domingo, 31 de agosto de 2014

FACULDADE || Porque é que gostas tanto da praxe?


É uma pergunta que eu sei que muita gente pode fazer dados os meus posts quando me refiro à mesma. Eu gostei de ser praxada e gosto da praxe, sinto a vida académica à minha maneira mas nem por sombras condeno quem não aderiu à praxe como muita gente. Aliás, penso que sou assim porque os meus Doutores e Veteranos ensinaram-me dessa maneira. Nenhum deles se ressentia ou humilhava ou tratava de forma diferente caloiros que não aderiram à praxe. Falavam com eles numa perspectiva de tentar convencê-los a aderir mas uma vez a resposta definitiva, nunca mais os chateavam com isso. E chegaram a ajudar muitos deles com materiais e trabalhos sem qualquer relação de praxe, portanto, acho que me passaram esses bons valores.

Eu concordo que a praxe não é a única e derradeira forma de integração. Se alguém vos diz tal coisa é mentira, eu aviso-vos. É óbvio que vocês conseguem integrar-se sem precisar de qualquer praxe. Quer dizer, vocês estão 12 anos da vossa vida a ir para a escola e a ter 1ºs dias de escola e a conhecer pessoas novas através da partilha de mesa, dos "olás", dos almoços na cantina tímidos e dos trabalhos de grupo e vão mesmo acreditar que agora que vão para a Faculdade é que esse típico jogo da integração e olás's muda por causa de uma praxe? Não sejam ingénuos.

Foi o que sempre disse antes até de ser caloira e é o que digo agora que sou amante fervorosa desta vida académica. A praxe não é a única forma de integração. Mas eu digo-vos o que me fez querer aderir à praxe o que me vez ir de calças velhas para o primeiro dia: a inovação.
Eu estive 12 anos da minha vida na típica integração de ir às aulas e ir conhecendo as pessoas e falar dos professores e do feedback das disciplinas. Já a conheço de ginjeira. Mas quando me apresentam uma forma alternativa de conhecer os colegas do meu ano e de outros anos, uma forma muito diferente, aliás, e que me promete divertir, porque não? Porque haveria de estar mais 3, 4 ou 5 anos a integrar-me da outra forma? Não.

Foi o que me fez querer experimentar a praxe. Fazer algo novo. E diverti-me como nunca, ainda me divirto, numa versão trajada. O que me faz pulsar nesta vida académica não é sujar os meus caloiros de farinha ou vê-los a encher. Não é sentir-me superior a eles. O que me faz gostar disto é que no 3º dia, quando dizemos que eles têm de ficar dois a dois ou três a três, eles já correm para as pessoas que conheceram. E os que não correm, depressa conhecem novas pessoas e se integram na ideia. É, nos jantares de curso, falar com alguém do 1º ano sabendo quem é essa pessoa. Eu sei o seu nome e ouvi dizer que é muito boa a x cadeira. E, se preciso, eu tenho confiança para confirmar e conversar com ela. É saber que o meu horizonte não é só a minha turma, é um curso inteiro (e outros, já que eu fui praxada por outro curso também).

O que me faz pulsar é saber que tenho os meus meninos, os meus eternos caloiros afilhados a aprender comigo como se curte a Faculdade. E crio laços de amizade que, se não estivesse na praxe, teria de fazer de outra forma, mais formal e tímida, que talvez não resultasse da mesma forma. É diferente e é único. É novo.


Eu sei que há praxe má e horrível. Não precisam ir mais longe, os escândalos todos que houve por causa da praxe de um dos grupos de praxe da minha faculdade (da qual não faço parte). É óbvio que há. Mas decidi ter a minha opinião sobre o assunto e gostei. Se me podia integrar com o pessoal que me integro agora mas sem a praxe? Com certeza. Se agora eu posso ter uma opinião real da praxe porque experimentei-a? Completamente!

É por isto que eu gosto tanto da praxe. A vossa missão é descobrirem o que vos faz ou não gostar da vossa praxe. Da vossa. Não da dos outros. 

6 comentários:

  1. este ano vou praxar, quero que se divirtam tanto como me diverti. tive dias menos bons, no inicio em que parece que levava um balde de água fria e gritos à mistura e ficava sem chão, sozinha numa nova cidade e trajados à volta, o primeiro impacto não foi agradável, mas não seria de qualquer maneira. agora até trajada já fiz bomba, adoro todas as pequenas partes da tradição, as músicas que se passam, os afilhados, as amizades que se têm para a vida. é li-ndo. andas em que universidade? :) na minha cidade universitária a praxe e a tradição envolvente é levada a sério e com paixão. não como noutros pseudo-sitios ahah

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  2. Adorei o blog! Vai-me dar jeito visto que vou ser caloira este ano, pelo menos espero. Segui, beijinhos :)

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  3. Gostei muito deste texto! Eu acho que todos devem experimentar a praxe, nem que seja só por uma vez... (:
    Beijinho*

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  4. Eu ainda nem sei se entrei - o que me está a por-me um bocado à toa na verdade -, mas se há coisa que me anda a incomodar é isso das praxes. Acredito que pode ser muito divertido, mas também acho que é preciso um pouco de sorte nas pessoas que te calham. No teu caso, dá a entender que tiveste, noutros... bem nem tanto.

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  5. Achas que, de alguma forma, pode haver discriminação na faculdade por um aluno entrar com 23 anos? Tenho receio de ser olhada de lado por entrar mais tarde que os outros, ou que, de alguma forma, a praxe seja diferente para mim do que para os outros.

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  6. Anónimo, de experiência pessoal, a mais nova do meu grupo de amigos da Faculdade - onde somos todos do mesmo ano académico - sou eu (19). Uma das minhas amigas tem 22 anos e ainda nem a meio do curso vai.

    A vantagem da Faculdade é esta diferença de gerações. O mais provável será encontrares na tua turma muitos colegas ainda mais velhos que tu e outros mais novinhos. Não costuma haver esse tipo de julgamentos até porque é algo muito natural e acredito até que é uma perspectiva divertida fazeres amigos bem mais velhos ou mais novos que tu. A pessoa mais velha que praxei tinha 28 anos e estivemos completamente à vontade porque a pessoa assim nos fez sentir. O meu conselho é que, independentemente do que te estou a escrever borrifes para isso. És a idade que quiseres e divertes-te o quanto quiseres. O resto é toppings no Sunday! :)

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