sexta-feira, 19 de setembro de 2014

AMOR || As Relações dos Outros


Poucas coisas fazem-me ficar numa esplanada quieta a ouvir falar a outra pessoa sem querer dar a minha opinião. Gosto de ouvir os outros mas também gosto de debater. Mas há coisas que me fazem preferir brincar com a palhinha ou continuar ininterruptamente a comer ou até mesmo me tiram do sério quando o contrário do que faço se verifica. E essa coisa é... fazer de conselheira de relação.
Há muitas coisas que nos fazem apaixonar por alguém, factores indescritíveis e por isso mesmo acho que são coisas tão nossas, tão genéticas, tão puras que é impossível de explicar. Talvez seja por isso que (salvo pelo azar em algumas vezes) a mesma pessoa surte efeitos completamente opostos em duas pessoas. Uma apaixona-se, a outra fica quieta sem qualquer frio na barriga.

Eu acho que as relações são dos intervenientes. E sou da opinião que o que quer que se passe numa relação, deve ser um processo activo dos dois e apenas dos dois. Se sorrirem, são eles que sorriem, se um deles chora compete ao outro remediar a razão do choro e se é para surpreender, a missão deve ser de cada um. As discussões, a intimidade, as conversas de cama, as conversas de café, o dia-a-dia. É deles. Por isso se chama uma relação.

Posta esta minha analogia, não gosto quando as conversas com os meus amigos giram em torno do "E depois ele deu-me a mão, e depois ele fez x" ou "Que achas que lhe devo dizer?". Não gosto. Sinto-me a explorar um universo intimo que não me pertence e não gosto de dizer o que faria ou deixaria de fazer porque eu não conheço o parceiro, não sei o que ele já fez, estou a ouvir a história de uma versão e sinto sempre que é um escape para a outra pessoa meter as culpas em cima se o plano aconselhado falhar. É desconfortável para mim.

Gosto de ouvir peripécias de amor e de rir. Adoro quando um amigo meu diz que não sabe o que vestir para um encontro e faço a maior festa (com samba incluído) quando uma das minhas amigas se apaixona e namora. Gosto de ouvir opiniões, gosto de saber que os meus amigos são bons namorados e namoradas e também gosto de saber que estão felizes. Só não gosto de fazer de colunista da Maria (que acho intragável). Não me compete.

E por isso mesmo, acho da maior falta de respeito quando se metem na minha relação. Quando dizem coisas que acham que eu penso que não são o que penso. Quando dizem que eu acho uma coisa que não acho. Porque querem o meu bem, porque querem ajudar. Ou quando discutem comigo sobre a minha relação. Não está certo. É como querer entrar em porta trancada. É invasão de privacidade e é um acto feio, egoísta. 

Eu sou conservadora neste aspecto. Não na relação em si mas na partilha da relação. Aprendi que quanto menos andarmos a falar sobre detalhes e queixumes ou até mesmo de partes incrivelmente boas, menos as pessoas se metem. Eu detesto Sexo e a Cidade, acho uma série irritante mas o único episódio que consegui ver até ao fim foi precisamente o episódio em que elas dizem "Por muito amigas que sejam, as relações são as nossas relações. Eu e ele. E só nós é que sabemos" e é uma frase que deviam ter em conta (tanto para as suas próprias relações como para as relações dos outros). Eu definitivamente não meto a colher. Nem me sinto bem com isso.

PS.: Por favor não me venham falar dos casos de violência doméstica e do namorado que faz isto à namorada... Não é disso que me refiro - aliás, eu não considero estas situações uma relação -. Estou a falar de particularidades muito mais suaves e menos extremistas.

8 comentários:

  1. Tal e qual. Palmas para esta publicação!

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  2. (Tirando a parte da série. Apesar de não defender a maior parte das coisas e de não ter um grupo assim - que nem tenciono ter - gostei de me rir com as peripécias das amigas) (:

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  3. Concordo contigo! Sou um pouco como tu...

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  4. Gostei imenso desta publicação! Tens toda a razão, Inn. Eu cá acho que por vezes deixo que as pessoas se metam mais do que deviam... Mas vou ter mais cuidado!
    Beijinho*

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  5. Não podia concordar mais contigo!

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  6. Concordo plenamente com tudo o que acabaste de dizer e, aplico tudo isto na minha relação. Vários amigos meus, comentam o facto de partilhar muito pouco a minha relação. E ficam sempre espantados quando digo que o faço propositadamente. Não gosto de partilhar discussões, porque para me darem opiniões, já chega a minha e, para não dar abertura às pessoas para o fazerem, não partilho também - com muita pena por vezes - as alegrias.

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  7. ai estou como a Carolina, concordo contigo e evito mesmo fazê-lo a não ser que sinta desespero do lado de lá. mas Sex and city eu gostei :) não que me identifique, de todooo, mas achei divertida

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