quinta-feira, 17 de julho de 2014

FACULDADE || 2 anos


Há quase 2 escolhi a Lusófona e não passei por todo o nervosismo de resultados porque automaticamente decidi qual era a minha casa. Assim que lá entrei, na esplanada em pleno Julho onde estavam sentados rapazes bem mais velhos que eu e onde eu pensei que era como uma miúda de 5 anos a matricular-se para o 12º ano. Mas tudo foi fantástico. Esperei pela senha de candidatura sentada numa mesa de uma esplanada que nem imaginava que ia ser o lugar onde ia comer que nem uma lorde (um lorde mesmo e não a cantora), onde ia ter aqueles cafézinhos fabulosos e onde ia rever umas páginas a 10 minutos antes da frequência e dizer "porra que não sei nada!". 

Nem cinco minutos depois o grupo de rapazes estava comigo a fazer tempo na espera e a fazer piadas sobre a Faculdade, sobre o Relvas e onde no meio do grupo estava um professor a tomar um café com os seus estudantes já de férias. Eu pensei "Que louco, que diferente. Eu quero isto."

Há dois anos que acordo de madrugada para viver um sonho difícil, mas possível, que adoro. Há dois anos meti um penico na cabeça desprovida de preconceito, desprovida de medo da praxe porque eu aceito fazer o que quero fazer e a liberdade não me tiram, mas se é para me divertir então que seja a mais divertida deste grupo. Há dois anos viram-me pela primeira vez e disseram que parecia uma menina na missa a cantar. No Enterro eu lembrava-me como ninguém de todas as letras das músicas. Há dois anos que compro cadernos e canetas e oiço, oiço, oiço, escrevo, escrevo, escrevo e depois pergunto "qual foi a última frase?" e depois olho para o power point. Há dois anos que pergunto onde é a sala da frequência e visto a bata branca para entrar nos departamentos onde há cheiro a éter e muitos químicos para explodir. Há dois anos que saio dos laboratórios na companhia dos gatos pretos que os de veterinária vão cuidando que ficam lá estendidos à varanda, à minha espera, e me acompanham até à porta da Faculdade.

Há dois anos que tenho a textura da capa nas mãos, a colher na gravata, o curso na alma e os meus Padrinhos no coração. Há um ano que digo para os caloiros não me olharem nos olhos mas gritarem pelo curso como se a voz não bastasse. Há que gritar com a alma. 
Há dois anos que resmungo sobre cadeiras chatas e fico com os olhos a brilhar com outras. Que não falto a nenhuma aula e fico embevecida com as palavras do professor e as que faço gazeta para beber um refresco no Xiri e rever matéria para o teste prático do dia seguinte. 

Há dois anos que estou na Faculdade e sinto que passou a voar. Ainda ontem eu estava a ter uma aula de Biologia e Geologia no Secundário, com campainhas irritantes e já em Outubro estarei no meu penúltimo ano de Licenciatura. Ainda ontem estávamos todos a perguntar o que íamos fazer agora e para que curso íamos e hoje já sei que vou ter grandes companheiraços como Finalistas e onde vou ter de escrever uma fita que é curta para todos estes anos que nos abraçam e nos definem. Palavras não chegam.

Há dois anos que escolhi o Amarelo e o Verde. Que fui a palestras, que conheci a Bastonária, que conheci a Ordem, que conheci Nutricionistas. Há dois anos que vivo esta vida em que nada é ligeiro, nada é suave e tudo é intenso, sofrido, gratificante e que vem da minha persistência. É muito e já estou a meio da maratona, sem sequer me dar conta. Há dois anos que conheci amigas e amigos que guardo com um carinho desmedido, que partilham o mesmo sonho que eu, os mesmos trabalhos, os mesmos segredos e as mesmas gargalhadas e esplanadas.

Estou abismada com o tempo. E isso fez-se sentir na pele quando hoje me inscrevi para o 3º ano. Eu já posso dizer que vou para o 3º ano de Faculdade mas ainda nem sequer curei a ressaca do 1º. Acho que nunca a irei curar, sinceramente. Não há tempo e há tanto para viver. Há tantos testes para passar, tantas cadeiras para fazer, tantos professores para resmungar, tantas noites por viver, tantas canetas por gastar, tantos cadernos por acabar, tantas directas por sofrer, tanta praxe por fazer, tanto grito de curso por gritar, tanto despique por ganhar, tantas canções por cantar, tantos Afilhados por acarinhar, tantos emblemas por receber, tanto traje por vestir, tanta capa por traçar, tanta SAL por curtir, tantas lágrimas por cair, tantos trabalhos por fazer, tantas pessoas por conhecer. Ainda há tanto por viver.


P.S.: Quero aqui dizer-vos também que fiz 2 anos de Faculdade com cadeiras feitas sem consumo de álcool, drogas e... Café! Sim, é possível fazer directas sem café. Julgo ser a estudante mais limpa de Lisboa.

13 comentários:

  1. Em relação ao teu p.s. - somos duas! Nem uma gotinha disso no meu sistema :D

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  2. Porque não quiseste ficar no Porto, por alguma razão especial? :)

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  3. Porque a minha casa é beeem mais perto de Lisboa, tenho mais afinidade para Lisboa que Porto e porque gostei mais das condições da Lusófona, mesmo que tenha ficado com aquela reputação, é uma excelente Universidade e está a preparar-me bem :)

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  4. E eu posso dizer que em 5 anos de faculdade também não toquei em nada disso... nem em 24 anos de existência. Estás num bom caminho querida!

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  5. Isso é ótimo :) Olha uma questão, porque é que os caloiros não te podem olhar nos olhos? Fiquei curiosa.

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  6. adorei o texto!
    já agora, porque te candidataste ao porto se acabaste por não querer ficar cá?

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  7. Eu toquei em café, mas só de quando em vez. Estou perdoada? :p Se ainda há muito por viver... Continua a fazê-lo! :D
    Beijinho*

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  8. Ha 2 anos que vivo e sinto tudo isso, ha 2 anos que estou a viver os melhores anos da minha vida. Ha 2 anos que o sonho de ser nutricionista se aproxima ;)

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  9. És um exemplo a seguir!
    Já somos duas, nem café! :) *

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  10. Sempre fui uma fá de café, mas pelo gosto, e não pela necessidade de ficar acordar para directas! :)
    Fizeste uma boa escolha em ficar perto de casa, o dinheiro que irias gastar não era compensatório, e o apoio da família é essencial! Motivação para o ano que ai vem, e aproveita ao máximo, pois, como sabes, passa a correr!

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