sexta-feira, 14 de março de 2014

BOBBY PINS || Outra face (não necessariamente da moeda)

Nunca me senti uma verdadeira anónima da blogosfera. Nunca neguei a ninguém que tinha um blog - mas também não o andava a divulgar nos mil recantos do mundo -, nunca me censurei a visitar a página ou escrever um post por ter mais pessoas ao meu lado, ou família, ou colegas. A única coisa que realmente faltava era verem-me o rosto.

Na verdade, eu não considero ninguém aqui na blogosfera um anónimo. Anónimos, para mim, são aqueles que comentam sem nome, sem identidade, uma pergunta, uma critica, um elogio, e nem nome deixam. Isso é um verdadeiro anónimo. Mas nós não somos assim: nós abrimos a alma às nossas ambições e paixões, nós revelamos os nossos melhores segredos, nós partilhamos as preocupações, desde as pequenas moínhas na cabeça até os dilemas insolúveis. Isso, portanto, não faz de nós anónimos, faz de nós humanos.

Porque um dos maiores receios de quem é anónimo é o medo de que alguém leia o seu blogue. Alguém que conheçam e que saibam que estão expostos. Alguém que não conhecem tão bem mas que segue as suas palavras ao minuto. E que têm medo que as pessoas de facto saibam que neste dia estão felizes, ou que revelam uma grande desilusão, ou que estão tristes com algum momento seu ou que estão apaixonados. Parece que têm medo que as pessoas saibam que sentem. Que sentem tudo e mais alguma coisa, uma paleta de expressões e sentimentos que expuseram. "Eu não fazia ideia de que a X se sentia daquela forma" é mentira. O que ela quer dizer é "Eu não fazia ideia de que a X podia sentir isto sequer. Ela nunca o revelou cá fora". E temos de sentir o que está enquadrado no nosso ambiente. Se estivermos felizes quando toda a gente está triste, algo se passa. E é por isso que valorizamos tanto o anonimato.

Eu nunca senti este receio e, por isso, tão fácil foi para mim sair dele como também foi fácil perceber que era ridículo em manter-me assim. Não julgo quem seja ou tivesse sido anónimo, respeito com toda a postura, mas julgo-me a mim por me ter mantido. Não fazia sentido. Aquilo que sou no blogue é o que sou fora dele, cada átomo de mim. As mesmas ambições, as mesmas paixões, as mesmas opiniões. Continuo a gostar das mesmas cores cá fora.

Sempre dei a cara e assumi a responsabilidade por todas as minhas decisões e opiniões. Nunca me escondi para as dizer, nunca me senti mal por as dizer. E, por isso, sei que nunca me irei sentir mal também se alguém que conheço (seja de que forma for) leia as minhas opiniões, as minhas paixões, quer concorde ou não. Eu assumo-as, argumento-as se exigirem muito. 

O meu objectivo desde sempre quando criei um blogue foi poder criar um caminho feliz nele. Criar um sítio onde me sentisse feliz em aqui estar e partilhar os meus pensamentos. Raramente (muito raramente) foquei o meu blogue com post de raiva e ódio pelo outros, ou descrevi uma inteira desilusão com outra pessoa, ou exortei as minhas tristezas para a rede. Quanto muito falei sobre cansaço, sobre saudade, mas nunca sobre ódio, sobre não gostar de alguém, sobre não ter achado este dia fabuloso. Mesmo que seja bom transpor as emoções para as ver de uma perspectiva exterior, não era o que queria. Queria um blogue em que entrasse e pensasse "o meu dia valeu a pena por ter lido isto". Algo que fizesse rir, pensar, imaginar. E, também por isso, não me custou nada sair do anonimato. Tenho muitos dias chatos, muitas pessoas com quem choco e algumas desilusões. Mas o meu blogue não é o espaço de manifesto e continuo a achar que, a desentendimento haver, eu resolvo com a própria pessoa. Só ela é que deve saber como me sinto em relação a isso. E quero manter esta minha teoria.

Dos meus dois Teoremas mais o Bobby Pins, este é aquele que mais me tem deixado feliz e tem sido o meu favorito. Apesar de os Teoremas que pelas minhas mãos passaram conterem inúmeros momentos muito felizes da minha vida, sinto que o Bobby Pins é finalmente o meu espelho completo, o sítio onde eu verdadeiramente acredito que vou ser feliz e encontrar coisas felizes. É o que sou, com uma face, sem deixar de ser fiel a mim mesma. Quem me conhecer e encontrar este canto, pensará "isto é a Inês, sem tirar nem pôr. Estou a imaginá-la dizer isto" e quem não me conhecer, lá terá oportunidade para o fazer. E quem "cuscar" sem saber o meu blogue? Estará à vontade, porque não posso fugir ao que acredito.

Não acho que saber os rostos dos outros ou a cor do cabelo e dos olhos faz a diferença na qualidade ou na presença de personalidade de um blogue - nem é isso que queria mostrar neste post -. Para mim, são pormenores quase irrelevantes. Mas saber que posso agora operar o Bobby de forma a que faça parte de mim dá-me uma outra liberdade que me traz conforto, descontracção e alegria em escrever. De uma forma muito resumida, é apenas uma vantagem pessoal. 

Estou muito satisfeita com este blogue à medida que o tenho escrito e também muito satisfeita por vos dizer quem sou, Inês, mesmo que alguns já o soubessem (porque, lá está, eu nunca fui uma anónima de gema) e espero que vocês também consigam ver a alegria que exteriorizo aqui através das minhas palavras. Tenha eu os meus olhos verdes ou não!

12 comentários:

  1. Adorei este post. Li-o todo sem passar uma única palavra. E acredita que é preciso muito para me pôr a ler um post desta dimensão. Obrigada por seres quem és e por te manteres verdadeira ti mesma. És sem dúvida uma grande blogger mas também uma grande pessoa. Mantém-se assim, Inês.

    P.s. És tão linda que nem sei.

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  2. Resp: Não tens de quê! Disse-o com sinceridade! <3

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  3. Foi o melhor post que li até hoje. Conseguiste traduzir tudo aquilo que senti quando decidi que o anonimato não era o formato ideal de blog que tinha na minha cabeça.
    Recentemente, também me identifiquei e resolvi eliminar o blog em que era anónima.
    Por incrível que pareça, a nossa maneira de pensar é muuuuito semelhante e, como se não bastasse, temos o mesmo nome!
    Uma amiga minha viu este texto e mandou-mo porque achou que tinha tudo a ver comigo. E assim, fiquei a conhecer este blog e a segui-lo, claro!
    Parabéns pelo magnífico texto Inês :)*

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  4. Esquece, és fantástica :D
    Adoro a forma de como escreves! És tão linda *-*

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  5. Tu és tão fantástica que haveria de ter que te inventar uma palavra, uma só para ti, para te descrever! É isto!
    És linda!

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  6. Obrigada, mas é verdade o que eu disse!
    Bem que preciso de toda a força do mundo, há dias muito estranhos, à falta de melhor palavra.

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  7. Adorei este post. Revi-me em cada palavra. Nunca fui um anónimo completo, mas acho que ainda não o deixei de ser.
    Conhecem-me as palavras, as opiniões e momentos. Pouco conhecem da minha cara, mas será isso essencial?

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  8. Admiro essa tua forma de pensar. Quem me dera poder sentir o mesmo em relação ao anonimato, mas não sinto. Talvez um dia mais tarde o revele, mas não agora.

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  9. Acho que fazes muito bem e se te sente feliz com isso, excelente! :D
    Muitos beijinhos *

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  10. Eu também estou muito satisfeita com o percurso do meu blogue. Sou "anónima" e não digo às pessoas que conheço que tenho um blogue. Onde vivo, as pessoas conhecem ser muito maldosas e podem gozar bastante. Não quero isso.

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  11. Ohhh, agora é que tu disseste tudo... Cada blog revela os nossos "átomos", sempre de forma diferente :) também nunca fui anônima a 100%, só evito revelar alguns detalhes que não acho que sejam necessários. Gosto imenso deste teu novo projecto. Continua, boa sorte :)

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