sábado, 1 de novembro de 2014

NUTRIÇÃO || No judge


Ao longo destas semanas a fazer planos alimentares sucessivos, dei por mim a pensar no quão perigoso e fácil é haver fundamentalistas nesta profissão.
Não o sou e estou longe de o ser por duas razões, A. Odeio fundamentalistas do que quer que seja e B. Não tenho capacidade para ser uma delas porque sou "esquisita" com a comida.

A verdade é que durante anos achei que ser "esquisita" com a comida ia ser o meu ponto fraco numa profissão como esta. Que, se soubesse comer como pessoas normais, iria conseguir de forma muito mais fácil cumprir e "magicar" planos alimentares bem sucedidos mas até agora só tenho verificado o contrário: quem come melhor - ou de forma mais saudável - tende a julgar mais depressa as esquecitisses que estão registadas no papel do paciente ou a resmungar porque a pessoa não come tão bem como elas.

Não é que seja por mal, mas é o que se verifica. Já eu, que sou esquisita, não só não julgo nunca as preferências que estão na folha (gosta do que gosta e se puder ao máximo não perturbar as preferências do meu paciente é o que vou fazer) como sou realista a criar planos. Não dou excessivos números de peças de fruta a pessoas que no dia a dia comem uma maçã de manhã, não faz sentido. Não as obrigo a comer legumes no prato se detestam (tento enquadrá-los na sopa, se gostarem). Não posso obrigá-las a comer o que não gostam, não faz sentido. É óbvio que não vão cumprir o meu plano, é óbvio que vou fracassar, é óbvio que nem eu nem a outra pessoa vai atingir o que quer que seja de objectivos.

Claro que posso sempre negociar e há coisas que são importantes que mudem: certos hábitos e tendências. O diálogo e a compreensão dos gostos de quem tenho à minha frente é essencial para que possa combinar com essa pessoa o que deve comer e o que posso experimentar que coma. Dizer que os compreendo não significa que vou deixá-los comer tudo o que quiserem sem regras. Não é bem assim. Há que orientar, mudar peças de jogo, reorganizar tudo. É possível, claro. Mas é importante respeitar também, sem criticas ou julgamentos. Há coisas insólitas, admito, mas também há profissionalismo a manter.

Sei perfeitamente que à minha frente vou ter mais vezes ao dia pessoas que detestam isto, aquilo e mais o outro do que alguém que come vegetais, fruta, horas reguladas, pratos equilibrados. Mas mais importante, sei que vou perceber essas pessoas e vou conseguir sentir-me mais próxima deles para fazer acordos razoáveis, realistas e possíveis. Talvez ser esquisita nesta profissão possa ajudar-me a fazer com que os outros não o sejam. Sem bocas foleiras, sem caras de choque e sem postas de pescada (que são muito boas e deviam comer!) 

14 comentários:

  1. Acho que tens uma abordagem muito correcta em relação ao assunto e dessa forma se a pessoa que apenas come uma maça de manhã começar também a comer uma ao lanche pode ser que depois de umas semanas sinta vontade de comer também uma ao almoço. Os hábitos alimentares não são fáceis de alterar e estão extremamente ligados com o estilo da vida da pessoa e até a sua personalidade mas sou da opinião que aos poucos, com dedicação e apoio, é possível substituir os comportamentos maus pelos bons.

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  2. Por acaso acho que a minha esquisitice (é mesmo muita... desde sempre... nem imaginas a quantidade de exames que já fiz e da surpresa dos médicos quando se apercebem que o meu corpo nunca precisou de certos alimentos) seria um ponto condicionante se eu desempenhasse um papel desses... Talvez olhasse para as coisas como tu mas acho que não teria moral sequer para sugerir certo alimento se eu própria não o consigo comer...

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  3. Eu não sou nada esquisita com a comida, mas sou apologista de respeitar as preferências dos pacientes. Aliás, as minhas professoras estão sempre a dizer isso :P Se não for assim, nunca vão cumprir o plano. Mas é claro que, em muitos casos, vão existir certos pontos que terão que ser necessariamente alterados. A comunicação é essencial, lá está :)

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  4. Realmente talvez a tua esquisitice seja uma mais valia :) Eu também sou super esquisita em relação à comida, tadinha da minha mãe que sofre até hoje xD *

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  5. só tive contacto uma vez com uma nutricionista por isso não tenho uma ideia muito bem formada da profissão, mas entendo que deve ser esta a postura ideal duma. na primeira consulta, dizerem-me a mim, que sou uma esquisita de primeira, como alguma fruta mas nem vario muito, vegetais quase nada, etc, etc, que teria de passar a comer só coisas verdes e saudáveis e deixar total e completamente todas as outras coisas boas, ia-me deixar muito pouco à vontade. e acho que não é assim que se deve começar uma dieta..

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  6. Eu também sou rigoroso no que como. Só coisas saudáveis, só de vez em quando como algo mais fora do comum :)

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  7. Serias a nutricionista perfeita para mim! Eu sou suuuuuuper esquisita e durante toda a minha vida fui criticada por isso! :/

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  8. Bom dia :)
    Passei apenas para avisar que amanhã o meu blog já estará em privado. Caso queiras continuar a acompanhar o meu cantinho deixa o mail do teu blog para poder adicionar-te à lista de leitores.
    (Caso já não seja possível entrar no meu blog podes deixar no meu mail: blog.da.rita13@gmail.com)
    Beijinhos

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  9. Com certeza que vais ser uma óptima nutricionista :)

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  10. Visto dessa maneira, é certamente uma mais valia :) Eu não sou nada esquisito, confesso xD

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  11. Também me parece que a tua esquisitice vá ser algo bom!

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  12. Eu acho muito bem! Como pessoa que detesta vegetais fico sempre a pensar como é que um nutricionista lidaria comigo...

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  13. Nunca tinha visto as coisas dessa perspectiva, mas sendo assim, parece ser mesmo uma mais valia

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