domingo, 14 de dezembro de 2014

Palavras ditas da boca para fora.

Se há coisa que me deixa fora de mim é quando me dizem algo que magoa e depois desculpam-se com "foi dito da boca para fora", "não era isto que queria dizer", "expresso-me mal". Deixa-me fora de mim mas não significa que não tenha já tentado compreender o outro lado e dado o desconto porque já todos passámos pela febre da cabeça quente. E perdoei já um significativo número de pessoas e as suas palavras. Mas quando amamos alguém, parece que custa ainda mais dizer que as perdoamos com a marca no peito. É triste.

As pessoas desvalorizam as palavras. É típico ouvir-se por aí que um gesto vale mais que as palavras. E concordo. Mas falar não deixa de ser um gesto. Comunicar não deixa de ser um gesto. E exprimir não deixa de ser um gesto. E quando as próprias acções se enrodilham com palavras sem intenção, tudo fica estragado. Porque por mais que queiramos voltar atrás ou desvalorizar as palavras ditas e por mais que a outra pessoa perdoe (como eu perdoei) não há forma de apagar o arranhão que marca a pele. E que fica lá, pronto para beliscar-nos quando ouvirmos mais palavras. "Calma lá amiga! Ainda não sarei e já estás a acreditar noutras coisas? Sossega". É inevitável. E desacreditamos todas as palavras que daí vêm. As más e, por arrastão, as boas.

Talvez hajam pessoas que comunicam melhor que nós, que se expressam melhor por outras formas que não as palavras, que se esforçam por não meter o discurso baralhado e sem sentido. Mas não esqueçamos o poder delas. Cortam, saram, abraçam, mudam-nos para sempre. E cuidado com aquelas palavras que nunca dissemos mas que estão bem à frente dos nossos olhos - e que não há forma de as desvalorizar com "não me sei expressar" -. Porque a outra pessoa vai ver sempre primeiro que o locutor das mesmas.

11 comentários:

  1. Muitas vezes agimos de cabeça quente, mas acho q isso não é desculpa para dizermos o que não devemos.. Concordo contigo :)

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  2. Para mim esse género de discussões só gera dois tipo des palavras aquelas que não acreditamos mas sabemos que vai magoar a outra pessoa. Porque é isso que queremos: Magoar como certas coisas nos magoam a nós e aquelas que são aquilo que realmente pensamos mas que vamos aguentando até ao santo dia em que não dá mais e sai tudo para fora. Nada é desculpa para isto... e aquela velha desculpa do "estava alterada não sabia o que estava a dizer" é tudo menos verdade.

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  3. Já brincas-te com o video clip da musica "Ink" dos Coldplay!?!?!??!

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  4. OOOH eu não sabia disso... podes me dizer qual é?

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  5. Adorei :)
    Muito bem dito, concordo com tudo...

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  6. Tiraste-me as palavras da boca! As pessoas usam as palavras como se fossem a coisa mais banal de sempre e depois, sem sequer se importarem realmente, muitas vezes, usam o ato de se desculpar como a 2ª coisa mais banal. Digo sempre isso às pessoas e depois ouço sempre "ui cuidado, não se pode dizer nada" - mas não é bem isso. É diferente ter sentido humor - humor negro, até, é diferente brincarmos com as pessoas de dizermos o que nos apetece sem refletirmos e magoar os outros.
    Parece que as pessoas cada vez perdem mais a sensibilidade para o poder da palavra.

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  7. (em continuação ao comentário anónimo anterior), há um velho saying que diz "Presta atenção ao que as pessoas te dizem quando estão zangadas". E eu não podia concordar mais!

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  8. és mesmo riquinha babada. só te armas. que tal investir 1000euros em coisas menos futeis e mais produtivas? gabarolas

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