segunda-feira, 18 de setembro de 2017

INSTAGRAM || @catanacomics

A ideia começou quando John, o namorado de Catana, sugeriu-lhe que ela fizesse uma banda desenhada baseada na relação dos dois. Depressa os cartoons começaram a aumentar e Catana decidiu arriscar e partilhá-los online, até serem o sucesso que são hoje.

O Instagram @catanacomics é o que sigo para acompanhar as mini BD. Todas as semanas saem dois novos cartoons e são tão apaixonantes como engraçados. O traço das personagens é adorável e divertido e identifico-me muito com os diálogos, os temas ou o conteúdo - e, acredito, vocês também se vão identificar.

O @catanacomics mostra um lado do amor - e das relações - típico do casal que já se conhece na palma da mão e mostra como o passar dos anos não faz uma relação se conformar mas sim fortalecer, tudo de uma forma muito simples - com um toque de inocência que faz muita falta, hoje em dia - com pormenores amorosos e detalhes da rotina que fazem a diferença quando estamos apaixonados. 

Eu adoro este perfil e fico sempre contente quando vejo uma nova publicação no meu feed. Tenho de admitir que me identifico muito com a rapariga, acho que nunca uma BD me descreveu tão bem (ups!). Deixo-vos aqui algumas das minhas tiras preferidas!





Já conheciam?

domingo, 17 de setembro de 2017

SÉRIES || Raven's Home


Raven's Home é um spin-off de That's So Raven, a série que nos conquistou a todos em miúdos e a minha preferida de infância - muito mais que Lizzie McGuire, Phil do Futuro ou Querida, Encolhi os Miúdos.
Confesso que demorei a juntar-me à festa porque costumo ter medo de sequelas de filmes e séries que adoro. Receio que a essência ou qualidade já não estejam lá e que arruínem as boas memórias ou laços que criei com as personagens. Mas acabei por ceder - de coração nas mãos, acrescento. E foi tão bom.

Desta vez somos apresentados a uma Raven e Chelsea mais velhas, mamãs e divorciadas, que decidem viver juntas de forma a ajudarem-se financeiramente. Continuam loucas, extravagantes, cheias de carisma e as típicas visões de Raven continuam a aparecer... só que os filhos desconhecem que ela é vidente. A partir daqui, uma série de peripécias desenrolam-se com novas aventuras e piadas actuais.

Aquilo que me deixou mais feliz com este regresso - e que me fez admirar imenso as actrizes principais - é que a essência das duas personagens permanece igual. Já não são adolescentes e as suas preocupações, reacções e comportamentos são de mulheres mas todas as características que adorávamos - e que fizeram o That's So Raven aquilo que é hoje (inesquecível) - estão lá, impecáveis. A série é claramente feita para nós, fãs da série original e já crescidos, com muitas piadas dirigidas para nós e não tanto para os miúdos.

É uma comédia muito familiar que, no meio de tanta patetice, partilha valores incríveis e divide a nostalgia connosco. Raven's Home é tudo o que pedimos e isso é tão bom. Quando não inventam, quando não tentam estragar a fórmula certa, quando atendem exactamente ao que nós desejamos. Ainda só tem uma temporada (adoro apanhar séries no início) e gosto muito de fazer o ritual de a ver ao domingo à noite, com a minha caneca de chá. É o serão perfeito para terminar a semana com um sorriso e ansiar por um dia que, tipicamente, detesto (odeio Domingos). Se confiam nas minhas sugestões ou reviews e adoravam a Raven, podem assistir à série sem medo de serem felizes. 

sábado, 16 de setembro de 2017

EVENTOS || Ludovico Einaudi no Campo Pequeno


Aguardei (muitos anos) ansiosamente por este dia, por este momento. Depois de ter enchido o Coliseu, no ano passado, Ludovico Einaudi regressou este ano para encerrar, em Lisboa, a tour do seu mais recente álbum, Elements.
Foram duas horas de puro espectáculo. Nada conversador - como já previa por já ter assistido a alguns concertos dele disponíveis no Youtube - mas muito sensível, apresentou-se com mais seis músicos que deram corpo às composições.

O concerto dividiu-se em vários momentos, todos eles deslumbrantes, que puxaram emoções diferentes de cada um de nós. Começou com muito ritmo, muita energia, muita química entre todos os elementos, efeitos de luz psicadélicos e que resultaram em músicas de tirar o fôlego, seguidos de momentos mais tranquilos e intimistas em que só estava Einaudi no palco a tocar para nós inúmeras composições de piano mais suaves. Para fechar, a energia regressou, os efeitos de luz também - desta vez mais fantasiosos e a brincar com o espaço e com a plateia - e deixou-me com uma sensação de tristeza quando me apercebi de que estava a acabar.

Logo à entrada, entregavam um programa com todas as músicas que iriam ser tocadas, e este foi o programa entregue em todas as cidades, mas Ludovico tocou muitas mais músicas do que as referidas no papel - acredito que o tenha feito por ser encerramento da tour mas nós, como público, não nos importámos nada -. Tocou todas as minhas preferidas mas, para mim, o momento mais inesquecível foi quando tocou a Four Dimensions, que eu sempre achei maravilhosa e com elementos muito suaves. Em palco, foi ainda mais envolvente, com pequenas luzes a acompanhar o ritmo harmonioso da música. Confesso que estava tão feliz, tão deslumbrada, tão emocionada por finalmente estar a assistir a tudo que verti umas lágrimas. Esta composição é belíssima, mesmo em faixa - recomendo imenso que a oiçam - e ver tudo aquilo ao vivo foi muito emocionante.


Outro pormenor crucial para o concerto ter sido ainda mais fantástico foram os efeitos sonoros. Ludovico tocou a Elegy For the Arctic - a que tocou nos glaciares e eu mostrei-vos aqui - e, se se recordam do vídeo, um bloco gigantesco de gelo cai quando ele toca os acordes mais graves. Durante o concerto, esse momento - que deu uma ênfase sonora intensa e poderosa à música - foi recriado através de um metal mergulhado na água, tocado com uma baqueta e o som captado foi o do metal mergulhado na água. Extraordinário como conseguiram transportar aquele som tenebroso para uma sala de espectáculos. Fiquei arrepiada.

Estava já a desanimar por os ver ir embora sem tocarem a minha adorada Choros - e já muita gente estava a abandonar a sala - quando todos eles regressam para a tocar. O meu coração saltou um batimento cardíaco e foi um desfile de cordas fenomenal. Eu tinha a certeza de que uma música destas ao vivo seria inesquecível, mas ultrapassou todas as minhas expectativas e deixou-me com um sorriso rasgado no rosto.

Saí deste espectáculo radiante mas, acima de tudo, grata por ter tido o privilégio e oportunidade de ter assistido a um concerto com uma qualidade imbatível - tanto das músicas como dos próprios músicos, que tinham uma suavidade a transitar de instrumentos que me deixava perplexa -. Achei o concerto absolutamente intimista e inspirador e simplesmente terminei-o de olhos fechados a agradecer por ter riscado mais um sonho que parecia estar contra mim para se realizar. Se alguma vez estive mais feliz e grata, não me recordo. Dos concertos da minha vida.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

LIVROS || Paris é Uma Festa


Hemingway sempre foi um autor que me despertou curiosidade mas sei que foi a minha viagem a Cuba que aguçou o meu interesse por ele, afinal de contas, era um amante fervoroso deste país e foi nos bares que já vos relatei, no Passaporte, que escreveu o livro pelo qual me decidi estrear: Paris é Uma Festa.

Um romance quase com um toque de crónica ou, se preferirem, um livro de memórias dos tempos em que um Hemingway de vinte e poucos anos viveu em Paris, numa época do pós-Primeira Guerra Mundial.
Sinto que tive uma óptima pontaria para escolher o primeiro livro (escolhi às cegas, da biblioteca do meu pai) porque este é um livro na primeira pessoa e, inevitavelmente, um pouco auto-biográfico, uma vez que Hemingway partilha nesta obra as suas vivências na capital francesa. Tinha acabado de deixar o jornalismo para apostar numa carreira de escritor, casado com a sua primeira mulher - e muito apaixonado por ela - há todo um relato de como era viver na época dos loucos anos 20, de como superava as dificuldades económicas, descrições fabulosas da cidade - e das suas rotinas - que nunca vamos ter a oportunidade de conhecer e também das suas relações com tantos gigantes da cultura (Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald, Ford ou até o seu amor por Cézanne).

O que mais me fascinou no Paris é Uma Festa, são as descrições de época. Gostei imenso do estilo de escrita de Hemingway (despretensioso, simples, sem floreados típicos da época) e da sua componente descritiva e sensorial, que eu valorizo tanto num livro, e foi através dessa particularidade que pude descobrir imensos pormenores factuais dos anos vinte. Os hábitos, os hobbies, as rotinas, as relações sociais que se estabeleciam através de, por exemplo, simples faixas na roupa, os pensamentos pós-Primeira Guerra Mundial, as profissões que já não existem, as suas visões sobre a moda, a arte e tantas outras temáticas que ainda hoje nos estimulam. Para quem tem interesse e gosta de História, não podia recomendar mais. Mostra detalhes históricos que são irrelevantes num manual mas enriquecedores para quem gosta de saber como, afinal, viviam as pessoas daqueles tempos.

Sobre o Paris é Uma Festa, há um facto que divide opiniões; uns dizem que Hemingway interrompeu a escrita destas memórias para escrever outras obras - que foram inspiradas, precisamente, a partir destes relatos - e que depois terminou-o em Cuba, também. Outros afirmam que a obra ficou inacabada para sempre porque Hemingway suicidou-se. A verdade é que termino o livro assim, dividida, com uma sensação de memórias concluídas mas que, se pudessem, desejavam terem sido acabadas. Achei um excelente livro para apertar a mão a Ernest.

Autor: Ernest Hemingway
Número de Páginas: 166

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

ISTO É TÃO INÊS || Inês Esquisitinha?


Em Janeiro deste ano tomei uma importante decisão: ia deixar de ser esquisitinha com a comida. Eu sempre comi sopa e este é um elemento que faz muito parte da rotina cá de casa. E, embora seja possível consumir a quantidade diária recomendada de hortícolas através da sopa - que era o que eu fazia, até fruta metia e passava tudo - cheguei a uma fase em que não me chegava, não me sentia bem nem plena com isso. Durante muito tempo chegou-me, mas agora sentia-me controlada e presa por alternativas, em vez de me sentir bem à mesa. O meu prato não era colorido e isso assustava-me, confesso. Além de que me sentia prisioneira às minhas esquisitices e obrigava involuntariamente as pessoas ao meu redor a conformarem-se e a adaptarem-se a isso. Enfim, não é nenhuma novidade para vocês que eu não gostava, de todo, desta característica em mim. Odeio-a, aliás.

Então decidi que ia reeducar-me a comer. Ia aprender a conhecer as texturas e a gostar dos sabores. Não foi fácil. Não está a ser fácil. A prova disso é que estou a escrever isto em Setembro e estou desde o primeiro dia de 2017 a batalhar. E a diferença tem sido cada vez mais notória, não só em mim mas nos outros também, que reparam e sabem o quanto eu tenho lutado para me reeducar. 

Ainda não consigo não me considerar uma esquisitinha, porque o sou e vou ser durante muito tempo. Tenho muito ainda para melhorar e não atingi nem metade dos objectivos alimentares que reservo para mim. A fruta está a ser muito, mas mesmo muito difícil, ao contrário do que acontece na maioria das pessoas - é mais fácil começarem a gostar de fruta. Também ainda não consigo gostar de todos os hortícolas e a maior parte dos que como ainda não o faço com prazer (tirando o pimento, cebola, cenoura, alho francês e tomate). Já descobri que alguns não gosto mesmo - e estou nesse direito - e outros ainda nem no prato os consigo ver, quanto mais provar. Mas não desisto! Estou a lutar e já fiz mudanças absurdas, que me deixam contente e motivada.

O que mais me perguntam, quando me vêem no meio deste processo é: como consegues? Que truques utilizas? Que dicas tens? E a verdade é que, como em qualquer mudança na nossa rotina alimentar, só existe uma forma de fazer tudo acontecer: ter força de vontade. Acreditem que eu posso trazer uma lista de cinquenta dicas, posso escrever mais dez textos iguais a este e até conversar pessoalmente para vos motivar. E nada vai mudar se não meterem na cabeça de que vão querer fazer isto. Porque não é fácil e sem força de vontade para se reeducarem, sem se obrigarem a experimentar e a comer uma, duas, três, vinte vezes uma coisa pela qual torcem o nariz, sem meterem na cabeça de que tem mesmo de acontecer, não vão sair do lugar. 

Esta foi uma das minhas maiores mudanças deste ano - da minha vida, aliás - e, como já referi, está longe de estar a meio, sequer. Mas estamos perto da recta final do ano e mantenho-me firme nesta mudança, o que significa que quero mesmo continuar por este caminho e isso deixa-me orgulhosa, razão pela qual eu estou a partilhar uma das mudanças e mini-vitórias mais importantes da minha vida: a minha alimentação. O meu prato é, agora, mais variado e fico tranquila por saber isso. Fico feliz por ver tantos alimentos benéficos como forma de acompanhamento além da possível batata, arroz ou massa. Fico ainda mais radiante se forem os únicos acompanhamentos. Sinto-me orgulhosa por estar a sair vencedora e por ter dado uma chance para ser ainda mais saudável e para apreciar mais texturas e sabores. Espero, um dia, transformar-me completamente e passar a amar todos estes alimentos que, agora, fazem parte da minha rotina e que antes só apareciam passados num creme. Não estou a fazer um favor a mais ninguém senão a mim. Um dia serei um bom garfo.

sábado, 9 de setembro de 2017

FILMES || I Origins


Sabem aqueles filmes que estão na watchlist há séculos e nunca mais o riscam? Aconteceu-me isso com o I Origins. Tenho de admitir que, em parte, se deve ao facto de eu não ser extremamente ligada a filmes e séries a não ser o acto de ir ao cinema, que adoro. Demoro sempre imenso a reservar tempo para ver filmes em casa. Mas estou muito arrependida de não o ter visto mais cedo. 

Ian é um biólogo que encontra o amor da sua vida numa festa de Halloween e lhe pede para tirar uma fotografia aos seus olhos - um hobby que adora por considerar fascinante cada olho ser único, como uma impressão digital. Que nem o conto da Cinderella, a sua recente paixão desaparece da festa sem Ian descobrir quem é ou sequer o seu nome, restando-lhe a fotografia dos seus olhos, de uma característica muito peculiar. 

Tenho de vos confessar que, pela forma como sempre apresentaram este filme (as reviews, as quotes no Tumblr, etc...) eu achei que era um romance fatalista e, nesse caso, teria de estar com uma disposição e paciência particulares para assistir a este tipo de filmes. Fui enganada. Há, evidentemente, um romance e uma história de amor (e fatalista também) mas a história não é, de todo, centrada nisso. É apenas um gatilho para um outro tema, esse sim, muito interessante e que não estava à espera: uma ligação da ciência com Deus.

Gostei muito da fotografia e, embora seja um filme demasiado parado para as minhas preferências pessoais, cativou-me e não me fez desistir de querer saber como terminava a história. Tem diálogos muito interessantes mas que não me surpreenderam porque já tinha lido outras coisas acerca do assunto, mas que são incríveis, mostra um lado da ciência e da biologia menos fantástico que o mundo cinematográfico sempre prefere mostrar e terminamos o filme a reflectir e com um certo arrepio na espinha. Gostei imenso de toda a atenção do filme se centrar nos olhos - também eles me fascinam - e terminei o serão muito surpreendida e feliz por ter assistido a um filme tão rico e bonito - pela mensagem e pela própria estética -. Não cometam o mesmo erro que eu e não o deixem na watchlist - vão-se arrepender.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

APP || TENS!


Numa espécie de dominó com um twist, o objectivo do jogo é relativamente simples: somar 10 pontos, na vertical ou na horizontal, através dos pontinhos de cada peça. A grelha é pequena e é necessário desenvolver estratégias para chegar aos 10 pontos sem entupir a grelha toda e arranjando sempre espaço para as novas peças que surgem, nos seus formatos. Quanto mais excedermos os 10 pontos, mais difícil fica de despachar as peças da grelha para arranjar espaço para as novas.


Adoro este jogo para me concentrar. É divertido mas exige que prestemos atenção ao que estamos a fazer, ou perdemos em menos de um minuto. E é excelente para passar o tempo - até porque não exige wifi. Está disponível para iOS e Android e é gratuita. Super recomendo!

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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

MUNDO || World Ending

Nos últimos tempos, a minha caixa de e-mail tem estado recheada de mensagens de leitores mas, infelizmente, não é pelos melhores motivos. Os assuntos são diversificados e sempre com histórias diferentes - e que, por uma evidente questão de privacidade, eu não os irei partilhar convosco - mas identifico o factor comum: "sinto que o meu mundo acabou".

Esta súbita onda de mensagens, oriundas de pessoas tão diferentes e por motivos tão diferentes, fez-me reflectir um pouco. O Bobby Pins é um refúgio feliz e este sempre foi o meu objectivo - e continua a sê-lo - aqui na blogosfera, e fico sempre surpreendida quando continuam a confiar em mim para desabafar as coisas tristes também. Significa que, ao contrário do que muitos pregam, quem fala de felicidade também pode passar confiança aos leitores de que podem, também, falar sobre a tristeza. Talvez numa perspectiva que desconheciam antes. 

Mas, acima de tudo, fez-me pensar neste fim do mundo que tantas vezes nos arrebata e que é tão difícil de consolar quando nos vemos presos nele. O fim do mundo. Quando tudo à nossa volta colapsa, quando nada corre bem, quando os nossos alicerces racham, quando as pessoas se vão embora, quando o mundo pesa nos ombros e derrete sobre nós. Como podemos dizer à pessoa que está no olho do furacão, que cá fora vai ficar tudo bem, tudo normal, tudo impecável? Como é que eu, mera miúda que também tenho os meus fins do mundo, posso dizer a estas outras miúdas e miúdos que não é o fim do mundo quando se sente que é?

Eu sempre achei curioso os fins do mundo porque nenhum realmente acontece. A questão é que o fim do mundo (emocional e científico) não seria uma coisa palpável ou com uma contagem decrescente; o fim do mundo não se anuncia nem se sente; quando um meteoro do tamanho da Lua quiser colidir com a Terra, não vai haver comunicado da NASA, nem manobras de evacuação porque não haverá tempo para isso, sequer. Será tudo tão rápido que num minuto estaremos a comer um hambúrguer e no outro estaremos extintos e dizimados. Não haverá despedidas e lágrimas e crises existenciais. Não haverá tempo para fatalismos. O fim do mundo simplesmente acontece e simplesmente acaba. Mas o fim do mundo ainda não aconteceu. Nós acordamos no dia seguinte e a Terra está intacta, o céu tem as cores normais. O nosso coração continua a bater mesmo quando dizemos que está partido, a nossa cabeça continua a fazer raciocínios extraordinários mesmo quando a sentimos vazia ou pesada, os nossos olhos continuam a enxergar o mundo mesmo quando só querem fechar e nós continuamos a ter o nosso mundo mesmo quando achamos que acabou. Aqui continuamos, umas vezes com mais energia, outras vezes mais entregues à tristeza, no meio do olho do furacão mas... nada acontece. O furacão não nos leva, só ameaça. É enorme, mas não cumpre. Não termina com o nosso mundo, só nos faz sentir assim.

Vocês sobreviveram a todos os fins do mundo (o nosso e o vosso). Não preciso trabalhar na NASA para o afirmar: se vocês estão a ler esta publicação, se estão cá, se têm um coração equipado a rigor para vos fazer viver, uma cabeça perfeitamente capaz de vos fazer sentir e reflectir, olhos que não fecharam para lerem mais este parágrafo e, bem... Se um meteoro do tamanho da Lua não atingiu a Terra até agora, isto só pode significar que sobrevivemos a todos os fins do mundo - até eu. Também não sou imune a fins do mundo. Vocês sobreviveram a quedas violentas de bicicleta, à derrota do campeonato do vosso clube, à perda de um ente querido, a términos de namoro, a distanciamentos de amizade, a notas negativas, a chamadas de atenção humilhantes, a sustos na vossa saúde, a anos complicados, a derrotas académicas e profissionais, a portas fechadas na cara, a janelas fechadas na cara, a sentimentos não correspondidos e a qualquer outra coisa que vos assuste, que achem que jamais iam superar. Tudo isto se apresentou a vós como um furacão e nunca vos levou. Continuam aqui. 

Isto também deveria ser um excelente momento para reflectirem sobre uma outra coisa: vocês foram feitos de uma matéria muito mais resistente do que julgavam e, bom, sobreviveram a todos esses fins do mundo. O que significa que vocês são mais fortes do que imaginam, mesmo quando não se concentram nisso. Mesmo quando acham que não. Vocês superaram aquilo que vocês achavam insuperável e isso revela que têm uma força que desconheciam. Abracem-na. Lembrem-se dela. Não é de mais ninguém.

A questão é que é uma força só vossa e que ninguém a pode reclamar porque só a vós vos pertence. Ninguém vos pode tirar do fim do mundo por vocês. Eu não posso. Todas as pessoas ao vosso redor podem estar do outro lado a torcerem por vocês, a estenderem a mão, a dizer que tudo irá correr bem (e isso é muito importante). Eu posso dizer-vos que há sempre boas notícias ao virar da esquina. Mas são vocês que têm a força para agarrarem na mão dos outros, são vocês que têm a coragem de virar a esquina. A força é vossa e, por vezes, aparece sem se darem conta. Mas é vossa e podem orgulhar-se disso, de terem uma força que desconheciam! Sobreviveram, ultrapassaram o que achavam nunca vir a ultrapassar. E se já acordaram no dia seguinte ao fim do mundo, todas as manhãs, isso significa que qualquer outro fim jamais vos vai ganhar. Abala, todos abalam. Ameaça, todos ameaçam. Mas não ganha. Os vossos batimentos cardíacos e o vosso sorriso inconsciente é a prova disso: não é o fim do mundo. Vocês vão continuar a viver, vocês vão voltar a ser felizes, vocês vão voltar a encontrar beleza no que vos rodeia e nos outros, vocês vão voltar a sentir aquilo que julgavam estar guardado só para uma pessoa, vocês vão voltar a encontrar propósito, vocês vão descobrir o vosso talento e a vossa oportunidade vai chegar. É só um braço de ferro à vossa resiliência. E a matemática está do vosso lado, afinal de contas, vocês ganharam sempre. Confiem.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

DAILY || A Belka foi à praia pela 1ª vez!


Por falta de organização e preparação, nunca chegámos a levar a Laika à praia. Sou naturalmente uma miúda muito ligada ao litoral - afinal de contas, todos os lugares que marcaram o meu crescimento e a minha vida tinham costa e eu passava a vida na areia e a enfrentar as ondas do Oeste e do Norte - portanto, era importante, para mim, tê-la levado. Teria proporcionado momentos de enormes gargalhadas e seria, certamente, inesquecível. Mas não aconteceu.

Este foi um desejo que imediatamente decidi realizar com a Belka, desde que a acolhemos. O tempo começava a passar e via-a crescer cada vez mais e a janela de oportunidade a diminuir. Não me sentia confortável em fazê-la passar por todo o processo de uma viagem de carro - por mais curta que fosse - em adulta e gigantesca. Queria aproveitar enquanto ainda tinha porte de cachorro para que tudo fosse mais fácil.

Durante a viagem, a rádio presenteou-nos com a letra da música da Miley; "I never came to the beach, or stood by the ocean". Ela mentia, mas para a (nossa) Belka, era verdade. Ela nunca tinha tocado na areia, sentido a brisa do mar, ou visto sequer o oceano.
Talvez muitos leitores olhem para todo este momento com uma certa indiferença e estranheza de que eu considere tão importante. Aliás, talvez olhem com a maior estranheza do mundo o quanto eu a considero e o quanto me importo com ela, na minha vida. Mas para quem sente a mesma ligação e companheirismo com animais como eu sinto, compreenderá a importância e o amor que sinto por estes momentos.

Fiz questão de ser eu a levá-la e fiquei emocionada quando a vi parar com firmeza para observar as ondas possantes de Santa Cruz. Não teve medo da areia (a Laika iria demorar muito mais tempo a tocar neste novo solo) e a sua expressão de Calimero abriu-se com uma língua de fora satisfeita, um focinho muito activo a cheirar todos os novos odores e uns olhos rasgados e satisfeitos.


Teve muito medo do mar e a espuma branca assustava-a, mas isso não a impedia de se aproximar para tentar compreender o que era aquele grande monstro que lhe molhava as patinhas. Também teve medo das penas das gaivotas que pousavam perdidas na areia e que voavam na sua direcção ao sopro do vento. Fugia delas, ladrava-lhes e tentava passar uma coragem que não tinha.

A certa altura, arriscámos soltá-la e deixá-la brincar. Desmanchei-me em lágrimas de felicidade por poder correr com ela junto ao mar, por sentir o vento no rosto enquanto brincava à apanhada com ela. Deliciei-me por poder cair na areia e rebolar com ela, por ensiná-la a escavar na areia, por ver o seu focinho coberto de areia. Quanto mais solta se sentia, mais feliz ela ficava, rebolando, saltando, cheirando tudo e regressando de volta aos meus braços para me picar para corrermos mais, brincarmos mais, rebolarmos mais.


O plano não era ficarmos durante muito tempo na praia mas, a certa altura, o cansaço venceu-lhe e adormeceu deitada na areia. Não fomos capazes de a acordar. Ela exalava satisfação por estar deitada num solo quentinho, com os raios solares a aquecerem a sua barriguinha cheia de manchinhas, por sentir a brisa fresca a poupar-lhe do calor do verão. Adormeceu profundamente e chegou até a ressonar! E nós ficámos ali, perto dela, a conversar até que ela acordasse.



Foi um dos dias mais felizes da minha vida. Não só porque estive num dos lugares onde sou mais feliz com a minha companheira. Eu levo muito a sério a ideia de proporcionarmos momentos felizes aos nossos patudos. Se eu posso e tenho condições para dar uma família, eu dou. Se posso mimá-la um pouco mais, eu mimo. Se posso proporcionar-lhe um momento mais feliz e inesperado, eu tento. E eu queria muito que ela conhecesse um ambiente diferente, desafiante e novo, que ela nunca antes sonhara que existia. Fico com um aperto no coração quando me recordo que há inúmeros patudos e pessoas que nunca conheceram o oceano, o mar. E eu queria que a Belka soubesse que existe - mesmo que o tema. Eu também já o temi.

Ela faz-me muito feliz e ajudou-me em alguns momentos muito difíceis deste ano. Se eu posso retribuir e deixá-la feliz também - como a deixei, ela adorou a praia - sinto-me menos waste of space do que me sentiria se guardasse o oceano só para mim. Dos 23 desejos realizados (24 com o mergulho, em abril), acrescenta-se este. Dos mais especiais.

sábado, 2 de setembro de 2017

VÍDEOS || Preferidos de Agosto

Estava a fazer o meu ritual habitual do mês: guardava os meus vídeos preferidos do mês numa pasta para depois apresentá-los nos Favoritos mas, a certa altura, apercebi-me de que tinha uma quantidade enorme de vídeos preferidos que iriam alongar ainda mais a publicação e tornar a leitura maçadora. Mas como gostei tanto dos temas abordados nos vídeos, e porque queria muito partilhá-los convosco, decidi fazer esta publicação com os meus vídeos preferidos deste mês que terminou. Os temas são mesmo muito variados!

How to Vlog

Não estejam já a passar à frente se julgam que, por não fazerem vlogs, este vídeo é irrelevante. Eu também não faço vlogs e nem sequer os assisto - a não ser que sejam vlogs de viagem. A razão pela qual eu quero partilhar convosco este vídeo é por causa da mensagem, que eu acho que é adaptável não só a vlogs mas também à criatividade e à escrita. Inúmeras vezes queixamo-nos de que não acontece nada de relevante na nossa vida que justifique partilharmos com os outros - neste caso, que justifique fazer uma publicação nos nossos blogs - e é aqui que eu acho que erramos e que reside o segredo de tornarmos as nossas páginas mais únicas e com mais personalidade: contarmos as nossas histórias porque fazemos parte delas e os nossos leitores têm empatia connosco! Cada um de nós tem a sua rotina, as suas preferências, os seus acontecimentos e podemos - também à nossa maneira, com o nosso cunho pessoal - partilhá-las com os nossos leitores e torná-las especiais e incríveis. Isto faz com que tenhamos outra sensibilidade para apreciar o nosso dia-a-dia e também faz com que queiramos que coisas extraordinárias aconteçam. Não esperamos pela magia, criamo-la. É certo que o vídeo não deixa de ser sobre vlogs, mas assistam pela mensagem que reflecti acima. As nossas histórias são especiais porque estamos nelas e podemos tornar qualquer acontecimento em algo incrível. Eu posso dizer-vos que este vídeo fez-me reflectir muito e mudar um pouco a minha forma de ver o Bobby Pins e escrever mais sobre acontecimentos mágicos, para mim.

Your Body Language May Shape Who You Are

Eu adoro assistir a Ted Talks e achei este tema particularmente interessante, sobre linguagem corporal. Mas aquilo que eu achei verdadeiramente curioso foi o facto de toda a mensagem da palestra não ser direccionada para lermos a linguagem corporal dos outros e o efeito da mesma - como é típico em apresentações sobre este assunto - mas sim como a nossa própria linguagem corporal e o controlo da mesma pode ter efeitos em nós próprios. Podemos ser nós a passar mensagens a nós próprios, especialmente em situações de insegurança, através do nosso corpo e eu achei isso extraordinário. Vale muito a pena ver!

Gordon Ramsay Roasts Twitter Chefs

Nem tudo tem de ter mensagens importantes ou pesadas e há espaço para o humor também. Este vídeo é um exemplo e desmanchei-me em gargalhadas. Este vídeo é do Youtuber a reagir aos tweets que o Chef Gordon Ramsay faz em relação às fotografias de comida que lhe mandam. O resultado é sensacional e de chorar a rir. O melhor ainda é que as gargalhadas do Alonzo são tão engraçadas quanto a piada dos roasts. Se querem animar-se um bocadinho, aconselho vivamente!

My Daily Life in North Korea

Este é o meu vídeo preferido da lista. É um vlog de viagem do Jacob pela Coreia do Norte. Eu já assisti a alguns vídeos do género mas achei que este era o mais interessante e real. Tendo em conta tudo o que já li sobre esta temática, acho este vlog muito fiel. A maior parte dos vídeos e registos tentam passar uma imagem assustadora de uma cidade que amedronta. A realidade é que as coisas não funcionam assim. Embora saibamos que o país vive sob uma ditadura militar fortíssima, embora a maior parte das pessoas vivam na miséria, embora existam uma centena de leis e proibições aos locais e turistas, as pessoas continuam a viver e a tentarem ser felizes - até porque a maior parte não compreende aquilo a que está privado. Simplesmente nunca conheceram a liberdade, portanto, não sentem a infelicidade que sentiríamos se fôssemos viver para lá naquele regime -. É certo que as filmagens são apenas daquilo a que estão permitidos gravar/fotografar e temos sempre - tal como o Youtuber aconselha - de olhar para tudo com um certo sentido crítico e de desconfiança, mas eu achei muito interessante os seus registos, os seus relatos sobre a visita e as conclusões que tira da viagem.

12 Opiniões que Eu Tinha e Mudei!

Eu gostei imenso deste vídeo por várias razões mas, principalmente, porque vai de encontro a algo que eu tenho dito há anos e que tem chateado algumas pessoas: as pessoas mudam. Aquela citação que toda a gente gosta de partilhar "as pessoas não mudam, revelam-se" é uma completa peta. Nós mudamos a nossa forma de ver o mundo, os outros e até nós próprios. Nós passamos a ser mais tolerantes em relação a algumas coisas e menos em relação a outras, nós passamos a desejar coisas que antes não desejávamos por nada deste mundo e deixamos de querer coisas que estavam no topo da lista. Passamos a compreender e a aceitar situações que julgávamos inaceitáveis. Bebemos de águas que jurávamos nunca beber e fazemos aquilo que dissemos que nunca iríamos fazer. E isto muda-nos também, agrega-se ao nosso carácter e torna-nos pessoas diferentes. Isto não nos torna hipócritas, como também muita gente gosta de assumir. Mudarmos de opinião não é sinal de hipocrisia, é sinal de que nos permitirmos evoluir e mudar (umas vezes para melhor, outras para pior, mas isso é outra discussão). E nem sempre é fácil reconhecermos que as nossas opiniões anteriores eram erradas, ou retrógradas, ou um pouco embaraçosas e a Karol faz essa reflexão consigo própria, de uma forma muito sensata e inspiradora. 
Eu não partilho de todas as ideias com ela - talvez venha a mudar isso, talvez seja natural porque não somos a mesma pessoa - e algumas das suas opiniões iniciais eu nunca tive, mas é mesmo interessante. Houve uma em particular que me tocou muito e que aprendi este ano, espero poder partilhá-la convosco nas minhas aprendizagens com 22 anos, se o desejarem. É um vídeo muito estimulante e que nos faz reflectir, também, em quais foram as opiniões que mudámos e vermos o quanto crescemos.

Start Taking Better Photos Today! Composition in Photography

Mais um vídeo do Peter (adoro-o e seria um sonho, para mim, se ele me fotografasse), desta vez a falar sobre fotografia e composição. É um detalhe da fotografia que eu acho crucial para fazer toda a diferença e destacar o elemento que queremos que receba todas as atenções. Pergunto-me muitas vezes como posso tornar a minha fotografia mais gira, mais composta, mais dinâmica, como posso aproveitar o que tenho ao meu redor e este tutorial do Peter vai ao encontro disso mesmo e de uma forma muito dinâmica e prática - ele aplica os conselhos que vai dando ao longo do vídeo e mostra-nos como fazem a diferença -. Este vídeo ajudou-me a manter o olhar mais aberto e a procurar os pequenos elementos que passam despercebidos mas que podem ajudar-me a tirar uma foto mais inesquecível ou bonita. Se gostam de fotografia e de tirar fotografias (sejam com que câmara for), vejam este vídeo, vale imenso a pena!

Life Lessons From 100 Year Olds

Por último, este vídeo que achei tão inspirador. Tem uma vibe muito doc mas achei-o fenomenal. Reuniram três pessoas com mais de 100 anos para fazerem algumas questões e as respostas são inspiradoras e surpreendentes. Aquilo que mais me fascinou foi o quanto eles tinham energia, boa disposição e vontade de acompanhar a actualidade e não se deixarem ficar para trás. Eu acho que a mensagem está aqui: em relativizarmos os nossos dramas, em não nos deixarmos ficar para trás e encararmos a vida com leveza e uma enorme pitada de humor!