segunda-feira, 13 de agosto de 2018

BODY TALK || Nivea After Sun


Uma vez que sou fiel, há alguns anos, ao protector solar Protect & Bronze, da Nivea, e que tinha de renovar o meu after sun, decidi aproveitar a ocasião e experimentar a oferta da mesma gama. A promessa é de hidratar a pele e prolongar o bronzeado através do extracto natural de pró-melanina.

Em relação aos efeitos sob o bronzeado em si, nunca é o meu factor de exigência no que toca à eficácia de um after sun, especialmente porque tenho esta pele de lula albina que pouca ou nenhuma diferença tem do Inverno para o Verão. Mas procuro sempre um creme que eu saiba que actua em pleno na minha pele e que cuida após a exposição solar, especialmente porque tenho a pele muito clarinha e com tendência para ganhar sardas e sinais — o que me faz redobrar os cuidados.

Não estarei a exagerar quando vos digo que nunca senti a minha pele como a tenho agora, na vida. Nunca pensei que conseguisse sentir a minha pele sedosa e aveludada em todo o meu corpo — especialmente nas pernas, uma região que fica sempre muito seca e que tenho imensa dificuldade em hidratar. Nenhum outro produto conseguiu este resultado (e eu ainda sou fiel ao creme de duche e já experimentei várias manteigas corporais) e estou totalmente rendida e conquistada. Dá gosto de tocar na minha pele e isso faz com que me sinta, por consequência, mais bonita e saudável. Se prolongar o bronzeado, será apenas um bónus fantástico!

Estou tão contente com esta aquisição que me sinto tentada até a usá-lo no Inverno. Confesso que o perfume do creme clássico da Nivea nunca me conquistou, mas este tem um cheiro subtil, agradável e que desaparece ao fim de algum tempo. Estou agradavelmente surpreendida com este after sun e, estando nós no pico do Verão, não podia deixar de vos recomendar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

TELEVISÃO || Say Yes to the Dress


Num universo onde me sinto sempre a leste — como o dos reality shows, dos quais não acho piada a nenhum —, confesso que o caso muda de figura quando se trata de Say Yes to the Dress. O único programa de tv que, se apanho, faço questão de ficar colada ao ecrã e não perder absolutamente nada — e se estiver no meu melhor pijama, com uma pizza e alguém com quem comentar os vestidos, melhor!

O programa acompanha a demanda de maior importância para a noiva, no seu casamento: encontrar o vestido ideal. E na loja de vestidos de noiva Kleinfeld, tudo parece perfeito: a iluminação, a decoração, os assistentes e, claro, os vestidos!
Entre provas, os testemunhos das histórias de amor, os desafios, os toques de humor — como não adorar o Randy?? — e os designs que vão passando, este é o único programa de reality show que realmente me deixa encantada e feliz por acompanhar, o que não deixa de ter o seu toque de ironia, visto que nunca na vida tive o sonho de me casar.

Termino sempre os episódios derretida, inspirada entre os milhares de vestidos e com a sensação de uns minutos bem passados. É aquele programa leve, despreocupado e querido que sabe absurdamente bem a uma noite de domingo. Um último segredo? Às vezes, emociono-me com as noivas.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

1+3 || Coragem


A coragem é, talvez, um dos traços mais íntimos e pessoais que carregamos connosco. A nossa coragem tem muito pouco de social, interactiva ou com o objectivo de entregar algo aos outros. Pode fazê-lo indirectamente ou como consequência, mas a coragem é pessoal. Visceral. Uma impressão digital interna que espelha muito bem do que somos capazes.

É algo que carregamos cá dentro e que só nós conseguimos explicar ao certo por que existe numas situações e não noutras. Coragem para aguentar numas ocasiões e a coragem de admitir a derrota noutras. Coragem para abrir o coração a alguém quando não a tivemos para outras pessoas da nossa vida. Coragem para nos posicionarmos ou para sabermos que o silêncio é mais eficiente que a voz. Coragem para seguir sonhos. Ir contra a corrente. Superar medos. Viver depois da morte, da separação, do abandono, do coração partido. Ou para ser feliz.

Eu sempre encontrei coragem dentro de mim quando me vi a viver uma situação que jurava a pés juntos que jamais seria capaz de viver. Quando achava que não tinha estrutura para aguentar. Mas também há coragem nas pequenas coisas. E é por isso que a coragem é nossa e não é palpável, definível, quantificável, exemplificativa. Porque o que é coragem para mim, pode não ser para outra pessoa. Mas exigiu dentro de mim uma força, uma ordem, uma energia que não nasce em qualquer situação. E isso faz de mim uma corajosa. Faz de todos nós, aliás.

De uma forma ou de outra, todos temos dentro de nós um toque de bravura que nos leva a dar o passo em frente que nunca julgávamos conseguir dar. E quase que nos olhamos de fora a dá-lo, como se não estivéssemos a reconhecer a pessoa que o está a dar. Nunca o sentimos na pele, estamos sempre de fora do nosso corpo. E faz um certo sentido. Quando temos um momento de coragem, abandonamos o corpo da pessoa que dizia que jamais conseguiria ultrapassar esse obstáculo e, qual fénix, renascemos para sermos alguém com mais bagagem nas costas e mais bravura nos ossos. Porque nos identificamos muito mais com esse novo 'eu' do que com o que deixámos para trás, sem ressentimentos. O que faz de nós corajosos é diferente de pessoa para pessoa. Mas é importante que todos a tenhamos. Porque significa que estamos vivos, aqui, e que queremos aqui estar com toda a força, todo o espírito, toda a identidade e toda a alma que, essa sim, convive connosco desde que observámos o mundo pela primeira vez.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

LIVROS || Travessuras da Menina Má


Embora já tenha lido alguns autores sul americanos, senti que estava em certa falta para com a literatura latina, pelo que decidi reintroduzir-me através do Nobel da Literatura de 2010, Mario Vargas Llosa: Travessuras da Menina Má.

Esta é uma história de amor — se é que lhe poderemos chamar assim, fica ao critério de cada leitor — totalmente invulgar e onde os clichés não moram. Ricardo, um peruano sensível e romântico vê-se apaixonado desde a sua infância pela, carinhosamente apelidada (embora não o pareça), menina má, uma rapariga desapegada, ambiciosa e inquieta. O sonho da vida de Ricardo sempre foi muito singelo: conquistar a menina má e viver toda a vida em Paris. Um deles, consegue obter muito depressa.

Travessuras da Menina Má é uma história de desencontros e tem uma leitura que, embora muito acessível, tem um tom pesado e bastante gráfico em certos temas que aborda. É uma leitura que não deixa ninguém indiferente. Todos nós teremos uma opinião ou sensação em relação à história de Ricardo com a menina má: angústia e esperança; empatia e fúria; frustração e compaixão; impaciência e tristeza. Todos ao mesmo tempo.

Além do evidente romance, existem outros dois pormenores que tornam a leitura deste livro tão interessante: as diferentes épocas e os contextos geográficos. Esta história passa-se numa altura muito volátil do mundo, que estava em constante actualização de confrontos, ideologias políticas, filosóficas e sociais. É também uma narrativa que se passa em diferentes lugares do mundo, pelo que as descrições são sempre deliciosas para quem ama atravessar fronteiras — e, aliadas ao contexto histórico, tornam-se ainda mais incríveis.

De previsível tem muito pouco, embora a leitura faça criar sobre nós uma ansiedade de sabermos sempre como vai terminar e de torcermos para que nunca termine assim. O final, confesso, surpreendeu-me. As personagens têm uma construção muito profunda e sensível que me conquistou desde a primeira página. Se procuram um livro para se introduzirem na literatura latina, este é uma boa estreia. Uma história que irei recordar para sempre.

Autor: Mario Vargas Llosa
Número de Páginas: 373
Disponível na WOOK (ao comprares o livro através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins).

domingo, 5 de agosto de 2018

APP || SLOWLY


Quem chegou a ter pen pals? Na minha escola secundária, existia até um clube que acabou por perder a força e encerrar. Para quê perder tempo a escrever cartas quando as novas tecnologias e formas de comunicação fervilhavam, como o MSN, o Hi5, o Facebook? Até com um e-mail conseguíamos obter as respostas mais depressa.

Curioso como essa mesma tecnologia fez os pen pals regressar. SLOWLY é, possivelmente, a app mais original que já conheci: dá-vos a possibilidade de se comunicarem com qualquer pessoa do mundo, sendo que as vossas mensagens têm um tempo de envio e de chegada semelhantes aos dos correios: quanto maior a distância entre vocês, maior o tempo entre correspondência.

No vosso perfil, podem filtrar várias informações e gerir a vossa privacidade, mas há dados que são acessíveis a qualquer perfil e que são-vos solicitados que preencham no momento de inscrição, tais como o vosso país, os temas com os quais têm mais interesse em falar — animais, escrita, fotografia, viagens, filmes, política, saúde (...) — e as línguas com que gostariam de se comunicar, sendo que em cada uma delas podem também atribuir um nível de compreensão. Por exemplo, no meu caso seleccionei o português e o inglês como língua nativa e fluente, respectivamente, e o alemão como interessada/iniciada, uma vez que já só me faltam dois módulos para terminar o curso no Duolingo e gostaria de colocar mais em prática os meus conhecimentos.

Podem seleccionar com quem se querem comunicar ou permitir que o SLOWLY faça um auto-match, cruzando os dados de temas e línguas que têm em comum. A app informa o tempo estimado entre cada correspondência e ainda têm uma página de 'troféus' que, neste caso, são selos, onde podem coleccionar selos dos países onde trocaram correspondência. Podem até acabar por comunicar com alguém do vosso próprio país. No momento em que vos escrevo, troco correspondência na Turquia e na Índia e o que dá mais graça é que os meus pen pals correspondem ao que é esperado num pen pal, sem interesses manhosos nem arruinando a piada nem a ideia. Tem sido absolutamente enriquecedor e divertido!

Substitui o prazer do envelope físico com a carta, a caligrafia única e a ideia de que íamos ter correspondência à nossa espera? Não. Mas a aplicação traz de volta um conceito que sempre achei incrível e que não tinha sobrevivido à adaptação tecnológica até então: a ideia de conhecer pessoas diferentes, de culturas diferentes e trocar experiências e ideias a partir dessa diferença. A aplicação é gratuita e está disponível para iOS e Android. Escusado será dizer que estou fã! Já conheciam a app? E com que países já trocaram correspondência? Quem sabe se não troco, um dia, uma carta digital convosco!

PASSAPORTE || Quinta do Pisão


Uma vez que já conheço Sintra na palma da mão, é sempre refrescante e incrível quando conseguimos descobrir novos lugares para explorar e que, surpreendentemente, são de entrada gratuita. 
Na verdade, a Quinta do Pisão está localizada mais para os lados de Cascais, mas é inegável que é a Serra de Sintra que dá forma à paisagem maravilhosa que a quinta gigantesca proporciona.





Esta pérola natural é, na verdade, um complexo gigantesco onde se podem demorar horas sem nunca chegarem a explorar todos os lugares. Encaixada num vale, na Quinta do Pisão podem fazer piqueniques à sombra das árvores, dar festinhas aos equídeos que passeiam pelo centro de recuperação e pelos estábulos, conhecer hortas biológicas, dar caminhadas na terra batida e deslumbrarem-se com a vista, explorar as grutas escondidas e assombradas que aparecem pelo caminho e aprender mais sobre a fauna e a flora através das placas informativas e do centro de interpretação ambiental. Nele, encontram também um enorme terraço onde podem organizar as vossas festas.




Talvez não saibam, mas tenho uma enorme perdição por cavalos. É um dos meus animais preferidos, portando, fui tremendamente feliz a passear pelas sombrinhas das árvores, explorar a mata e dar carinhos ocasiões nos cavalos e burros que encontrava. Não conseguimos conhecer toda a área — como referi, é bastante extensa —, mas fiquei com uma enorme vontade de regressar, especialmente porque é um lugar ainda muito pouco conhecido e, por isso, com pouca afluência, onde podem apreciar a Natureza de forma orgânica e sossegada. A Quinta do Pisão está aberta todos os dias, 24 horas e recomendo que levem calçado fechado.

sábado, 4 de agosto de 2018

EVENTOS || Concerto Carolina Deslandes 2018


Depois da barriga cheia que foi 2017, não tinha concertos previstos para este ano, pelo que foi uma agradável surpresa ver-me, a 20 minutos de começar, a dirigir ao palco do Forum Summer Sounds, um evento promovido pela RFM e pelos Fóruns Sintra e Montijo onde cada dia era dedicado a um convidado musical, com entrada gratuita. Achei que esta era a oportunidade perfeita para finalmente assistir ao vivo a Carolina Deslandes.

Com uma decoração de palco minimalista e florida, a Carolina surgiu em palco aos som dos acordes de 'A Miúda Gosta' — uma das minhas, senão a favorita do álbum —, com um vestido florido, uma barriguita feliz e desmaquilhada. Confessou-nos que este era o primeiro concerto onde se sentiu suficientemente confiante para se apresentar a nós de rosto natural. E sentiu-se também à vontade connosco para cantar para nós uma música que já tinha retirado do repertório dos seus concertos: 'Heaven'.

Com uma banda fantástica cheia de jazz e com a sua voz delicada e característica, todos nós fomos cantando as suas músicas. Nas pausas, contava-nos histórias e curiosidades sobre as suas canções ou concertos, respondia com ternura às crianças que gritavam pelo seu nome e devolvia sempre os 'olás' que escutava perdidos na multidão. Foi um momento tão quentinho, tão bonito e tão adorável que temos vontade de guardar numa caixa para que nunca se perca.

Pude cantar as minhas músicas preferidas, emocionar-me e rir-me com ela, dançar e desfrutar de um concerto que efectivamente nos deixa felizes e entretém. É impossível sair de lá sem um sorriso escancarado no rosto e de alma quentinha. O seu concerto envolve tanta ternura e musicalidade que se torna memorável e cheio de qualidade. Fazia parte dos meus planos assistir a um concerto dela e não estava à espera que acontecesse tão cedo. Fico feliz por não ter deixado escapar esta oportunidade. Não deixem a vossa escapar também.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018



Tempo...! Tempo, tempo, tempo! Esta foi a palavra de ordem de Julho. Depois de uma temporada caótica, Julho presenteou-me com alguma calmaria e sossego que eu, evidentemente, logo me lambuzei para aproveitar. Com um tempo ora chocho, ora dos deuses, a agenda não esteve mais vazia, é certo, mas também esteve mais preenchida com coisas que me fazem (ainda) mais feliz! Oh, Julho, foste tão bom...!

terça-feira, 31 de julho de 2018

PASSAPORTE || Dicas e Factos Sobre a Noruega (parte II)


1. Se são estudantes — ou têm o vosso cartão de estudante ainda convosco — façam questão de o levar. Uma vez que praticamente todos os museus são pagos, o preçário é variado e faz algum desconto a estudantes. A carteira não vai deixar de ficar zangada, mas poupam alguns trocos significativos.


2. O mar nórdico é tão frio que, se mergulharem ou caírem na água, estima-se, em média, que só tenham dois minutos para conseguirem nadar. Sem treino ou preparação o vosso corpo vai começar a congelar e entram rapidamente num estado de hipotermia. No entanto, o nosso piloto do passeio pelos Fiordes contou que tinha visto uma corajosa surfista a surfar pelas praias de Tromsø em biquíni. Aguentou 15 minutos!!

3. Para encorajar a participação paterna nos cuidados dos filhos recém-nascidos, o governo norueguês concede uma licença de paternidade de 10 semanas. 90% dos homens usufruem dessa licença e por isso torna-se muito típico observarem pais sozinhos com os filhotes nos seus carrinhos.


4. Os preços na Noruega conseguem ser tão exorbitantes que muitos noruegueses atravessam a fronteira até à Suécia para fazerem compras. 

5. Munch não foi a única herança do país no que toca à cultura. Edvard Grieg  foi um compositor muito famoso que também nasceu no país. O nome até pode não vos dizer nada e a música clássica pode nem sequer ser o vosso género de eleição, mas esta música e esta música são-vos, com certeza, mais do que familiares. Já sabem: têm origem na Noruega e nasceram deste compositor.


6. Se têm planeada uma viagem para Tromsø, tenham em conta que os voos atrasam sempre. Não está ligado a um qualquer tipo de incompetência da companhia para respeitar horas mas sim pela localização da cidade. Tromsø faz parte da região árctica e as condições meteorológicas são, quase sempre, desagradáveis. Além disso, a trajectória de voo passa entre as montanhas, pelo que toda a precaução é necessária. No nosso caso, tivemos todo o cuidado de não encavalitar os voos de Tromsø e de Oslo para horas muito próximas e foi a melhor jogada.

7. A Noruega tem uma ilha chamada Bastoey que é, na verdade, uma prisão. Os condenados estão livres de circular pela ilha.

8. A universidade mais a Norte do mundo é a Universidade de Tromsø.


9. Existe uma cidade árctica chamada Longyearbyen onde é ilegal morrer. Não, não é o livro do Saramago, prometo, mas tem algumas semelhanças. Por estar numa região tão fria, os corpos congelam e conservam, em vez de entrarem no seu processo natural de decomposição, tornando-se impossível realizar rituais como um enterro. Por essa razão, a cidade não aceita mais corpos. Quem se encontra numa fase terminal ou na recta final da vida é encaminhado para outra cidade da Noruega e é enterrado lá. Creeeeeepy!


10. Quando caminharem pela cidade — tanto em Oslo como em Tromsø — vale a pena olhar para o chão também. No passeio, e em frente a algumas fachadas de casas, vão encontrar pequenas placas metálicas quadradas. Essas placas identificam que, na fachada onde se localizam, morou alguém que, durante a Segunda Guerra Mundial, foi enviado para campos de concentração. A Noruega foi um dos países ocupados pelos Nazis e muitos judeus e opositores políticos foram enviados para os campos, a maioria para Auschwitz. As placas têm o nome, data de nascimento, data de óbito e ano em que a pessoa foi enviada para o campo de concentração. Cada vez que chegava a uma rua e encontrava as plaquinhas brilhantes no passeio, sentia um murro no estômago. Não dava para evitar fazer as contas e pensar no pouco tempo de vida que a maior parte destas vítimas tiveram — e quantos desses anos foram de sofrimento e tortura. Não olhava para as fachadas da mesma maneira e, de repente, as casas ganhavam um peso incomportável. Cruzei cada placa com muito respeito e com a sensação de ser privilegiada.


11. Uma das coisas que mais vão notar em Tromsø é que as estradas são estranhamente calmas. Tirando alguns transportes e carros ocasionais, não há transito e as estradas estão praticamente vazias. A razão é muito simples: a cidade está repleta de estradas subterrâneas que os locais preferem. Os limites de velocidade são maiores — tal e qual uma autoestrada, uma vez que não existem transeuntes — e funciona exactamente como as estradas de uma cidade normal, com rotundas, cruzamentos e semáforos. Mas subterrâneo. Achei este facto curiosíssimo e diverti-me imenso quando conduzimos por lá. A entrada nas estradas subterrâneas faz-se por um túnel que, se não souberem ao que vão, jamais adivinhariam. Iriam supor que se tratava de um parque de estacionamento normalíssimo. Por baixo da cidade há toda uma rede de estradas que vale a pena conhecer, pelo menos uma vez. 


12. Uma das maiores atracções gastronómicas de Tromsø está localizada no aeroporto e é numa... Pizza Hut. Sim, mas a razão é, efectivamente, curiosa! A Pizza Hut de Tromsø é a única que tem na carta uma pizza com carne de rena! Evidentemente que tive de experimentar e pedir uma fatia. Não foi a melhor pizza que já comi mas certamente não foi a pior. Vale pela experiência!


13. Estão a ver este chocolate norueguês com uma embalagem muito aportuguesada? Passa despercebido no meio de milhares de outros chocolates com um visual mais apelativo, mas vale a pena olhar para este com mais atenção. É que foi precisamente este chocolate — e a sua fábrica, Freia — que inspiraram o escritor Roald Dahl — de dupla nacionalidade norueguesa e britânica — a escrever o famosíssimo livro 'Charlie e a Fábrica de Chocolate'. Imaginem o quão delicioso deve ser este chocolate para dar tamanha inspiração a uma história gulosa e acarinhada por todos nós!

E assim termina a nossa viagem pela Noruega. Deixa uma lagriminha no olho, certo? Dava vontade de ficarmos por mais tempo. Como já é habitual nesta publicação, sintam-se à vontade para deixarem questões sobre a Noruega que tenham curiosidade, achem que sou capaz de responder e que não tenham sido esclarecidas nas outras publicações. Irei responder a todos os comentários nesta publicação para que fique mais completa e rica para os leitores que se seguirão!

segunda-feira, 30 de julho de 2018

LIVROS || Cosmos


O raro caso em que a série inspira o livro e não o contrário. Quando vi pela primeira vez o remake da série Cosmos, fiquei com muita curiosidade em relação à série original de 1980, apresentada por Carl Sagan. Depois descobri o livro e soube que tinha de o ler.

Cosmos partilha informações e temas que, pelas limitações já conhecidas de uma produção televisiva, não puderam ser mais desenvolvidos. A série não substitui o livro e vice-versa; são blocos de informação com dinâmicas diferentes. Porém, à semelhança da série homónima, Cosmos pretende contar-nos a História da ciência e do espaço de forma a tornar o conhecimento científico mais global e menos exclusivo e privilegiado.

Embora consiga ser, por vezes, um livro um pouco técnico — sugiro que, se querem estrear-se numa abordagem ao tema de forma mais leve optem por este livro —, o que eu mais gosto e me identifico com Carl Sagan é o seu perfil filosófico mesmo na hora de falar sobre ciência exacta. A vastidão do Universo, as coincidências, os acasos matemáticos e físicos e as reflexões pontuais que deixa ao longo dos capítulos inspiram-me e fazem-me sentir que não sou a única que pensa assim quando olha para as estrelas.

Publicado nos anos 80, é extraordinário o quanto ele pode ser actual e o quão urgente já era o pedido do autor para que olhássemos para o nosso planeta com mais atenção e consciência. No entanto, certos aspectos ou idealizações futuristas já estão datadas — ou muito prestes a ser —. São acasos pontuais e que, na minha opinião, tornam a leitura ainda mais interessante. Muitos dão a ciência por garantida e já conhecida, como se já tivéssemos feito todas as descobertas e avanços, o que não é verdade. Conhecer as questões, ideias e conceitos de décadas é fascinante.

A leitura foi longa e exigiu alguma concentração. O Cosmos arrastou-se durante semanas na minha mesinha e nenhuma das razões se prende com a possibilidade de não ter gostado da leitura. Muito pelo contrário. Mas exigia de mim uma concentração e tempo que, nos últimos tempos, foi escassa. Estou feliz por abarcar novos conhecimentos mas confesso que me custa arrumá-lo na estante depois de tanto tempo de convivência. Foram mais de 400 páginas a voar pelo Universo e a conversar com Sagan sobre algumas reflexões que andam há anos a aflorar-me a mente.

Autor: Carl Sagan
Número de Páginas: 467
Disponível na WOOK (ao comprares o livro através deste link, estás a contribuir para o crescimento do Bobby Pins).