domingo, 25 de fevereiro de 2018

SÉRIES || Os Brinquedos da Nossa Infância


Sou uma nostálgica e não tenho como o negar. A minha infância foi uma período da minha vida muito privilegiado e feliz, pelo que recordo qualquer elemento dessa época com muito carinho, especialmente os brinquedos. Tive a sorte de ter recebido muitos brinquedos e desfrutei dessa época o maior tempo que pude. E ainda hoje adoro rever coisas que falem sobre aquilo com que brincava, há uns anos.

Foi por isso mesmo que colei os olhos ao ecrã com a série Os Brinquedos da Nossa Infância. É uma série documental em que cada episódio é dedicado a um brinquedo popular. Os episódios (longos) percorrem uma linha temporal desde a invenção do brinquedo até à sua popularidade (ou ausência de) nos dias de hoje, sempre com um registo muito leve, ligeiramente sarcástico em alguns pontos, e muito interessante. Podemos contar com entrevistas, publicidades antigas (adoro!!!) e revelações do backstage que, geralmente, nunca são tão glamorosas ou épicas como o brinquedo.

Acima de tudo, além de toda a nostalgia que provoca, é um documentário muito interessante sobre relações inter-pessoais em empresas de sucesso, crescimento de marcas e revelações de marketing (umas mais éticas que outras) que nos fazem pensar em toda a aventura que um brinquedo teve de passar até ser memorável. Os episódios são independentes.

Ainda só existe uma temporada e quatro episódios, nomeadamente, Star Wars, Barbie, He-Man e G.I. Joe. O meu episódio preferido foi, indiscutivelmente, o da Barbie. Foi o meu brinquedo preferido e adorei saber todos os detalhes e pormenores de uma boneca que eu sempre amei, mas que também trazia consigo a polémica da mesma forma que nunca lhe faltava uma bolsa. Só por este episódio, já vale a pena pesquisarem a série. Aprovado por uma saudosista. 

sábado, 24 de fevereiro de 2018

PASSAPORTE || Castelo de Leiria


A caminho da Serra, decidimos fazer uma paragem por Leiria. A cidade carece de uma visita mais prolongada da nossa parte — o regresso está prometido e pretextos não faltam — mas decidimos que, a visitar apenas uma coisa, seria o Castelo de Leiria.



É inegável que este castelo medieval é o rosto da cidade, erguendo-se lá no alto e destacando-se em qualquer paisagem. Foi abrigo e conquista de muitas coroas de Portugal, desde D. Afonso Henriques a D. João I. Ao longo dos tempos, foi sofrendo algumas intervenções, mas durante toda a visita podem contar com inúmeros vestígios e influências, resultado das suas múltiplas ocupações.
Vale a pena fazerem a visita e deslumbrarem-se com a paisagem de perder de vista. Na Torre de Menagem, podem ainda encontrar o Núcleo Museológico, cujo espólio tenta enquadrar Leiria na História de Portugal.




A minha parte preferida de todo o castelo centrou-se na zona mais emblemática. O interior fez-me sentir que estava no salão principal de Hogwarts e que, a qualquer momento, as mesas iriam aparecer e o banquete iniciar-se-ia. Mas o mais deslumbrante é mesmo o miradouro em arco que se apresenta à vossa frente, ao entrarem nos Paços Novos. Encantador e digno de um conto de fadas, por ali ficámos a admirar a beleza da cidade activa lá em baixo, usámos e abusámos da câmara e guardámos tamanho tesouro visual na nossa memória.




A visita foi curta, o suficiente para descansar, esticar as pernas e matar logo um pouco da sede de passear, mas valeu cada minuto e cada cêntimo. Um castelo a não perder (e, se possível, para se perder lá dentro).

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

FRIENDS || Tomamos por garantido?

Quando penso numa relação amorosa, vêm-me à cabeça uma dezena de palavras de ordem. E as que não têm as palavras 'não dar por garantido' para aí remetem, pelo menos. Valorizar a pessoa que está do nosso lado, dedicarmos-lhe o esforço, a atenção e o carinho que lhe dedicamos desde o primeiro dia e nunca, jamais, assumir que ela estará ali para sempre só porque a conquistámos. Mostrarmos que a valorizamos todos os dias.

E com os nossos amigos? Seguimos o mesmo padrão? Temos a mesma abordagem? À medida que os anos passam e vamos crescendo, sinto que cada vez mais nos afastamos desse 'sim' ou, pelo menos, é assim que a corrente segue e, sinceramente, não compreendo porque temos uma abordagem tão confiante em relação aos nossos amigos. Porque não os regamos com o mesmo empenho e atenção.

Já fui muito escaldada com amizades e demorei uns valentes anos a interiorizar que tinha mesmo amizades verdadeiras e que devia cuidá-las. E desde então, olho para os meus amigos com muita atenção e carinho. Sinto que, enquanto numa relação amorosa, temos o cuidado de valorizar e saber que o outro pode não ser para sempre se não o regarmos, para os nossos amigos observamo-los como um contrato de boa fé vitalício. A certa altura, criámos uma amizade e está feito! É para sempre. Teremos eternamente química, confiança, vontade de estar um com o outro e não há necessidade de cuidados especiais ou demonstrações simbólicas porque 'já sabe'. E se correr mal? E se a química termina? O contrato termina. Afinal, não era para sempre.

Não temos de olhar para os nossos amigos como olhamos para os nossos amores — nem faria sentido, já que o amor, a paixão, devia ser de um só canal — mas questiono-me muito acerca do esforço que depositamos nas nossas pessoas (e no quão discrepantes, por vezes, conseguimos ser). Como temos em mente o quanto é preciso valorizar quem temos ao nosso lado, e o quanto damos por garantido que os nossos amigos vão estar sempre lá apenas porque os chamamos de amigos e assim os consideramos. Não é assim que funciona porque somos humanos, carecemos de afecto, atenção, dedicação e esforço. Na amizade não podia ser diferente.

Não precisamos de cobrar nem casar com os nossos amigos. A vida, por vezes, leva-nos para caminhos diferentes, os cafés nem sempre são rotinas, as ocupações metem-se, muitas vezes, ao barulho. Mas se conseguimos contornar isso pelo amor, por que não o fazemos, também, pela amizade? Há quanto tempo não dizem aos vossos melhores amigos o quanto gostam deles? Assim mesmo, sem descrições no Instagram, sem ser num aniversário ou numa ocasião em que a doçura assim se espere. 'Eu quero que saibas que eu gosto mesmo muito de ti'. Quantas vezes, este ano que passou? 'Obrigada pela tua amizade, obrigada pelo teu apoio'. Quantas vezes, sem ser num aniversário ou dia especial?

Já fui uma miúda que tinha dificuldade em expressar afecto. Sentia-me vulnerável, lamechas. Depois compreendi que a ideia era absolutamente parva e sem lógica. O que há de negativo em dividirmos o quanto gostamos e apreciamos a presença dos outros? O que há de mau em partilharmos a nossa vulnerabilidade com quem — assumimos — queremos ter para sempre? Desde que compreendi isto que tenho tentado ser uma amiga que cuida, que não dá por garantido. Ainda há amigas que estranham, mas não me importo. Sinto-me mais livre e em paz por saber que faço questão de demonstrar a todas as pessoas da minha vida o quanto elas significam para mim, sem vergonha — não há que ter vergonha —. E fico para lá de feliz quando mo retribuem (especialmente se for espontâneo). Ninguém na nossa vida tem um contrato vitalício para connosco. E é bom que o valorizemos e não tomemos por garantido. Os nossos amigos não existem para nos servir.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

PASSAPORTE || Neve!


Quando tinha 5 anos, os meus pais e um grupo de amigos levaram-me à Serra da Estrela. A época não era de neve, mas já se conseguia apanhar algumas zonas geladas onde as pessoas aproveitavam, a todo o custo, para brincar e fazer um pouco de sku.

O objectivo não era levarem-me à neve, portanto, além de não termos nada preparado para aquela surpresa, tudo foi improvisado. Mas ninguém era capaz de negar a uma criança, que estava a ver neve pela primeira vez, a possibilidade de brincar durante um tempinho.
A neve estava suja, não estava com roupa para neve e o melhor que conseguiram arranjar para eu experimentar sku foi um pedaço de plástico que deslizava no monte, mas foi um dia tão marcante e feliz na minha vida, que tenho flashes bem vividos desses momentos. Tiveram de me trocar de roupa e arrancar dali, mas o sorriso, esse, eles não roubaram. E desde então, nunca mais tinha visto neve. Sequer um manto branco.

A razão desta viagem foi precisamente esta: eu nunca mais tinha visto neve. Portanto, tive direito a tudo o que alguém que sonha em reviver o momento podia desejar; desta vez, fui equipada a rigor, emprestaram-me umas calças para neve, vesti-me com trezentas camadas de roupa, a minha companhia comprou-me uma plataforma redonda de plástico para eu fazer sku de verdade — mesmo depois de ter insistido que não era necessário — e fomos até à Torre (sobre ela, dedico-lhe uma outra publicação, combinado?).

O momento? Emocionante. Tudo parecia ser tão surreal que, à medida que caminhava, exclamava para a minha companhia "Eu estou a pisar neve!!!". Desta vez, tive direito a um autêntico cenário de inverno; um manto branco cobria todo o ponto alto da Serra e os lagos estavam congelados. A neve era tão branca que chegava a cegar, reflectida pelo Sol. E pude estar ali o tempo que quisesse.

Fiz sku, batalha de bolas de neve, anjos de neve e bonecos de neve. E a felicidade estampada no meu rosto assemelhava-se à que tinha há dezoito anos, naquele encontro inesperado. Costumo dizer inúmeras vezes que preciso de muito pouco para ser feliz e eléctrica e, de facto, não minto. Certo, talvez neve seja uma chatice quando não a encontramos com o intuito de brincar com ela, quando as cidades ficam soterradas, as estradas cortadas e as roupas de trabalho encharcadas. Certo, quem vive num lugar com neve garantida todos os anos, talvez não encontre a magia da rotina que já lhe tirou todo o encanto. Mas é para isso que servem turistas como eu. Para se recordarem de que certas coisas que temos como garantidas e obsoletas são o absoluto privilégio e tesouro para outros. E o meu reencontro com a neve foi melhor do que tudo o que imaginei. 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

BOM GARFO || Zé Manel Pastelaria


É fácil encontrar sugestões gastronómicas para um fantástico pequeno-almoço ou lanche nas grandes cidades de Portugal. O que não falta é variedade, com diversos tipos de cozinha, preços, iguarias, decorações e recantos. Uma breve pesquisa e encontramos dezenas de listas recheadas de sugestões — inclusive aqui pelo Bom Garfo —. Mas quanto viajamos para os recantos mais remotos do nosso país, as sugestões escasseiam e a facilidade para encontrar um café do nosso agrado é reduzida.

É difícil querer ter uma boa experiência de pequeno-almoço ou lanche quando os horários funcionam, em outras terras, de uma forma completamente diferente da nossa, e por isso mesmo, fiz questão de partilhar convosco o meu pequeno-almoço feliz por Seia.

Ainda faço parte do minúsculo grupo de pessoas que procura um café pelos bons sabores (e que bom que assim é, porque 'Zé Manel' jamais seria o nome com que iria baptizar um espaço meu e a decoração está longe de aparecer nos vossos feeds de Instagram). Não tem nada de moderno, tendência ou cool nem por fora, nem por dentro do espaço — e facilmente passa despercebido, escondido atrás dos roseirais magníficos espalhados pelas ruas da cidade — mas se os sabores é que contam, então recomendo vezes e vezes sem conta o espaço.

Como íamos para a neve, pedimos um pequeno-almoço bem reforçado; um folhado misto, uma tosta mista para dividir e ainda um pastel de requeijão — que nunca tinha provado — para começar o dia de uma forma doce. Ah, e um chá preto para dividir, porque o corpo também precisa de ficar quentinho por dentro!

O atendimento é familiar, como há muito tenho saudades e como dificilmente vamos encontrar nas capitais. E os sabores? Aprovados. Neste tipo de viagens, em que procuramos desesperadamente um café aberto, deixamos que a fome seja o nosso melhor tempero e, confesso, tirando as refeições principais, raramente o que comemos tem algo de especial. Mas a pastelaria Zé Manel fez questão de mudar isso e presenteou-nos com um café da manhã bem caprichado e com um pastel de requeijão que, para estreia, foi do mais feliz possível. Parece um pastel de nata, mas em nada se assemelha, embora o crocante do folhado e o toque da canela queiram parecer que sim.

Gosto de cafés com interiores apetecíveis, horários brutalmente flexíveis e comidas extraordinárias. Se os consigo encontrar em viagem, ainda melhor. Mas por vezes são os que não estão em todas as aplicações e fotografias que surpreendem. Se têm viagem marcada para Seia e querem um pequeno-almoço feliz, a minha sugestão não podia ser outra.
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Praça da República, 42, 6270-496
Seia
Contacto: 238 316 106

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

FAMÍLIA || 10 Lições que Aprendi com a Laika

Há um ano, cheguei a casa e estranhei que a Laika não me viesse receber, como sempre o fez durante dez anos. Pensei que tinha fugido. Jamais me tinha passado pela cabeça que ela tinha partido porque, embora já velhinha, não apresentava sinais de doença, estava em pleno de todas as capacidades — tínhamos muita atenção ao seu peso e à sua bacia — e, na noite anterior, estava activa como sempre. Comecei a tremer quando vi que o meu jardim estava cheio de baba espumada e segui o rasto, de coração na boca. Não imaginam o quanto rezei, durante esse caminho (tão curto e, naquele momento, tão longo). O nosso veterinário, mais tarde, revelou que ela teve um ataque cardíaco. Fui dar com ela escondida atrás de uns cedros da minha casa, deitada como se estivesse a dormir, mas tudo a denunciou. Ela tinha ido embora sem aviso e eu estava sozinha, no meu jardim, sem ninguém a quem pedir ajuda imediata. A Laika morreu no Dia do Animal de Estimação. Foi o dia mais duro da minha vida.

A Laika foi o meu primeiro animal de estimação e pouco me lembro da minha vida antes dela chegar. Nunca deixei de pensar nela e, embora muita gente tenha a insensibilidade de dizer 'mas agora tens a Belka', nenhuma ocupa o lugar da outra. Ainda olho para o jardim à procura dela. Recordo-a todos os dias e a dor não vai embora. Mencionamo-la imensas vezes — 'lembras-te quando a Laika fez isto?' — e terá sempre um lugar enorme no meu coração. Territorial, tonta e muito protectora, é assim que lhe recordo, e hoje quero assinalar a data partilhando convosco dez lições que ela me ensinou. 

1. Há um amor que só quem tem animais de estimação sente | Há muita gente que acha esta afirmação ridícula. Há até quem faça chacota quando ouve alguém dizer que os animais são como filhos ou que amam como filhos. Não tenho filhos, portanto, não posso opinar mas, da mesma forma que quem os tem diz "é um amor que nunca antes senti e que não posso equiparar a nada", eu digo o mesmo dos meus animais de estimação e sei que quem os tem compreende o que quero dizer. Há tantos tipos de amor, e muitos poucos são comparáveis. O amor pelos nossos animais é um deles. Nós amamos de verdade, nós sentimos aquela dor no coração quando temos tanto amor que o coração não consegue expandir na mesma velocidade, nós temos uma ligação que não é só o carinho de acharmos os nossos animais engraçados ou fofinhos. É amor!

2. Ensinou-me a ser mais tolerante | A Laika só se tornou numa paz de alma pachorrenta aos 7 anos de vida. Isso significa que, durante 7 anos, acumulámos histórias de rebeldia que, hoje, nos fazem rir muito mas que, na altura, no olho do furacão, eram dramáticas. A Laika comeu o primeiro mp3 da minha vida, duas semanas depois de o ter recebido. Destruiu os meus apontamentos de História no fim-de-semana de véspera do meu teste. Há todo um historial de artigos de casa partidos, roupas rasgadas, fugas de casa porque viu outro cão e desatou a correr atrás dele, brinquedos que ela destruía se eu não lhe dava tanta atenção...
A Laika ensinou-me a ter um sentido de tolerância e perdão gigantes. Porque ela destruiu coisas especiais ou importantes para mim, mas o meu amor por ela era maior e eu tinha de compreender que ela não o fazia com maldade mas sim com vontade de brincar. Que ela não corria atrás dos meus tornozelos porque me queria fazer mal mas porque achava que eu tinha a mesma força que ela. Que ela não sabia que aqueles eram os meus sapatos preferidos. Tudo isso era menor do que o nosso amor por ela.
Quando vimos o Marley e Eu no cinema, rimos que nem perdidos porque a Laika era como a fase terrível do Marley; irrequieta, desobediente, destruidora. E sentimos que não estávamos sozinhos porque os protagonistas também perdoavam porque amavam demais o seu patudo.
Nem todos os cães têm personalidades pacíficas. Especialmente em cachorros. Eles não são bibelôs para casa nem para fotografias no Instagram. Eles não compreendem 'não', 'vou contar até três' nem 'isso era muito importante para mim'. Especialmente aos berros. Os cães, tal como nós, têm fases e é preciso ser paciente a educar, mas também é preciso ser paciente a perdoar. E a compreender que esses comportamentos não são afrontas ao vosso amor ou sinónimos ingratidão. Não podemos levar a peito e a Laika ensinou-me muito isso, a não levar a peito. E transporto isso, até hoje, para situações e comportamentos que não estão, de todo, ligadas a cachorros rebeldes e fofinhos.

3. Temos de estar sempre disponíveis | A Laika foi uma vida que decidimos cuidar e adoptar. E ela não teve mais ninguém a não ser nós. Os filhos crescem, ganham independência e constroem a sua própria família. Os nossos animais de estimação serão, para sempre, dependentes de nós. Do nosso cuidado, da nossa atenção, do nosso amor. Temos de estar sempre lá mesmo quando estamos cansados, com frio para brincar lá fora, tristes, alegres, ocupados com a vida. Temos de lá estar. A dar atenção, carinho, a vigiar os seus comportamentos, verificar se tudo está bem, se têm comido, se têm bebido, se estão a fazer algo diferente. A Laika nunca chegou perto de mim e disse 'tenho fome', 'tenho sede', 'quero passear', 'quero que brinques comigo', 'quero que me dês festinhas', 'estou doente' mas eu sempre tive a atenção certa para compreender quando ela precisava de todas estas coisas. E em troca, ela esteve sempre disponível para mim. Nos dias em que estava triste, cansada, feliz, com frio, com calor, doente, ansiosa, em festa. Ela nunca se mostrou indisponível para me amar.

4. Alcunhas são giras | Confesso, eu não acho muita piada a alcunhas, seja no que for (pessoas, animais...). Mas a Laika mudou tudo isso, pelo menos com ela. Tinha muita necessidade em dar-lhe mais nomes do que aquele com que a baptizámos, e todos eles queriam exprimir o meu imenso carinho por ela. Tinha muitas, mas as mais comuns eram Ursa, Foca, Pomba Branca, Menina, Gordinha, Língua de Fiambre e Ratinho do Campo!

5. Deixas de ter nojo | Não há nojo porque há cocós para ver, vómito (tanto a Laika como a Belka vomitaram na primeira viagem de carro em direcção a casa, em cima das minhas pernas), lambidelas na cara... E não há como fugir! Podem adiar a tarefa quando têm companhia, mas um dia vão ficar sozinhos e vão ter de lidar. Não pode haver nojinhos e 'isso não'. Vai acontecer! É um lado do cuidado de animais de estimação que pouca gente fala, que todos sabem que existe e que, quando finalmente adoptam um animal e acontece, parece escandaloso. Mas é o que acontece. Coisas que eles comeram e que vocês têm quase de enfiar a mão inteira pela boca para lhes retirar, bafinhos (porque nenhum animal tem um hálito 'Frescura de Menta'). É impossível terem nojo dessas coisas quando decidem abrigar um animal de estimação. Têm de deixar as frescuras de lado.

6. Eu amava a Laika além da sua raça | A Laika era uma Serra da Estrela absolutamente lindíssima e não havia como o negar. A sua pelagem era magnífica, tinha um porte possante e que impunha respeito, o seu focinho era delicado e todo preto, com olhos muito pestanudos e numa cor estonteante. Mas eu não achava (e acho) a Laika a coisa mais maravilhosa do mundo pela sua raça. Eu via toda a sua essência nas suas expressões, nos seus olhos, nos seus comportamentos, que iam muito além da sua raça. Já estive com outros tantos Serras da Estrela e nenhum deles era a Laika. Ela podia ser um caniche e eu ia reconhecê-la pela expressão no olhar. E quando partiu e quis despedir-me dela, olhei para o seu corpo e não a senti mais. Já não estava lá. Os nossos animais de estimação são muito mais do que as raças, as cores, os tamanhos. Nós identificamo-los pela essência que nos transmitem, em todos os olhares.

7. Compreendi o que era ter uma melhor amiga | A Laika veio para os meus braços numa fase muito tremida da minha vida; estava a entrar na puberdade, sofria de bullying, tive de lidar com a partida dos meus avós pouco tempo depois de a ter e o meu dedo para escolher amigas era definitivamente ineficaz. Foi uma época em que me sentia muito deslocada e a Laika esteve sempre do meu lado e observava-me com o mesmo amor e admiração em todos os momentos. Nenhum acontecimento da minha vida ou estado de espírito mudava a forma como ela gostava de mim e essa lição de amor foi muito importante, na minha vida. Há quem ache ridículo ouvir pessoas a dizer que os seus animais de estimação são os seus melhores amigos, mas, por vezes, são mesmo os únicos que nos ouvem, que nos consolam sem julgar, que nos amam para sempre e incondicionalmente e que não querem o nosso mal. E esta foi uma das maiores lições sobre amizade e amor que eu retirei dela, e que carrego comigo na vida até hoje, em todas as minhas relações.

8. Nem sempre os outros conseguem ver nos nossos animais aquilo que nós vemos | Existe aquilo que eu gosto de chamar Elite de Fofura, que consiste num exclusivo grupo de raças ou portes que todas as pessoas vão considerar sempre adoráveis e nunca vão questionar a sua índole. Incluo nesse grupo os cachorrinhos e cães pequenos (porque tudo o que é de porte pequeno é engraçado e querido) os golden retrievers e os labradores. Tudo o resto é observado com olhos muito pouco dóceis. Cheguei a levar a Laika à cidade e, na mesma rua, uma dona com um labrador apareceu. O labrador foi coberto de mimos pelas pessoas que nessa rua passavam enquanto que, quando passaram pela Laika, disseram-me, com uma voz violenta e reprovadora "isso aí (para que não existam dúvidas, referiam-se à minha Laika) é para estar preso, não é para andar por aqui". Exactamente a mesma pessoa que acariciou o labrador. Existe muita desinformação em relação às raças que existem (se vos faz confusão, troco o termo por 'tipos de cães') e apenas uma pequena percentagem recebe tolerância e carinho. A maior parte das pessoas não observava a Laika como uma cadela peluda, adorável e querida. Ninguém suspirava a olhar para ela. No entanto, todos os olhares que lhe dirigia eram de puro embevecimento. Se não têm um cão que pertença à Elite de Fofura, provavelmente as pessoas não vão perceber o que vocês vêem nos vossos animais. Não faz mal. O vosso patudo não quer mais nenhum amor, só o vosso (mesmo quando praticamente se vendem por um par de festinhas).

9. Fazer o luto é muito difícil | Sempre tive algum conflito dentro de mim para compreender o conceito de fazer luto quando perdemos um ente querido. Eu acho que nunca deixamos de fazer luto, apenas introduzimos essa parte mais saudosa e triste na nossa vida e embelezamos com as flores bonitas de tudo o que de feliz vai ocorrendo na nossa existência. E assim integramos o sofrimento na felicidade com a consciência de quem se resolveu perante a perda.
Perder um animal de estimação é uma dor que sufoca, angustia e nos deixa desesperados. Não queremos aquele desfecho e negamo-lo até não haver volta a dar e sermos obrigados a encará-lo com dor no coração. O luto é difícil e as saudades não vão embora. A dor não vai embora. E nem toda a gente vai compreender. Quem não tem animais de estimação não vai entender por que estão a chorar. "É só um cão", "Ah, eu também perdi o meu há uns anos, isso passa", "Tens de arranjar mais um lá para casa", "Não fiques assim, tens a Belka", foram muitas das coisas que ouvi ao longo deste processo e foi o que mais me custou em todo o luto: negarem-me o direito de sofrer só porque era um animal. A Laika era a minha melhor amiga e fazia parte da família. Mereceu (e merece) todas as minhas lágrimas e toda a minha saudade e amor (agora platónico). E esta insensibilidade de quem não reconhece este amor é o que mata mais.

10. Ter animais de estimação torna a nossa vida melhor | É o cliché que não tenho qualquer receio de repetir e afirmar. Porque é. Porque a Laika melhorou aquilo que eu nem imaginava que precisava de melhorar na minha vida. Com ela, a minha rotina era mais feliz, mais carinhosa, mais divertida e desafiante. Os nosso animais testam-nos e surpreendem-nos todos os dias. Seja com expressões maravilhosas que nos fazem rir tão alto que até temos vergonha, ou pelos comportamentos que só nos fazem querer andar com uma câmara atrás a todo o segundo para registar cada um deles. Eles tornam a nossa vida melhor, mais completa e mais feliz. Eles melhoram o que já é bom e trazem luz para as partes chatas da nossa vida. E eu aprendi, com a presença e ausência da Laika, que eu não quero a minha casa vazia, nunca mais.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

PASSAPORTE || Destino? Serra da Estrela


Viajar pelo tesouro que já temos, sair sem nunca deixarmos de estar cá dentro. Mala rosa, câmara ao pescoço e música no carro, lá fomos nós. Em casa, deixei a melhor almofada do mundo e o peso que anda a conviver nos meus ombros.

Foram só três dias e pareceram uma sobremesa, daquelas em que nos lambuzamos e a última colherada chega mais depressa do que desejávamos, mas revigorantes. Três dias de viagem e aventura. Estive muito pouco conectada às redes — a casa onde fiquei não tinha internet e só nos actualizávamos do mundo através dos cafés por onde descansávamos — mas tive mais ligada do que nunca à minha companhia, ao meu corpo e ao mundo em redor que estava ao alcance dos meus olhos e não do ecrã. Enlaçar-me com o que realmente importava foi fundamental para que este fim-de-semana, embora muito preenchido, fosse absolutamente relaxante e ideal para recarregar energias. O sossego da aldeia onde ficámos, o descanso de ler um livro no sofá em frente à lareira, a felicidade de fecharmos a porta de casa bem cedinho e só a voltarmos a abrir já na noite escura foram absolutamente impagáveis.

Agora em casa, ficam as fotografias, as músicas que agora me fazem recordar a estrada longa que sempre tínhamos pela frente, as piadas, os cheiros, as estreias, as conversas e as memórias — incluindo um dos momentos mais incríveis que observei —. Muitos destes souvenirs serão partilhados convosco ao longo dos próximos tempos. Agrada-vos?

Sempre me considerei uma privilegiada por poder conhecer tantos lugares e culturas diferentes. Mas o meu país fascina-me de igual forma. Como podemos observar tantas realidades e tesouros diferentes, no mesmo território. E como não precisamos de ir para tão longe para encontrarmos a paz que, no meio da rotina e do stress, fica para segundo plano.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A #InêsDeMalaRosa estreia 2018 em...


...território nacional — como, já há alguns anos, vem sendo habitual —. É já amanhã e estou muito ansiosa porque vou ver algo que já não vejo desde que tinha 5 anos!!!

NEVE!

Escusado será dizer que estou para lá de feliz!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

AMOR || Feliz Dia dos Namorados

Feliz Dia aos Namorados. Aos que fazem com que as letras de Anavitória tenham sentido. À vida que torna a nossa vida mais incrível. Aos que cedem a última fatia de bolo, que dão a fatia de pizza que tem mais ingredientes, que metem a torrada do meio no prato do outro. Aos que já celebram anos, meses ou dias. Aos ladrões das gargalhadas mais altas. Aos que dizem 'amo-te' sem medo e a qualquer hora e aos que ainda têm muito medo de dizer. Aos que amam sem medo do preconceito. Aos que fariam qualquer coisa (e fariam mesmo). Aos que partem os relógios se isso parar o tempo. Aos que têm abraços que são lar. Aos que sabem quanto custaram todas as vitórias. Aos que odeiam esta data e aos que fazem desta data mais uma desculpa para amar. Aos que discutem o que ver no cinema e aos que dizem, em amor sincronizado, o mesmo título de filme. Ao doce que nenhuma nutricionista vai desaconselhar. Aos que não menosprezam as fragilidades do outro. Aos especialistas culinários da iguaria Prato Preferido. Aos que se conhecem de ginjeira, sem holofotes, e continuam a gostar como (ou ainda mais) da primeira vez. Aos que não ficam chateados se o outro adormecer a meio do filme, no sofá. Aos que nunca mais se separaram e aos que perceberam que a vida não tem piada nenhuma separados. À melhor companhia para dividir uma série ou um copo, numa festa. Aos que sabem sempre que tudo ia correr bem e que íamos conseguir. Aos que se desdobram. Aos que se entusiasmam pelo entusiasmo do outro, que são felizes com a felicidade do outro, que sofrem com o sofrimento do outro. Aos que coleccionam cartas de amor, brindes dos Kinder Ovo Surpresa e pins no mapa mundo. Aos que comem aquilo que jurámos que seria óptimo e não é. Aos que comem aquilo que odiamos e não temos coragem de dizer. Aos mensageiros mais especiais de 'Bom dia' e 'Boa noite', e tudo o que de bom for dito pelo meio. Aos que dividem gelados, conversas orgânicas e difíceis, memes e batatas fritas. Aos que sabem tão bem quando o outro está chateado. Aos que estão na bancada, em todos os jogos (e quando não podem estar, fazem por parecer que estiveram). Aos que ligam só para ouvir a voz do outro. Aos que estão a duas ruas de distância e aos que gostavam de estar assim. Aos que só podem estar, por agora, a uma mensagem e chamada de distância e aos que basta uma chamada e vêm a correr encurtar essa distância. Aos que vêem muitas lágrimas, caras e hábitos que mais ninguém vê. Aos que protegem a todo o custo, mas sabem que o outro jamais precisará de advogado de defesa. Aos que sabem exactamente do que o outro precisa. Aos que pedem perdão pelos erros pequeninos e pelos erros grandes. Aos que fazem todos os dias serem dias dos namorados. Aos que são o melhor do mundo, para cada um. E têm todos razão.


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

EVENTOS || Até 2019, Carnaval!

E como sempre, num piscar de olhos, mais um Carnaval se passou. Não importa o meu estado de espírito ou vontade; deixa sempre saudade. A cidade fica mais vazia, menos colorida e menos viva, depois de cada Carnaval. Resta-nos sempre aguardar pelo próximo e recordar o que passou com tanto entusiasmo como quando seguimos o trio eléctrico.

Admiti convosco que não estava com o maior espírito de Carnaval e não estava a mentir. A prova disso é que só estive presente em duas noites — as que o tempo e o meu corpo permitiram —. Porém, saboreei as duas noites com muita alegria e desfrutei de um Carnaval bem simpático: pela primeira vez em anos, S. Pedro deu tréguas aos foliões e só choveu na noite de Domingo, o que podemos considerar um pequeno milagre.

Cada vez mais adoro o Carnaval pelos preparativos, tenham eles meses ou horas. As coisas que combinamos, os acessórios que inventamos em última hora, a corrida contra o tempo para fazermos tudo o que precisamos para o disfarce ficar perfeito. Irmos para a casa da amiga dar os toques finais, banquetearmos juntas depois de uma grande noite. Tem tanto sabor como quando estamos nas ruas e praças.
No Carnaval, desafio-me sempre. A ser mais criativa, mais artística, mais festeira, mais social, mais divertida, mais feminina. Experimento maquilhar-me, tornar o que tenho em casa numa verdadeira máscara completa, não fujo de câmaras, não tenho vergonha de dançar mal, de pular, de se ouvir a minha voz a cantar nos vídeos.

Nota-se, a cada ano, a dimensão do meu — e nosso — Carnaval; das pessoas de fora que encontro cá. Das indicações que temos de dar em inglês. Das praças que começam a ficar cheias demais e implicam a abertura de novas ou a escolha de outras — a do Mercado foi a nossa melhor escolha e classifico-a de melhor Praça deste ano: a música era óptima, tínhamos espaço para dançar mesmo nas noites mais populares e nas horas mais intensas, tínhamos barraquinhas de comida e bebida muito perto e as casas de banho pouca fila tinham. Um must! —. Mas o Carnaval vai ter sempre um sabor de cá. Das pessoas que não vemos há muito tempo e que o timing decide juntar, no meio de milhares de pessoas. Da festa que não tem classe social, profissão nem idade. De quem — pela dimensão — começa a tentar azedar tradições que não compreendem e que nós adoramos e não magoam ninguém. Do sucesso com que cada edição termina, em segurança e com organização.

Não estava com a maior motivação para o Carnaval mas o ambiente, a proximidade das horas para estar nas ruas e a companhia ajudam sempre a dar a volta a todas essas sensações. Com o tema Mares e Oceanos, as minhas escolhas foram absolutamente temáticas e privilegiaram o aconchego, o combate ao frio e a criatividade. Uma mergulhadora para a noite de sexta, com um fato de mergulho, uns belos óculos e duas garrafas de refrigerante convertidas, em cima da hora, em botijas de oxigénio — e toda uma equipa com secadores e truques para a tinta secar, outros a queimar tampas para passar o elástico e ainda uma comitiva de fita cola, para dar um 'toque mais profissional', já dizia o Pedrinho do Art Attack —.
Para a noite de sábado, o fato mais adorado na noite, de polvo. Querem saber a parte mais caricata? Esse foi o fato que o meu primo João levou no Corso Escolar deste ano. Quando o vi, não hesitei em pedir emprestado para uma noite foliona, ao que ele achou do mais engraçado que eu coubesse nas roupas de uma criança de nove anos. Facto é: os tentáculos, a camisola e o gorro serviram-me na perfeição, e é assim que uma miúda de 23 anos consegue garantir mais um fato original para sair no Carnaval — este é, aliás, um truque que utilizo muito quando quero usar um fato de Carnaval completo: compro o de criança e sai muito mais barato (quem aí já viu os preços dos disfarces de Carnaval, sabe muito bem o que quero dizer) —. Por vezes, ser petite tem grandes vantagens! Para finalizar, o meu primeiro eyeliner de sempre feito com uma pigmentação prateada que lhe deu um charme — e uma sensação de vitória — impagáveis!

A não ser os boomerangs que publiquei no meu Instagram@innmartinsm — não tenho boas fotografias para partilhar convosco. Restam as fotos que guardo para rever e que contam mais sobre o momento do que sobre os detalhes do fato, as memórias que guardamos de cada noite, o samba da Matrafona que ainda está preso na memória, a waffle de Kinder que, de madrugada, soube a tudo de bom que a vida nos pode dar, o meu beijinho no vídeo realizado pela Página Oficial do Carnaval e outros tantos detalhes irrelevantes para vocês mas muito especiais para mim. Custa sempre dizer adeus, mas a esperança de que, para o ano, há sempre mais, sossega o meu coração

A toda a gente que foi experimentar este Carnaval e teve a doçura de partilhar essa notícia comigo, espero que tenham tido uma festa muito feliz e que tenham, finalmente, visto com os vossos próprios olhos, o que há anos vos tenho dito, de coração cheio.


Conseguem encontrar a polvinha, neste vídeo?