quarta-feira, 19 de junho de 2019

quarta-feira, 12 de junho de 2019

LIVROS || When Breath Becomes Air


Tinha este livro apontado na lista de espera há anos mas, tendo em conta a fase e área profissional onde me encontro, acho que fez todo o sentido ler agora. A vida nem sempre tem o futuro cor-de-rosa previsto e a morte é assustadora  de falar e de encarar  portanto, é sempre enriquecedor e interessante ler a perspetiva de quem tem mais conhecimento e autoridade para falar sobre estes assuntos. 

É o caso de Paul Kalanithi, um neurocirurgião prestes a atingir o seu topo de carreira quando é diagnosticado com um cancro terminal. O livro é a sua viagem inesperada e angustiante da pele de médico para a de paciente. O hospital (o seu local de trabalho) passa a ser um ambiente impessoal onde tem de estar presente enquanto utente. Em consultório, passa a sentar-se do outro lado da mesa e começa a ouvir as palavras que, anteriormente, era ele que as proferia. E o profissional de saúde que sempre se interessou pelo significado da vida e a compreensão da morte, vê-se frente a frente com as duas. 

When Breath Becomes Air está dividido em dois capítulos principais; o primeiro explora a carreira profissional de Paul antes do diagnóstico de cancro nos pulmões  já metastizado —, e o segundo a sua jornada após o diagnóstico. Embora exista descrição técnica de alguns dos procedimentos que o próprio realizou enquanto neurocirurgião — e que talvez não recomenda se forem muito sensíveis a operações (mesmo não tendo quaisquer imagens, as descrições são muito visuais) — a linguagem é fluida, descontraída e muito próxima, como se estivesse a contar-nos intimamente todas as suas reflexões profissionais e pessoais dos últimos anos, incluindo as suas observações sobre uma vida com significado e sobre a morte, outrora enquanto médico cirurgião que conviveu com as duas de perto, e depois enquanto próprio paciente que é obrigado a encarar as duas. 

Foi um livro que li mais rápido do que gostaria. Os temas são pesados mas a sua história profissional e abordagem são tão fascinantes e envolventes que não consegui pousar o livro ou interromper a leitura. Deixou-me emocionada mas não por pena pelo seu fim trágico e inevitável, nem por angústia de um assunto negro e injusto que me fragiliza (doença, morte); deixou-me emocionada pela coragem, inteligência e dignidade com que enfrentou o seu diagnóstico e o seu término de vida, mesmo nas alturas mais injustas ou críticas. 

When Breath Becomes Air não traz informações novas sobre a vida, a doença ou a morte e não tem respostas nem acontecimentos milagrosos — nem procura ter. Mas tem uma abordagem honesta e íntegra sobre a ética e humanidade na medicina, sobre ser um profissional de saúde que cuida, sobre o paradoxo de escolher entre uma vida sem qualidade nem significado ou a morte, sobre a aceitação da doença e do fim da vida. A sua visão realista e genuína sobre assuntos tão sensíveis não me trouxe respostas novas às dúvidas e medos que convivem comigo nem me tornou mais sábia a responder às dúvidas e medos dos outros, mas trouxe um certo alívio e uma sensação reconfortante que não é fácil de sentir — ou fazer sentir — quando estes temas surgem. Pode parecer um livro mórbido, mas está cheio de vida. Recomendo muito.

WOOK
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Bertrand
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domingo, 9 de junho de 2019

LIVRO || The Happiness Project


Descobri este livro graças à Carolina e fiquei imediatamente curiosa. The Happiness Project é um projeto pessoal da autora, Gretchen, que, após algumas pesquisas — entre estudos científicos, autores e livros sobre a felicidade — decidiu criar o seu próprio plano para ser uma pessoa mais feliz. 

Ao longo de um ano, Gretchen atribui a cada mês uma resolução que acredita que poderá trazer mais felicidade se a trabalhar melhor. Descontraidamente vai relatando todos os sucessos e dificuldades e, há medida que os meses vão passando, introduz sempre uma nova resolução à sua rotina sem deixar as restantes — dos meses anteriores — para trás, complementando-as e tornando o seu dia-a-dia mais feliz sem mudanças extraordinárias, soluções milagrosas ou transformações radicais.

Todo o livro tem uma atmosfera agradável e a leitura é gostosa. As temáticas são transversais às nossas vidas e rotinas, as reflexões e observações da autora vão muito ao encontro das minhas e isso tornou toda a experiência muito enriquecedora e próxima. Li sem pressas, absorvendo cada aprendizagem e refletindo de que forma os seus desafios poderiam ser extrapolados para a minha rotina. Foi como se estivesse a viver cada particularidade das suas resoluções com ela. Ao longo do livro, a autora vai partilhando connosco as quatro verdades que ela considera universais sobre a felicidade com base na sua própria experiência.

É um livro caloroso e que nos deixa bem. Pousamos o livro inspirados, motivados e com a sensação de bem estar típica quando temos uma ótima conversa de amigas. Foi um livro que me permitiu refletir muito sobre a minha vida, sobre aquilo que já faço bem e o que posso melhorar. Um livro que devia estar na mesa-de-cabeceira de todos.

Autora: Gretchen Rubin

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sábado, 8 de junho de 2019

SÉRIES || Chernobyl


A mini-série da HBO, que atingiu a cotação mais alta do Imdb, atropelando sem piedade Game of Thrones. Com apenas 5 episódios — e sem mais temporadas previstas — Chernobyl relata a história de uma das maiores catástrofes de sempre: a explosão da central nuclear na Ucrânia, em abril de 1986. Entre a resolução dos problemas mais imediatos, contenção da catástrofe e solução de um desastre nunca antes ocorrido — ou protocolizado —, Chernobyl procura ser uma série rigorosa na recriação dos factos e ilustra o que poderá ter sido a causa do acidente.

A narrativa segue um ritmo lento que compatibiliza com o dramatismo da história. A mistura revela-se perfeita, entre tensões políticas e questões científicas e sociais. O elenco é de luxo e o retrato é realista, sem paninhos quentes e com toda a atenção para os detalhes primários e secundários da tragédia — advirto que há episódios que podem sensibilizar, especialmente envolvendo animais.

Já não me sentia tão envolvida numa série desde que assisti Dark e converto-me em mais uma do enorme grupo que se desfaz em elogios à série que se tem revelado a surpresa do ano. Interessante, rica e dramática, satisfaz a minha curiosidade face a um dos momentos mais negros da História e que sempre me intrigou. O único defeito? As personagens falarem em inglês — acho que ficaria ainda melhor se as personagens dialogassem nas línguas originais!

quinta-feira, 6 de junho de 2019


Maio foi um mês muito preenchido. Tive sensações temporais paradoxais. Por um lado, pareceu passar num piscar de olhos; por outro, parece inacreditável certos acontecimentos terem ocorrido ainda em Maio. Porém, estou muito contente com estes Favoritos — os meus preferidos, até à data! Relembram este mês bonito comigo?

sábado, 1 de junho de 2019

FILMES || Maio • 2019


O tema da criatividade é algo que sempre me cativa e, neste documentário da Netflix, o neurocientista David Eagleman explora a criatividade em áreas e métodos distintos. Como e o que estimula a criatividade? O processo criativo de um arquitecto e de um cientista é igual?
Confesso que, dentro do assunto, gostei mais da série Abstrato do que do documentário em si, que não foi propriamente inovador, mas não deixa de ser muito interessante. Se gostam dos temas de criatividade e das ideias, é uma aposta segura.

Aproveitámos a Festa do Cinema para fugir da rotina e mergulhar no universo das pipocas e do grande ecrã através do Detetive Pikachu. Não sei se alguma vez partilhei este facto sobre mim convosco mas eu adorava Pokémon. Sabia o nome de todos eles, não perdia um episódio, colecionava os tazos — se não fazem ideia do que estou a falar, são muito novos! #oldlady —, enfim. Evidentemente não queria perder este filme em live action que, confesso, me surpreendeu pela positiva. Ia assistir ao filme preparada para uma obra que puxasse a nostalgia e que talvez não tivesse a história mais enriquecedora mas saí completamente rendida — aos efeitos especiais, que tornaram os Pokémons realistas e ainda mais amorosos, e à história, que procurou não seguir um caminho previsível. Não se sentaram à sombra do sucesso de uma das séries de animação mais famosas do planeta e vale a pena reconhecer isso!

Andava há anos para assistir a este filme — embora também gostasse de ler o livro — e finalmente surgiu a oportunidade. Para a Minha Irmã apresenta-nos Anna Fitzgerald, uma jovem de 13 anos que inicia um processo contra os pais para que possa ser emancipada medicamente. A razão? Anna foi concebida para ajudar a irmã mais velha a combater a leucemia, fornecendo-lhe tudo o que seja necessário para a manter em vida. Desde bebé que é submetida às mais diversas cirurgias para atender às necessidades da irmã, sem que as intervenções — invasivas, com risco associado — lhe sejam consultadas, comunicadas ou solicitadas.
Sempre tive curiosidade com esta história por ter uma forte componente ética associada; os pais deveriam ter tido uma criança com o propósito de salvar a filha mais velha? Deveriam os pais sujeitar a filha mais nova a todos os procedimentos sem a consultar? Quais são os limites? Até onde poderão ir para salvar a filha mais velha, em grande sofrimento? Não são questões fáceis e assistir ao filme também não. É um soco no estômago com uma componente médica e ética muito intrigante que não nos deixa indiferentes. Agora vou, com certeza, ler o livro!

Julguem-me mas... nunca tinha assistido a esta obra prima! A minha infância ficou marcada por Totoro e pela Bruxa Kiki, mas A Viagem de Chihiro passou-me completamente ao lado! Bom, antes tarde do que nunca e foi precisamente numa tarde despreocupada que o assisti. O filme conta a história de Chihiro e da sua família, que se estão a mudar para uma nova cidade. A meio do caminho, optam por um atalho e deparam-se com uma cidade deserta, embora repleta de comida. Os pais cedem à fome e à gula, mas Chihiro retrai-se, desconfiada. Ao anoitecer, os pais transformam-se em porcos e tudo o que acontece a seguir é uma enorme aventura!
Parece uma história bem infantil mas de jovial tem muito pouco. Os acontecimentos são inesperados e rápidos, com muitas personagens e enredos. É um filme incrível com uma moral especial: aqueles que nos marcam nunca deixam o nosso coração, mesmo que deixem — por breves momentos — a nossa memória. Se, como eu, nunca assistiram, é imperativo colmatar a falha!

sábado, 25 de maio de 2019

APP || 4 Razões para Instalares a APP momondo


O mundo digital está cada vez mais amigo de pessoas como eu, que acham chatinha a fase de comparar e procurar voos e hotéis. Cada vez mais valorizo aplicações que facilitem esse processo e que sejam úteis para as minhas viagens. Não viajo para fora a um ritmo alucinante — quem me dera...! — portanto, todas as minhas viagens têm de sair bem à primeira e tenho contado com a app da momondo para isso. Além de ser intuitiva, prática e mega funcional, destaquei mais quatro razões pelas quais acho que vocês podem lucrar com esta aplicação.

Alerta de preços | Se acompanham as minhas dicas de viagens, esta ferramenta já não é uma novidade. O alerta de preços envia-me notificações sempre que o preço dos bilhetes para um destino do meu interesse variar. Isto poupa-me o constante trabalho de pesquisa ou filtro para aceder às informações apenas do destino que quero. Basta ficar atenta às notificações do telemóvel e saberei qual é a melhor altura para comprar as passagens!

Qualquer Lugar | Mais uma ferramenta que não é novidade para vocês. Se têm um período de férias já estipulado mas não sabem qual o melhor destino para aproveitar ou que esteja ao melhor preço, esta é a ferramenta certa. É surpreendente a quantidade de destinos que, naquela altura, estão a um preço imbatível! E tudo pode ser filtrado (limite máximo de preço, com ou sem escalas...). É das ferramentas que mais tenho utilizado!

Itinerário offline | O meu grande parceiro em Dublin. Não costumamos programar ao detalhe como cada dia de viagem vai decorrer mas planeamos a nossa viagem com base nas zonas. Isto permite-nos otimizar todas as visitas e passeios sem andarmos para trás e para a frente. Foi o que fiz para a Irlanda, marcando todos os pontos turísticos (museus, parques, cafés, lojas, ruas...) que seriam do nosso interesse quando estivéssemos por lá. A possibilidade de acedermos offline permite que não sejamos reféns da Internet para aceder ao nosso itinerário e garante que, onde quer que estejamos, não nos está a escapar nada imperdível. 

Mede a tua mala | A minha mala rosa é uma companheira fiel há muitos anos e o meu pai fez questão de garantir que seria uma mala apta para ser de cabine, pelo que raramente me preocupo com ela. Mas quando precisamos de levar mais uma mala de cabine — ou caso precisem de adquirir uma nova e não saibam se tem as medidas ideais — a ferramenta mede a mala e indica se é adequada. Assim podem garantir que têm a mala de cabine perfeita. Uma boa dica será experimentarem esta ferramenta ainda em loja para avaliarem qual a melhor mala para adquirir. 

A aplicação é gratuita e podem descarregá-la aqui!

Publicação escrita em parceria com a momondo.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

TECH || Kindle


Sou assumidamente fã de livros no seu formato físico e não estava, de todo, planeada a aquisição de um Kindle, mas o vale da Amazon que tinha ao meu dispor fez-me considerar experimentar este novo formato de leitura. Um Kindle nada mais é do que um e-reader, uma alternativa de leitura digital caracterizada por tablets com tecnologia de ecrã própria que permite uma leitura sem reflexo, tal e qual como se fosse um papel. Por isso mesmo, diferenciam-se dos restantes tablets comuns por não terem luzes prejudiciais para vista e por não possuírem nenhuma outra utilidade além da possibilidade de lerem um livro num formato digital e mais portátil.

Já existem algumas marcas no mercado dos e-books, sendo que a Kindle, comercializada pela Amazon, continua a ser a mais popular. Entre vários de diferentes gerações e com cada vez mais funcionalidades, privilegiei a simplicidade e escolhi o Kindle Paperwhite da 8ª Geração e sem luz integrada, na cor branca. Comprei no site da Amazon UK (embora também possam adquirir na Amazon ES, especialmente pela questão dos portes e da moeda, mas o meu vale era inglês) e, para que possam realizar esta compra em UK, têm de selecionar o Kindle sem 'special offers'. É uma opção que fica automaticamente selecionada quando clicam no produto e que, mantendo-a ativa, bloqueia o shipping para Portugal. A encomenda foi rápida e totalmente segura. Em uma semana chegou a minha casa.

Além do tablet, o Kindle traz ainda um cabo para o carregarem — embora a bateria seja absolutamente duradoura. Não traz livros na biblioteca mas, nas configurações de boas-vindas, procura identificar qual é o vosso género de leitura preferido para iniciar as melhores recomendações. O Kindle tem também acesso wi-fi para que possam fazer compras de livros no próprio tablet a partir da plataforma de livros da Amazon. Tem também ligação com a rede social Goodreads que, por não ser utilizadora, não tenho condições para partilhar um feedback convosco.

Sabia que a minha experiência de leitura iria ser diferente mas confesso que nunca imaginei que me iria ver rendida ao Kindle. A sua leveza, a possibilidade de ter toda a minha biblioteca num só lugar e que posso aceder a qualquer momento, o conforto visual na leitura — não cansa nem um bocadinho a vista! — e o pormenor de poder ler deitada virada para qualquer lado da cama — sei que parece uma trivialidade, mas se gostam de ler deitados, como eu, vão perceber por que estou a valorizar tanto — têm-me deixado completamente rendida. Aguardo apenas que chegue uma capa protetora para transportar o Kindle no meu dia-a-dia — e o seu tamanho é perfeito, visto que cabe em todas as minhas bolsas e não pesa nada. Tinha a certeza de que iria reconhecer as vantagens e mas tem sido surpreendente ver-me completamente fã deste gadget que não só é prático como recuperou alguns dos meus hábitos de leitura. Se gostam de ler, se procuram algo que torne os vossos hábitos de leitura mais práticos e funcionais, eu recomendo muito.

Deixo abaixo o esclarecimento de algumas questões relativas ao universo dos e-readers. Espero ajudar-vos a entender melhor esta tecnologia e, quiçá, a tomar uma decisão mais informada! 

terça-feira, 21 de maio de 2019

DAILY || 5 a.m


Uma das minhas maiores transformações pessoais foi passar a ser uma morning person. Talvez seja por isso que não tenha sido tão surpreendente ter adoptado uma nova rotina, logo no início deste ano: acordar às cinco da manhã.

Se mo tivessem dito há uns anos, não acreditava e diria que era loucura. Mas a verdade é que se tornou num dos meus melhores hábitos, sem exagero. Sendo sincera, pensava que ia conseguir fazê-lo durante uma semana e depois fracassava. Mas tem sido completamente benéfico na minha vida, e com zero sacrifício. Evidentemente, só funciona de uma forma saudável e possível a longo prazo porque me deito cedo. É impossível alguém acordar às cinco da manhã com vontade de viver se se deitar às onze e meia da noite.

Em rigor, o meu maior desafio foi mesmo este: abandonar os serões, o sofá depois do jantar e tratar imediatamente de me preparar para deitar. Mas tenho conseguido fazê-lo e a minha regra de ouro ajuda-me a relaxar. A minha ansiedade também melhorou muito. Como sinto que aproveitei bem o meu dia, não vou para a cama tão angustiada e o cansaço natural ajuda-me a dormir melhor.

Desde que entrei numa rotina profissional, a minha ansiedade piorou substancialmente com a ausência de tempo livre. Ficava esfomeada de fins de semana e folgas que me deixavam ainda mais infeliz pelo pouco tempo que dispunha para tudo o que queria fazer. Chegar a casa depois do trabalho, já cansada, desgastava-me e entristecia-me mais. Uma bola de neve de melancolia. Deitava-me tarde porque não queria reconhecer que o dia ia terminar, outro ia recomeçar e que a minha 'liberdade' começava só depois das 19h. Eu sei; toda a lenga-lenga de fazer um trabalho que gostemos. Sejamos sinceros: nem sempre é uma realidade e muitas vezes temos de aguentar a barra para chegarmos ao trabalho que queremos.

Acordar às cinco da manhã traduz-se em imenso tempo para mim. Não despertar imediatamente com a agitação de ter de me despachar para sair de casa tem sido fundamental na minha felicidade e saúde mental. Posso decidir como quero começar o dia. Sei que não é um hábito realista para muita gente que já acorda praticamente a essa hora para apanhar transportes ou conduzir — been there, done that. Mas se é possível para mim, por que não desfrutar? Aproveito este tempo de madrugada para adiantar e-mails ou rascunhos do blog, para brincar com a Belka, para treinar Alemão (e, agora, Italiano), para fazer exercício, comer um pequeno-almoço de qualidade sentada e a assistir a um vídeo ou uma série/filme, para ler... No fundo, qualquer coisa que me traga felicidade e energia, sem tarefas ou obrigações. E acho curioso que muita gente me pergunte 'tu acordas cedo para ler/ver uma série?' à qual eu coloco uma contra-questão 'e tu deitas-te mais tarde para ver mais um episódio?'. Vai dar ao mesmo. Eu simplesmente escolhi estar acordada no meu intervalo de produtividade e concentração.

Outra coisa que aprecio é ter exatamente a mesma sensação de sossego que tinha quando me deixava ficar até de madrugada; aquela quietude que qualquer night owl aprecia, a sensação de que o mundo inteiro está a dormir e que não há nada que nos vá perturbar ou incomodar, de repente. Sinto precisamente isso quando acordo a esta hora. Sou só eu, o meu chá quente, os meus planos felizes, sem ninguém a interromper ou chamadas/mensagens inconvenientes... É libertador. De verdade.

Não há nada mais incrível do que estar a beber o meu earl grey e a ver o Sol nascer sabendo que já fiz coisas que me deixam feliz e realizada. É a mudança mais inesperada da minha vida e que tenho um medo gigante de perder ou, de súbito, deixar de ser possível. Mas, enquanto é, tenho sido das 'loucas' que acorda às cinco da manhã e nunca me senti tão produtiva, saudável (física e mentalmente), bem disposta e feliz com uma rotina. Quem diria?

segunda-feira, 20 de maio de 2019

EVENTOS || Modo Voo


No passado dia 11 de Maio, no Bang Venue, assisti a Modo Voo, o mais recente espetáculo de stand-up do Guilherme Geirinhas. Foi a primeira vez que fui a um evento de comédia e, reconheço, as expectativas estavam altas, especialmente porque acompanho com uma certa regularidade o trabalho do humorista  pelas suas redes, pelo Youtube, até mesmo pelo podcast, que já vos recomendei aqui

Com todo o cuidado cénico  e que merece ser destacado , o Guilherme leva-nos numa viagem por alguns dos assuntos que mais o intrigam, entre momentos altamente pensados e ocasiões de improviso. Não quero revelar muito quais são os temas porque acho que este efeito surpresa também faz parte da riqueza do espetáculo mas devo confessar que os meus momentos preferidos foram, na verdade, aqueles em que o senti a improvisar e a desfrutar do momento com o público. O seu humor é inteligente e, embora tenha sentido que algumas piadas ou temas já eram um pouco datados, o momento de boa disposição que me proporcionou foi incrível e permitiu-me desligar do mundo lá fora.

Não posso deixar de destacar o último segmento relativo à ansiedade. É onde sinto que o Guilherme se colocou na posição mais vulnerável para fazer humor. Mesmo sabendo que ele não procura ser bandeira da causa, é um alívio poder encontrar comédia num assunto que tanto me diz e sensibiliza. Foi o meu momento preferido da noite e sinto que valeu pelo bilhete inteiro. Saí desta viagem satisfeita, bem disposta e contente por termos tantas boas apostas nacionais na comédia. Foi a minha estreia e certamente não quero que fique por aqui.