terça-feira, 15 de agosto de 2017

Travel Q&A


Gostariam que eu fizesse um Travel Q&A? Então deixem nos comentários as vossas questões relacionadas com o tema, podem ser curiosidades que queiram satisfazer sobre as viagens que já fiz ou dúvidas que achem que eu sou capaz de esclarecer, dicas, conselhos... O que quiserem!

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

MÚSICA || Playlists do Spotify Preferidas


Não é segredo nenhum para vocês que eu adoro música, nos mais variados estilos. Existem vários tipos de ouvintes de música - todos eles válidos - mas eu sou incapaz de viver sem música e de só ir conhecendo coisas novas através da rádio. Não sou uma pessoa que ouve música pela sensação de companhia ou para encher a sala, como muitas vezes fazemos com a televisão. No fundo, eu não consigo ter esse tipo de distanciamento da música. Podia dizer que se deve ao facto de ter estudado música, de ter tocado um instrumento, de ter estudado um sem fim de partituras, mas é mentira. Desde miúda que sou assim, ligada à música, mesmo quando nem sequer compreendia notas musicais.
Eu adoro fazer playlists no Spotify. A prova disso é as dezenas que tenho criadas no meu perfil. Nenhuma existe por acaso e eu gostava de partilhar convosco quais são as minhas cinco preferidas, de todas as que criei. Talvez alguns de vós já as conheçam - e sigam! -, mas eu queria apresentá-las de uma forma mais pessoal e especial.

hot chocolate moment
Sempre quis que esta playlist transmitisse conforto. E encontro quando olho para a janela e vejo um dia nublado, com uma caneca cheia de uma bebida quente e fumegante, com a cerâmica a aquecer as minhas mãos, com o gosto doce da bebida a escorregar pela garganta. É um momento simples, relaxante, mas que me deixa muito feliz. Eu encontro conforto em cafés com mesas de madeira, janelas grandes, música Jazz ao fundo e o sorriso de alguém com quem converso. Foi a pensar nestes pormenores aconchegantes que escolhi as músicas desta playlist e espero mesmo que se sintam assim, desta forma que eu descrevi.


you'll be the dj, i'll be the driver
Esta playlist já teve um nome diferente - que é o mesmo que está na capa e que eu mantive, pelo carinho -: chamava-se "A música que vou ouvir no meu Fiat 500". Era, de certo modo, a playlist que eu gostaria de ouvir se eu conduzisse o carro dos meus sonhos. Nada me faria prever que, de facto, eu ia ter um Fiat 500 para ouvir a playlist que tinha criado especialmente para ele. Foi de tal forma engraçado que não tive coragem de mudar a capa, mas mudei o nome. Nesta playlist, encontram todas as músicas que eu gosto de ouvir enquanto conduzo. Aqui, existe uma certa mixórdia e não deixam de ser escolhas muito particulares, mas eu sempre gostei de conduzir com músicas cheias de ritmo e sonoridade. Embora adore a Smooth FM, reconheço que não é, de todo, este o estilo de música que eu gosto de ouvir quando o volante está nas minhas mãos. Eu adoro cantar - bem alto -, batucar com os indicadores no volante, fazer coreografias de pescoço e ombros, aproveitar os semáforos para acrescentar mais estilo às minhas danças e de sentir a harmonia entre a paisagem que se desfoca com a velocidade e a energia das faixas escolhidas. Esta é a típica playlist para darmos um concerto e fazermos figuras tristes no trânsito. Ou para trazer mais beleza e intensidade a uma roadtrip.


instrumental mood
Aqui, as minhas raízes de estudante musical abraçam-me. Eu confesso que, por mais que adore uma boa voz, o meu coração inclina-se sempre para o lado instrumental. Eu adoro quando uma música tem um excelente corpo musical, do qual nem sentimos falta da voz - que também é um instrumento, eu sei -. Aqui não há voz mas há sons aveludados das cordas dos violinos e violoncelos, pingos de chuva provocados pelos pianos, batimentos cardíacos acelerados pela energia das cordas das guitarras, fluidez garantida pelos instrumentos de sopro. Há música clássica e contemporânea e inúmeros artistas que podem ficar a conhecer pela sua mestria em composição ou instrumentalização. Também gosto muito de incluir nesta playlist algumas faixas de bandas sonoras preferidas de filmes. Enfim, talvez não seja uma playlist com um ritmo fluido e harmonioso (tanto podem estar a ouvir, num momento, uma música de piano delicada como, na faixa seguinte, uma banda sonora apoteótica) mas acho que é um espaço excelente para mergulharem no mundo dos instrumentos e da música no seu lado mais orgânico. Gosto sempre de aconselhar quem ouve esta playlist (ou música instrumental) para prestarem atenção em todos os sons e nos instrumentos de fundo, e não simplesmente na sonoridade em geral.


nap nap
Embora seja um título sugestivo, não é música de dormir. Há dias em que só quero deitar-me (ou mergulhar numa banheira de água quente e perfumada) e fechar os olhos. Não necessariamente para dormir, mas para sentir o peso do dia e os problemas acumulados a esfumarem-se. E, por isso, escolhi músicas que transmitissem esta sensação de leveza, de relaxamento. Sem ritmos acelerados, sem mudanças de volume inesperadas, sem gritos ou sonoridades pesadas. As vozes são delicadas, os tempos são vagarosos, os sons são tranquilizantes. É uma playlist que eu espero que, quem a oiça, consiga respirar fundo, de olhos fechados, e sentir o corpo a amolecer, o ombros a perder a tensão, o peito a ficar mais leve e - porque não?  - as pálpebras a pedir uma sesta apaziguante. É um refugio.


you go girl!
Eu acho tanta piada a esta playlist. É para todos nós - rapazes também, perdoem-me pelo sexismo do título -. Escolhi músicas que nos levantem o astral, que animem o nosso espírito, que nos relembrem da confiança que temos dentro de nós e de que nunca nos devemos esquecer do quanto valemos e da importância do nosso amor próprio. Pode fazer com que a manhã fique mais animada, e já vale a pena. Pode fazer com que andemos de uma forma mais confiante, na rua, enquanto ouvimos as batidas nos fones, e a missão já está cumprida. É a lista de músicas ideal para dançarmos ao espelho enquanto vestimos o nosso visual preferido, para ganharmos energia extra a meio do treino, para enxugarmos a última lágrima e dizermos "agora vou dar uma chance a mim própria de ser feliz". São as músicas que eu acho que nos inspiram a olhar mais além, a sentirmo-nos bonitos, suficientes e incríveis. Nós conseguimos chegar lá e, às vezes, a música pode ajudar-nos a relembrar disso. Ou dar o ritmo necessário para o interiorizarmos.


Foi uma publicação diferente, mas eu diverti-me tanto a fazê-la! E vocês, quais são as vossas playlists preferidas, no Spotify?

domingo, 13 de agosto de 2017

DAILY || Estrelas Cadentes


Ontem, dirigi-me à varanda e fiquei surpreendida com a noite de verão que contemplava, sem brisas frescas. No entanto, não resisti em trazer comigo uma manta fininha, para aconchegar as pernas. A promessa era de uma chuva de estrelas cadentes que não queria perder.
Esta é a vantagem de viver no campo; todas as noites, eu tenho o privilégio de admirar um céu que muitos só desfrutam através de um acampamento, numa floresta. Sentei-me no lenço com o pescoço bem esticado, observando as centenas de estrelas brilhantes que tornavam a noite sardenta e luminosa. O céu era de perder de vista e com pontos de luz incontáveis. Se desviasse o olhar para o topo, o breu da noite abatia-se sobre mim, mas não era uma escuridão monocromática. À medida que ia descendo o olhar para o horizonte de planícies, o céu aclarava para um azul mais luminoso.

Fico sempre com expectativa quando sei que vão passar estrelas cadentes. É ainda mais incrível quando conhecemos um pouco da mecânica do Universo e admiramos a espectacularidade deste tipo de fenómenos.

A Belka juntou-se a mim e deitou-se imediatamente por baixo do lenço. Conseguia dar-lhe festinhas na cabeça com a ponta dos dedos e sentia o seu calor tão confortável. Brinquei com as orelhas dela, de um pêlo macio, quase como um peluche, enquanto aguardava a primeira aparição. Cá fora, só se ouviam os grilos a cantar num coro planeado, enchendo o ar com o som natural e relaxante. Por vezes, o concerto dos grilos era interrompido pelo canto das corujas e mochos ou pelo barulho provocado pela corrida rápida de um coelho. Mas tudo fluía em harmonia.

Quando a primeira estrela caiu no céu, brilhante, fugaz e deixando o seu inesquecível rasto de luz, exclamei o meu deslumbre para a Belka, que encarou a excitação com pulos e lambidelas na minha mão. Eu apontava para o céu, como se ela possivelmente soubesse o que estava a acontecer. Afinal, não é ela uma cadela espacial?
Depois desta, muitas outras se seguiram. A certa altura, deixem de as contar e simplesmente deixei-me ficar ali, deslumbrada, sem palavras. Não me passava sequer pela cabeça pedir desejos mas, instintivamente, fechava os olhos nos segundos seguintes à sua aparição. A Belka também parecia ficar atenta ao céu, ocasionalmente, com o seu olhar concentrado focado nas estrelas. Depois voltava a enroscar-se em mim. E assim se passaram horas, dividindo este momento na companhia uma da outra.

O Universo, as constelações, as estrelas e todos os outros pormenores fascinam-me. Quanto mais sei, mais perguntas faço e mais arrebatada fico com as respostas. E eu deixo-me levar, quando olho para as estrelas, quando olho para estes fenómenos encantadores. Sinto tudo ao meu redor esfumar-se e sinto que só existo eu, a Belka e as sardas do nosso planeta.

Talvez devesse ter cedido à tradição mágica e ter pedido um, ou dezenas, de desejos. Afinal de contas, há tanto na minha vida que eu ficaria feliz por ver concretizado e resolvido com um pedido a um feixe de luz. Mas ali, com o focinho pequeno da minha cachorra no colo, que me vê como o seu mundo, sem brisa fresca, com uma orquestra de grilos e um manto brilhante de um design inimitável, senti que ia ficar tudo bem. Talvez não de uma vez e tudo concretizado, como irracionalmente almejamos. Mas tudo irá encaixar no sítio certo e todos os meus caminhos vão dar aos devidos lugares. E sorri.

Curioso como somos absolutamente insignificantes no vasto Universo, mas o mundo mais importante das pessoas que gostam de nós até ao nosso último átomo.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

FOTOGRAFIA || Analog Summer


Este verão, tenho dado uso à minha câmara analógica. Além de todo o sentido de oportunidade quando só temos 30 chances de registar momentos, sinto que não é só a fotografia que se torna palpável - contrariando um pouco o movimento digital.

Há uma beleza que não vos sei explicar mas que me envolve por completo quando escolho a dedo quais são os momentos que quero perpetuar. Quais são as pessoas cujos sorrisos quero registar. Qual a altura do dia que eu quero guardar, para sempre. E quando revelamos estes registos, parece sempre que têm sabor a arte. Nunca nos queixamos de absolutamente nada porque todos os focos, luzes e pormenores estão apanhados exactamente da forma como deviam. São fotografias que nunca perdem essência, muito pelo contrário - libertam-na.

Há qualquer coisa de apaixonante numa fotografia desfocada ou de uma expressão facial espontânea, porque significa que estávamos demasiado ocupados a desfrutar em pleno do momento para preparar poses ou sorrisos. O desfoque traz o movimento, que traz a recordação. Do abraço. Da dança. Da gargalhada que nos faz soltar a cabeça para trás. A expressão facial traz o discurso, o olhar que nunca fica registado quando estamos concentrados em sorrir para a câmara, o sorriso de perfil que só dá para ser captado quando desconhecemos estar a ser fotografados.

O flash que faz o rosto ficar num clarão, com um pequeno vislumbre dos olhos. O flash que choca e reflecte a luz que a própria pessoa já irradia, de dentro. Eu olho para estas fotografias - umas mais bem tiradas que outras, todas elas importantes - e sinto a essência de cada uma. Eu oiço a gargalhada que apanhei. Sinto o cheiro do fumo do churrasco que preparávamos. Oiço o som dos pássaros na paisagem. Recordo a piada que me disseram no segundo antes de me apanharem através da lente. Sinto o perfume das pessoas e o toque dos seus abraços. Fico com o gosto da pizza que mordemos, ao mesmo tempo, e da Coca-Cola doce e fresca que estala na língua. Recordo-me dos raios de Sol finais que me escaldavam o ombro direito e recordo a pele arrepiada do ombro esquerdo, escondido na sombra. Sei todas as músicas que tocaram na fotografia de tons mais escuros. Leio as nossas conversas através dos olhos que foquei. Eternizo sentimentos que podem não durar para sempre, na vida.

Há sempre verdadeiros artistas de máquina. Os que conseguem fazer todas as luzes resultar, os que fazem todos os focos dar certo. Os que admitem a derrota quando está demasiado escuro. Os que sabem quando o rolo está a queimar. E depois existe a própria arte do acaso, que a fotografia analógica promete, sempre. De abrir o envelope e descobrir como é que a espontaneidade se apanha. São registos que tiramos, às coisas e pessoas, por fora, mas que nos revelam sempre a sua essência, por dentro.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

LIVROS || Licenciei-me... E Agora?


Entrar na Faculdade é, finalmente, levantar um véu de veludo opaco que nos ocultava os grandes desafios, segredos e realidades que teríamos de enfrentar. Quando nos começamos a ambientar à nova etapa, tudo fica mais simples e possível. 
Mas quando terminamos a licenciatura e dão-nos o canudo para a mão, vemos um outro véu de veludo à nossa frente, muito mais assustador. Há um ano que estou licenciada e vi-me no meio dos lobos e sem saber se aquilo que estava a fazer era o suposto, se era natural ou sequer se estava bem feito. Era uma sensação de improvisação sem guia que me devorava - nos devorava, não era nem nunca serei a única - e que só me fazia perguntar, no final do dia "Mas o que ando a fazer? E o que estou a fazer está bem feito?"

Sinto que foi a partir destas mesmas dúvidas e "pontas soltas" que a Catarina se agarrou para escrever este livro. É sempre uma enorme sensação boa e de orgulho quando vês alguém cujo trabalho acompanhas há muito tempo, finalmente atingir mais uma meta, especialmente quando essa meta é algo tão grande como um livro. Dei pulos de alegria quando vi que a Catarina teve a cortesia de me oferecer um exemplar, ao qual eu agradeço profundamente.

Licenciei-me... E Agora? responde às perguntas mais simples que formulamos na nossa cabeça assim que metemos um pé fora da Faculdade. Não subestimem: por serem perguntas simples e muito naturais da nossa cabeça, não significa que não sejam legítimas e com milhões de possibilidades de resposta. A Catarina apresenta-nos algumas dessas possibilidades, sempre com o seu background profissional como alicerce para os seus conselhos, dicas, truques e conclusões, o que eu achei fantástico e admirável.

Não são só vocês que não sabem se devem responder aquele anúncio de emprego ou seguir outro caminho. Se devem permanecer na mesma área ou arriscar em algo novo. Se fazem um CV Europass ou experimentam um novo design. Ou como se escreve uma carta de apresentação. Ou o que dizer numa entrevista e como responder a um e-mail. Não são os únicos que estão no barco "como é que crio presença no mundo profissional?". Estamos todos e este livro traz esse aconchego: não estás só e nenhuma das tuas dúvidas é absurda ou impossível de resposta. 

Existem vários pormenores que me fizeram adorar a sua leitura, entre eles, a inclusão de testemunhos muitos distintos, que nos fazem conhecer várias perspectivas sobre o mesmo assunto - e conseguir abrir um pouco mais a mente em relação a muitos aspectos profissionais -, e o equilíbrio entre o percurso pessoal da autora e a sua estrutura prática e objectiva, fazendo com que a informação fique muito clara e concisa mas sem se tornar num livro demasiado técnico e aborrecido. Não é banha de cobra: efectivamente este livro pode ser a bengala para alguém que se vê completamente perdido sobre como agir, apresentar-se, procurar ou até investir o seu tempo no mundo profissional. Não vai traçar o caminho que vocês precisam para chegar ao sucesso, mas é um bom treinador para que vocês consigam chegar lá com a vossa personalidade e talento. E isto era muito urgente!

Já sou licenciada há um ano e já me lancei aos lobos. Claro que não pude deixar de me identificar com inúmeros pontos deste livro, incluindo o estágio curricular que não termina bem - e nunca se sintam falhados se o vosso também não for de sonho -, abraçar um emprego que nada tem a ver com a vossa área de formação - foi o meu primeiro emprego e foi maravilhoso, aprendi tanto e gostei tanto de lá estar! -, receber dicas muito fortes sobre o meu CV - obrigada Dinis! - e sentir que a minha paixão por uma coisa tinha morrido e sentir-me culpada por isso. Tudo isto eu vivi e a Catarina também, só que ela conseguiu transformar todas estas experiências em dicas e aprendizagens maravilhosas que eu jamais seria capaz de fazer, mas que acho importante que as conheçam. Porque vão estar mais preparados para vivê-las do que talvez eu e a Catarina tenhamos estado. É maravilhoso!

Não risco em livros e não os sublinho. Mas não conseguem imaginar as dezenas de excepções que abri neste livro para marcar dicas valiosas, truques fantásticos e links úteis. Se tivesse de entregar apenas uma palavra ao Licenciei-me... E Agora?, seria: útil. Também eu continuo a viver os meus desafios profissionais e também continuo perdida em alguns assuntos e o livro ajudou-me não só a esclarecer muitas dúvidas como também a sentir-me mais confiante por ver que algumas das acções que fazia, desconhecendo se estavam bem feitas ou pertinentes, eram cruciais.

Recomendei-vos o Faz o Teu Curso na Maior, para quando mergulhassem na vida académica. Agora recomendo-vos - vezes e vezes sem conta - o Licenciei-me... E Agora? quando mergulharem na vida profissional. Muitos, muitos parabéns, Catarina, por todo o trabalho e dedicação - muito visíveis - que depositaste neste livro e que, acredito, é uma bóia salva-vidas para muita gente. Pelo menos foi para mim, confesso.

Autora: Catarina Alves de Sousa
Número de Páginas: 183

quarta-feira, 2 de agosto de 2017


Previsível mas fantástico, Julho foi (muito) musical. Mas não foi só de (boa) música que este mês ficou registado. Certo, o tempo por aqui não foi o mais fiel ao verão, mas todos os meus dias foram muito luminosos e cheios de momentos e detalhes que tornaram Julho absolutamente especial. Espero conseguir passar-vos esta alegria e energia!

domingo, 30 de julho de 2017

ISTO É TÃO INÊS || Reconheço-me


É tão belo e familiar quando nos encontramos nos outros e no mundo. Não no sentido de nos apropriarmos de algo ou alguém, mas no sentido de nos vermos ali, reflectidos, tão nós. Tão Inês. Quando me vejo numa citação do meu livro preferido, na letra das músicas que oiço. Nos sons graves das cordas do violino e nos raios de luz dourados ao final do dia.
Quando me encontro nos meus sabores preferidos, na frescura dos gelados, no aconchego da sopa, do tempero das comidas. Quando vejo o meu trejeito a sorrir no rosto de alguém e os olhos a brilhar da mesma forma. Quando vejo a minha expressão de sempre sair espontaneamente dos lábios de um amigo. Quando o amarelo do girassol me recorda dos meus cabelos loiros a brilhar ao sol e as rosas vermelhas do meu rubor constante em elogios sinceros.
Quando me encontro num personagem de um filme e nas ondas do mar. Na gargalhada das pessoas que gosto, na peculiaridade do Earl Grey Tea com leite que bebo, todas as manhãs. Nas constelações que observo da janela panorâmica do carro, num céu com sardas iguais às minhas. Eu encontro-me no calor do verão e no nublado do outono. Ou quando me sinto espelhada num quadro de um pintor que nunca soube quem era. No som do piano com as luzes de Natal, no inverno.
Encontro-me nos abraços que recebo de quem conhece o meu coração a microscópio. E encontro-me nos poemas sobre o amor - aos outros e a nós próprios. Na frescura de um mergulho de piscina de manhã. Na postura a ouvir da minha mãe. Nas músicas de jazz que escuto num café. Nos temas de conversa que me desafiam.

É uma sensação quentinha, que me aconchega por dentro. Quando nos reconhecemos nos outros, nas coisas, nas sensações, reconhecemos quem somos também. Eu encontro a Inês em qualquer lugar e em qualquer detalhe, se ela lá estiver. Eu conheço-a. E a verdade é que nos adaptamos ao mundo nas suas mais inesperadas e intrigantes características, mas quão belo é saber que uma parte ínfima do mundo tem a cortesia de, também ele, se adaptar a nós? 

quinta-feira, 27 de julho de 2017

FILMES || To The Bone


Ellen tem 20 anos e sofre de anorexia nervosa. Depois de inúmeras tentativas falhadas e expulsões em clínicas, a madrasta decide fazer uma última tentativa e consultar um médico com ideias de tratamento pouco convencionais e que desafiam a jovem a ver a vida além da doença.

Não estaria a falar sobre este filme se fosse mais um sobre anorexia. Não há tema mais saturado que este, seja em filmes, séries, novelas, trabalhos de grupo da escola. Já toda a gente (diz que) sabe o que é e quais são os sinais. To The Bone apresenta-nos a anorexia - e, por conseguinte, o seu tratamento - de uma forma completamente nova e muito desconhecida para os leigos da área da nutrição e da psicologia. Toca em vertentes da doença que raramente são falados nos meios comuns que acima referi. Mostra-nos vários tipos de pessoas que sofrem de anorexia e com fisionomias, géneros, e backgrounds familiares diferentes e eu acho isso muito interessante.

O tema é pesado, mas o filme é muito leve, jovem - como o seu elenco - e com muitos laivos de comédia, que aligeiram um tema cada vez mais urgente. Apesar de ser da área de nutrição, sou muito pouco fundamentalista em relação a tudo, inclusive no respectivo tratamento das pessoas, e gostei muito de ver a abordagem deste médico para o tratamento da anorexia - embora, em Portugal, fosse completamente irreal porque iria ser devorado por todas as Ordens possíveis e imaginárias -. Ainda assim, os seus métodos de diálogo com os pacientes, os exercícios que propunha, os desafios que lhes apresentava foram muito importantes para me enriquecerem profissionalmente. Só por este detalhe, eu recomendo imenso este filme a todos os meus colegas de nutrição e - muito importante - psicologia.
Um outro pormenor que me surpreendeu imenso foi descobrir que a própria protagonista do filme, Lily Collins, já sofreu de distúrbios alimentares. E só por esse facto eu admiro-a muito por ter aceite participar num desafio tão grande como este e fazer um retrato tão real da doença. Acredito que não tenha sido fácil.

To The Bone é um filme leve que retrata a anorexia tal como ela é, em todos os seus espectros: uma doença mental. Actual, envolvente e que nos coloca a reflectir sobre a imagem que temos do nosso corpo e sobre o quão complexa é esta doença - embora os vossos trabalhos de 8º ano e seguintes dêem a entender que não -.
Recomendo a toda a gente. Toda a gente. Precisamos de mais filmes assim, que nos dêem um choque. E para os meus parceiros de nutrição e psicologia, é obrigatório.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

PASSAPORTE || Van Gogh Alive - The Experience Lisboa


Descobri esta exposição há muitos anos, numa foto do Tumblr, e fiquei deslumbrada com a ideia. Mal sabia eu que, anos depois, este conceito iria chegar a Lisboa: o Van Gogh Alive.
Van Gogh Alive é, na minha opinião, uma forma muito interessante e diferente de conhecer um dos artistas mais icónicos do mundo; é uma exposição repleta de telas em toda a sala - nas paredes, no chão, no tecto - que projectam todas as suas obras principais, seccionadas por época, local e temáticas.



É muito importante recomendar-vos que não tenham expectativas megalómanas em relação ao lugar da exposição: é composta por uma única sala, sem alas, corredores, secções ou andares. É apenas uma enorme sala aberta com todas as telas estrategicamente colocadas para, num só olhar, conseguirmos abranger todo o espaço e observarmos todas as obras projectadas.

Existem aqui vários pormenores que diferem esta exposição de um museu; a principal é a ausência de originais; a exposição não contém qualquer tipo de quadros ou obras, é única e exclusivamente composta por telas gigantes. No entanto, não deixa de ser verdadeiramente interessante conseguirmos visualizar uma pintura numa projecção tão grande e tão próxima do nosso olhar; os padrões ganham uma nova perspectiva e podemos reparar em pormenores que iriam passar ao lado no quadro, a uma distância segura imposta pelos museus.


Um outro ponto que considero que difere, é que esta exposição é muito sensorial; a sala enche-se com inúmeras composições clássicas famosas, escolhidas a dedo para cada temática e que se fundem em harmonia com a projecção das obras; no cimo da parede, encontram as citações mais inspiradoras de Van Gogh, que nos fazem reflectir enquanto observamos com tanto pormenor cada pincelada; a sala negra fica repleta de cores. Esta é uma forma de ver e sentir a arte que puxa muito aos nossos sentidos, e foi um dos pormenores que mais gostei. 
O último ponto que difere de um museu é a sua informalidade, que torna a sala tão agradável. O chão é todo alcatifado para que nos possamos sentar em qualquer lugar, a sala está repleta de puffs que podemos transportar para onde quisermos e apreciarmos as obras de uma forma descontraída, podemos tirar fotografias, andar de mochila e tocar em todas as telas. Este último pormenor é a chave d'ouro para os mais pequenos, que deliram com a possibilidade de andarem por cima das telas e tocarem nas estrelas pintadas em movimento. Esta interacção atraí a sua atenção e fá-los conhecer o artista de uma forma mais divertida.



Esta experiência foi quase terapêutica; foi verdadeiramente relaxante ouvir as composições sentada no puff, lendo as citações e observando os quadros, fazendo um ou outro comentário. A sala era relaxante, acolhedora e inspiradora, o que inevitavelmente fez com que me conseguisse concentrar em absoluto para conhecer este artista tão sensível e conturbado. Senti muito facilmente uma ligação com Van Gogh - que não tinha, ele não é dos meus pintores preferidos, embora admire profundamente a sua técnica -.
Foi também um privilégio ver que algumas das obras projectadas eu já tinha visto ao vivo e podia, agora, observá-las numa nova roupagem.



O único ponto que me desagradou bastante foi o preço absurdo cobrado pela exposição. Pagámos 10,50‎€ pelo bilhete estudante e, para o conceito e dimensão da exposição, achei que o preço ia muito além do exagero, o que é uma pena porque acho que esta seria a forma ideal de muitas pessoas, que não têm possibilidade de ir a Amesterdão, Paris, Madrid ou Nova Iorque, poderem conhecer Van Gogh e as suas obras. Mas é este o "preço a pagar" para quem gosta de viver experiências culturais estimulantes. Para crianças dos 6 aos 12 anos, o bilhete custa 9,50‎€, o preço de adulto é 12€ e maiores de 65 anos custa 11€. No entanto, existem ainda alguns packs de família que podem consultar.

Está recomendadíssimo para quem adora arte e cultura, no geral. É uma experiência de enormíssima beleza e tranquilidade.

domingo, 23 de julho de 2017

BOM GARFO || El Floridita


Já vos apresentei o melhor lugar em Cuba para beber mojitos. Agora apresento-vos o melhor lugar em Cuba para beber daiquiris, El Floridita, também conhecido como "o berço dos daiquiris". Localizado em Havana Velha, a par do Bodeguita, este restaurante/bar tem uma fachada e uma decoração mais cuidada, evocando o estilo colonial e tornando-se, assim, num espaço mais sofisticado que o Bodeguita.

El Floridita também foi um bar muito frequentado por Hemingway, que inspirou a criação de um daiquiri especial, Pagluchi, que ainda hoje podem pedir. Além das mais variadas bebidas, podem também optar por um jantar mais luxuoso no salão de refeições e desfrutar do marisco.



Este é um espaço altamente turístico que, a par do Bodeguita, devem visitar, mesmo que não sejam apreciadores de bebidas alcoólicas. As heranças fotográficas e arquitectónicas, a beleza do salão e a animação constantemente garantida por artistas que vão tocar no interior do bar valem a pena e fazem os nossos olhos brilharem. No entanto, tenho um grande conselho para partilhar com vocês: a não ser que venham para fazer refeições, não apostem no Floridita para fazer uma paragem para descansar, uma vez que o salão é grande mas também está constantemente cheio. As mesas lotadas combinam com os balcões apinhados e com os turistas mais descarados que propositadamente ficam próximos das cadeiras, pressionando os que lá estão sentados a sair. O interior pode ser um pouco caótico e nada convidativo para dar descanso às pernas mas a animação de Havana é contagiante e, se tiverem um laivo pequeno de sorte como eu tive, ainda encontram uma mesa vazia para desfrutar do violinista que estava a tocar e encontram um cartão de wi-fi perdido e que ainda tinha minutos disponíveis. Não bebi daiquiris, mas fiquei muito fã do lugar!