sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O som do mar e as memórias no interior de um búzio


Uma das memórias mais bonitas que tenho é de quando viajei à República Dominicana e conheci no resort um rapaz dos Açores. Desde o primeiro dia que ficámos amigos e bebíamos batidos com óculos de sol deitados sobre uma boia gigante na piscina.
E nessa memória ele está também. Lembro-me de o pôr do Sol começar e de as pessoas começarem a sair da praia porque havia uma tabuleta a dizer "Não nos responsabilizamos pelo que acontecer depois das 18h da tarde", penso que seria no caso dos afogamentos e de a praia estar unida a uma outra que não estava sob o nome de nenhum resort (ser "selvagem", digamos).

E nós fomos para lá e sentámo-nos à beira do mar, com as pernas mergulhadas na água irresistivelmente quente e calma. Não havia sequer ondas e a água reflectia as cores rosadas do pôr do Sol. Não havia Sol a descer pela água mas havia um céu cheio de cor. Lembro-me que conversávamos enquanto alisávamos a areia submersa na água com as mãos e íamos encontrando pedrinhas e conchas. Nesse dia eu tinha andado de canoa com o meu pai no mar e estava a contar-lhe que estava aterrorizada da possibilidade de haver tubarões por baixo de nós e da possibilidade de nos comerem (para meu erro, antes de viajar para lá tinha lido um livro do ataque de um tubarão) e ele ria-se das minhas hipóteses de sobrevivência.

Entretanto ele encontrou do seu lado da areia um búzio incrível. Não dos pequeninos como encontramos nas praias portuguesas mas um médio e de cores lindíssimas. Ficámos impressionadíssimos com o nosso achado arqueológico e ele ofereceu-mo enquanto acabávamos de ver o Sol escurecer.

Hoje estava à procura de uma coisa nas minhas gavetas e encontrei o búzio. Nunca mais soube nada dele, na altura estava a explodir a era do Facebook mas nem eu nem ele tínhamos perfil. Cheguei a pesquisar o nome dele uns anitos mais tarde mas não encontrei nada. E talvez ele não se lembre de mim mas, quando vi o búzio, recordei-me daquele dia de praia incrível.

Era um daqueles dias que eu teria tirado uma foto. A praia deserta e o céu maravilhoso. Mas ao mesmo tempo fico contente por não ter tido nada à mão a não ser o búzio de um amigo que conheci noutra ponta do globo. E que nunca mais vi.

PS: Há umas semanas deu o filme da Lagoa Azul mas actualizado e a ilha onde eles gravam o filme foi uma ilha onde visitei durante esta viagem (Ilha Saona). É uma ilha virgem mesmo - ninguém habita nela - e é incrível!!! Não deixem de a visitar um dia, a sua dimensão e paz deixam-vos sem palavras.

7 comentários:

  1. Espero um dia criar recordações como as tuas e conhecer pessoas diversas.

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  2. Uma recordação maravilhosa :) Se calhar, ele próprio já se lembrou de ti várias vezes.

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  3. Gostei tanto de ler esta tua mini-aventura :)

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  4. Recomendaram esta publicação e vim ler. Não me arrependo nada, escreves super bem e adorei ler-te!

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