terça-feira, 3 de junho de 2014

Não Há Almoços Grátis


O meu pai já me deu muitos e bons conselhos, especialmente porque ele nunca me tratou como a princesinha com menos de 50 kg que não se sabe defender e que é ingénua no mundo e que vê o mundo a cor-de-rosa e a simpatia. Eu não sou a menininha dos seus olhos, eu sou a filha mulher de que ele se orgulha. Ele nunca teve uma abordagem de "menininha" comigo mas sim de uma mulher que não precisa de depender de nada nem de pensar as coisas erradas para se chegar à frente. Ensinou-me (ou levou-me a quem me ensinar) a saber dar uma sova sem despentear uma madeixa do meu cabelo à "vítima" que me tentar roubar a carteira e ao paspalhão que achar esperto agarrar-me pela cintura contra minha permissão. Ensinou-me também a dar a voz pelas minhas ideias mas o seu verdadeiro conselho, o que mais sentido fez para mim, foi este: Nunca, em circunstância alguma, há almoços grátis.

Um almoço grátis significa que vai haver um pagamento, seja ele qual e como for, da entidade que não o pagou. Um almoço de negócios em que quem te convidou paga a conta pressupõe que tu vais pagar com o teu trabalho e suor, com a aceitação de uma parceria, com uma transferência. Um jantar com a pessoa por quem o teu coração bate mais forte e que tem o cavalheirismo de te pagar a conta pressupõe que vás pagar com o teu tempo, com um beijo ou, quem sabe se ele for sortudo, com uma cama partilhada.

Não há almoços grátis. Isso encaminha-nos para as boas vontades. Não é inteligente esperar a boa fé de toda a gente, embora eu espere, de carteira bem segura e passo atrás. Eu posso acreditar em boa fé mas também tenho o direito em acreditar em quem me quer passar uma rasteira. Um crédito não anula o outro. 

Pelo sim, pelo não, eu pago a minha conta. Eu faço guerra aberta com o cavalheiro que quer pagar a minha imensa travessa de comida que decidi degustar porque posso. Não há almoços grátis e, sabendo que vou ter de pagar, prefiro ser eu a escolher de que forma pago o que compro.

11 comentários:

  1. Também houve alguém que me ensinou a mesma coisa, exactamente com essas palavras. E eu tenho a mesma posição que tu nesse tipo de coisas.

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  2. "Não há almoços grátis e, sabendo que vou ter de pagar, prefiro ser eu a escolher de que forma pago o que compro." Nunca tinha pensado nas coisas desta forma :o

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  3. Eu gosto dessa perspectiva e uso-o na minha vida

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  4. Concordo plenamente. Não há, de todo, almoços grátis.

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  5. Engraçado que nunca ninguém me deu essa lição. Se calhar porque é uma coisa que se espera com o tempo perceber. Mas é uma prespectiva muito realista, sem dúvida.

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  6. Falando no caso especial de almoço não-casual homem-mulher, é uma questão cultural/histórica, nada mais do que isso. Mesmo sem intenção "real" de o fazer, acho fica sempre bem o gesto de querer pagar(convém não levar dinheiro à conta, caso ela aceite a boa vontade!).

    Há excepções onde os almoços grátis se aplicam, dou-te o exemplo de um rapaz pobre em que os amigos, sabendo da sua situação, faziam questão de lhe pagar o jantar só para ele poder estar na companhia dos amigos, de outra forma não seria possível. ;)

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  7. Nessa perspectiva aplica-se, não levei o teu texto tão fundo.

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  8. É uma boa forma de pensar, sim senhora!*

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  9. Muito, muito bom! A verdade é que aprendo muitas coisas aqui...

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