este passo e saber que tive essa liberdade para cuidar e reabilitar-me com o seu apoio, sem pressão, sem momentos constrangedores, sem espadas e paredes e apenas companheirismo e amizade foi fundamental. Sentar-se ao meu lado para falar de música quando todos se sentavam ao meu lado para salientar as minhas olheiras e sobre coisas que não queria falar, convidar-me para passear quando nem ocorria a todos os outros que tinha de sair de casa, a sua preocupação por me fazer rir quando a maior parte me perguntava porque estava com um ar tão cansado. Remámos contra correntes diferentes: eu remei contra uma série de pensamentos horríveis que reproduzia na minha memória e ele remava contra as perguntas mais cliché da história das pessoas deprimidas. Não que não reparasse no meu ar lastimável mas porque sabia que já vinte pessoas antes tinham feito as perguntas que lhe inundavam os olhos com uma preocupação que disfarçava quando falava de concertos.

Hoje estou tal como quero e sei que o consegui fazer por mim. Que abracei todos os sentimentos que agora tenho depois de abraçar os bons sentimentos que tenho por mim. Que me sinto bem como estou e não só porque estou com quem estou. E isto é tão importante que não sei como dizer isto de outra forma: VOCÊS IMPORTAM! Sempre e são a vossa maior prioridade. Vocês valem tudo o que quiserem e ninguém tem o direito de vos diminuir. Por favor, amem-se.

Eu curei o meu coração partido e ganhei um novo. E quero que esta seja, também uma mensagem contra corrente: no meio de tanto texto deprimido de corações partidos eu quero deixar um de esperança. Há um lugar especial para todos nós e devemos ser os primeiros a criá-lo.

6 comentários:

  1. Desde sempre (antes de andar por aqui com o blog) que te achei uma verdadeira lutadora e uma mulher de garra e este texto só vem prová-lo. É tão importante nós gostamos de nós antes de tudo o resto e é tão importante pensarmos sempre "eu sinto-me bem assim? Sinto-me bem com isto? Ou mereço melhor?" e a partir daí temos as respostas que precisamos para nos deixarmos andar ou mudarmos de atitude. E tu consegues sempre dar um ótimo exemplp do que é alguém ir abaixo, como todos vamos, eventualmente, e voltar, aos poucos, acima e do que é alguém viver cada dia e não apenas ir passando tempo :) e deves realmente orgulhar-te disso!

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  2. Missão cumprida, Inês! Este texto deixa, realmente, alguma esperança mesmo a quem, como eu, não a perdeu. Identifiquei-me um bocadinho com a parte de ter o coração partido por não nos reconhecermos e acredito que quando começamos a tratar de nós e a gostar de nós acabamos por conseguir ser mais felizes.
    Foi tão bom ler este texto! :)

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  3. Quando escreveste o post sobre o teu coração partido, revi-me em cada palavra e agora, gostava de conseguir dizer o mesmo. Infelizmente, ainda não consegui curar o meu :(

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  4. Oh fez-me tão bem ler este texto Inês! Ainda não curei o meu coração recentemente partido mas deste-me um novo ânimo. Obrigada :) *

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  5. Adoro quando escreves from the heart, sente-se isso. É tão bom amar-nos a nós mesmas, é talvez, ainda melhor que uma bela tablete de Milka de oreo. E nunca te esqueças, que importas, que és uma giraça e que mereces tudo de bom, não importam as circunstancias!

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  6. Tiro-te o chapéu por este texto. Nós devemos ser, sem sombra de dúvida, a nossa primeira prioridade (ou como a minha mãe diz: pelo menos até termos filhos) e temos que cuidar sempre de nós e não esperar que alguém o faça. Não importam as bocas de fora nem a opinião dos outros. Nós é que vivemos connosco e o que nós pensamos de nós próprios é que importa! And nothing else matters :)

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