domingo, 28 de maio de 2017

ISTO É TÃO INÊS || 10 Coisas Que... Ainda Não Aprendi


O que não falta por esta blogosfera fora (e mais além) são aprendizagens. Sobre tudo e dos mais variados aspectos. Até aqui, pelo Bobby Pins, encontram uma série de exemplos disso. E é extraordinário poder partilhar convosco - e vocês comigo, quando fazem este tipo de publicações - estas conclusões, estas aprendizagens que vamos arrecadando consoante as nossas experiências, relações e histórias. Mas, hoje, gostava de partilhar convosco o que ainda não aprendi. Existe uma infinidade de coisas que ainda não concluí. Que até sei... Mas ainda não aprendi. Não interiorizei. Não afirmei em mim mesma e que, talvez, um dia, venha a aprender. A verdade é que ainda tenho muito para viver e oportunidades que, certamente, vão permitir-me chegar a estas aprendizagens! Mas se passamos a vida a partilhar o que já aprendemos, porque não reconhecer o que ainda nos falta interiorizar? É um exercício de reflexão inverso, mas igualmente bom. Experimentem. Enquanto isso, eu ainda não aprendi...

sábado, 27 de maio de 2017

BOM GARFO || Pizzarte


Tenho uma listinha de todos os meus lugares preferidos de Aveiro, e a Pizzarte faz parte dela. Não me recordo de que idade tinha quando lá entrei pela primeira vez, mas sei que tinha dentes de leite e que comi uma carbonara divinal.

A Pizzarte é um espaço de comida italiana excepcional. Numa localização péssima para estacionar e onde temos sempre de lutar para conseguir uma mesa (cheguem cedo!), compensa-nos com o seu ambiente claro e aberto, com os empregados sempre divertidos e simpáticos - passe o tempo que passar - e com o icónico tabuleiro de Xadrez gigante, onde eu jogava com o meu pai enquanto esperávamos que os pratos chegassem - e que depois fez as minhas delícias quando o primeiro Harry Potter estreou e eu fingia que era o Xadrez dos Feiticeiros -.


Desde a primeira visita, muitos pratos passaram por mim, entre carbonaras e margheritas mas, para que seja uma opinião fiel, para esta visita mais recente, pedimos uma quattro stagioni com os ingredientes todos misturados. Supostamente, a pizza é dividida em quadrantes e cada quadrante tem determinados ingredientes, mas nós preferimos misturar. E estava deliciosa, como sempre. A pizza é de massa fina e o que brilha é a riqueza dos ingredientes. São de qualidade, são escolhidos a dedo e fazem a diferença na hora de degustar uma pizza cheia de sabor.

É a minha recomendação prioritária quando sei que alguém vai a Aveiro e é a minha paragem obrigatória, quando regresso. A Pizzarte nunca desilude e tem sempre um ambiente leve e descontraído. É perfeito para o vosso jantar de amigas e descobri que, agora, faz entregas ao domicílio. A minha barriguita e carteira agradecem que não more em Aveiro.

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Rua Engenheiro Von Haff, 27, 3800-177
Aveiro
Contacto: 234 427 103

sexta-feira, 26 de maio de 2017

DESPORTO || 5º Trilho das Lampas


No passado dia 13 de Maio, decorreu o 5º Trilho das Lampas, em São João das Lampas, composto por 10 km de caminhada por entre caminhos e trilhos do Parque Natural Sintra-Cascais, enquanto o Sol se punha. A hora é escolhida a dedo para que possamos presenciar o pôr-do-Sol enquanto andamos no meio dos vales, e para que terminemos o percurso já de noite, com direito a guias de luz, tochas e lanternas, criando um efeito mágico.


Com o vislumbre do Palácio da Pena num lado e do Convento de Mafra do outro, não podia deixar de partilhar convosco aquela que, para mim, foi uma das provas mais bonitas que realizei. Embora esteja muito bem assinalada, a sensação de que estamos a embrenhar-nos na natureza é envolvente e desperta o nosso espírito mais aventureiro e curioso. É perfeita para quem gosta de passeios ao ar livre e para quem adora explorar serras e vales.


São garantidas muitas subidas puxadas, descidas, alguma lama e água, pelo que vos aconselho a levarem o calçado apropriado (ou um extra, depois de terminarem a prova). Ténis de trail - se já os tiverem - ou calçado próprio para serra é o ideal. Mas também estão garantidos horizontes de perder de vista, paisagens verdes fascinantes, o som constante dos pássaros, rãs e da água a correr nos riachos e cascatas, sem se escutar mais nada que não esta melodia e o ruído dos nossos passos. 


Curiosa e exploradora como sou, não resistia e entrava em trilhos paralelos e escondidos para ver cascatas, pequenos lagos e recantos escondidos e quase-secretos para quem segue a caminhada sem olhar ao redor. E dá vontade de nos escondermos nesses cantinhos para sempre. Parecem vir de um conto de fadas.

Esta edição já decorreu, mas estou a partilhá-la convosco porque existe sempre uma outra prova em Setembro, mais alusiva às festividades de São João das Lampas (a um pulinho de Sintra) e para a qual ainda podem inscrever-se. É perfeita para quem realmente gosta de se perder na natureza e de bons passeios. É inesquecível. Se tiverem possibilidade, não deixem de participar. Ou reservem um dia para fazerem uma visita ao Parque, que é deslumbrante.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

PASSAPORTE || Voltei para os teus braços, Aveiro


O regresso não foi planeado, nem sequer esperado, mas necessário. Com o tempo a contar e muitos locais a atender, fomos para Aveiro para um dia em completa correria. Ainda assim, eu fui de coração sorridente. Ia regressar aos braços de uma velha casa.
Aveiro é sempre um espaço de refúgio, para mim, seja qual for o motivo de visita. Sinto que, em grande parte, se deve por ter marcado tão fortemente a minha infância e crescimento; a maioria das minhas recordações de infância, das minhas memórias de adolescente, as aventuras felizes, as asneiradas, as histórias que ficam para contar, foram em Aveiro, em Ílhavo, na Costa Nova, na Praia da Barra, na Vagueira...

E sempre que regresso, as coisas já não estão iguais mas a essência permanece, imutável; o sítio que me viu aprender a andar numa bicicleta azul, sem rodinhas, em cinco minutos - com o meu pai todo orgulhoso e vigilante -; os parques onde a minha mãe gramava pastilhas gigantes porque eu queria ficar horas ao baloiço; os lugares - agora fechados, por culpa do tempo que não volta atrás - onde íamos parar depois de uma noitada de tasquinhas; o Estádio, onde passávamos horas depois de um jogo; o Autocarro Bar, palco da maior parte das nossas noitadas; o Fórum, onde fizemos um combate de pipocas épico, minutos antes de o Harry Potter e o Príncipe Misterioso estrear.

Há qualquer coisa de puro, que eu deixei ali. Uma inocência que já não volta - e é natural que não volte, faz parte -, uma Inês novinha e doce, uma Inês adolescente e a aprender a conhecer-se. Quando regresso, abraço todas essas memórias e reencontro-me com os lugares que me fazem feliz.

Deu para fazer o essencial, rever a família, dar o apoio que a nossa pessoa necessitava, comer as coisas que mais tinha saudades, nos sítios que queria. Deu para me sentir mais Inês que nunca, porque é um local que respira o meu nome, onde adoraria morar. E despedir-me custa sempre, especialmente quando é um Olá curtinho. Fico sempre com o nó na garganta, o apertozinho no coração. Mas sempre tão feliz. Sou sempre tão feliz, em Aveiro. Cidade de muita gente e onde muitas pessoas da minha vida já lá passaram, em visitas longas, em visitas rápidas. Mas, a essas pessoas, eu peço que me permitam o egoísmo: Aveiro é minha. O meu lugar. O meu refúgio. O lugar mais Inês do mundo. Que me recebe sempre de braços abertos e de lágrimas nos olhos, dizendo-me "Oh Inês, tinha tantas saudades tuas, gaiata!"

quarta-feira, 24 de maio de 2017

FILMES || Louis C.K. 2017


Louis C.K. é um comediante que eu adoro, de coração. Eu já partilhei convosco que não sou pessoa de gargalhada fácil, portanto, quando encontro bons comediantes que me levem às lágrimas de tanto rir, eu mantenho esta relação com todas as minhas forças. Apesar de nunca o ter assistido ao vivo, fazia as minhas delícias com os vídeos do Youtube - que recomendo que pesquisem se não fizerem ideia de quem se trata. Os temas, as vozes, as personificações, as conclusões, a sua completa ausência de fretes tornam aquela hora e meia num espectáculo extraordinário que me entretém durante tardes inteiras.

E agora a Netflix lançou um original com um stand-up completo do Louis. É como se estivéssemos a assistir ao seu talk-show ao vivo, com uma dinâmica de gravação extremamente parecida à que vão encontrar nos tais vídeos de Youtube que vos referi. E é absolutamente genial! Os temas são os mais variados, desde aborto à religião, guerras de e-mails a animais de estimação, amor verdadeiro a educação escolar. Com a garantia de que vão encontrar sempre uma opinião mordaz, cheia de vozes cómicas e conclusões de fazer perder o fôlego de tanto rir.

É a escolha ideal para reunirem uma carrada de amigos, pipocas, e carregarem no play. É a escolha ideal para quando estiverem numa tarde aborrecidíssima e quiserem passar um bom bocado a rir. É imperdível.

Poster

domingo, 21 de maio de 2017

EVENTOS || Cine-Concerto Harry Potter e a Pedra Filosofal


Comprámos os bilhetes em Janeiro e, desde então, fomos riscando o calendário, com expectativa, até chegarmos ao grande dia. O bilhete foi um certo tiro no escuro, porque não tínhamos lugares marcados e eu confesso que não sou muito fã da acústica do MEO Arena. Mas nem essas dúvidas impediram-nos de dar pulos de entusiasmo e alegria, como se fôssemos crianças.

Acompanhando o primeiro filme que deu início a uma saga tão acarinhada por tantos, Harry Potter e a Pedra Filosofal, esteve a Orquestra Filarmónica das Beiras, com mais de 100 músicos, a interpretar todas as músicas integrantes do filme, ao vivo. E foi um dos melhores concertos que tive o privilégio de assistir.

Quem é amante de música, como eu sou, compreende a importância deste elemento em filmes, especialmente em Harry Potter, cuja instrumentalização ainda acompanha muito a dinâmica do filme. As composições de John Williams - criador da banda sonora - sempre circularam pelos meus ouvidos e nunca passaram despercebidas durante o filme, tivesse eu a idade que tivesse. Estava, portanto, com muitas expectativas em relação à riqueza da instrumentalização, do timing - porque se se atrasassem um tempo, a música e a acção do filme já não iam bater certo - e da própria beleza que a Orquestra podia proporcionar. E não saí desiludida; tudo nos tempos perfeitos, a música envolveu o MEO Arena e trouxe ainda mais beleza para um filme que eu sei de cor e marcou a minha infância. 

Um outro detalhe que gostaria muito de salientar, foi o comportamento exemplar da plateia; num pavilhão inundado de pessoas, a Maestrina Sarah Hicks não só dominou com uma brilhante destreza e elegância a Orquestra, como também conquistou um silêncio absoluto do público, que só se insurgia para aplaudir no início, intervalo e fim do filme e nas cenas de comédia. Isto foi muito importante para que toda a experiência fosse mais bonita. Muita gente disse-me que não ia porque achava que não ia ser nada de especial; um grande erro. A fusão do cinema com um corpo tão gigantesco de músicos a tocar obras que conhecemos de cor foi envolvente, poderosa e arrebatadora. Em inúmeros momentos eu esquecia o filme e admirava todos os elementos que, lá em baixo, brilhavam. Eles conseguiram elevar a qualidade do filme e despoletar emoções mais fortes a cada acontecimento; ninguém ficou indiferente à abertura icónica e, por dezenas de vezes, eu e a Raquel segredávamos "Estou tão arrepiada!". E estávamos. O jogo de Quiddich ganhou outra intensidade, embora soubéssemos quem seria a equipa vencedora; o Voldemort rastejante na floresta proibida foi aterrorizante, como há muito tempo não o era; o jogo de Xadrez dos Feiticeiros fez os nossos corações vibrarem com a potência dos instrumentos de percussão. E a cena final, tão apoteótica, fez-me soltar umas lágrimas de emoção (eu admito!).

Eu gosto muito mais de música do que de cinema, não é segredo. Eu adoro ver orquestras, acompanhar bandas sonoras e compositores. Mas Harry Potter faz parte da minha geração, do meu crescimento. Sou fã ferranha. E não queria perder uma oportunidade destas por nada. Foi uma experiência mágica e cheia de beleza, que qualquer grande amante de música instrumental (e fã de Harry Potter) ficaria sem palavras. Harry Potter e a Pedra Filosofal foi o único, de todos os filmes da saga, que nunca tinha assistido no cinema. Hoje eu agradeço que a primeira vez tenha sido assim, desta forma.

sábado, 20 de maio de 2017

FAMÍLIA || 7 Coisas que Aprendi com o Pai


Não há almoços grátis: este pensamento já mereceu o seu devido tempo de antena aqui pelo blogue, mas foi um dos seus maiores ensinamentos, que fez questão de, desde cedo, mo explicar. Há sempre pedidos em troca, e um almoço grátis nunca é apenas um gesto inocente ou caridoso. Os almoços grátis pressupõem parceria futura, convidam a aceitares assinar um contrato, são expectativas de um beijo ao final da noite ou de um favor em troca. Sejam eles mais inocentes ou mais decisivos, os almoços grátis, mais tarde ou mais cedo se cobram. E é por isso que a carteira deve estar na nossa mão no momento em que a conta desce.

A vida é um convite: a vida é uma sucessão de variados convites que vamos aceitando ou declinando. A vida convida-nos a aprender, a tomar decisões, a tomar partidos e a escolher rumos. A vida convida-nos a estudarmos o que quisermos e a trabalharmos no que quisermos. Convida-nos a namorar, a fazer asneiras, a experimentar coisas e a falar com pessoas, a abraçar projectos. Cada dia é feito de milhões de convites e o mais importante é sabermos quais aceitar e quais declinar. A vida não está feita para aceitarmos todos os convites que nos surgem (porque muitos são traiçoeiros e porque não fomos feitos para todas as intimações) mas também depressa nos ensina que, se não aceitarmos pelo menos um, estamos a perder milhões de oportunidades, sem o sabermos.

A tua palavra é de honra: desde muito pequena, o meu pai ensinou-me a honrar o que quer que dissesse. Se fazia promessas, tinha de as cumprir, custasse o que custasse - afinal de contas, eu tinha prometido. Se afirmasse alguma coisa, tinha de me responsabilizar pelo que tinha saído da minha boca. Se me comprometia em alguma ideia, tinha de valorizar esse compromisso. Quando cresci - e comecei a visualizar o mundo de uma forma menos inocente e infantil - perguntei-lhe como era possível esta honra toda da palavra se a maior parte das pessoas não cumpre os mesmos princípios. E a sua resposta, essa, eu nunca vou esquecer "porque honrares a tua palavra não é um compromisso aos outros mas sim contigo. É saberes que tudo o que dizes foi pensado vezes sem conta, antes de sair da tua boca. É saberes que terás sempre plena consciência da mensagem que estás a passar aos outros, do que estás a prometer a alguém, de que realmente sentes aquilo que dizes. Nunca deixes de reivindicar a honra da palavra mas não te preocupes com a falta dela nos outros. É problema deles e, mais cedo ou mais tarde, vai pesar-lhes nos ombros. Preocupa-te com a tua porque só quando honras o que dizes é que tens confiança no que pensas e sentes. A honra não é para mais ninguém senão para ti própria."

A gostar de ler: na minha família, é difícil eu admitir quem me incutiu o gosto de ler. Dou a medalha à mãe porque era ela que lia todas as noites para eu dormir, mas era o pai que eu admirava porque tinha sempre tempo para ler. Para todo o lado, ele tinha um livro consigo e os mais variados autores passaram-me pelos olhos. Foi ele que me fez apaixonar por Saramago, quando me ofereceu as Intermitências da Morte. Foi com ele que aprendi a deixar as minhas anotações no final do livro, a data de quando o li e o local. É com ele que mais falo de literatura e é ele que me espicaça para experimentar autores diferentes e mais audazes. Para ele, uma pessoa que não lê é uma pessoa vazia e já vi muitos amigos meus, nada amantes de livros, pegarem num depois de um conversa com ele. É a sua arte favorita e uma das minhas, também.

Viver sem medo de arriscar: o percurso do meu pai e a sua história de vida é absolutamente fascinante e aventureira. Foi um homem que não desistiu do seu sonho quando todas as cartas apontavam-lhe outro caminho. Decidiu viajar, experimentar, aventurar-se, arriscar e caminhar para onde ele sabia que tinha de ir, mesmo que não fosse o caminho perfeito. Não fez o percurso mais clássico da vida de um adolescente e jovem adulto e eu fico muito aliviada por isso, porque acumulou uma experiência e uma sabedoria sobre a vida, sobre as ideologias sociais e sobre as pessoas que me inspira. É com ele que tenho as maiores discussões (no bom sentido) sobre a nossa sociedade, sobre o mundo, sobre viagens e sobre crescer. E desde sempre que o vejo dar-me empurrões para onde o sabor do vento me puxa. Ele nunca me impingiu um futuro; ensinou-me a voar mas, mais importante que isso, ensinou-me a cair.

Argumentar: já referi que é com ele que tenho as maiores discussões. A mãe também entra, claro que sim. É à mesa que um de nós se lembra de levantar uma daquelas questões terríveis que faz com que cada um escolha as armas que considera certas para se defender. É ele que mais sabe desarmar-me nos meus argumentos e é assim que eu os fortaleço. É ele que me tira as certezas e põe-me no lugar. É ele que me abre os horizontes e ensina-me que há mais cores além do preto e branco. Desde miúda.

Vamos perdendo certezas com a idade: foi também ele que partilhou comigo esta lição. Quando somos mais novos temos certezas de tudo. Se estou a andar e as casas estão a aumentar, estou a avançar. Se elas estão a diminuir, estou a recuar. E pronto. Somos muito assim, radicais, definitivos. Não só em ideologias ou opiniões. Falo mesmo em atitudes face à nossa vida e às nossas decisões; "não posso errar no curso porque só pode ser isto que quero", "nunca mais vou lá", "nunca mais falo com x pessoa", "vou sempre apoiar esta minha decisão". E a verdade é que, à medida que envelhecemos vamos ganhando mais dúvidas e as certezas passam a incertezas. E as casas já não diminuem nem aumentam. Às vezes vamos parar a ruas novas.

Feliz aniversário, pai!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

DAILY || Para adocicar o vosso dia (adocicou o meu, pelo menos...)


"Saíste super tarde da sala, hoje. Aconteceu alguma coisa?", perguntei eu, a olhar para o relógio enquanto o João me cumprimentava, acabado de sair da escola, com uma mochila gigante e pesada às costas e um ar de quem iria adormecer em meia-hora. "Estás a ver aquela menina ali? É a minha namorada.", respondeu-me, a apontar para uma menina a andar de moleta. "Ela torceu o pé no outro dia, por isso eu levo a mochila dela para todo o lado, na escola".

Fiquei derretida com a sua resposta, tão doce. Não havia ali nenhuma entoação de obrigação, queixa ou resignação. Ele levava a mochila dela porque era o certo, o mínimo que ele podia fazer para a ajudar. Quando contei à minha tia, nem quis acreditar.
Tenho muito orgulho neste miúdo. Eu sei que toda a gente diz isso dos seus pequenos petizes da família. Faz parte. Mas eu tenho muito orgulho porque ele é um menino extraordinário. Tem oito anos e uma noção de cavalheirismo, melhor, de companheirismo tremenda. Não há idade certa para percebermos que temos de ser a mão amiga do outro; E por mão amiga eu falo de um desconhecido na rua que precise de ajuda, de um amigo do peito que esteja a necessitar de nós ou da namorada (da escolinha ou da vida) que está de moleta. Quantas pessoas têm esta sensibilidade? Este toque? Quantas pessoas, bem mais velhas que o João, é que despertam das suas bolhas, das suas rotinas, do seu umbigo, para olharem ao seu redor?

Ele tem oito anos e acarta a sua mochila e o troley da namorada. Uma relação que, para nós, não nos diz nada, de tão novinhos que são. Mas que diz muito do seu carácter; tão pequeno, já tem um coração tão grande. É assim mesmo, João.

domingo, 14 de maio de 2017

MÚSICA || Parabéns, Salvador!


Não desmerecendo o enorme feito pelo Benfica, que é o meu clube e para o qual reservo um imenso orgulho, e confessando que não me identifico propriamente com tudo o que o Salvador afirma por aí, não podia deixar de dar os parabéns a um artista que criou um momento que, até à data, eu só tinha presenciado através dos jogos da Selecção: fez um país inteiro unir-se e torcer pela mesma coisa.

Numa competição europeia tão conhecida pelas suas tendências POP e de entretenimento, Portugal apresentou-se com uma voz delicada e doce e nada mais do que uma melodia de Jazz que, para mim, encaixa muito nas canções antigas da Disney e com uma letra melancólica, na língua mãe, que se abraça muito aos registos antigos do Fado. E conquistou Europa fora (e mais além).

Pela graciosidade da voz do Salvador, pelo arranjo instrumental muito rico, por a letra ser tão crua e vulnerável, Amar Pelos Dois destacou-se por ser única. Suscitou a curiosidade de quem não entende a nossa língua, para perceber por que razão a letra despertava tantas emoções nos outros que a compreendiam. E fez-nos acreditar que, mesmo que não ganhássemos, tínhamos apresentado um trabalho incrível e meritório. 

Ao fim de tantos anos a ignorar o programa, eu (e mais uma carrada de pessoas, acredito) liguei a televisão e torci nas votações. Porque merecíamos ganhar, mesmo que não fôssemos lá num registo POP. Nós entretemos. Nós prendemos um público internacional. Nós criámos empatia com uma voz a cantar a língua mãe. Isso é espectáculo e entretenimento. Merecíamos ganhar.

Foi um momento muito bonito para Portugal, em que todos celebrámos e festejámos sem que fosse por futebol - embora eu adore futebol. Mas há mais para celebrarmos e torcermos juntos e o Salvador provou-nos isso. Também provou algo que tenho vindo a dizer há muito tempo: a música é a melhor linguagem universal e que tem o poder de aglutinar uma população de origens diferentes, histórias de vida diferentes e crenças diferentes. É assim que a música funciona: aglutina.

Parabéns Salvador, por polvilhares açúcar em tantos corações. O mundo anda amargo demais.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

PASSAPORTE || 10 Destinos que Quero (muito!) Visitar


É de coração cheio que eu recordo todos os destinos por onde já pude passar, todas as culturas que pude conhecer, todas as comidas que já pude provar, patrimónios naturais, culturais, artísticos que pude contactar. Viajar é a melhor coisa que vão levar da vossa vida, esta é a única certeza que levo comigo, ano após ano. É um privilégio já ter conhecido muitos dos meus destinos de sonho e de me ter apaixonado por outros tantos que decidi conhecer - e que me esforço muito para que vocês conheçam e se apaixonem, também, por aqui - mas a lista dos que quero descobrir nunca pára de crescer. A cada nova viagem que planeio, outros cinco destinos despertam o meu interesse. Este é o problema de quem é mordido pelo bichinho das viagens - fica cada vez maior e mais audaz.

Mas temos sempre aquelas viagens de sonho. Aqueles destinos que até vos falta um batimento cardíaco, cada vez que pensam nele. E quando planeiam essas viagens, a emoção é tremenda. Hoje, trago-vos 10 destinos que me fazem sentir assim. Que eu quero muito, mas mesmo muito, muito, muito conhecer. Aqueles que eu mais quero cruzar da lista. Alguns são cidades específicas, que não quero perder por nada. Outros são países, porque escolher só uma cidade ficaria muito complicado e tornaria a lista absurdamente extensa. A ordem de apresentação é alfabética.